Diante do anúncio de que Expoacre 2026 vai oferecer shows nacionais sem cobrança de ingresso uma pergunta é inevitável: gratuito para quem? Uma programação ainda não confirmada pelo governo do Acre prevê apresentações abertas ao público, mas os gastos dos anos anteriores mostram que a gratuidade na entrada foi sustentada por milhões de reais do orçamento estadual.
O portal ContilNet publicou que quatro atrações nacionais devem se apresentar gratuitamente na feira: Leonardo, em 2 de agosto; Natanzinho Lima, em 3 de agosto; Wesley Safadão, em 5 de agosto; e Ana Castela, em 6 de agosto. Bruno & Marrone e Cat Dealers seriam as únicas apresentações com cobrança de ingresso. Até a publicação da reportagem, porém, o governo ainda não havia oficializado toda a programação nem confirmado quais shows seriam pagos pelo público.
Nesse caso, a palavra “gratuito” exige um certo cuidado. Afinal, ausência de bilheteria não significa ausência de custo. Significa apenas que a conta foi paga antes por outro caminho. Quando a contratação envolve o governo, o dinheiro sai do orçamento público e, portanto, do contribuinte. E em ano eleitoral isso se torna ainda mais relevante.
Os gastos dos anos anteriores ajudam a dimensionar essa conta. Levantamento nas bases da antiga Secretaria de Estado de Indústria, Ciência, Tecnologia, Comércio e Turismo e da atual Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia encontrou R$ 53.452.808,12 em pagamentos, entre 2022 e julho de 2026, cujos históricos citam expressamente as palavras “Expoacre” ou “show” e “shows”.
Desse total, R$ 50.940.588,49 aparecem em despesas relacionadas à Expoacre. Outros R$ 2.512.219,63 estão registrados com referências diretas a shows. Os valores não abrangem necessariamente toda a estrutura da feira, mas revelam quanto dinheiro passou por despesas classificadas com esses termos específicos.
O caso de 2025 mostra como essas contratações foram organizadas. O Termo de Colaboração nº 3/2025, firmado pela SEICT com a Casa da Amizade, destinou recursos à “promoção de eventos com atrações nacionais” na Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul, e na Expoacre, em Rio Branco. O plano de trabalho original previa R$ 19.001.120 para artistas nacionais, produção e logística.
O orçamento incluía apresentações de Raça Negra, Wesley Safadão, Eric Land, Isaías Saad, Vila Kids Festival, Marcynho Sensação, Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo e Luciano, Fernanda Brum, Matheus & Kauan, Jorge & Mateus e atrações infantis. Também cobria passagens, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, camarins, vans, transporte de equipes, direitos autorais e outros custos operacionais.
Um aditivo acrescentou R$ 3.299.790 ao projeto. Desse valor, R$ 2,5 milhões foram reservados para o cachê de Gusttavo Lima na edição de 50 anos da Expoacre, em Rio Branco. Os outros R$ 799.790 financiaram a produção e a logística da apresentação.
Com o acréscimo, o termo chegou a R$ 22.300.910, valor igual ao total localizado nos pagamentos feitos à Casa da Amizade dentro da parceria. A maior parte desses recursos não apareceu nos registros públicos apenas sob a palavra “show”. A classificação usada foi “promoção de eventos com atrações nacionais”, embora o plano de trabalho detalhasse cachês, transporte, hospedagem, camarins, produção e logística das apresentações.
A página de editais da SEICT confirma o modelo adotado. O Chamamento Público nº 002/2025 tratou da promoção de eventos com atrações nacionais na Expoacre Juruá e na Expoacre de Rio Branco. A secretaria também publicou outros chamamentos para estruturar ambientes de negócios nas duas edições da feira.
Esse histórico ajuda a compreender o debate de 2026. Na base de pagamentos atualizada consultada, ainda não há despesa da SEICT, ou outras pastas, em 2026 com descrição explícita de Expoacre, shows ou atrações nacionais, em Rio Branco. A programação, no entanto, ainda está em formação. Nos anos anteriores, os espetáculos abertos ao público dependeram de termos de colaboração, repasses a entidades e contratos financiados com recursos estaduais.
A preparação do espaço já começou a consumir dinheiro público. O governo firmou contratos que somam R$ 2.099.689,48 para reformar e adequar o Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco. Os serviços fazem parte da preparação do local para a Expoacre 2026, conforme extratos publicados no Diário Oficial.
A discussão também alcança a política de gastos das áreas de Indústria, Ciência, Tecnologia, Comércio e Turismo durante o governo Gladson Cameli e Mailza Assis. Entre 2022 e julho de 2026, essas estruturas administrativas pagaram R$ 170,4 milhões. Desse total, R$ 76,1 milhões aparecem em despesas ligadas a Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, Carnaval, festas, festivais, shows, atrações nacionais, eventos e comemorações do Dia do Trabalhador.
Na SEICT, a maior subfunção orçamentária foi Promoção Comercial, com R$ 85,2 milhões pagos. Em comparação, despesas diretamente relacionadas à construção de uma política industrial permanente — como parques industriais, equipamentos produtivos, apoio às cadeias industriais, qualificação técnica em escala e infraestrutura de produção — aparecem em volume menor.
A discussão, portanto, não se limita aos artistas escolhidos para subir ao palco em 2026. Ela envolve a origem do dinheiro, o caminho usado para contratar as atrações e o legado deixado depois que as luzes se apagam e as estruturas são desmontadas.
Caso Leonardo, Natanzinho Lima, Wesley Safadão e Ana Castela sejam realmente anunciados sem cobrança de ingresso, a pergunta continuará necessária: gratuitos para o público, mas pagos por quem?
O histórico recente da Expoacre oferece uma resposta objetiva: a entrada pode não passar pela bilheteria, mas a conta passa pelo bolso do contribuinte.
Uma mulher de 30 anos diagnosticada com sarampo recebeu alta médica nesta terça-feira (13), em Rio Branco, após se recuperar da doença. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) nesta quarta-feira (14). Já uma criança de 11 meses, que também teve o diagnóstico confirmado, permanece internada em estado grave, sem previsão de alta.
De acordo com a Sesacre, a mulher está completamente recuperada e não apresenta mais sinais da infecção. O bebê continua sob cuidados médicos na Unidade de Cuidado Intermediário (UCI).
Os dois pacientes são moradores de Puerto Maldonado, no Peru, e foram atendidos na capital acreana após passarem pelos municípios de Assis Brasil e Brasileia, na região de fronteira.
Os casos foram confirmados na quinta-feira (8) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), após exames laboratoriais identificarem a presença do vírus do sarampo. As autoridades de saúde iniciaram uma investigação epidemiológica para identificar o provável local de infecção e monitorar pessoas que tiveram contato com os pacientes.
A suspeita inicial é de que a contaminação tenha ocorrido fora do território brasileiro, mas a classificação definitiva dos casos depende da conclusão da investigação.
Diante dos diagnósticos, as autoridades de saúde reforçaram as ações de vigilância epidemiológica e prevenção. Entre as medidas estão o monitoramento de contatos e o bloqueio vacinal em locais de possível exposição ao vírus.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar, que pode provocar complicações graves, principalmente em crianças pequenas. Os principais sintomas incluem febre, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e irritação nos olhos.
A Sesacre orienta a população a verificar a caderneta de vacinação e procurar as unidades de saúde para atualizar as doses necessárias. Pessoas que apresentarem sintomas devem buscar atendimento médico e informar eventuais viagens recentes ou contato com pacientes suspeitos de sarampo.
O Acre registra 62,79% dos bebês acompanhados em aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, percentual superior à média brasileira de 57,48%. Apesar do resultado, o estado contabilizou 1.816 crianças de até cinco anos com peso baixo ou muito baixo para a idade em 2025. Os números fazem parte do painel Primeira Infância em Dados, que reúne informações sobre alimentação e condições nutricionais da população infantil.
O percentual de crianças abaixo do peso adequado chegou a 3,92% entre as avaliadas no Acre, também acima da média nacional de 3,40%. O levantamento mostra que os problemas nutricionais atingem diferentes grupos da população infantil, mesmo com a taxa de amamentação exclusiva superior à registrada no país.
Além das crianças com baixo peso, outras 2.925 apresentaram peso elevado para a idade, correspondendo a 6,31% do total acompanhado. Os dados consideram crianças de zero a cinco anos atendidas pelos serviços de saúde.
A situação também aparece nos indicadores de crescimento. Entre as crianças avaliadas no estado, 15,26% apresentaram altura baixa ou muito baixa para a idade. Desse total, 8,67% estavam na faixa de altura baixa e 6,59% na classificação de altura muito baixa. As demais 84,74% apresentaram crescimento dentro dos parâmetros considerados adequados.
Em Rio Branco, o índice de aleitamento materno exclusivo foi de 61,48%, também superior à média nacional. Na capital, 2,25% das crianças avaliadas apresentaram baixo peso, enquanto 7,01%, o equivalente a 757 crianças, estavam com peso elevado para a idade.
Quanto à altura, 89,52% das crianças acompanhadas na capital apresentaram medidas adequadas. Outras 6,42% foram classificadas com altura baixa e 4,05% com altura muito baixa.
O Acre possui uma população estimada de 100.818 crianças de zero a seis anos, correspondente a 11,40% dos habitantes do estado.
O Ministério da Saúde recomenda que os bebês recebam exclusivamente leite materno durante os primeiros seis meses de vida, sem oferta de água, chás ou outros alimentos. Após esse período, a orientação é iniciar a alimentação complementar e manter a amamentação até os dois anos ou mais.
Os indicadores foram reunidos a partir de informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), com dados divulgados em julho de 2026. O levantamento considera os registros feitos pelos serviços municipais de saúde e não representa a totalidade das crianças residentes no estado.
O feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, celebrado na próxima segunda-feira, 12 de outubro, vai garantir três dias consecutivos de folga para parte dos trabalhadores do Acre e abre uma sequência de datas sem expediente previstas até o fim de 2026.
Como o feriado cairá em uma segunda-feira, quem não trabalha aos sábados e domingos poderá aproveitar o período entre os dias 10 e 12 de outubro. A data também é conhecida pela comemoração do Dia das Crianças, embora o feriado nacional seja oficialmente dedicado à padroeira do Brasil.
No serviço público estadual, o calendário oficial prevê a suspensão do expediente, com manutenção das atividades consideradas essenciais, que funcionam por meio de escalas próprias.
Ainda em outubro, o dia 28 será ponto facultativo em razão do Dia do Servidor Público. A data cairá em uma quarta-feira.
Novembro terá outras datas que podem alterar a rotina de repartições e trabalhadores. Finados, em 2 de novembro, cairá em uma segunda-feira. Já o feriado estadual do Tratado de Petrópolis será celebrado em 17 de novembro, uma terça-feira.
O Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, cairá em uma sexta-feira e também formará um fim de semana prolongado. A Proclamação da República, em 15 de novembro, será celebrada em um domingo.
No último mês do ano, o Natal será comemorado em uma sexta-feira, 25 de dezembro. O calendário estadual ainda prevê pontos facultativos nos dias 24 e 31 de dezembro. Em Rio Branco, 28 de dezembro, uma segunda-feira, é feriado municipal pelo aniversário da capital.