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Política

Em cúpula na Índia, Lula propõe governança global da inteligência artificial sob liderança da ONU

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, um modelo de governança global da inteligência artificial sob liderança da Organização das Nações Unidas, em discurso na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Délhi, na Índia.

Ao situar o debate internacional, Lula mencionou a iniciativa chinesa de criação de uma organização voltada à cooperação em inteligência artificial com foco em países em desenvolvimento e citou a Parceria Global em Inteligência Artificial desenvolvida no âmbito do G7, sob presidências do Canadá e da França. A referência a mecanismos já existentes veio acompanhada de uma defesa de coordenação em escala multilateral, com participação ampla de países e com conexão direta com agendas de desenvolvimento.

O presidente afirmou que a revolução digital e a inteligência artificial têm impacto na produtividade industrial, nos serviços públicos, na medicina e em áreas ligadas à segurança alimentar e energética, e apontou riscos associados ao uso dessas tecnologias, como discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil e feminicídio. Ao apresentar a posição do governo brasileiro, declarou: “O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a Inteligência Artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”.

Na sequência, Lula relacionou o avanço tecnológico ao cenário de retração do multilateralismo e disse que a governança da inteligência artificial passa a ter peso estratégico nesse contexto. “A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas.” Em outra passagem, reforçou a escolha pela ONU como foro central: “Mas nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da inteligência artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento”.

O discurso também tratou de impactos políticos e eleitorais do uso de ferramentas capazes de gerar e manipular conteúdos. “Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital”, disse Lula, ao defender que decisões sobre regras, responsabilidades e limites da tecnologia considerem efeitos sobre instituições e sobre a circulação de informação.

A cúpula em Nova Délhi integra o chamado Processo de Bletchley, série de reuniões intergovernamentais sobre segurança e governança de inteligência artificial iniciada em Bletchley Park, no Reino Unido, em novembro de 2023. Ao defender a centralidade da ONU, o governo brasileiro sinaliza uma agenda que busca combinar regulação, cooperação internacional e foco em desenvolvimento, com atenção a riscos associados à desinformação e a crimes potencializados por ferramentas digitais.

Fonte: Agência Brasil – Foto: Ricardo Stucker

MEIO AMBIENTE

Sete em cada dez parlamentares eleitos têm baixo alinhamento à agenda ambiental

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Quase sete em cada dez parlamentares que vão integrar o Congresso Nacional a partir de 2027 apresentam baixo ou muito baixo alinhamento com pautas ambientais e climáticas. O levantamento considera deputados federais e senadores eleitos para a 58ª Legislatura, que terá mandato entre 2027 e 2031.

A análise foi feita pelo Observatório do Clima a partir do Índice de Convergência Ambiental, ferramenta que avalia a atuação e os votos dos congressistas em temas relacionados ao clima e ao meio ambiente. Dos parlamentares analisados, 68,9% foram enquadrados nas duas menores faixas de convergência.

Ao todo, 201 congressistas, o equivalente a 33,8%, ficaram na categoria de alinhamento muito baixo. Outros 208, ou 35%, aparecem na faixa considerada baixa. Entre os parlamentares com maior proximidade da pauta socioambiental, 52 foram classificados com convergência boa e 133 com convergência muito boa.

O cenário é mais acentuado no Senado. Dos 81 senadores que integrarão a próxima legislatura, 64, ou 79%, apresentam alinhamento baixo ou muito baixo com temas como conservação ambiental, enfrentamento às mudanças climáticas e adaptação das cidades. Apenas 17 senadores estão nas faixas boa ou muito boa.

Na Câmara dos Deputados, 345 dos 513 parlamentares, correspondentes a 67,3% das cadeiras, ficaram nas categorias baixa ou muito baixa. Outros 40 deputados aparecem na faixa boa e 128 na classificação muito boa.

O levantamento também aponta aumento do número de senadores com baixo alinhamento ambiental em comparação com a atual legislatura. O grupo passou de 58 para 64 integrantes. O Observatório do Clima relaciona parte da mudança na composição do Congresso ao crescimento de partidos que registram índices menores de convergência com essa agenda.

Entre os exemplos está o PL, que ampliou sua representação para 28 das 81 cadeiras do Senado e 121 das 513 vagas da Câmara dos Deputados. Para a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, a nova configuração deve ampliar as disputas no Congresso em torno das políticas ambientais durante os próximos quatro anos.

A metodologia divide os parlamentares em quatro níveis de convergência ambiental: muito baixa, entre 0% e 25%; baixa, de 26% a 50%; boa, entre 51% e 69%; e muito boa, de 70% a 100%. A análise também utilizou informações oficiais da Câmara, do Senado, de assembleias legislativas e de governos para classificar parlamentares ainda sem histórico no índice.

Fonte: Agência Brasil

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Política

Um em cada cinco eleitores do Acre ficou fora das urnas no primeiro turno

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Mais de 125 mil eleitores do Acre não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026, realizado no domingo (4). A abstenção chegou a 20,43% do eleitorado, o que representa praticamente um em cada cinco acreanos aptos a votar.

Dos 613.742 eleitores habilitados no estado, 488.330 compareceram às seções eleitorais. A diferença deixa 125.412 pessoas fora da votação que definiu deputados estaduais, deputados federais, senadores e levou as disputas pelo Governo do Acre e pela Presidência da República ao segundo turno.

Apesar do número de ausentes, a participação melhorou em relação às eleições de 2022. Naquele ano, 22,44% do eleitorado acreano deixou de votar no primeiro turno, com mais de 130 mil ausências. Em 2026, a taxa caiu 2,01 pontos percentuais.

O Acre também ficou abaixo da média nacional. Em todo o país, a abstenção chegou a 21,08%, com aproximadamente 33,4 milhões de eleitores sem comparecer às urnas. Entre as 27 unidades da Federação, o Acre registrou a 12ª maior taxa de ausência.

Além dos eleitores que não compareceram, votos brancos e nulos também tiveram peso na votação acreana. Na disputa presidencial, a soma das abstenções com votos brancos e nulos representou 24,63% do eleitorado. Para o Senado, foram registrados 38.954 votos em branco e 61.686 votos nulos, os maiores números entre os cargos disputados no estado.

O eleitorado acreano voltará às urnas no dia 25 de outubro. Mailza Assis (PP), que recebeu 218.760 votos e terminou o primeiro turno com 49,76% dos votos válidos, enfrenta Alan Rick (Republicanos), que obteve 141.859 votos, equivalente a 32,27%.

A Presidência da República também será decidida no segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A participação dos mais de 125 mil acreanos que não votaram no primeiro turno passa a ser um dos componentes que podem alterar o tamanho do eleitorado efetivamente presente na votação decisiva.

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Política

Apoio de Alysson a Mailza redesenha disputa pelo segundo turno no Acre

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O segundo turno para o Governo do Acre começou a reorganizar as principais forças políticas do estado nesta segunda-feira (5). Prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (PP) anunciou apoio à governadora Mailza Assis (PP) e afirmou que entrará na campanha pela reeleição da correligionária contra o senador Alan Rick (Republicanos).

A decisão coloca o comando da Prefeitura de Rio Branco diretamente na disputa eleitoral. A capital concentra o maior número de eleitores do Acre e será um dos principais territórios de busca por votos nas próximas semanas.

Ao confirmar a posição, Alysson disse que passará a defender publicamente a candidatura de Mailza. “O 11 que estava no meu coração agora também estará na minha boca”, declarou durante encontro político realizado na sede do Progressistas.

O movimento ocorre logo após Alan Rick manifestar interesse em conversar com o prefeito. O candidato do Republicanos havia lembrado o apoio dado a Alysson na eleição municipal de 2024 e afirmou, depois da apuração do primeiro turno, que buscaria seu apoio para a etapa final da eleição estadual.

A opção de Alysson por Mailza fecha uma das primeiras disputas por apoio abertas após o resultado das urnas. A partir de agora, o prefeito deverá participar das agendas da governadora e atuar principalmente na mobilização eleitoral em Rio Branco.

A decisão também aumenta a atenção sobre o posicionamento do ex-prefeito Tião Bocalom (PSDB), terceiro colocado na disputa pelo governo. Bocalom havia afirmado que conversaria com Alysson antes de definir qual caminho seguiria no segundo turno.

Mailza terminou o primeiro turno na primeira colocação, mas sem alcançar os votos necessários para encerrar a eleição. Alan Rick ficou em segundo e avançou para a nova votação. Com a disputa reduzida aos dois candidatos, partidos, prefeitos, parlamentares e grupos que ficaram fora do segundo turno passam a ser procurados pelas duas campanhas.

Foto: Sérgio Vale

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