Em entrevista ao Bar do Vaz, Alysson associa sua chegada ao comando da capital à trajetória construída ao lado de Tião Bocalom e aponta desafios em áreas como saúde, educação, abastecimento de água, obras e transporte público.
No cotidiano de Rio Branco, a política só ganha medida quando encosta na vida prática: no buraco da rua, na falta de remédio, na vaga em creche, na água que não chega e no ônibus que atrasa. Foi nesse terreno que o prefeito Alysson Bestene posicionou sua primeira entrevista após assumir a prefeitura. Em conversa com Roberto Vaz, no programa Bar do Vaz, ele apresentou a gestão como continuidade da administração de Tião Bocalom, que deixou o cargo para disputar o governo do Acre.
Alysson procurou deixar claro que sua chegada à chefia do Executivo não nasce de um movimento isolado, mas de uma caminhada política e administrativa ao lado de Tião Bocalom. Ao reafirmar que pretende manter a mesma linha de atuação da gestão anterior, ele também reconhece, de forma explícita, a liderança de Bocalom na condução do projeto que hoje passa às suas mãos. Mais do que um gesto de lealdade política, essa ênfase funciona como uma sinalização pública de estabilidade administrativa.
Esse ponto é central, Alysson não tenta se apresentar como “novo” no sentido de descolado do que foi feito até aqui. Sua fala vai em outra direção: a de alguém que participou da engrenagem, conhece o percurso da gestão e sabe que, ao assumir a prefeitura, herda também seus compromissos. Na entrevista, isso aparece quando ele associa a continuidade da equipe, do planejamento e das obras a uma espécie de responsabilidade de sequência, não de reinvenção.
Ao mesmo tempo, o prefeito tratou de temas que, em Rio Branco, chegam primeiro ao ouvido do morador do que ao debate técnico: manutenção de ruas, abastecimento de água, vagas em creche, funcionamento das unidades de saúde, falta de medicamentos e a crise recorrente do transporte coletivo. Nessa escolha de pauta, há um dado político relevante: Alysson procurou se mostrar ciente de que o mandato começa, de fato, onde a vida urbana aperta mais. E muitas dessas pautas vivem outra realidade em Rio Branco.
Na infraestrutura, ele citou a manutenção da frente de obras e dos serviços de tapa-buraco, além do número de máquinas em operação e da previsão de reforço da frota. No saneamento, falou em investimentos por meio do Saerb e na necessidade de enfrentar perdas no sistema de abastecimento. Na educação, recorreu à própria passagem pela secretaria para destacar a abertura de vagas em creches e a continuidade da organização da rede. Na saúde, reconheceu entraves no fornecimento de medicamentos e atribuiu parte do problema à logística e às dificuldades de contratação. No transporte, apresentou como eixo a tentativa de remodelar o sistema de remuneração e de ampliar a frota municipal.
Há, portanto, dois movimentos simultâneos na entrevista. O primeiro é de alinhamento: Alysson faz questão de situar sua gestão dentro do projeto liderado por Bocalom. O segundo é de afirmação: ao tratar dos principais gargalos da cidade, ele procura demonstrar que não assume apenas um cargo, mas uma agenda já pressionada pelo cotidiano. Entre a fidelidade política e a cobrança prática da rua, o novo prefeito tenta construir a imagem de quem sabe de onde veio e do que terá de dar conta daqui para frente.
Fonte: entrevista de Alysson Bestene ao programa Bar do Vaz, do ac24horas, em 7 de abril de 2026. Foto: Sérgio Vale
Para assistir à íntegra: o vídeo está disponível no YouTube, no canal do ac24horas. (YouTube)
A violência contra jornalistas nas redes sociais ganhou força durante a campanha eleitoral de 2026. Entre 16 de agosto e 4 de outubro, foram registrados 14.182 ataques contra profissionais de imprensa e veículos de comunicação no Brasil. As mulheres foram as principais vítimas das agressões direcionadas individualmente a jornalistas, concentrando quase 65% dos casos.
Os números fazem parte de um levantamento da Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio).
Durante os 50 dias de monitoramento, a pesquisa analisou aproximadamente 3,7 milhões de publicações no X e no Instagram. A média foi de 283 ataques por dia, envolvendo desde tentativas de desacreditar reportagens até ofensas pessoais, ameaças e mensagens de intimidação.
A quantidade de ataques cresceu com a aproximação da votação. Nos primeiros 15 dias analisados, foram contabilizadas 2.630 ocorrências. Na quinzena seguinte, o número subiu para cerca de 4,4 mil, aumento de 67,3%. Somente na última semana antes do primeiro turno, foram registrados 4.537 ataques.
A violência contra mulheres jornalistas também chamou a atenção dos pesquisadores. Dos 3.106 ataques direcionados a profissionais identificados individualmente, 2.013 tiveram mulheres como alvo. As agressões incluíram ofensas misóginas, insultos sexuais e ameaças de violência física.
A disputa presidencial concentrou quase 80% dos ataques em que foi possível identificar o contexto eleitoral. Parte das publicações buscava associar jornalistas e veículos a interesses partidários, utilizando acusações de manipulação de informações e divulgação de notícias falsas.
O levantamento também identificou episódios de intimidação contra profissionais durante a apuração de reportagens. Em alguns casos, jornalistas passaram a ser atacados depois de procurar fontes para entrevistas ou solicitar esclarecimentos sobre assuntos de interesse público.
A Coalizão em Defesa do Jornalismo reúne organizações como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Repórteres sem Fronteiras.
Para as entidades, o crescimento das agressões digitais durante as eleições representa uma ameaça à liberdade de imprensa. Além de atingir diretamente os profissionais, os ataques podem dificultar o trabalho de apuração e o acesso da população a informações sobre candidatos, governos e processos eleitorais.
O Senado Federal deve votar na próxima quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. A data foi definida pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e marca o início da votação em plenário de uma das principais pautas trabalhistas defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A PEC 221/2019 estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários. A mudança substituiria a escala de seis dias de trabalho por um de folga pelo modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso.
A implementação seria gradual. Nos primeiros 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima passaria para 42 horas semanais, com a garantia de duas folgas. Após mais 12 meses, o limite cairia para 40 horas. O texto também prevê regras específicas para determinadas categorias profissionais.
Ao anunciar a votação, Alcolumbre afirmou que está cumprindo o compromisso de colocar a proposta em pauta “com responsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental”.
A proposta já foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados, em maio deste ano, e recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro. Agora, precisa conquistar pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores, em duas votações.
A votação ocorre em meio à disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que se enfrentam no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. A base governista busca acelerar a tramitação para concluir a votação antes da eleição, enquanto integrantes da oposição questionam a mudança no calendário e defendem alternativas para a organização da jornada de trabalho.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), trabalha para reunir apoio a um calendário especial que permita antecipar a segunda votação. Pelo rito normal, a PEC precisa passar por três novas sessões de discussão após a aprovação em primeiro turno.
Caso receba os votos necessários nas duas etapas, sem alterações em relação ao texto aprovado pela Câmara, a proposta poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial.
Mais de 29 mil eleitores acreanos digitaram os números 13 e 22 na votação para governador no primeiro turno das eleições de 2026, realizado no último domingo (4). Como nenhum candidato ao governo estadual concorria com essas numerações, os votos foram anulados. Os dois números são associados aos partidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL), que disputam a Presidência da República.
Ao todo, foram registrados 29.085 votos nulos com essas duas numerações. O número 22 apareceu 19.428 vezes, enquanto o 13 foi digitado por 9.657 eleitores. Os dados fazem parte de um levantamento realizado a partir dos Registros Digitais de Voto (RDVs) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), abrangendo 2.270 seções eleitorais dos 22 municípios do Acre.
A quantidade de votos registrados com esses números chama a atenção porque nenhum dos dois partidos apresentou candidato próprio ao governo estadual. O PL integra a coligação da governadora Mailza Assis (PP), enquanto o PT participou da disputa por meio da Federação Brasil da Esperança, que apoiou a candidatura de Thor Dantas (PSB).
Os registros não permitem identificar se os eleitores confundiram os números utilizados na eleição presidencial com os da disputa estadual ou se decidiram anular o voto de maneira intencional. O sistema eleitoral preserva o sigilo das escolhas e não permite relacionar os votos de uma mesma pessoa para diferentes cargos.
Na disputa pelo Governo do Acre, Mailza Assis terminou o primeiro turno com 218.760 votos, equivalentes a 49,76% dos válidos. Alan Rick (Republicanos) recebeu 141.859 votos, ou 32,27%. Os dois candidatos disputarão o segundo turno no próximo dia 25 de outubro.
Os votos nulos não entram no cálculo dos votos válidos, utilizado pela Justiça Eleitoral para definir os resultados. A anulação do voto para governador também não interfere na votação para presidente, senador ou deputado, já que cada cargo é contabilizado separadamente.