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Cultura

Geoglifos do Acre entram na rota do turismo e podem se tornar patrimônio mundial

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Pesquisadores, moradores e gestores públicos acompanham o avanço dos estudos e da preservação dos geoglifos do Acre, estruturas escavadas no solo há mais de dois mil anos, e que agora podem ser reconhecidas como patrimônio mundial pela Unesco. Até o momento, 462 geoglifos foram registrados no estado, embora o número estimado ultrapasse mil.

As figuras geométricas são encontradas em áreas abertas próximas a Rio Branco e em diversos municípios da região leste do Acre. Os desenhos têm formatos de quadrados, círculos e octógonos, visíveis especialmente do alto. Entre os sítios arqueológicos abertos à visitação estão os geoglifos Baixa Verde II, Severino Calazans, Jacó Sá e Tequinho, todos ao longo da BR-317.

O Sítio Arqueológico Jacó Sá foi tombado como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2018. Edmar Queiroz, morador da área, relata que as valas foram percebidas pela primeira vez quando a terra era preparada para o plantio, ainda na década de 1960. A estrutura chamou atenção após um sobrevoo do professor Alceu Ranzi, da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Outros moradores da região também identificaram estruturas semelhantes. Raimundo da Silva, conhecido como Tequinho, encontrou os geoglifos ao limpar uma área para lavoura. Severino Calazans, de 103 anos, relata que seu sítio foi cortado pela BR-317 e que recebe visitantes interessados na estrutura.

A arqueóloga Antônia Barbosa, do Iphan, explica que as estruturas não indicam uso para defesa ou moradia, e que as hipóteses mais aceitas apontam para funções cerimoniais. Segundo ela, há relatos de comunidades indígenas que consideram esses locais sagrados e evitam acessá-los.

O superintendente do Iphan no Acre, Stênio Cordeiro, informa que a autarquia atua na preservação e trabalha para que os geoglifos entrem na lista da Unesco. Para ele, o tombamento e a divulgação favorecem a preservação e ampliam o potencial turístico da região.

A Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete) tem promovido debates e ações sobre a valorização dos sítios arqueológicos. Segundo o titular da pasta, Marcelo Messias, os geoglifos contribuem para o fortalecimento da atividade turística e podem gerar renda para comunidades próximas, com a oferta de serviços como transporte, alimentação, hospedagem e guias.

As estruturas também são objeto de pesquisas arqueológicas, mas apenas uma pequena parte foi estudada em profundidade. As escavações indicam uso coletivo e organização do trabalho, mesmo sem ferramentas modernas. A construção teria mobilizado grupos humanos que usaram instrumentos rudimentares, como ferramentas de madeira.

Os sítios arqueológicos seguem recebendo turistas e pesquisadores. Com a possível inclusão na lista de patrimônios da humanidade, o Acre passa a integrar o mapa de destinos voltados à arqueologia e à história da ocupação da Amazônia.

Cultura

Palácio da Justiça recebe mais de 400 estudantes durante Semana Nacional de Museus no Acre

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O Palácio da Justiça, em Rio Branco, recebeu mais de 400 visitantes entre 18 e 26 de maio, com visitas pedagógicas de estudantes das redes pública e privada durante a programação da 24ª Semana Nacional de Museus. A ação integrou a agenda do Centro Cultural do Tribunal de Justiça do Acre e teve como foco ampliar o acesso ao patrimônio histórico e aproximar crianças e adolescentes da memória do Judiciário acreano.

Entre os grupos que passaram pelo espaço esteve a Escola Estadual Rural Santa Fé, de Porto Acre, que atende principalmente alunos ribeirinhos. Durante as visitas guiadas, os estudantes tiveram contato com documentos, objetos e relatos ligados à formação histórica do Acre. O desembargador emérito Pedro Ranzi compartilhou experiências da época em que atuava como “juiz de barranco”, enquanto o servidor Alexandre Oliveira apresentou o acervo exposto no local.

A programação também incluiu, no dia 25 de maio, a mesa-redonda “Entre o Material e o Imaterial – Desafios da Preservação do Patrimônio no Acre”, realizada no auditório do Palácio da Justiça, seguida da exibição de um minidocumentário produzido por projeto de extensão do curso de História da Universidade Federal do Acre. A agenda foi encerrada com a atividade educativa “Entre Terra e Memória: Entendendo os Geoglifos do Acre”, acompanhada de uma exposição fotográfica sobre sítios arqueológicos do estado.

A 24ª Semana Nacional de Museus teve como tema “Museus: unindo um mundo dividido” e foi promovida em alusão ao Dia Internacional dos Museus, celebrado em 18 de maio. A proposta da edição foi reforçar o papel dos museus como espaços de diálogo, memória e participação social.

Ao abrir as portas para estudantes e professores, o Palácio da Justiça reforçou o uso do espaço cultural como ferramenta de educação patrimonial e de preservação da história acreana. A iniciativa também ampliou a presença de escolas no circuito de visitação e colocou o acervo do Judiciário no centro das atividades da semana dedicada aos museus.

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Cultura

Palácio da Justiça do Acre entra na 24ª Semana Nacional de Museus com visitas, exposições e ação educativa em Rio Branco

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O Palácio da Justiça do Acre integra a programação da 24ª Semana Nacional de Museus, realizada entre 18 e 26 de maio, em Rio Branco, com visitas agendadas, palestras, exposições fotográficas, mesas-redondas e exibição de documentários. A agenda busca ampliar o acesso ao patrimônio histórico e reforçar o papel do espaço na preservação da memória do Judiciário acreano e da cultura local.

A programação transforma o prédio histórico em ponto de encontro entre passado e presente. Ao longo da semana, o museu abre espaço para atividades voltadas à educação, à preservação documental e ao contato do público com registros da formação institucional e social do Acre. O enfoque também alcança o uso de recursos tecnológicos, com exposições digitais, documentários e acervos digitalizados, em uma tentativa de ampliar o acesso à informação e conservar a história.

Inaugurado em 30 de abril de 1957, quando o Acre ainda era Território Federal, o Palácio da Justiça se tornou um dos marcos históricos e arquitetônicos do estado. O edifício foi concebido para representar a estrutura do Poder Judiciário acreano em uma fase decisiva da organização política e administrativa local.

Com arquitetura neoclássica, o prédio reúne traços associados à solidez e à ordem e figura entre os poucos exemplares desse estilo já erguidos no Acre. O imóvel também passou por recomposição arquitetônica e modernização interna, mantendo o acervo e os elementos que ajudam a contar parte da trajetória do povo acreano.

Hoje, o espaço preserva documentos, memórias e registros que aproximam estudantes, pesquisadores e visitantes da história local. A proposta é manter viva a memória do Judiciário e ampliar o vínculo da Corte com a comunidade por meio de conteúdos educativos e acessíveis.

O encerramento da programação está marcado para 26 de maio, das 14h30 às 17h, com a ação educativa “Entre Terra e Memória: Entendo os Geoglifos”, no próprio Palácio da Justiça, na Rua Benjamin Constant, nº 277, no Centro de Rio Branco.

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Cultura

Filme expõe documentos inéditos da ditadura e detalha rede clandestina de tortura no Brasil

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Documentos inéditos atribuídos ao coronel Cyro Guedes Etchegoyen, um dos principais nomes da inteligência do Exército durante a ditadura militar, vieram a público neste domingo, 17 de maio de 2026, com a estreia do documentário Bandidos de Farda, no canal do ICL Notícias. O material reúne relatórios secretos, manuais de interrogatório, registros de espionagem política e arquivos sobre vítimas ainda não reconhecidas oficialmente, reforçando a dimensão clandestina da repressão e a existência de uma estrutura organizada para sequestrar, torturar, matar e ocultar corpos no país.

A investigação foi coordenada pela jornalista Juliana Dal Piva e mostra que a engrenagem repressiva não se limitava a ações formais de quartel. Os arquivos tratam de cursos de interrogatório e tortura feitos por oficiais brasileiros no exterior, relatórios produzidos nos anos 1980 e operações conduzidas por agentes clandestinos, numa rede que funcionava paralelamente às estruturas oficiais do regime.

No centro da apuração está a atuação de Cyro Etchegoyen, que chefiou a contrainformação do Centro de Informações do Exército entre 1969 e 1974. Estudos históricos citados na investigação associam o militar à consolidação de métodos repressivos e à articulação da chamada Casa da Morte, em Petrópolis, centro clandestino marcado por tortura física e psicológica, desaparecimentos forçados e execuções. Testemunhos de sobreviventes e documentos históricos apontam que o local também serviu para treinamento e teste de práticas adotadas por órgãos de segurança do regime.

“O documentário mostra que não se tratava de excessos isolados. Havia uma estrutura organizada”, afirma Juliana Dal Piva. Em outro trecho, ela resume o alcance dos arquivos: “Os documentos mostram que havia uma máquina preparada para sequestrar, torturar, matar e desaparecer com corpos.”

O filme também traz registros de violência sexual praticada por agentes da repressão. Um dos casos identificados nos documentos envolve estupro usado como instrumento de terror e humilhação contra presos políticos. Esse ponto amplia o alcance da investigação sobre práticas que permaneceram por décadas à margem do debate público.

As revelações já provocaram reação fora do país. O relator especial da ONU para Verdade, Justiça, Reparação e Garantias de Não Repetição, Bernard Duhaime, afirmou que o conteúdo exige reabertura de investigações sobre crimes cometidos por militares brasileiros. A avaliação de pesquisadores e defensores de direitos humanos é que os documentos podem abrir novas frentes históricas e jurídicas sobre violações ainda sem esclarecimento completo.

Juliana Dal Piva trabalha há cerca de 15 anos com investigações sobre a ditadura militar e publicou em 2025 o livro Crime Sem Castigo: Como os Militares Mataram Rubens Paiva. Ao levar a apuração para o audiovisual, ela conecta o passado ao debate contemporâneo sobre memória, justiça e uso político de estruturas de inteligência. “Existem consequências quando um país não enfrenta o próprio passado”, disse.

Fonte e foto: Agência Brasil

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