O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por suas críticas ao governo do presidente argentino Javier Milei, foi deportado da Argentina nesta segunda-feira (12), após desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. As autoridades migratórias cancelaram sua residência permanente e determinaram que ele ficará impedido de entrar no país pelos próximos cinco anos. O profissional suspeita de perseguição política.
A decisão foi comunicada ao jornalista quando ele tentava ingressar no território argentino para realizar entrevistas e produzir material sobre a situação econômica e política do país. Tomaz trabalha na elaboração de um livro sobre o governo Milei, com lançamento previsto para fevereiro de 2027.
O brasileiro afirmou que sua autorização de residência foi cancelada em 5 de agosto, poucos dias depois de deixar a Argentina. Segundo ele, a medida ocorreu durante um período de confrontos nas redes sociais com apoiadores e integrantes do governo argentino.
“Se trata realmente de uma questão política”, declarou o jornalista, que também afirmou não ter cometido qualquer delito.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina apresentou uma justificativa administrativa para a medida. Segundo o órgão, Tomaz não cumpriu as condições necessárias para manter a residência permanente, concedida em janeiro de 2022.
As autoridades argentinas alegam que o brasileiro permaneceu apenas 153 dias no país desde a concessão do documento e não apresentou vínculos suficientes de residência, trabalho ou estudo. A decisão foi fundamentada na legislação migratória e em alterações estabelecidas por decreto de 2025.
O jornalista contesta os argumentos. Ele afirma que seu documento de residência tinha validade até 2037 e que continuou viajando regularmente à Argentina. Somente em 2026, segundo seu relato, permaneceu 36 dias no território argentino.
Tomaz relaciona a decisão aos embates que manteve entre julho e agosto com integrantes do governo Milei, especialmente Juan Pablo Carreira, conhecido como Juan Doe, diretor de Comunicação Digital da Presidência argentina.
Apesar das suspeitas apresentadas pelo jornalista, não há comprovação de que a deportação tenha sido determinada em razão de suas críticas políticas. O governo argentino nega essa motivação e sustenta que a decisão decorre do descumprimento das regras migratórias.
O episódio provocou reação de entidades representativas da imprensa brasileira. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram nota de repúdio à deportação e manifestaram solidariedade ao profissional.
“Nenhum governo tem o direito de perseguir, deter ou expulsar jornalistas pelo simples exercício de sua profissão”, afirmaram as entidades.
Rogério Tomaz Jr. mora em Brasília, já atuou como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e acompanha a política argentina, com publicações sobre os impactos econômicos e sociais das medidas adotadas pelo governo Milei.
O jornalista retornou ao Brasil nesta segunda-feira. Ele poderá recorrer da decisão das autoridades argentinas para tentar reverter a proibição de entrada e o cancelamento de sua residência.