Manifestações convocadas por coletivos, movimentos sociais e organizações feministas tomaram as ruas de diversas capitais brasileiras neste domingo, 7 de dezembro de 2025, em protesto contra o avanço do feminicídio e da violência de gênero. Em Brasília, o ato Levante Mulheres Vivas reuniu seis ministras e um ministro do governo federal, além da primeira-dama Janja Lula da Silva, em uma mobilização impulsionada por uma sequência de crimes registrados nas últimas semanas em diferentes regiões do país.
A manifestação ocorreu sob chuva, na área central da capital federal, com discursos que cobraram políticas públicas, ocupação feminina nos espaços de poder e punições mais rigorosas para os crimes de feminicídio .
Os protestos foram motivados por casos recentes que geraram comoção nacional, como o assassinato da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, em Brasília, além de outros crimes ocorridos no Rio de Janeiro e em diferentes estados. Dados nacionais reforçam a dimensão do problema: 3,7 milhões de mulheres relataram episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero.
Em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, média de quatro assassinatos por dia. Em 2025, o país já ultrapassou 1.180 casos registrados, além de quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180, conforme dados do Ministério das Mulheres. Durante os atos, autoridades defenderam maior participação feminina na política, combate à impunidade e envolvimento dos homens na superação da cultura de violência .
No Acre, a mobilização aconteceu em Rio Branco, onde mulheres de diferentes idades ocuparam o Lago do Amor em um ato público contra o feminicídio e a violência de gênero. A manifestação integrou a agenda nacional e reuniu intervenções artísticas, falas públicas, performances e manifestações simbólicas em memória das vítimas.
Representantes de organizações locais alertaram para a gravidade do cenário no estado e para a invisibilidade da violência em comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas. Dados do Feminicidômetro do Ministério Público do Acre apontam que, entre janeiro de 2018 e 1º de dezembro de 2025, foram registrados 90 feminicídios consumados e 158 tentativas no estado.
Com informações da Agência Brasil e Carina Menezes. Foto de Carina Menzes