O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, realizou nesta segunda-feira (11) uma visita institucional ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC). O encontro teve como objetivo alinhar parcerias entre a gestão municipal e o órgão de controle nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, transparência, capacitação de servidores e políticas públicas para mulheres.
A reunião contou com a presença da presidente do TCE-AC, conselheira Dulcinéia Benício, e da conselheira Naluh Gouveia, diretora da Escola de Contas. Durante o encontro, foram discutidos encaminhamentos voltados ao fortalecimento da gestão pública e à ampliação da cooperação técnica entre as instituições.
Segundo o prefeito, a aproximação com o Tribunal faz parte de uma agenda institucional voltada à orientação, ao diálogo e à melhoria dos serviços prestados à população.
“A gente há pouco tempo assumiu a Prefeitura de Rio Branco e faz questão de ter essa presença institucional junto ao Tribunal de Contas, que tem orientado e trabalhado de forma colaborativa com todos os municípios, em especial com o município de Rio Branco”, afirmou Alysson.
Entre os temas tratados, o prefeito destacou os acordos de cooperação com o TCE-AC, que devem contribuir para a qualificação dos processos administrativos, a ampliação da transparência e a capacitação de gestores e técnicos municipais por meio da Escola de Contas.
“Esses acordos de cooperação beneficiam cada vez mais a nossa população e a gestão, para que a gente tenha resultados positivos para Rio Branco. Envolvem meio ambiente, políticas públicas voltadas para as mulheres e capacitação dos nossos gestores e técnicos”, ressaltou.
Um dos principais pontos da reunião foi o atendimento a comunidades localizadas na área da Reserva Chico Mendes. De acordo com Alysson, a Prefeitura de Rio Branco já articula, em parceria com o Governo do Estado, apoio logístico para garantir merenda escolar, material didático e profissionais da educação, com foco na alfabetização de crianças, jovens e adultos.
“Temos uma comunidade lá que necessita desse olhar do poder público. Através da educação, a gente já está providenciando a parte logística da merenda, em parceria também com o governo do Estado, além de material didático e apoio à educação básica das pessoas que vivem naquela localidade”, explicou.
Na área da saúde, o prefeito informou que a Secretaria Municipal de Saúde deverá enviar uma equipe multiprofissional à comunidade, incluindo técnico de enfermagem e enfermeiro, para identificar as principais necessidades dos moradores. A ação também deve avaliar a oferta de medicamentos básicos.
“Pela dificuldade de logística que eles têm para vir até a cidade, é importante ter esse acompanhamento e os primeiros atendimentos lá na localidade, para que qualquer eventualidade possa ser atendida de imediato”, disse.
A conselheira Naluh Gouveia avaliou que a reunião abriu espaço para encaminhamentos práticos, tanto na capacitação de servidores quanto no atendimento a comunidades com ausência de serviços essenciais.
“O município de Rio Branco ganha muito quando tem um prefeito que prioriza o diálogo.
“…A conversa com o Tribunal de Contas foi muito proveitosa. Tiramos vários encaminhamentos, e a Escola de Contas vai estar à disposição na área de capacitação, controle interno, transparência e licitação”, pontuou.
Naluh também mencionou a situação de crianças da Reserva Chico Mendes que vivem em localidade sem escola e sem atendimento de saúde. Segundo ela, a expectativa é que as aulas sejam iniciadas em até 15 ou 20 dias, com apoio da Prefeitura.
Outro encaminhamento discutido foi a construção de uma parceria envolvendo o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco e a Secretaria Municipal de Finanças para ações de enfrentamento à violência contra as mulheres. A proposta prevê a inclusão de mensagens de conscientização nos boletos enviados mensalmente à população.
“Também tiramos um protocolo de parceria com relação ao combate à violência contra as mulheres. O prefeito foi muito receptivo, e encaminhamos algumas ações conjuntas, principalmente para que os boletos mensais tragam uma menção de combate à violência contra as mulheres”, explicou Naluh.
Ao final da visita, Alysson Bestene agradeceu o acolhimento no TCE-AC e afirmou que a Prefeitura seguirá buscando parcerias institucionais para melhorar a execução de políticas públicas.
“Sou muito grato à presidente Dulce e à conselheira Naluh por esse acolhimento. É isso que a gente vai buscar sempre: transparência, gestão com resultado e olhar para as pessoas que mais necessitam em primeiro lugar”, concluiu.
A Prefeitura de Rio Branco lançou nesta quinta-feira (24) um Protocolo de Segurança Escolar que será implantado em toda a rede municipal de ensino. O documento reúne procedimentos para prevenção, identificação e resposta a situações de risco, além de prever treinamento de profissionais, controle de acesso às unidades e ações voltadas à proteção de estudantes.
O lançamento ocorreu na Escola Municipal Luiz de Carvalho Fontenelle, no bairro Bosque. A rede municipal conta atualmente com quase 100 unidades, entre escolas, espaços e anexos, nas zonas urbana e rural.
Entre as medidas previstas estão a identificação antecipada de riscos, o acolhimento de estudantes, o monitoramento de situações de vulnerabilidade, a comunicação em casos de emergência e a capacitação dos profissionais da Educação. Cada unidade também deverá formar uma comissão para atuar nas ações relacionadas ao protocolo.
O prefeito Alysson Bestene afirmou que a proposta será desenvolvida em conjunto com diferentes setores da administração e com as forças de segurança.
“Ninguém desenvolve política pública sozinho. Por meio também do nosso Gabinete Militar, será trabalhada essa parte das informações com os profissionais, com capacitação, para antecipar, prevenir e também acolher”, afirmou.
A secretária municipal de Educação, Kelce Nayra, disse que episódios registrados ao longo deste ano reforçaram a necessidade de estabelecer procedimentos para as escolas.
“Nós já tivemos algumas situações que se apresentaram este ano, infelizmente, e, para além disso, precisamos preparar a comunidade escolar para eventuais situações que possam acontecer”, declarou.
Com a implantação do protocolo, cada escola receberá treinamento de acordo com suas próprias características, incluindo estrutura física, número de estudantes e realidade da região onde está localizada.
Os alunos também participarão das atividades de orientação. A abordagem deverá considerar a idade das crianças, desde a pré-escola até os estudantes do quarto e quinto anos, com instruções sobre como agir e colaborar diante de uma situação de risco.
A Polícia Militar do Acre participará das ações por meio de treinamentos, palestras e orientações. A coronel Hélène Freitas explicou que o protocolo também servirá para padronizar atividades de segurança que já são realizadas nas escolas.
“O protocolo tem papéis definidos, colocando medidas para que as pessoas entendam que, quando houver uma situação de risco, elas precisam também atuar, seja para se proteger ou para proteger a vida de outras pessoas”, afirmou.
Além da prevenção de episódios de violência, o protocolo estabelece responsabilidades para gestores, professores, estudantes e famílias e prevê a atuação conjunta com outros órgãos públicos quando houver necessidade.
O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional, nesta quinta-feira (24), a regra do Estado de São Paulo que estabelecia prazo para encerrar a isenção de ICMS sobre mercadorias destinadas às Áreas de Livre Comércio da região Norte. No Acre, a decisão alcança diretamente as operações destinadas a Brasiléia, Epitaciolândia e Cruzeiro do Sul.
O julgamento reuniu quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade apresentadas por Acre, Rondônia, Amapá e Roraima. A ação acreana, ADI 7830, questionava dispositivo do decreto paulista que limitava a duração do benefício fiscal.
Por seis votos a três, o STF considerou que São Paulo não poderia, de forma unilateral, encerrar uma isenção estabelecida por meio de acordo firmado entre os estados no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
A ministra Cármen Lúcia, relatora das ações, foi acompanhada pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Edson Fachin. Ficaram vencidos Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.
A controvérsia envolve o Convênio ICMS 52/1992, que concedeu isenção do imposto nas operações com produtos destinados às Áreas de Livre Comércio. O acordo não estabeleceu prazo para o encerramento do benefício.
São Paulo, porém, alterou sua regulamentação e estabeleceu 31 de dezembro de 2024 como limite para a aplicação da isenção. Para o governo do Acre, a mudança não poderia ser feita isoladamente porque o benefício havia sido pactuado no Confaz.
Durante o julgamento, Cármen Lúcia afirmou que os estados possuem autonomia para decidir se incorporam determinado incentivo fiscal, mas, depois da adesão, mudanças ou revogações precisam seguir as regras constitucionais e a legislação que trata dos benefícios de ICMS.
“Essa isenção de ICMS tinha sido firmada pelo Convênio 52/92 e aprovada de forma unânime pelo Confaz”, afirmou a ministra durante o julgamento.
O procurador-geral do Estado do Acre, João Paulo Aguiar, fez sustentação oral no plenário do Supremo e defendeu que São Paulo não tinha respaldo para estabelecer sozinho uma data para o encerramento do benefício.
O STF declarou inconstitucional o parágrafo 5º do artigo 5º do Anexo I do Decreto paulista nº 45.490/2000, na redação dada pelo Decreto nº 67.383/2022.
O tribunal considerou parcialmente prejudicadas as ações somente em relação ao período entre 29 de dezembro de 2025 e 30 de setembro de 2026, intervalo em que São Paulo havia restabelecido temporariamente a isenção por meio de outro decreto.
Com o julgamento, o Supremo fixou o entendimento de que um estado não pode revogar, total ou parcialmente e de forma unilateral, benefícios ou isenções de ICMS concedidos em acordos interestaduais sem observar as regras constitucionais e a legislação complementar.
A decisão mantém a proteção jurídica ao benefício fiscal aplicado às operações destinadas às três Áreas de Livre Comércio existentes no Acre e encerra, no STF, a discussão sobre a validade da limitação imposta por São Paulo.
O sonho de subir ao altar de vestido branco, chapéu de boiadeira e botina virou realidade para Nelita Freitas, de 25 anos, durante o casamento coletivo realizado na quarta-feira (23), em Sena Madureira. Ela foi uma das participantes da cerimônia promovida pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), que oficializou gratuitamente a união de quase 100 casais.
A celebração ocorreu na quadra poliesportiva da Escola Professor Messias Rodrigues de Souza e marcou o encerramento da programação do Projeto Cidadão no município.
Moradora da zona rural, Nelita contou que sempre quis levar para o casamento elementos ligados à própria história. O estilo sertanejo também combinou com a trajetória do noivo, Wendell Oliveira, de 24 anos, produtor rural.
Os dois se conheceram há cerca de dois anos durante um retiro de igreja. O relacionamento avançou, o casal teve um filho e passou a planejar a oficialização da união. O custo de um casamento, porém, dificultava a realização do plano.
A oportunidade surgiu com o casamento coletivo. O TJAC custeou desde a habilitação dos participantes até a realização da cerimônia, permitindo que os casais obtivessem gratuitamente o documento de oficialização da união.
“Esse projeto é de suma importância, porque tem gente, como eu falei, a gente não tinha renda. Pra muitas pessoas eu acho que foi importante. Que possa ter muito mais”, afirmou Nelita.
Entre os casais também estavam Marciane Soares, de 44 anos, e Renato Sousa, de 42. Juntos há nove anos, eles planejavam o casamento havia pelo menos três. Marciane contou que conheceu Renato pelas redes sociais e que também foi pela internet que descobriu as inscrições para o casamento coletivo.
A cerimônia foi conduzida pelo juiz da Vara Cível de Sena Madureira, Caique Cirano. “É a coroação de um símbolo, de uma união, um momento de alegria. Coroa esse serviço público tão essencial, tão precioso e valioso pra nossa sociedade”, afirmou.
Durante o rito, foram celebradas inicialmente as uniões do casal mais velho e dos noivos mais jovens. Depois, os demais participantes fizeram os votos, trocaram alianças e oficializaram os casamentos.
A programação contou ainda com a presença de representantes do Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Funai, Detran e outras instituições, além de familiares e amigos dos recém-casados.