Com voto da relatora Nancy Andrighi pela condenação de Gladson Cameli, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) retoma nesta quarta-feira, 15, o julgamento da Ação Penal 1.076. O ex-governador do Acre responde a acusações de organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações.
O julgamento começou em dezembro de 2025, mas foi suspenso após pedido de vista do ministro João Otávio Noronha. No voto já apresentado, a relatora defendeu pena de 25 anos e 9 meses de prisão, multa, indenização ao Estado e perda do cargo.
A ação penal é um dos desdobramentos da Operação Ptolomeu, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União para investigar um suposto esquema de corrupção, fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro no entorno da cúpula do governo do Acre. No caso em análise no STJ, a acusação se concentra na contratação da Murano Construções pela Secretaria de Infraestrutura, em 2019, apontada por órgãos de investigação e controle como um contrato marcado por adesão irregular a ata, sobrepreço e superfaturamento.
Segundo o Ministério Público Federal, a denúncia original apresentada ao STJ envolvia 13 denunciados, entre familiares, empresários e agentes públicos, mas foi desmembrada. No tribunal superior ficou apenas a parte relativa a Gladson Cameli, em razão do foro por prerrogativa de função. Os demais acusados devem responder na primeira instância da Justiça Federal. O MPF também informou que há outros inquéritos em tramitação no STJ relacionados à suposta atuação do grupo, sem detalhar, nessa nota, o conteúdo ou a fase desses procedimentos.
Cameli, que deixou o governo no último dia 2 para disputar o Senado, nega as acusações e afirma ser inocente.
Foto: Agência de Notícias do Acre