Política

Thor Dantas reconhece legado da Frente Popular, mas diz que quer discutir “o Acre de hoje”

Em entrevista ao Bar do Vaz, pré-candidato do PSB afirmou que o grupo teve méritos e erros, citou transformações no Estado e defendeu que o debate eleitoral olhe para o futuro

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O médico infectologista Thor Dantas, pré-candidato ao governo do Acre pelo PSB, adotou um tom de reconhecimento ao falar sobre a Frente Popular durante entrevista ao programa Bar do Vaz, mas procurou direcionar a discussão para os desafios atuais do Estado.

Questionado pelo jornalista Roberto Vaz sobre se assumiria o legado do grupo político que governou o Acre por duas décadas, Thor afirmou que sua pré-candidatura não pretende se concentrar em debates sobre o passado.

“Eu venho para falar do Acre de hoje e para falar do Acre do nosso futuro”

Segundo ele, o foco deve estar nos problemas enfrentados atualmente pelo Estado e nas propostas para os próximos anos. “Eu estou me colocando à disposição dessa candidatura para falar dos problemas que o nosso Acre tem hoje e dizer que eu tenho a minha visão sobre os problemas do Acre”, disse.

Ao ser perguntado se a presença de aliados históricos, como Jorge Viana e Binho Marques, representaria apenas uma nova versão da Frente Popular, Thor respondeu que o grupo deixou um legado na história acreana. “Eu acho que a Frente Popular tem o seu legado”, declarou. “A história é capaz de falar por si só.”

Na entrevista, o pré-candidato relembrou sua chegada ao Acre, em 1999, após passar mais de uma década fora do Estado durante sua formação médica. Segundo ele, naquele período o Acre enfrentava dificuldades em áreas como infraestrutura e saúde.

Thor afirmou ter acompanhado mudanças importantes ao longo dos anos e citou avanços em setores como educação, saúde e infraestrutura. Para ele, esse legado é reconhecido até mesmo por adversários políticos.

“O legado da Frente Popular não sou eu que tenho que defender”, afirmou. “Os opositores da Frente Popular reconhecem o legado que a Frente Popular entregou.”

Ele também mencionou nomes como Jorge Viana, Binho Marques, Raimundo Angelim, Marcos Alexandre, Tião Viana e Gilberto Siqueira como personagens centrais desse período da política acreana.

Apesar do reconhecimento, Thor afirmou que os governos da Frente Popular também cometeram erros. “Essas pessoas fizeram a transformação que o Acre experimentou, tiveram seus méritos e tiveram erros, como todas as pessoas têm erros e acertos”, disse.

Ao ser questionado sobre quais teriam sido esses erros, o pré-candidato evitou apontar episódios específicos e voltou a enfatizar a necessidade de discutir o futuro.

“Eu quero falar do futuro”, respondeu.

Thor também avaliou que o desgaste político enfrentado pelo grupo ao longo dos anos foi resultado de uma combinação entre fatores internos e externos. “Todo processo de gestão política, uma hora se esgota. Tem a fadiga natural do poder”, afirmou.

Além do tempo de permanência no governo, ele citou a crise econômica nacional, o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a chegada das facções criminosas ao Acre durante o segundo mandato de Tião Viana como elementos que contribuíram para o cenário vivido naquele período.

Ao longo da entrevista, Thor procurou construir uma posição que reconhece a importância histórica da Frente Popular, sem transformar sua pré-candidatura em uma defesa dos governos passados. A estratégia, segundo suas próprias declarações, é concentrar o debate nos desafios atuais do Acre e nas perspectivas para o futuro do Estado.

Entre acertos e erros, o povo do Acre sempre viveu uma espécie de gangorra política, econômica e social. Muita gente foi embora, muita gente chegou, muitos projetos nasceram, outros ficaram pelo caminho. Agora, mais do que revisitar o que a Frente Popular foi ou deixou de ser, a pergunta que deve atravessar a eleição é outra: afinal, o que o Acre de hoje quer para o próprio futuro?

Foto: Sérgio Vale – Segue ele no Instagram @sergiovaleac

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