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Direto ao ponto

Quando falta até dipirona, o debate sobre saúde deixa de ser promessa e vira urgência

Thor Dantas defendeu ampliação de leitos, novo hospital, valorização dos profissionais da saúde, medicamentos básicos e retomada da capacidade de planejamento no Acre

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Quando um médico infectologista que atua diariamente na rede de saúde afirma que faltam antibiótico simples, dipirona e remédio para febre e dor, o debate sobre saúde pública deixa de ser apenas promessa de campanha e passa a tocar no cotidiano mais imediato da população.

Foi o que ocorreu na entrevista do médico infectologista Thor Dantas ao jornalista Roberto Vaz, no Bar do Vaz. Ao ser perguntado se, em um eventual governo, haveria medicamento para a população, principalmente a mais carente, Thor foi direto ao ponto. Disse que esse é “o essencial” e que “o básico do básico” está faltando. E citou a falta de antibiótico simples, dipirona e remédio para febre e dor.

A frase tem força porque traduz, em linguagem direta, uma queixa conhecida de quem depende do serviço público: conseguir a consulta, sair com a receita na mão e não encontrar o remédio necessário na unidade de saúde.

Thor usou esse exemplo para reforçar uma tese que atravessou boa parte da entrevista: o problema do Acre não está apenas na falta de dinheiro, mas na falta de planejamento, execução e coordenação. Segundo ele, há áreas da saúde que são caras, mas também existem problemas básicos que poderiam ser enfrentados com organização, trabalho em equipe e integração com os municípios.

Na saúde, o pré-candidato apontou a falta de leitos como um dos principais gargalos do Estado. Disse que o Acre tem hoje uma carência grande nessa área e defendeu a construção de um novo hospital, afirmando que a Fundacre já não dá conta da demanda.

Thor também relacionou a superlotação do pronto-socorro à falta de leitos de retaguarda. Segundo ele, muitos pacientes ficam acumulados nos corredores porque não há vagas suficientes para internação em hospitais ou UTIs.

Outro ponto defendido por ele foi a contratação de especialistas formados no próprio Acre. Thor afirmou que o Estado forma cerca de 50 especialistas por ano, em 11 especialidades diferentes, mas muitos acabam indo embora porque não encontram oportunidade, salário adequado ou plano de carreira.

Thor também defendeu a retomada do debate sobre o PCCR da saúde, valorização salarial, melhores condições de trabalho e investimento em qualificação profissional. Ele propôs a criação de uma residência em urgência e emergência e cursos de capacitação para os profissionais que atuam no pronto-socorro.

A lógica apresentada por Thor é que não há saúde de qualidade sem servidor valorizado. Plantões sucessivos, cansaço, baixa remuneração e falta de estrutura atingem tanto o profissional quanto o paciente. Para ele, valorizar quem trabalha na ponta é parte do caminho para melhorar o atendimento.

A proposta de articulação com os municípios também apareceu como ponto central. Thor afirmou que o SUS é um pacto entre governo federal, governo estadual e prefeituras, e que o Estado precisa liderar essa integração. Segundo ele, é na atenção básica que se cuida da pressão alta, do diabetes, do pré-natal, das crianças e de problemas que, quando não tratados a tempo, acabam chegando de forma mais grave e cara aos hospitais.

A frase é simples, mas carrega uma visão de gestão: tratar antes para não remediar tarde. Cuidar da hepatite para evitar transplante. Controlar diabetes e pressão alta para evitar hemodiálise. Garantir medicamento básico para impedir que um problema simples vire emergência.

Esse raciocínio também se conecta ao que Thor disse sobre obras e investimentos públicos. Thor afirmou que o Acre tem dinheiro para investir, mas não consegue transformar boa parte desses recursos em obras e melhorias para a população. Segundo ele, o Estado executa “não mais do que 35%” do que tem disponível para investimento. Ele também citou problemas como obras sem qualidade, construção civil parada e hospitais sem os investimentos necessários.

A leitura que fica da fala de Thor é que o Estado precisa voltar a funcionar como coordenador do desenvolvimento. Não basta haver recursos disponíveis se não houver prioridade definida, articulação política e capacidade de execução. O desafio, segundo o pré-candidato, é alinhar governo, bancada federal, setor produtivo, municípios e governo federal em torno de uma agenda capaz de transformar orçamento em obras, serviços e resultados para a população.

Esse talvez seja o eixo mais claro da fala do pré-candidato: transformar gestão em proposta. Na saúde, isso aparece na defesa de medicamentos básicos, leitos, hospital novo, especialistas e valorização dos servidores. Nas obras e investimentos, aparece na crítica à baixa execução e na defesa de planejamento.

O desafio, daqui para frente, será transformar esse diagnóstico em plano detalhado. Dizer que falta dipirona, leito, especialista, obra e execução pública é apontar problemas que muitos acreanos reconhecem. A próxima etapa será explicar como resolver, com quais recursos, em quanto tempo e com que equipe.

Ainda assim, a entrevista colocou uma questão importante sobre a mesa. O futuro do Acre não será medido apenas por grandes discursos ou disputas ideológicas. Para quem depende do SUS, ele começa em algo muito concreto: encontrar atendimento, conseguir fazer a cirurgia, ter médico disponível e sair do posto com o remédio na mão.

Foto: Cedida/Assessoria

Direto ao ponto

E o povo do Acre é otário? O jogo só acaba quando o árbitro apita

Entre o tacacá, as conversas de esquina e as certezas políticas, o Acre vive uma eleição que alguns parecem considerar encerrada.

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No Acre, a eleição também acontece fora dos palanques. No mercadinho, no açougue, na panificadora, na banca de tacacá ou de quibe, sempre aparece alguém disposto a dar o resultado antes da apuração.

É igual futebol. O time leva vantagem, a torcida começa a cantar vitória, alguém já pede a conta e vai embora antes do apito final. Depois, se o placar muda, a culpa é do juiz.

Na política acreana, o campeonato está parecido.

Alan Rick já é tratado como derrotado em algumas rodas de conversa. Mailza Assis, como vencedora. Há quem comemore, quem lamente e quem já pense em 2027.

Mailza terminou o primeiro turno à frente. É fato. Mas vantagem no placar não é súmula assinada.

E o futebol, convenhamos, está cheio de histórias de equipes que comemoraram antes da hora.

O mais interessante é que essa pressa em conhecer o vencedor não se limita ao governo estadual. Até na disputa presidencial, onde muitos consideram previsível o comportamento do eleitor acreano, Lula pode surpreender expectativas.

E quem conhece a política por estas bandas sabe que certeza demais costuma dar trabalho. Já vi a cidade amanhecer vermelha e anoitecer azul. E vice-versa.

Afinal, pesquisa não vota, palanque não vota e conversa de esquina, por mais animada que seja, também não.

Domingo, cada eleitor terá seu momento diante da urna, longe da arquibancada e dos comentaristas.

Quem quiser cantar vitória, que cante.

Só não esqueça que o árbitro ainda está com o apito na boca.

Porque, se tem uma coisa que aprendi acompanhando a política por estas bandas, é que o povo do Acre pode ser um monte de coisa. Otário é que não é.

Foto: Assessoria/Secom

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Direto ao ponto

Mailza, 218 mil votos e uma eleição que pode mudar na Justiça

Uma ação por suposta fraude documental coloca em discussão o destino dos votos da candidata mais votada no Acre.

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O eleitor acreano escolheu Mailza Assis e Alan Rick para disputar o segundo turno. Mas uma ação que tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) pode alterar esse cenário.

A ação, apresentada por Alan Rick e sua coligação, questiona a autenticidade de um certificado de Licenciatura em Pedagogia apresentado por Mailza no registro de candidatura. Entre os pontos levantados estão a carga horária de um curso supostamente presencial, incompatibilidades de datas e informações sobre sua formação acadêmica.

A defesa contesta as acusações e apresentou documentação para sustentar a regularidade do certificado. 

Mas o que aconteceria com os 218.760 votos recebidos por Mailza, equivalentes a 49,76% dos votos válidos, caso sua chapa fosse cassada?

A conta parece simples. Com a anulação definitiva dos votos de Mailza, uma nova totalização reduziria os votos válidos a 220.887, fazendo Alan Rick, que recebeu 141.859 votos, alcançar 64,22%. Mas essa maioria matemática seria suficiente para dispensar o segundo turno?

Não necessariamente. A legislação prevê a retotalização, mas também estabelece regras para a substituição de candidaturas antes da segunda votação. Pelo artigo 19 da Resolução TSE nº 23.677/2021, a anulação definitiva dos votos nesse intervalo poderá levar à convocação de Tião Bocalom, terceiro colocado, observadas as condições legais.

Há outro número curioso. Somados os votos de Mailza aos brancos e nulos registrados no primeiro turno, seriam 267.084 votos, contra 220.887 votos válidos remanescentes.

A soma não determina juridicamente uma nova eleição. Brancos, nulos e votos anulados pela Justiça têm tratamentos diferentes. Mas revela o tamanho da questão: mais da metade dos votos depositados nas urnas ficaria fora da nova conta dos válidos.

E se a cassação vier depois da eleição? Dependendo do resultado e dos efeitos da decisão, o Acre poderá enfrentar uma eleição suplementar, com novas candidaturas e articulações políticas.

Por enquanto, nada disso está decidido. Mailza responde a uma acusação que precisa ser julgada, com direito à defesa e aos recursos previstos em lei.

O eleitor acreano já foi às urnas e fez sua escolha. Mas, caso a cassação seja confirmada e os votos definitivamente anulados, mais de 218 mil votos poderão perder sua validade jurídica, mesmo tendo sido depositados regularmente.

A legislação prevê essa possibilidade. Resta uma questão que vai além dos números e das disputas políticas:

Quando uma candidatura perde a validade jurídica, o que acontece com a vontade de quem votou nela?

Nota jurídica: Consultei um advogado especialista em Direito Eleitoral, que esclareceu que os artigos 19 e 29 da Resolução TSE nº 23.677/2021 tratam dos efeitos da anulação definitiva de votos entre os turnos e da necessidade de nova totalização. Segundo ele, a retotalização não significa, necessariamente, que o candidato com maioria dos votos restantes seja automaticamente declarado eleito. Tudo dependerá do momento da decisão, de seus efeitos jurídicos e da aplicação da legislação eleitoral ao caso concreto.

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Direto ao ponto

O ás fora da urna: a carta chamada Alysson

Alysson Bestene não é candidato ao Governo do Acre, mas seu apoio pode ser decisivo. Mais do que influenciar o resultado imediato da disputa, as escolhas que ele fizer agora poderão definir o espaço político que ocupará nos próximos anos.

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Na política, nem sempre quem tem a melhor carta está sentado na ponta da mesa. Às vezes, o personagem mais valorizado da partida sequer disputa aquela eleição, mas pode decidir quem vence e quais serão as próximas jogadas.

No Acre de 2026, esse personagem pode ser Alysson Bestene.

Prefeito de Rio Branco e aliado de Tião Bocalom, Alysson lidera politicamente a cidade que concentra quase metade do eleitorado acreano. Por isso, sua posição pode ser decisiva no primeiro e, mais ainda, no segundo turno. Se Bocalom chegar à disputa final, não há mistério: Alysson estará com ele.

Mas, se Bocalom ficar fora? O prefeito se tornará um dos apoios mais cobiçados da eleição, para onde iria Alysson?

Sem Bocalom, os dois lados terão razões de sobra para desejar seu apoio. Não apenas pelo peso eleitoral da capital, mas também pela estrutura política, pelos vereadores, pelas lideranças e pela capacidade de mobilização que gravitam em torno da Prefeitura de Rio Branco.

Alysson não estará na urna, mas estará no centro da negociação política do segundo turno.

Só que ele também terá razões de sobra para pensar muito antes de escolher. Sua decisão não será apenas sobre quem governará o Acre a partir de 2027. Será também sobre qual grupo terá melhores condições de influenciar a sucessão municipal de 2028 e sobre qual espaço Alysson deseja e ocupará nesse processo.

Porque 2026 termina em 2028. No Acre, uma eleição puxa a outra e a estadual começa a desenhar a próxima disputa pela Prefeitura de Rio Branco.

Uma vitória de Alan Rick provavelmente fortaleceria a construção de um projeto próprio para a capital. Já se fala em Emerson Jarude e no “futuro” senador Gemil Junior como possíveis nomes desse campo político, e outros poderão surgir. Alan é jovem e, mantidas as regras atuais, se eleito governador, poderá buscar a reeleição. Isso significa potencialmente oito anos de protagonismo estadual e uma reorganização profunda das ambições políticas ao redor do Palácio Rio Branco.

Com Mailza, a lógica também seria de fortalecimento de um “novo grupo” no poder. Seu campo político possui quadros capazes de disputar a prefeitura da capital. Marcos Alexandre é um deles. Ney Amorim, outro. Nada indica, hoje, que Alysson seria naturalmente o candidato desse grupo em 2028.

É justamente aí que a escolha de Alysson ganha peso estratégico.

Para ele, não estará em jogo apenas quem governará o Acre. Estará em jogo também qual governador poderá oferecer melhores condições para que continue comandando Rio Branco, preserve sua influência e construa uma candidatura competitiva para 2028.

Com Bocalom governador, Alysson teria no Palácio Rio Branco um aliado cuja vitória ajudou a construir. Com Alan ou Mailza, terá pela frente um “novo grupo” no poder, com seus próprios candidatos e interesse direto em conquistar a prefeitura.

Por isso, Alysson é mais do que um apoiador. Ele pode ser decisivo no segundo turno de 2026 e, ao mesmo tempo, uma das peças centrais da sucessão municipal de 2028.

No baralho político acreano, três candidatos disputam hoje as cartas mais visíveis. Mas um dos ases de 2026 estará fora da urna.

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