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Direto ao ponto

As bets saíram de campo, mas a dívida continua jogando

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Com o fim das apostas on-line, o dinheiro pode voltar a render no orçamento das famílias. Mas as dívidas e os problemas de saúde não desaparecem da noite para o dia.

No Acre, como em qualquer lugar para quem vive do salário, ele costuma terminar antes do mês, surgiu uma expectativa: com o fim das bets, quem sabe o dinheiro volte a aparecer no supermercado e, principalmente, a sobrar no bolso do trabalhador.

A conta é simples. Os cinquenta reais, que antes desapareciam na aposta de um escanteio podem agora comprar arroz, feijão ou ajudar a pagar a conta de luz.

Os primeiros números após a proibição das bets mostram crescimento nas vendas dos supermercados. Segundo levantamento da NielsenIQ, divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o faturamento do setor cresceu 7,4% entre 5 e 11 de outubro, em comparação com o mesmo período de 2025. 

Sai o bilhete da aposta, entra a lista de compras.

Só que a vida não se resolve tão facilmente.

Em setembro, o governo federal editou uma medida provisória proibindo a exploração das bets. Em outubro, as plataformas autorizadas saíram do ar. A proibição chegou. As dívidas, naturalmente, não receberam o mesmo comunicado.

O banco continua cobrando, o cartão não esqueceu a fatura e o empréstimo feito na esperança de recuperar o dinheiro perdido segue firme, com juros e vencimento.

Durante muito tempo, as apostas foram apresentadas como diversão, emoção e possibilidade de ganho. Para muita gente, porém, a promessa de dinheiro fácil acabou se transformando numa armadilha.

Começava com dez reais. Depois vinte. Mais cinquenta para tentar recuperar o prejuízo. Quando o cidadão percebia, já não jogava por diversão. Apostava na esperança de recuperar o que havia perdido.

E o problema não ficava restrito ao celular.

Chegava à mesa da família, nas compras reduzidas, nas contas atrasadas e nas discussões dentro de casa. Afinal, quando o dinheiro da alimentação vira aposta, quem perde não é apenas quem apertou o botão.

Existe ainda uma questão que não pode ficar de fora dessa discussão: a saúde pública.

O jogo compulsivo não é simplesmente falta de juízo. É um problema de saúde que pode exigir acompanhamento profissional e comprometer a vida emocional, familiar e financeira. Tirar as plataformas do ar não elimina a dependência, assim como parar de apostar não apaga os prejuízos acumulados.

Mas é um grande começo.

Quem deixa de apostar interrompe uma sequência de possíveis perdas. Aqueles cinquenta reais que antes desapareciam podem permanecer na conta, ajudar nas despesas ou até virar uma pequena reserva.

É assim que o dinheiro começa a render. Não pela promessa de multiplicação milagrosa, mas porque simplesmente deixou de desaparecer.

O comércio também pode sentir essa mudança. Dinheiro que permanece com as famílias tem mais chance de circular nas compras do dia a dia. Ainda é cedo, porém, para saber quanto disso chegará aos caixas dos supermercados.

E não podemos esquecer que as apostas clandestinas continuam sendo um risco. Combater o problema exige fiscalização, educação financeira e atendimento para quem desenvolveu dependência.

No futebol, uma derrota pode ser esquecida na rodada seguinte. Na vida real, o prejuízo pode durar anos.

A ironia é que, depois de tanta gente tentar fazer o dinheiro render apostando, talvez a melhor maneira de preservar o salário seja justamente parar de jogar.

Porque as bets podem ter saído de campo, mas o boleto continua escalado como titular absoluto.

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Direto ao ponto

Reforma administrativa de Alysson Bestene: oportunidade de modernização e desafio de articulação política

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A reforma administrativa anunciada como possibilidade pelo prefeito Alysson Bestene abre uma discussão que vai além da criação de secretarias e das mudanças no primeiro escalão da Prefeitura de Rio Branco.

É legítimo e natural que o prefeito reorganize sua equipe e estabeleça novas prioridades. Mas há uma dimensão política que não pode ser ignorada: parte dos atuais auxiliares participou da construção do projeto que elegeu Bocalom e Alysson em 2024.

Isso não garante permanência a ninguém. Entretanto, mudanças administrativas também exigem diálogo, reconhecimento e capacidade de articulação política.

A questão é que a reforma pode representar algo maior do que uma reorganização de cargos.

A criação de uma Secretaria da Mulher, já mencionada por Alysson, poderia vir acompanhada de uma estrutura voltada à juventude, inteligência artificial, empreendedorismo, economia criativa e economia solidária.

O impacto estaria na conexão dessas políticas com a realidade econômica e social de Rio Branco.

Para os jovens, significaria ampliar oportunidades de qualificação, acesso à tecnologia e inserção no mercado de trabalho. Para as mulheres, fortalecer a autonomia econômica, o empreendedorismo e as políticas de proteção. Para os pequenos empreendedores e trabalhadores da economia criativa e solidária, abrir caminhos para capacitação, inovação, geração de renda e acesso a mercados.

A inteligência artificial, em particular, já transforma profissões, empresas e serviços públicos. Incorporá-la ao planejamento municipal permitiria preparar a população para essas mudanças e melhorar a eficiência da própria Prefeitura.

Rio Branco já possui uma secretaria com atribuições relacionadas ao desenvolvimento econômico, tecnologia e inovação. Portanto, o desafio não é simplesmente criar novas estruturas, mas avaliar como integrar essas agendas, com competências definidas e responsabilidade fiscal.

Uma reforma com esse alcance demonstraria que Alysson está atento não apenas às demandas imediatas de Rio Branco, mas também às transformações em curso no Acre, no Brasil e no mundo.

Há ainda a possibilidade de aproximação com políticas nacionais de economia solidária, inovação e inclusão produtiva, ampliando oportunidades de cooperação institucional e acesso a programas federais.

Alysson tem a prerrogativa de promover mudanças e a oportunidade de estabelecer prioridades próprias. O desafio é conciliar esse movimento com o reconhecimento da construção política que o levou à Prefeitura.

No fim, a reforma administrativa não deveria ser medida apenas por quem entra ou sai do governo, mas pelas políticas que consegue estruturar, pelas oportunidades que pode gerar e pelos resultados que entrega à população.

Modernizar a Prefeitura e preservar a capacidade de articulação política não são objetivos incompatíveis. Esse é o equilíbrio que a reforma precisa buscar.

Foto: Sérgio vale / Vale Comunicação

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Direto ao ponto

E o povo do Acre é otário? O jogo só acaba quando o árbitro apita

Entre o tacacá, as conversas de esquina e as certezas políticas, o Acre vive uma eleição que alguns parecem considerar encerrada.

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No Acre, a eleição também acontece fora dos palanques. No mercadinho, no açougue, na panificadora, na banca de tacacá ou de quibe, sempre aparece alguém disposto a dar o resultado antes da apuração.

É igual futebol. O time leva vantagem, a torcida começa a cantar vitória, alguém já pede a conta e vai embora antes do apito final. Depois, se o placar muda, a culpa é do juiz.

Na política acreana, o campeonato está parecido.

Alan Rick já é tratado como derrotado em algumas rodas de conversa. Mailza Assis, como vencedora. Há quem comemore, quem lamente e quem já pense em 2027.

Mailza terminou o primeiro turno à frente. É fato. Mas vantagem no placar não é súmula assinada.

E o futebol, convenhamos, está cheio de histórias de equipes que comemoraram antes da hora.

O mais interessante é que essa pressa em conhecer o vencedor não se limita ao governo estadual. Até na disputa presidencial, onde muitos consideram previsível o comportamento do eleitor acreano, Lula pode surpreender expectativas.

E quem conhece a política por estas bandas sabe que certeza demais costuma dar trabalho. Já vi a cidade amanhecer vermelha e anoitecer azul. E vice-versa.

Afinal, pesquisa não vota, palanque não vota e conversa de esquina, por mais animada que seja, também não.

Domingo, cada eleitor terá seu momento diante da urna, longe da arquibancada e dos comentaristas.

Quem quiser cantar vitória, que cante.

Só não esqueça que o árbitro ainda está com o apito na boca.

Porque, se tem uma coisa que aprendi acompanhando a política por estas bandas, é que o povo do Acre pode ser um monte de coisa. Otário é que não é.

Foto: Assessoria/Secom

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Direto ao ponto

Mailza, 218 mil votos e uma eleição que pode mudar na Justiça

Uma ação por suposta fraude documental coloca em discussão o destino dos votos da candidata mais votada no Acre.

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O eleitor acreano escolheu Mailza Assis e Alan Rick para disputar o segundo turno. Mas uma ação que tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) pode alterar esse cenário.

A ação, apresentada por Alan Rick e sua coligação, questiona a autenticidade de um certificado de Licenciatura em Pedagogia apresentado por Mailza no registro de candidatura. Entre os pontos levantados estão a carga horária de um curso supostamente presencial, incompatibilidades de datas e informações sobre sua formação acadêmica.

A defesa contesta as acusações e apresentou documentação para sustentar a regularidade do certificado. 

Mas o que aconteceria com os 218.760 votos recebidos por Mailza, equivalentes a 49,76% dos votos válidos, caso sua chapa fosse cassada?

A conta parece simples. Com a anulação definitiva dos votos de Mailza, uma nova totalização reduziria os votos válidos a 220.887, fazendo Alan Rick, que recebeu 141.859 votos, alcançar 64,22%. Mas essa maioria matemática seria suficiente para dispensar o segundo turno?

Não necessariamente. A legislação prevê a retotalização, mas também estabelece regras para a substituição de candidaturas antes da segunda votação. Pelo artigo 19 da Resolução TSE nº 23.677/2021, a anulação definitiva dos votos nesse intervalo poderá levar à convocação de Tião Bocalom, terceiro colocado, observadas as condições legais.

Há outro número curioso. Somados os votos de Mailza aos brancos e nulos registrados no primeiro turno, seriam 267.084 votos, contra 220.887 votos válidos remanescentes.

A soma não determina juridicamente uma nova eleição. Brancos, nulos e votos anulados pela Justiça têm tratamentos diferentes. Mas revela o tamanho da questão: mais da metade dos votos depositados nas urnas ficaria fora da nova conta dos válidos.

E se a cassação vier depois da eleição? Dependendo do resultado e dos efeitos da decisão, o Acre poderá enfrentar uma eleição suplementar, com novas candidaturas e articulações políticas.

Por enquanto, nada disso está decidido. Mailza responde a uma acusação que precisa ser julgada, com direito à defesa e aos recursos previstos em lei.

O eleitor acreano já foi às urnas e fez sua escolha. Mas, caso a cassação seja confirmada e os votos definitivamente anulados, mais de 218 mil votos poderão perder sua validade jurídica, mesmo tendo sido depositados regularmente.

A legislação prevê essa possibilidade. Resta uma questão que vai além dos números e das disputas políticas:

Quando uma candidatura perde a validade jurídica, o que acontece com a vontade de quem votou nela?

Nota jurídica: Consultei um advogado especialista em Direito Eleitoral, que esclareceu que os artigos 19 e 29 da Resolução TSE nº 23.677/2021 tratam dos efeitos da anulação definitiva de votos entre os turnos e da necessidade de nova totalização. Segundo ele, a retotalização não significa, necessariamente, que o candidato com maioria dos votos restantes seja automaticamente declarado eleito. Tudo dependerá do momento da decisão, de seus efeitos jurídicos e da aplicação da legislação eleitoral ao caso concreto.

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