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Brasil reagiu de forma mais efetiva a ameaças à democracia, afirma professor de Harvard

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O cientista político Steven Levitsky, da Universidade de Harvard e autor de Como as democracias morrem, afirmou que o Brasil respondeu de maneira mais consistente à tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro do que os Estados Unidos diante de ações autoritárias de Donald Trump. A declaração foi feita no seminário Democracia em Perspectiva na América Latina e no Brasil, realizado no Senado Federal.

Levitsky comparou a atuação das instituições brasileiras à postura de Congresso e Judiciário norte-americanos, que, segundo ele, não reagiram com a mesma firmeza frente a ameaças autoritárias. O professor criticou a recente decisão dos Estados Unidos de adotar tarifas de 50% sobre exportações brasileiras, abrir investigação comercial e impor sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, classificando a medida como contraditória à defesa da democracia.

Para o pesquisador, a diferença entre as respostas se explica, em parte, pela ausência de memória coletiva de regimes autoritários nos EUA, ao contrário de países como Brasil, Argentina, Alemanha, Coreia do Sul e China. Ele destacou que, atualmente, a erosão democrática ocorre por meio de líderes eleitos que enfraquecem instituições e normas, muitas vezes utilizando estratégias populistas para sobrepor-se a poderes como Legislativo e Judiciário.

Levitsky citou Bolsonaro e o presidente argentino Javier Milei como exemplos de líderes que colocam as instituições à prova, mas ressaltou que as democracias latino-americanas têm demonstrado resiliência, mesmo em um cenário internacional menos favorável que o da década de 1990. Segundo ele, o enfraquecimento do apoio externo às democracias e fatores internos como crises econômicas, aumento da violência e corrupção contribuem para o descontentamento popular, intensificado pela pandemia e pela disseminação de informações pelas redes sociais.

O professor defendeu que a preservação democrática requer reações institucionais firmes, citando casos históricos em que coalizões políticas se uniram para conter forças antidemocráticas. Para ele, quando partidos e instituições não atuam, a sociedade civil deve assumir papel de defesa, com líderes reafirmando continuamente os limites que não podem ser ultrapassados.

O evento também marcou o lançamento da coletânea Democracia Ontem, Hoje e Sempre, composta por quatro livros que revisitam momentos históricos da política brasileira, incluindo obras sobre o golpe de 1964 e a campanha das Diretas Já.

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