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Entidades dos EUA acusam “golpe eleitoral” após decisão da Suprema Corte sobre mapas da Louisiana e apontam benefício a Trump

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Organizações do movimento negro e de direitos civis dos Estados Unidos reagiram nesta sexta-feira (1º) à decisão da Suprema Corte que derrubou o mapa eleitoral para o Congresso no estado da Louisiana, num julgamento por 6 votos a 3, e afirmaram que a medida abre caminho para ampliar a manipulação de distritos com impacto direto na representação de eleitores negros e latinos. A avaliação é de que a mudança tende a favorecer o Partido Republicano e pode fortalecer o presidente Donald Trump às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro de 2026.

O presidente da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), Derrick Johnson, afirmou que a democracia do país “clama por socorro” e atacou o alcance do julgamento. “A decisão de hoje é um golpe devastador para o que resta da Lei dos Direitos de Voto e uma licença para políticos corruptos que querem manipular o sistema silenciando comunidades inteiras. A Suprema Corte traiu os eleitores negros, traiu a América e traiu nossa democracia”, declarou.

A maioria conservadora do tribunal considerou que o redesenho dos distritos na Louisiana teria se baseado de forma excessiva em critérios raciais, o que altera o entendimento sobre efeitos da Lei dos Direitos de Voto no desenho das fronteiras eleitorais. Com isso, dois distritos de maioria negra devem ser modificados, com potencial de mudar a composição partidária da bancada do estado no Congresso.

No dia seguinte ao julgamento, o governador da Louisiana, Jeff Landry, cancelou as primárias partidárias que estavam previstas para 16 de maio, com o objetivo de alterar os mapas eleitorais antes da votação. Trump comemorou publicamente a decisão. “Esse é o tipo de decisão que eu gosto”, disse na Casa Branca, e agradeceu a Landry por ter levado o caso ao Supremo e “por agir com tanta rapidez para corrigir a inconstitucionalidade dos mapas eleitorais da Louisiana”. Em rede social, o presidente também encorajou o governador do Tennessee a redesenhar distritos para ampliar a vantagem republicana. “Isso deve nos dar uma cadeira a mais e ajudar a salvar nosso país dos democratas da esquerda radical e de suas políticas destrutivas”, escreveu.

Lideranças democratas prometeram reagir para tentar conter perdas de representação e a escalada do gerrymandering, termo usado para descrever a manipulação dos limites dos distritos eleitorais. O reverendo Al Sharpton, presidente da National Action Network, afirmou que o julgamento “desmantelou” o trabalho de Martin Luther King e comparou o resultado a um ataque direto ao direito de voto. “A decisão de hoje é uma bala no coração do movimento pelos direitos de voto. O Dr. King não marchou pela Ponte Edmund Pettus para que seis juízes em Washington pudessem desfazer silenciosamente o que foi conquistado com sangue”, disse, ao citar uma sequência de decisões que, segundo ele, vem enfraquecendo a Lei dos Direitos de Voto há mais de uma década.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) classificou o resultado como “vergonhoso” e afirmou que a Lei dos Direitos de Voto é a “espinha dorsal” da democracia multirracial dos EUA. “Os eleitores devem decidir quem os representa no governo — e não o contrário. Mas políticos contrários ao direito ao voto em todo o país interpretarão essa decisão como um sinal verde para implementar novas restrições e tentativas de suprimir nossos direitos de voto”, afirmou Alanah Odoms, diretora da ACLU na Louisiana.

O impacto da disputa se conecta ao modelo eleitoral distrital adotado nos Estados Unidos, no qual cada cadeira depende da maioria em um distrito específico, sem aproveitamento de votos em outras áreas do estado. Nesse formato, o redesenho das fronteiras pode diluir a força eleitoral de grupos historicamente mais alinhados aos democratas, como eleitores negros e latinos, ao dividir comunidades em distritos diferentes e combiná-las com áreas de perfil político oposto. A movimentação se intensificou em diversos estados, e a expectativa de uma nova rodada de mapas pode ampliar a guerra política em torno do controle da Câmara em 2026.

Foto: RS/Fotos Públicas

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