Durante a sessão desta terça-feira (7), no plenário da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), a deputada estadual Antônia Sales (MDB) saiu em defesa da reconstrução da BR-364, no trecho Rio Branco – Cruzeiro do Sul e enfatizou das grandes obras que o presidente Lula fez em seus dois primeiros mandatos.
Sales agradeceu ao presidente Lula pela sensibilidade em olhar para a BR-364, pois em seu governo passado as manutenções eram realizadas periodicamente, e nos governos que o sucederam a rodovia ficou esquecida.
“Quero agradecer ao presidente Lula que teve a sensibilidade, pois ele já conhece essa estrada, ele fez todas essas pontes da BR-364. No tempo que ele presidente, lá atrás, não existia esses transtornos de tanto buraco que temos nos dias atuais. Lá atrás ele fez manutenção da BR, depois dele, ninguém fez uma manutenção que prestasse, pois todo o período de chuva é a mesma dificuldade”, salientou a deputada.
Na última semana, o governo federal informou que vai destinar R$ 600 milhões em recursos para manutenção e recuperação da BR-364, principal rodovia do Acre que liga a capital a Cruzeiro do Sul.
Os senadores Márcio Bittar (PL-AC) e Sérgio Petecão (PSD-AC) assinaram a PEC 12/2026, apresentada no Senado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que cria um regime flexível de trabalho por hora e virou alvo de críticas nacionais por deslocar o debate do fim da escala 6×1 para uma mudança mais ampla nas regras de jornada, salário e direitos trabalhistas. A proposta chegou ao Senado depois de a Câmara dos Deputados aprovar, em dois turnos, a PEC que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso e fixa jornada semanal de 40 horas, com dois dias de repouso remunerado.
A votação na Câmara deu força política a uma reivindicação antiga de trabalhadores do comércio, supermercados, farmácias, restaurantes, serviços, segurança privada e outras atividades em que a escala 6×1 organiza a vida de quem passa a semana inteira preso ao relógio. No segundo turno, a proposta recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários. No primeiro, foram 472 votos a favor e 22 contra. O texto aprovado pelos deputados prevê transição: dois meses após a promulgação da emenda, passam a valer dois dias de descanso remunerado por semana e jornada de 42 horas; depois de um ano, a carga máxima cai para 40 horas semanais. A redução deve ocorrer sem corte de salário, inclusive nos pisos salariais.
A PEC 12/2026, assinada por Bittar e Petecão, segue outro caminho. Em vez de tornar a jornada menor uma regra geral com salário preservado, o texto altera o artigo 7º da Constituição para permitir que o empregado escolha entre o regime comum da CLT e um regime flexível baseado em horas trabalhadas. Pela proposta, o empregador poderia pagar apenas pelas horas efetivamente trabalhadas. Direitos como férias, 13º salário, FGTS e outros benefícios legais seriam calculados de forma proporcional à carga horária cumprida.
O ponto mais sensível está na negociação individual. A PEC permite compensação de horários e redução da jornada por acordo individual, convenção coletiva ou livre pactuação direta entre empregado e empregador. O texto ainda prevê que o contrato individual de trabalho possa prevalecer sobre instrumentos de negociação coletiva. Na prática, a decisão sairia do campo da proteção coletiva, mediada por sindicatos e acordos de categoria, e passaria a depender da relação direta entre patrão e empregado, justamente onde o trabalhador costuma ter menos poder de barganha.
Para os defensores da proposta, o regime flexível ampliaria a liberdade do trabalhador para organizar a própria rotina. Rogério Marinho argumenta que a mudança permitiria jornadas de 20, 30, 40 ou 50 horas, com remuneração conforme a atividade e a disponibilidade do empregado. O senador também critica a redução da jornada com salário preservado, sob o argumento de que ela elevaria custos das empresas, pressionaria preços e poderia afetar empregos, especialmente em pequenos negócios.
A crítica, porém, nasce das consequências concretas do texto. Um trabalhador contratado por menos horas também teria direitos calculados em valor menor. O salário mensal deixaria de ser o centro da relação e a hora trabalhada passaria a organizar a remuneração. Em setores de baixa renda e alta rotatividade, isso pode significar contracheques menores, férias menores, 13º menor e depósitos menores de FGTS. A palavra “flexibilidade”, nesse caso, não mexe apenas na escala; mexe no tamanho da proteção trabalhista.
No Acre, a assinatura dos dois senadores coloca a bancada no centro de uma disputa que chega diretamente ao balcão das lojas, aos corredores de supermercados, às cozinhas de restaurantes, às guaritas da segurança privada e aos plantões de serviços que funcionam aos fins de semana. A diferença entre as duas propostas é objetiva: a Câmara aprovou uma PEC para reduzir a jornada máxima, ampliar o descanso semanal e preservar salário; a PEC apresentada no Senado permite contrato por hora, negociação direta e direitos proporcionais à carga efetivamente trabalhada.
A reação nacional cresceu porque a proposta foi lida por parlamentares e movimentos trabalhistas como uma tentativa de esvaziar o texto aprovado na Câmara. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), uma das vozes mais conhecidas da mobilização pelo fim da escala 6×1, passou a chamar a PEC do Senado de brecha para uma “escala 7×0”, expressão política usada por críticos para alertar sobre o risco de jornadas sem proteção coletiva suficiente.
A PEC 12/2026 já tramita na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aguarda a escolha de relator. É nessa fase que os senadores poderão manter, alterar ou barrar o texto antes de qualquer votação em plenário. A disputa deixou de ser apenas sobre trabalhar seis dias e descansar um. O centro do embate agora é outro: se a Constituição deve garantir uma redução geral da jornada com salário preservado ou abrir espaço para contratos individuais por hora, com direitos calculados de forma proporcional.
O seminário “Acre: Desenvolvimento e Oportunidades”, realizado neste sábado, 30, em Rio Branco, pela Federação PSDB-Cidadania, funcionou como um ato de organização política da pré-campanha de Tião Bocalom ao Governo do Acre em 2026.
Embora o evento tenha sido apresentado como espaço de debate programático, com painéis sobre desenvolvimento, infraestrutura, agronegócio, indústria e gestão pública, o encontro também teve papel político. Serviu para reunir aliados, alinhar discurso e apresentar os primeiros contornos da plataforma que Bocalom pretende levar à disputa estadual.
A principal linha adotada foi a defesa de um projeto baseado em produção, infraestrutura e geração de emprego. Bocalom voltou a sustentar que o crescimento econômico do Acre depende da ampliação da capacidade produtiva, da recuperação de ramais e estradas, do fortalecimento da agricultura e da criação de condições para o setor privado investir.
O discurso segue a base política que ele utiliza desde sua trajetória em Acrelândia e que depois tentou aplicar na Prefeitura de Rio Branco. No seminário, essa experiência foi apresentada como referência para uma proposta estadual.
Reprodução: Canal Youtube/ @TiaoBocalom
Outro ponto relevante foi o esforço para associar a pré-candidatura à ideia de continuidade administrativa. A participação do prefeito Alysson Bestene teve esse papel. Alysson destacou a parceria com Bocalom e defendeu a manutenção de um modelo de gestão que, segundo ele, combina responsabilidade fiscal, obras, inovação e políticas públicas.
Na prática, o evento também serviu para delimitar funções dentro do grupo. Bocalom aparece como o nome em construção para a disputa ao governo. Alysson atua como fiador da continuidade do projeto em Rio Branco. A Federação PSDB-Cidadania busca se posicionar como eixo partidário da formulação do plano de governo.
Bocalom também usou o evento para tratar da composição da chapa majoritária. Ele reafirmou apoio ao senador Marcio Bittar e ao ex-governador Gladson Cameli como nomes para o Senado, mas condicionou qualquer definição mais ampla à decisão de Gladson sobre seu futuro político. Sobre a escolha do vice, indicou que o tema será tratado posteriormente e que o critério central será confiança política.
Esse ponto mostra que a pré-campanha ainda tem questões em aberto. A definição do vice, a situação de Gladson, a relação com outros partidos e a capacidade de ampliar alianças serão elementos determinantes para medir a viabilidade do projeto.
A lembrança da eleição de 2010 também teve função política. Ao citar a disputa em que ficou próximo da vitória, Bocalom buscou reforçar a ideia de que já teve competitividade em uma eleição estadual. A comparação, porém, tem limites. O cenário de 2026 será diferente, com outro arranjo partidário, novos atores e um eleitorado submetido a outra conjuntura.
A importância do seminário está menos no conteúdo técnico das propostas apresentadas e mais no seu efeito de pré-campanha. O encontro permitiu a Bocalom ocupar espaço público, organizar mensagens, testar a recepção de aliados e iniciar a formalização de uma agenda estadual.
No discurso, Bocalom procurou deixar claro que o seminário não representa a elaboração de uma agenda do zero, mas a atualização de uma linha política já associada à sua trajetória. “O plano de governo do Bocalom nunca mudou. Sempre foi produzir para empregar”, afirmou. A declaração ajuda a definir o sentido político do encontro: mais do que formular uma nova proposta, o evento serviu para submeter seu modelo de gestão à escuta de aliados, setores produtivos e lideranças regionais.
Para o PSDB, o evento também teve função estratégica. O partido tenta se reposicionar no debate estadual a partir de uma candidatura competitiva e de uma pauta econômica definida. Ao reunir lideranças e apresentar temas para o plano de governo, a legenda buscou demonstrar que pretende participar da disputa de 2026 com estrutura política própria.
O seminário não encerra as indefinições da chapa nem resolve o desafio de ampliar a base de apoio. Mas marca uma etapa da pré-campanha: a passagem de movimentações isoladas para uma agenda organizada em torno de Bocalom, com discurso, aliados identificados e temas prioritários para a disputa estadual.
A comunicação política já não passa apenas por palanques, entrevistas, rádio e televisão. Nos últimos anos, setores da direita ocuparam com força redes sociais, canais de vídeo e aplicativos de mensagem, criando uma relação direta com suas bases e influenciando o debate público fora dos espaços tradicionais da imprensa. Diante desse cenário, lideranças do campo progressista passaram a investir mais em podcasts, lives e plataformas digitais, não apenas para marcar presença, mas para tentar disputar interpretação, audiência e vínculo social em um território onde a ausência também tem custo político.
No Acre, o ex-governador Jorge Viana estreou o “Aqui Tem Acre Cast”, projeto em formato de podcast que pretende discutir temas ligados à história recente do estado, aos desafios atuais e às perspectivas para o futuro.
O primeiro episódio foi ao ar no YouTube e contou com a participação do ex-governador Binho Marques, do jornalista Toinho Alves e da jornalista Marcela Jansen. A conversa abordou temas como política, desenvolvimento, educação, saúde, juventude, economia e os caminhos possíveis para o Acre nos próximos anos.
A iniciativa acompanha uma mudança na forma como figuras públicas se comunicam com a população. Em vez de depender apenas dos espaços tradicionais da imprensa, podcasts e canais próprios têm permitido conversas mais longas, com menos interrupções e maior liberdade para contextualizar temas complexos.
Apesar do potencial desses formatos, a simples presença nas plataformas digitais não garante, por si só, ampliação real de audiência nem construção de influência política. Um dos riscos é transformar podcasts, lives e canais próprios em espaços de reafirmação, voltados quase exclusivamente para quem já acompanha, concorda ou faz parte do mesmo campo político. Nesse caso, o formato muda, mas a lógica continua antiga: fala-se muito, escuta-se pouco e a comunicação passa a circular dentro da própria bolha.
Esse debate é recorrente entre profissionais da comunicação política. Marcelo Vitorino, especialista em marketing político digital, costuma chamar atenção para o equívoco de tratar a internet apenas como um novo canal para distribuir mensagens antigas. A crítica é pertinente: no ambiente digital, não basta levar para as redes o mesmo discurso pensado para televisão, palanque ou reunião política. É preciso adaptar linguagem, ritmo, público, território e forma de circulação.
Na mesma direção, o publicitário Juarez Guedes tem defendido que presença e relacionamento são elementos centrais para gerar validação social. A presença digital, portanto, só ganha sentido quando constrói conexão. Estar no YouTube, no Instagram ou em qualquer outra plataforma não significa, necessariamente, dialogar com a sociedade. Pode significar apenas falar para os mesmos grupos, com os mesmos argumentos e para uma audiência que já está previamente convencida.
Em recente publicação em suas redes sociais, o marqueteiro Zé Américo resume bem esse desafio: “O que ganha eleição é transformar história em confiança, experiência em solução e presença em voto.” No contexto da comunicação digital, a ideia ajuda a separar visibilidade de influência. Um podcast pode registrar memória, organizar narrativas e apresentar ideias, mas só se torna politicamente relevante quando consegue traduzir trajetória em confiança, experiência em resposta concreta e presença em vínculo real com o público.
A crítica, portanto, não diminui a importância dos podcasts e canais próprios. Ao contrário, reforça que esses espaços podem ser relevantes quando não se limitam à autopromoção ou à defesa de trajetórias pessoais. Para alcançar públicos mais amplos, é preciso combinar conteúdo, escuta, linguagem, cortes, distribuição, presença nas redes e capacidade de falar também com quem não acompanha diariamente o debate político. No ambiente digital, curtida não é voto, visualização não é adesão e engajamento, sozinho, não garante construção de reputação. Essa distinção entre métrica de rede e força política real também aparece em análises recentes sobre campanhas que confundem produção de conteúdo com comunicação política.
Durante o episódio, Jorge Viana e os convidados falaram sobre experiências de gestão, mudanças vividas pelo Acre nas últimas décadas e questões que continuam presentes no cotidiano da população. A proposta do programa é reunir diferentes vozes para discutir o estado a partir de sua história, de seus problemas e de suas possibilidades.
O “Aqui Tem Acre Cast” está disponível no canal Jorge Viana Acre, no YouTube.