Cinco deputados federais do Acre aparecem entre os parlamentares que assinaram emendas à PEC 221/2019, proposta que discute a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 no Brasil. Os textos foram apresentados na comissão especial da Câmara dos Deputados e podem alterar o sentido da proposta original, criando uma transição de 10 anos, condicionando a mudança a uma lei complementar e abrindo exceções para atividades consideradas essenciais.
No recorte acreano, aparecem nas assinaturas os deputados Coronel Ulysses, Zezinho Barbary, Zé Adriano, Roberto Duarte e Meire Serafim. Coronel Ulysses assina a Emenda 1, apresentada pelo deputado Sérgio Turra, do PP do Rio Grande do Sul. Zezinho Barbary, Zé Adriano, Roberto Duarte e Meire Serafim aparecem tanto na Emenda 1 quanto na Emenda 2, apresentada por Tião Medeiros, do PP do Paraná.
A escala 6×1 é o modelo em que o trabalhador atua por seis dias e tem apenas um dia de descanso. O tema ganhou força nacional com a tramitação da PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes, e da PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton, apensada ao texto principal. As propostas foram admitidas pela Comissão de Constituição e Justiça e passaram a ser analisadas por uma comissão especial criada para discutir a redução da jornada.
As emendas assinadas pelos parlamentares acreanos não acabam imediatamente com a escala 6×1. Ao contrário: os textos propõem uma regra geral de jornada de até 40 horas semanais, mas mantêm a possibilidade de 44 horas para atividades essenciais, desde que regulamentadas por lei complementar. Também permitem compensação de horários e alteração de jornada por acordo ou convenção coletiva.
O ponto mais sensível está no prazo. As duas emendas estabelecem que a mudança só entraria em vigor 10 anos após a publicação da emenda constitucional. Na prática, caso uma proposta desse tipo fosse aprovada em 2026, a aplicação poderia ficar para 2036. Além disso, a redução da jornada não poderia começar antes da aprovação de uma lei complementar definindo quais atividades seriam tratadas como essenciais.
A Emenda 1 vai além da regra de transição. O texto prevê mecanismos de compensação para empregadores que adotarem a nova jornada, incluindo redução de encargos e medidas tributárias. Também afirma que acordos individuais e instrumentos coletivos podem prevalecer sobre normas legais e infralegais em temas como jornada, escala de trabalho, banco de horas, intervalos, teletrabalho e remuneração por produtividade.
A Emenda 2 tem texto mais direto, mas segue a mesma lógica: fixa 40 horas semanais como regra geral, permite exceções para atividades essenciais com jornada de até 44 horas e condiciona a redução a uma lei complementar. A justificativa cita setores como alimentação, saúde, segurança, transporte, energia, logística e atividades agropecuárias.
Para o Acre, a pauta tem efeito político porque coloca parte da bancada federal em uma discussão que atinge diretamente trabalhadores do comércio, dos serviços, da saúde privada, do transporte, de supermercados, farmácias, postos e outras áreas em que a escala 6×1 é comum. O debate também abre espaço para cobrança pública sobre a posição dos parlamentares: se defendem o fim da escala como direito dos trabalhadores ou se apoiam uma transição longa, com exceções e condicionantes.
Até agora, não há fim da escala 6×1 aprovado nem adiamento transformado em lei. O que existe é uma disputa dentro da Câmara. As emendas apresentadas podem ser incorporadas, rejeitadas ou modificadas pelo relator da comissão especial. Depois disso, qualquer mudança constitucional ainda precisa passar pelo Plenário da Câmara e do Senado.
A controvérsia, portanto, está menos no discurso e mais no texto. Enquanto a proposta original é apresentada como uma resposta à sobrecarga de trabalhadores submetidos a seis dias de trabalho por semana, as emendas assinadas por deputados do Acre criam uma saída mais lenta, condicionada e com exceções. É esse movimento que colocou os nomes da bancada acreana no centro da pauta nacional sobre a escala 6×1.
É Pop | Box Checagem — Deputados do Acre e escala 6×1
O segundo turno para o Governo do Acre começou a reorganizar as principais forças políticas do estado nesta segunda-feira (5). Prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (PP) anunciou apoio à governadora Mailza Assis (PP) e afirmou que entrará na campanha pela reeleição da correligionária contra o senador Alan Rick (Republicanos).
A decisão coloca o comando da Prefeitura de Rio Branco diretamente na disputa eleitoral. A capital concentra o maior número de eleitores do Acre e será um dos principais territórios de busca por votos nas próximas semanas.
Ao confirmar a posição, Alysson disse que passará a defender publicamente a candidatura de Mailza. “O 11 que estava no meu coração agora também estará na minha boca”, declarou durante encontro político realizado na sede do Progressistas.
O movimento ocorre logo após Alan Rick manifestar interesse em conversar com o prefeito. O candidato do Republicanos havia lembrado o apoio dado a Alysson na eleição municipal de 2024 e afirmou, depois da apuração do primeiro turno, que buscaria seu apoio para a etapa final da eleição estadual.
A opção de Alysson por Mailza fecha uma das primeiras disputas por apoio abertas após o resultado das urnas. A partir de agora, o prefeito deverá participar das agendas da governadora e atuar principalmente na mobilização eleitoral em Rio Branco.
A decisão também aumenta a atenção sobre o posicionamento do ex-prefeito Tião Bocalom (PSDB), terceiro colocado na disputa pelo governo. Bocalom havia afirmado que conversaria com Alysson antes de definir qual caminho seguiria no segundo turno.
Mailza terminou o primeiro turno na primeira colocação, mas sem alcançar os votos necessários para encerrar a eleição. Alan Rick ficou em segundo e avançou para a nova votação. Com a disputa reduzida aos dois candidatos, partidos, prefeitos, parlamentares e grupos que ficaram fora do segundo turno passam a ser procurados pelas duas campanhas.
Quem não compareceu às urnas no primeiro turno das Eleições 2026 ainda poderá votar normalmente no segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro. A ausência registrada no último domingo (4) não impede o eleitor de participar da próxima etapa da eleição.
A regra ocorre porque cada turno é tratado pela Justiça Eleitoral de forma independente. Assim, mesmo quem faltou à primeira votação poderá comparecer no segundo turno, desde que esteja com a situação eleitoral regular.
O eleitor ausente também deverá justificar a falta referente ao primeiro turno. O prazo vai até 3 de dezembro de 2026. A justificativa pode ser apresentada pelos canais disponibilizados pela Justiça Eleitoral ou diretamente em um cartório eleitoral.
Caso o eleitor também não vote no segundo turno, será necessário justificar novamente, já que as ausências são contabilizadas separadamente. Para a votação de 25 de outubro, o prazo para apresentar a justificativa termina em 8 de janeiro de 2027.
A falta sem justificativa pode gerar multa e outras pendências eleitorais. O cancelamento do título pode ocorrer quando o eleitor deixa de votar em três eleições consecutivas sem justificar a ausência ou regularizar a situação, considerando que cada turno corresponde a uma eleição.
No Acre, onde haverá segundo turno para a escolha do próximo governador, quem não participou da votação do dia 4 poderá retornar às urnas no dia 25 e votar normalmente na disputa estadual.
O Acre não elegeu nenhuma mulher para a Assembleia Legislativa nas eleições deste domingo (4). Com 100% das 2.270 seções totalizadas, as 24 cadeiras da próxima legislatura ficaram com candidatos homens, deixando a Aleac sem representação feminina entre os titulares a partir de 2027.
A maior bancada será formada pela Federação União Progressista, que conquistou nove vagas. Foram eleitos Nicolau Júnior, Fagner Calegario, Clodoaldo Rodrigues, André da Droga Vale, Manoel Moraes, Adailton Cruz, Samir Bestene, Tio Pablo Bregense e Afonso Fernandes.
O PL terá quatro deputados estaduais: Chiquinho do Duda, Arlenilson Cunha, Raimundo Neném e Gláucio Pedrosa. O Republicanos elegeu três nomes: Eduardo Ribeiro, Gene Diniz e Tadeu Hassem.
PSD e MDB conquistaram duas cadeiras cada. Pelo PSD, foram eleitos Jailson Amorim, com 5.158 votos, e Antonio Pedro, com 5.118. No MDB, as vagas ficaram com Marcus Alexandre, que recebeu 12.872 votos, e Tanizio Sá, com 12.023. Antonia Sales, também do MDB, recebeu 5.809 votos e ficou na suplência.
As demais cadeiras foram conquistadas por Edvaldo Magalhães, do PCdoB, com 9.273 votos; Emerson Jarude, do Novo, com 9.434; Tchê, do PDT, com 10.003; e Leôncio Castro, do PSDB, com 4.933. Taiane Santos, do PDT, obteve 2.748 votos e ficou na suplência da legenda.
A disputa mais apertada por uma cadeira ocorreu dentro da Federação União Progressista. Afonso Fernandes conquistou a última vaga do grupo com 9.593 votos, apenas 62 a mais que Whendy Lima, que recebeu 9.531 e ficou na primeira suplência da federação.
O resultado deixa a próxima composição da Assembleia formada integralmente por homens. No total, a Federação União Progressista terá nove deputados; o PL, quatro; o Republicanos, três; PSD e MDB, dois cada; e Federação Brasil da Esperança, Novo, PDT e Federação PSDB-Cidadania, uma cadeira cada.
Na disputa para a Câmara dos Deputados, o cenário foi diferente. Duas mulheres conquistaram mandato federal pelo Acre: Socorro Neri, do PP, com 39.587 votos, e Perpétua Almeida, do PCdoB, com 15.800. Elas ocuparão duas das oito vagas acreanas na Câmara a partir de 2027.