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MEIO AMBIENTE

Desmatamento na Amazônia peruana expõe avanço de economias ilegais na fronteira Brasil-Peru

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Cinco regiões da Amazônia peruana concentraram 84% da perda de floresta entre 2001 e 2023, em um cenário de pressão crescente sobre territórios indígenas, rios e áreas protegidas na fronteira entre Peru e Brasil. Os dados foram apresentados por Andrea Buitrago Castro, da Fundação para a Conservação e o Desenvolvimento Sustentável no Peru, durante o Seminário Aliança Transfronteiriça em Defesa dos Povos, das Águas e das Florestas Amazônicas, realizado em Cruzeiro do Sul, no Acre, como parte da 10ª Reunião Binacional da Comissão Transfronteiriça Juruá–Yurúa–Alto Tamaya.

Entre 2001 e 2023, o Peru perdeu mais de 3,05 milhões de hectares de bosque úmido amazônico. A bacia do rio Ucayali concentra a maior parcela do desmatamento amazônico no país, com 571.342 hectares perdidos. Em seguida aparecem Loreto, com 557.146 hectares; San Martín, com 515.542 hectares; Huánuco, com 399.928 hectares; e Madre de Dios, com 322.458 hectares.

A concentração da perda florestal coincide com áreas de expansão do cultivo de folha de coca, abertura de vias e corredores usados por economias ilícitas. A pressão atinge também povos indígenas e comunidades tradicionais: 19% do desmatamento ocorreu em seus territórios. A combinação entre desmatamento, avanço de estradas, concessões florestais e rotas do narcotráfico foi tratada como emergência ambiental e humanitária pelas organizações reunidas em Cruzeiro do Sul.

A Comissão Transfronteiriça Juruá–Yurúa–Alto Tamaya reúne povos indígenas e não indígenas, além de organizações representativas da fronteira. O grupo afirma representar 35 territórios e 14 povos indígenas, responsáveis pela proteção de 3,5 milhões de hectares de territórios indígenas e áreas naturais protegidas entre Ucayali, no Peru, e Acre, no Brasil.

Na declaração aprovada ao fim do encontro, as organizações cobraram dos governos brasileiro e peruano uma articulação binacional contra o crime organizado na região de fronteira. O texto relaciona a ausência de controle estatal ao uso de rios e florestas como corredores ilícitos e pede que as ações oficiais reconheçam o monitoramento territorial feito pelas comunidades indígenas.

A segurança das lideranças também ocupou lugar central nas discussões. A comissão citou o caso Saweto, em que os condenados pelos assassinatos de Edwin Chota Valera, Jorge Ríos Pérez, Leoncio Quintisima Meléndez e Francisco Pinedo seguem foragidos 11 anos depois do crime, ocorrido na comunidade nativa fronteiriça de Alto Tamaya Saweto. O episódio foi associado a outros casos de violência contra defensores ambientais, como os assassinatos de Bruno Pereira, Dom Phillips e Maxiel Pereira no Brasil.

Outro ponto da declaração foi a estrada UC-105, entre Nueva Italia e Puerto Breu, no Peru. As organizações classificaram a obra como ilegal por avançar sem consulta livre, prévia e informada, sem estudos e sem autorizações, e afirmaram que a via pode facilitar a entrada de invasores, madeireiros e narcotraficantes em territórios ancestrais.

A reunião também pediu a anulação de concessões florestais em áreas consideradas parte de territórios tradicionais e a proteção das nascentes dos rios Amônia, Tamaya, Breu, Yurúa, Dorado e Sheshea. Para os povos da fronteira, esses rios sustentam comunidades dos dois lados do limite entre Brasil e Peru e devem receber proteção efetiva diante da pressão de atividades ilegais e da exploração madeireira.

O avanço do desmatamento na Amazônia peruana reforça a urgência de respostas conjuntas entre os dois países. Sem fiscalização integrada, proteção às lideranças e reconhecimento da gestão territorial indígena, as áreas mais pressionadas tendem a seguir como corredores de desmatamento, violência e perda de biodiversidade em uma das regiões mais sensíveis da fronteira amazônica.

Para lembrar

Documentário da OPIRJ registra luta contra estradas e ameaças na fronteira

O debate sobre o avanço do desmatamento, das estradas ilegais e das economias ilícitas na fronteira entre Acre e Ucayali também está no documentário “Opirj – A luta na defesa dos direitos e da floresta”, lançado em 22 de setembro. A produção reúne relatos, documentos e registros da atuação da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá na defesa dos territórios indígenas e da floresta na região transfronteiriça.

O filme aborda a mobilização contra a proposta de rodovia entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, trata da estrada ilegal UC-105, entre Nueva Italia e Puerto Breu, e recupera decisões judiciais, estudos econômicos e alertas de lideranças sobre os impactos das vias em áreas indígenas, unidades de conservação e territórios de povos isolados. O documentário está disponível no canal do Épop no YouTube.

Canal Épop no YouTube  ·  Documentário OPIRJ

MEIO AMBIENTE

Mudanças climáticas ampliam transmissão de dengue e outras doenças infecciosas no Brasil

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O aumento das temperaturas e as alterações nos regimes de chuva já estão modificando a distribuição de doenças infecciosas no Brasil. Pesquisas e especialistas em saúde apontam que as mudanças climáticas favorecem a expansão da dengue, da febre do Oropouche e de outras infecções para regiões onde antes havia menor circulação dessas doenças.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) constatou que, entre 2006 e 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue passou de 110 para 292. Atualmente, essas áreas representam 54% das microrregiões do país. A pesquisa relaciona o avanço da doença principalmente ao aumento da frequência de temperaturas fora dos padrões habituais.

O Rio Grande do Sul é um exemplo dessa mudança. Até 2007, o estado não registrava casos de dengue contraídos localmente. Em 2024, foram quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes. No mesmo período, a Bahia, que possui temperaturas mais elevadas, contabilizou cerca de 163 mil casos e 188 óbitos.

O infectologista Celso Granato, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, explica que o calor e a umidade interferem diretamente no ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti. As condições climáticas favorecem a reprodução do inseto e podem aumentar sua atividade de alimentação, ampliando as oportunidades de transmissão do vírus.

Outra preocupação é a febre do Oropouche, que até 2023 circulava predominantemente na Amazônia. Em 2025, a doença provocou mais de 12 mil infecções em 23 estados e no Distrito Federal. A relação entre sua expansão e as mudanças climáticas ainda está sendo investigada, mas pesquisadores consideram a influência das alterações de temperatura, das chuvas e da degradação ambiental.

Os eventos climáticos extremos também aumentam os riscos à saúde. Durante enchentes, o contato com água contaminada pode favorecer casos de leptospirose, hepatite A e infecções gastrointestinais. Já as secas e queimadas podem aproximar animais silvestres de áreas habitadas, ampliando a exposição da população a doenças transmitidas por esses animais.

Entre elas está a hantavirose. Desde 2016, o Brasil confirmou 530 infecções por hantavírus, com 212 mortes, o equivalente a uma letalidade de 40%.

As mudanças ambientais também preocupam pesquisadores que estudam infecções causadas por fungos. O aumento das temperaturas pode favorecer a adaptação de determinadas espécies ao organismo humano, enquanto a resistência a medicamentos dificulta o tratamento de pacientes infectados.

Para especialistas, a expansão dessas doenças exige maior vigilância epidemiológica e preparação dos serviços de saúde diante de temperaturas elevadas, enchentes, secas e outros fenômenos associados às mudanças climáticas.

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MEIO AMBIENTE

Brasil reduz emissão de gases de efeito estufa em 9% e registra menor nível desde 2012

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O Brasil registrou, em 2025, o menor volume de emissões líquidas de gases de efeito estufa dos últimos 13 anos. A redução foi de 9% em comparação com 2024, impulsionada principalmente pela queda do desmatamento. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (21) pelo Observatório do Clima, na 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg).

O levantamento mostra que o país emitiu 1,41 bilhão de toneladas líquidas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) no ano passado, contra 1,489 bilhão em 2024. O resultado representa o menor patamar desde 2012 e dá continuidade à trajetória de redução das emissões brasileiras.

Considerando as emissões brutas, sem descontar o carbono absorvido pela vegetação em regeneração e pelas áreas protegidas, o volume passou de 2,19 bilhões para 2,06 bilhões de toneladas de CO₂e, uma redução de 6%. Esse também foi o menor resultado desde 2018.

A diminuição do desmatamento foi o principal fator responsável pela queda. As emissões brutas relacionadas às mudanças no uso da terra recuaram 15%, passando de 957 milhões de toneladas em 2024 para 814 milhões em 2025.

No cálculo das emissões líquidas desse setor, a redução chegou a 48%, com o volume caindo de 311 milhões para 162 milhões de toneladas. Foi o menor resultado registrado em toda a série histórica do Seeg.

De acordo com o coordenador do levantamento e pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), David Tsai, o Brasil conseguiu reduzir em aproximadamente 25% suas emissões brutas nos últimos quatro anos. O movimento contrasta com o crescimento de dois terços registrado nos 13 anos anteriores.

Apesar da redução geral, outros setores da economia apresentaram pouca mudança. A agropecuária diminuiu suas emissões em apenas 0,1%, enquanto o setor de energia registrou crescimento de 1,2%, chegando a 427 milhões de toneladas de CO₂e.

A gestão de resíduos apresentou a maior alta proporcional, de 3,6%, passando de 92 milhões para 96 milhões de toneladas. As atividades industriais tiveram aumento de 0,2%.

Com o resultado de 2025, o Brasil se aproximou da meta climática estabelecida em seu primeiro compromisso internacional de redução de emissões, apresentado em 2015. O objetivo era limitar as emissões líquidas a 1,32 bilhão de toneladas, mas o país encerrou o período aproximadamente 85 milhões de toneladas acima do limite.

Para 2030, o compromisso brasileiro estabelece uma faixa de emissões entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO₂e. O cumprimento dessa meta dependerá de novas reduções tanto no desmatamento quanto nas atividades agropecuárias, industriais, energéticas e de gestão de resíduos.

As estimativas preliminares para 2026 apontam continuidade da redução das emissões associadas ao desmatamento. Entretanto, o Observatório do Clima alerta que a queda concentrada na preservação das florestas não será suficiente para garantir, isoladamente, o cumprimento dos próximos compromissos climáticos do país.

Foto: Agência Brasil

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MEIO AMBIENTE

Liderança Ashaninka alerta para degradação de rios e invasão de nascentes no Acre

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A liderança indígena Moisés Piyãko, do povo Ashaninka, alertou nesta quarta-feira (21) para a degradação dos rios, a invasão de nascentes e os impactos das atividades ilegais na região de fronteira entre o Acre e o Peru. A manifestação faz parte da oitava edição do projeto Recado Selvagem, iniciativa que reúne conhecimentos indígenas e reflexões sobre a preservação ambiental.

Gravado às margens do Rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo, o depoimento aborda os efeitos da poluição, do uso de produtos químicos, do desmatamento e da exploração ilegal dos recursos naturais sobre as comunidades que vivem na floresta.

“Um rio é como um povo”, afirma Moisés Piyãko, ao relacionar a preservação dos cursos d’água à sobrevivência das populações indígenas. Para a liderança, a destruição dos rios ameaça não apenas o meio ambiente, mas também os modos de vida, a cultura e os conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações.

Moisés também chama a atenção para os problemas ambientais que ultrapassam as fronteiras nacionais. Na região do Alto Juruá, o avanço de atividades ilegais e a presença de organizações criminosas preocupam comunidades indígenas brasileiras e peruanas, que dependem dos rios para alimentação, transporte e manutenção de seus territórios.

O alerta ocorre em um contexto de denúncias de invasões e ameaças contra os Ashaninka. Em julho deste ano, homens armados entraram na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. O episódio levou representantes indígenas a Brasília para cobrar medidas de segurança e maior cooperação entre os governos do Brasil e do Peru.

A declaração integra o Ciclo das Águas, programa de estudos lançado em 2026 pela Associação Selvagem. A iniciativa reúne conteúdos educativos gratuitos e promove o diálogo entre conhecimentos indígenas, pesquisas científicas e ações de conservação ambiental.

O vídeo, intitulado “Águas transfronteiriças”, tem lançamento previsto para esta quarta-feira, às 18h, no horário de Brasília, no canal da Associação Selvagem no YouTube.

Moisés Piyãko também participa da Comissão Transfronteiriça Juruá-Yurúa-Alto Tamaya, articulação formada por organizações e comunidades indígenas dos dois países para discutir a proteção dos territórios, dos rios e da biodiversidade amazônica.

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