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Internacional

França tem nova onda de protestos e sindicatos convocam greve nacional para novembro

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Movimentos sociais e centrais sindicais da França anunciaram neste domingo (25) uma nova rodada de manifestações contra o governo do presidente Emmanuel Macron. Os atos estão previstos para sábado (31), enquanto uma greve nacional foi convocada para 5 de novembro. As mobilizações são motivadas pela insatisfação com os salários, o aumento do custo de vida e as condições dos serviços públicos.

A convocação ocorre após uma série de manifestações realizadas no sábado (24), que reuniram aproximadamente 410 mil pessoas em diferentes cidades francesas, conforme dados do Ministério do Interior. O governo mobilizou cerca de 70 mil policiais para acompanhar os protestos e evitar a repetição dos episódios de violência registrados em 17 de outubro.

As manifestações, inicialmente organizadas por estudantes, passaram a reunir trabalhadores de diferentes categorias, professores, bombeiros e movimentos sociais. A central sindical Solidaires defende a ampliação dos atos, enquanto o sindicato de professores SUD Education confirmou participação nas mobilizações de 31 de outubro.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais organizações sindicais francesas, deverá decidir ao longo da semana se participará da próxima manifestação.

O movimento dos Coletes Amarelos, que ganhou projeção em 2018 durante protestos contra os impostos sobre combustíveis, também anunciou sua adesão. Estão previstas concentrações diante de prefeituras e da Assembleia Nacional, em Paris.

A nova onda de protestos amplia a pressão política sobre Macron, que enfrenta dificuldades para responder às reivindicações. O governo francês tem limitações orçamentárias e perdeu a maioria parlamentar necessária para aprovar mudanças de maior alcance.

Representantes do Executivo iniciaram negociações com sindicatos e lideranças estudantis, mas as propostas apresentadas ainda não foram suficientes para interromper as mobilizações.

No sábado, a polícia francesa prendeu 1.314 pessoas durante os atos, número equivalente à metade das detenções registradas na semana anterior. Aproximadamente 50 policiais ficaram feridos, contra mais de mil no período anterior. Houve confrontos em cidades como Paris e Marselha.

O cenário de mobilização social também alcança outros países europeus. Na Bélgica, manifestantes entraram em confronto com policiais em Bruxelas. A Itália registrou novos protestos pelo segundo fim de semana consecutivo, enquanto a Albânia enfrenta episódios de violência relacionados às manifestações iniciadas em maio.

Na França, os sindicatos pretendem manter as mobilizações até obter respostas do governo sobre salários, poder de compra e investimentos nos serviços públicos.

Foto: Bertrand SOUBEYRAND / Wikimedia Commons

Internacional

França confirma primeiro caso humano do vírus Shamonda; paciente morreu

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A França confirmou o primeiro caso de infecção humana pelo vírus Shamonda, conhecido por afetar principalmente bovinos e outros animais de criação. O anúncio foi feito na quinta-feira (22) pelas autoridades sanitárias francesas. O paciente morreu no início de outubro, mas ainda estão em andamento investigações para determinar a relação entre o vírus e a morte.

O caso foi identificado em um paciente internado em Lyon, no leste da França, que apresentava comprometimento grave do sistema imunológico e recebia tratamento para uma doença neurológica. A presença do vírus foi confirmada em diferentes amostras biológicas.

De acordo com as autoridades francesas, a principal hipótese é que a infecção tenha ocorrido por meio da picada de um inseto do gênero Culicoides, conhecido por transmitir doenças entre animais. O vírus circulou em rebanhos do leste francês durante a primavera e o verão europeus.

O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) acompanha o caso em conjunto com o governo francês e outras instituições de saúde. Até o momento, não foram identificadas evidências de transmissão entre pessoas nem risco sanitário para a população em geral.

A investigação busca esclarecer como ocorreu a contaminação e qual foi a participação do vírus no agravamento do quadro clínico do paciente. As autoridades também avaliam possíveis consequências da infecção em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

O Shamonda foi identificado pela primeira vez na Nigéria, na década de 1960. Desde então, sua circulação havia sido registrada principalmente entre animais na África e na Ásia. A chegada do vírus à Europa foi confirmada em julho de 2026, após análises em bovinos doentes na Alemanha, na Suíça e na França.

Além dos bovinos, o agente infeccioso já foi encontrado em cavalos, alpacas, ovelhas e cabras. Nos rebanhos afetados, a doença pode provocar diarreia, fraqueza, perda de apetite, febre e redução da produção de leite.

Um levantamento realizado em nove fazendas leiteiras francesas constatou quedas de até 75% na produção de leite entre os rebanhos atingidos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal, ainda não existem vacinas comercialmente disponíveis contra o vírus Shamonda.

As autoridades sanitárias da França continuam as investigações clínicas, biológicas e epidemiológicas para compreender os efeitos do vírus em seres humanos. O caso também foi comunicado à Organização Mundial da Saúde (OMS), que acompanha a situação.

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Internacional

França planeja toque de recolher após protestos que deixaram um morto e 2,4 mil presos

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O governo da França anunciou nesta segunda-feira (19) que pretende adotar toques de recolher em determinadas cidades e regiões do país, após um fim de semana de protestos contra o governo, confrontos com policiais e saques a estabelecimentos comerciais. Os episódios de violência deixaram um manifestante morto, cerca de 2,4 mil pessoas presas e quase mil policiais feridos.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afirmou que solicitou às autoridades locais a adoção de restrições de circulação nas áreas mais afetadas. Ele não descartou a possibilidade de declarar estado de emergência, mas defendeu, inicialmente, medidas limitadas a determinadas localidades. Um toque de recolher generalizado em Paris foi descartado.

As manifestações começaram há algumas semanas, inicialmente organizadas por estudantes que reclamavam da falta de professores e das condições das escolas. Com o avanço da mobilização, os protestos passaram a reunir reivindicações contra o aumento do custo de vida, a desigualdade social e os cortes nos gastos públicos.

No sábado (17), os atos foram acompanhados por confrontos com as forças de segurança, depredações e saques em diferentes cidades. Um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca durante os protestos.

A Federação do Comércio e do Varejo informou que quase 3 mil estabelecimentos comerciais foram afetados pelos tumultos. Representantes do setor solicitaram ao governo medidas de apoio financeiro, incluindo a suspensão de tributos e contribuições previdenciárias para empresas prejudicadas.

Lecornu responsabilizou grupos de extrema-esquerda por parte dos episódios de violência. O líder político Jean-Luc Mélenchon contestou a acusação e cobrou a apresentação de provas.

A crise também atingiu o governo do presidente Emmanuel Macron. Nesta segunda-feira, o ministro do Interior, Laurent Nunez, apresentou uma oferta de renúncia, que foi recusada pelo presidente. Macron determinou que o ministro permanecesse no cargo e trabalhasse para conter os bloqueios e saques, além de esclarecer as falhas na atuação dos órgãos de segurança.

Os protestos ocorrem em meio às dificuldades econômicas da França, que enfrenta crescimento da dívida pública e negociações para aprovação do orçamento nacional. A instabilidade aumenta a pressão sobre o governo a cerca de seis meses da eleição presidencial de 2027, quando Macron encerrará seu segundo mandato.

Foto: Jorge Jaramillo / JJxFile.com / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Internacional

Jornalista brasileiro crítico de Milei é deportado da Argentina e proibido de voltar por cinco anos

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O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por suas críticas ao governo do presidente argentino Javier Milei, foi deportado da Argentina nesta segunda-feira (12), após desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. As autoridades migratórias cancelaram sua residência permanente e determinaram que ele ficará impedido de entrar no país pelos próximos cinco anos. O profissional suspeita de perseguição política.

A decisão foi comunicada ao jornalista quando ele tentava ingressar no território argentino para realizar entrevistas e produzir material sobre a situação econômica e política do país. Tomaz trabalha na elaboração de um livro sobre o governo Milei, com lançamento previsto para fevereiro de 2027.

O brasileiro afirmou que sua autorização de residência foi cancelada em 5 de agosto, poucos dias depois de deixar a Argentina. Segundo ele, a medida ocorreu durante um período de confrontos nas redes sociais com apoiadores e integrantes do governo argentino.

“Se trata realmente de uma questão política”, declarou o jornalista, que também afirmou não ter cometido qualquer delito.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina apresentou uma justificativa administrativa para a medida. Segundo o órgão, Tomaz não cumpriu as condições necessárias para manter a residência permanente, concedida em janeiro de 2022.

As autoridades argentinas alegam que o brasileiro permaneceu apenas 153 dias no país desde a concessão do documento e não apresentou vínculos suficientes de residência, trabalho ou estudo. A decisão foi fundamentada na legislação migratória e em alterações estabelecidas por decreto de 2025.

O jornalista contesta os argumentos. Ele afirma que seu documento de residência tinha validade até 2037 e que continuou viajando regularmente à Argentina. Somente em 2026, segundo seu relato, permaneceu 36 dias no território argentino.

Tomaz relaciona a decisão aos embates que manteve entre julho e agosto com integrantes do governo Milei, especialmente Juan Pablo Carreira, conhecido como Juan Doe, diretor de Comunicação Digital da Presidência argentina.

Apesar das suspeitas apresentadas pelo jornalista, não há comprovação de que a deportação tenha sido determinada em razão de suas críticas políticas. O governo argentino nega essa motivação e sustenta que a decisão decorre do descumprimento das regras migratórias.

O episódio provocou reação de entidades representativas da imprensa brasileira. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram nota de repúdio à deportação e manifestaram solidariedade ao profissional.

“Nenhum governo tem o direito de perseguir, deter ou expulsar jornalistas pelo simples exercício de sua profissão”, afirmaram as entidades.

Rogério Tomaz Jr. mora em Brasília, já atuou como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e acompanha a política argentina, com publicações sobre os impactos econômicos e sociais das medidas adotadas pelo governo Milei.

O jornalista retornou ao Brasil nesta segunda-feira. Ele poderá recorrer da decisão das autoridades argentinas para tentar reverter a proibição de entrada e o cancelamento de sua residência.

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