O projeto Diálogos Percussivos, liderado pelo percussionista e pesquisador João Gabriel Brito, encerra a circulação pelo Acre com um show gratuito no dia 26 de setembro de 2025, às 19h, na Usina de Arte João Donato, em Rio Branco, como etapa final das ações realizadas com apoio do Programa Rouanet Norte (Ministério da Cultura) e patrocínio da Caixa.
Após passar por nove municípios — Sena Madureira, Manoel Urbano, Tarauacá, Xapuri, Epitaciolândia, Brasiléia, Assis Brasil, Porto Acre e Senador Guiomard —, a apresentação de encerramento reunirá, no palco da Usina de Arte João Donato (Rua das Acácias, 1155, Distrito Industrial), João Gabriel Brito e os músicos Arthur Miúda, Denilson Carneiro, Nilton Castro e Paulinho Nobre. O repertório inclui homenagens a Hermeto Pascoal, João Donato, Luiz Gonzaga e Waldir Azevedo, compositores centrais na formação de ritmos brasileiros e referência para a proposta do projeto.
De caráter formativo e de circulação, Diálogos Percussivos combina show instrumental e atividades pedagógicas. Em Rio Branco, está previsto para 30 de setembro o workshop Vivências Percussivas com alunos da Escola de Música do Acre (EMAC), ministrado por João Gabriel Brito, com foco em percussão popular aplicada a ritmos brasileiros. “A iniciativa buscou promover a escuta, a valorização e a compreensão da percussão na música brasileira, oferecendo oportunidades de aprendizado prático e de intercâmbio entre músicos, estudantes e comunidades”, afirma o proponente.
Todas as ações do projeto são gratuitas e priorizam espaços públicos. A etapa de Rio Branco contará com recursos de acessibilidade, incluindo acessibilidade arquitetônica e atitudinal, interpretação em Libras, programas em Braille e audiodescrição do ambiente. O show de encerramento será transmitido ao vivo no canal de YouTube do proponente, e o registro em fotos e vídeos das etapas anteriores está sendo disponibilizado on-line para ampliar o alcance do conteúdo. A produção é da Percussão Acre, em parceria com AcreAtiva Produções e Eita Pau Produções, com realização do Ministério da Cultura; os créditos informam a Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e o patrocínio da Caixa.
A circulação pelo interior do estado e o encerramento em Rio Branco indicam desdobramentos para a rede local de formação musical, com intercâmbio entre artistas e estudantes e uso dos materiais registrados em atividades pedagógicas. A combinação de apresentação pública, oficina e transmissão on-line tende a ampliar o acesso a repertórios e instrumentos de percussão, conectando escolas, grupos e iniciativas culturais do Acre.
O SESI Acre apresenta o espetáculo “Ouro Branco – Da Revolução à Industrialização”, produção que transforma episódios da história acreana em dança, música e teatro. A montagem percorre desde o período dos seringais e da Revolução Acreana até as transformações econômicas ligadas à industrialização do estado.
A narrativa homenageia homens e mulheres que participaram da formação do Acre, com destaque para os trabalhadores que chegaram à região durante o ciclo da borracha. O látex, conhecido como “ouro branco”, tornou-se um dos principais símbolos desse período e dá nome ao espetáculo.
Por meio das coreografias, a apresentação aborda temas como trabalho, migração, identidade e desenvolvimento, aproximando o público de diferentes momentos da trajetória acreana.
A montagem reúne alunas de balé do SESI Acre e grupos convidados, utilizando a dança como fio condutor para apresentar a passagem de uma economia marcada pelos seringais para novas etapas de desenvolvimento industrial.
“Ouro Branco” integra as ações culturais do SESI Acre e reforça a proposta de preservar a memória regional por meio das artes.
O filme “Cabeças Cortadas”, dirigido por Glauber Rocha e lançado em 1970, ganhará uma versão restaurada em 4K em 2027. A produção hispano-brasileira, rodada na Catalunha, no norte da Espanha, passará por tratamento de imagem, correção de cores e recuperação do som para voltar a circular em formato digital mais de cinco décadas depois das filmagens.
O trabalho de restauração reúne a Escola de Cinema de Madrid (Ecam), a Vídeo Mercury Films e a FlixOlé, distribuidora e plataforma especializada em cinema espanhol. O projeto busca ampliar o acesso a um dos títulos menos disponíveis da filmografia do cineasta brasileiro.
Filmado durante o período em que Glauber vivia fora do Brasil por causa da perseguição da ditadura militar, “Cabeças Cortadas” acompanha a decadência de um ditador atormentado pelo próprio passado e pela proximidade da morte. O personagem Díaz II, interpretado pelo ator espanhol Francisco Rabal, combina referências a regimes autoritários latino-americanos e à ditadura de Francisco Franco na Espanha.
A narrativa usa elementos políticos, teatrais e poéticos para abordar autoritarismo, racismo, fascismo e relações de dominação. O longa também rompe com estruturas convencionais do cinema comercial, característica presente na trajetória de Glauber e no movimento do Cinema Novo.
Entre as passagens do filme está uma cena em que Díaz II relembra feitos grandiosos atribuídos ao próprio governo e ordena o retorno de um filósofo exilado. O personagem pretende colocá-lo à frente de uma fundação financiada com recursos obtidos pela venda da produção agrícola aos Estados Unidos.
A restauração pretende recuperar uma obra que permaneceu durante anos com circulação limitada. Além da nova cópia digital, o projeto inclui um espaço dedicado à história da produção, com registros dos bastidores, depoimentos de participantes das filmagens e informações sobre o método de trabalho de Glauber, marcado pela improvisação e pela liberdade criativa.
O próprio diretor definia “Cabeças Cortadas” como um filme situado entre o teatro e a poesia e defendia uma relação menos convencional entre a obra e o público. Para Glauber, a experiência deveria se aproximar da leitura de um poema ou da contemplação de uma pintura, em vez de seguir apenas a narrativa tradicional do cinema.
Glauber Rocha também dirigiu obras como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de 1964, e “Terra em Transe”, de 1967, títulos que o projetaram como um dos principais nomes do cinema brasileiro. O cineasta morreu em 1981, aos 42 anos.
A Usina de Arte João Donato, em Rio Branco, oferece 20 vagas para o curso gratuito de Iniciação à Linguagem Teatral. A formação é destinada a pessoas a partir de 15 anos e busca ampliar o acesso às artes cênicas por meio de atividades práticas de expressão corporal, improvisação, jogos teatrais e criação de cenas.
As aulas serão presenciais na sede da Usina de Arte, localizada na Rua das Acácias, nº 1.155, no Distrito Industrial. A formação integra a programação de cursos livres desenvolvida no espaço cultural para moradores interessados em iniciar experiências no teatro.
Durante o curso, os participantes terão contato com técnicas de consciência e linguagem corporal, exercícios de criatividade, improvisação e práticas de construção cênica. A proposta é oferecer uma introdução aos elementos básicos do teatro e desenvolver habilidades relacionadas à comunicação e à expressão artística.
A programação ocorre no período da tarde. As aulas estão previstas para começar na segunda-feira (24) e seguir até novembro, com encontros semanais na Usina de Arte.
A unidade mantém atividades de formação artística e cultural em parceria com instituições estaduais. Outros cursos livres também vêm sendo oferecidos ao longo do ano nas áreas de teatro, artes visuais e formação cultural.