‘Eu Capitu’ encerra temporada no Acre com oficinas gratuitas e sessão especial para estudantes
A passagem da peça pelo Acre não foi apenas cultural, foi um grito de alerta e um abraço de solidariedade na luta contra a violência de gênero em todo o país.
Após emocionar e provocar profundas reflexões nas noites de sábado e domingo, 13 e 14, o aclamado espetáculo “Eu Capitu” se despede do público acreano nesta segunda-feira, 15 de setembro, com um ato final de arte e esperança. A passagem da peça pela capital acreana foi marcada por plateias lotadas e a recepção calorosa que demonstrou o quanto Rio Branco se abriu para a urgência da mensagem.
Com uma sensibilidade que se desdobra entre o lúdico e o real, “Eu Capitu” não se contenta em apenas recontar Machado de Assis. Ele se apropria de sua obra para dar voz a uma mulher que a sociedade tentou silenciar, e a tantas outras que continuam a sofrer.
Ao unir o universo literário à crueza da violência de gênero, o espetáculo convida a plateia a desvendar as entrelinhas e a se posicionar diante de um problema que nos cerca. A passagem da peça pelo Acre não foi apenas cultural, foi um grito de alerta e um abraço de solidariedade na luta contra a violência de gênero em todo o país.
Atividades formativas
Em vez de uma simples despedida, o grupo optou por um gesto de semeadura. A programação desta segunda-feira, 15, é dedicada à formação de novos olhares e à democratização do acesso à cultura.
Das 9 às 13h, o palco é dedicado aos bastidores, com duas oficinas especiais realizadas na Universidade Federal do Acre (UFAC), para um público que se inscreveu previamente.
A Oficina Petrobras Eu Outra, é ministrada por Miwa Yanagizawa, que propõe a busca da construção de fricções entre narrativas pessoais e ficcionais a partir de objetos afetivos escolhidos pelas participantes. Miwa Yanagizawa é atriz, diretora de teatro, fundadora do AREAS Coletivo, assina a direção do espetáculo Eu Capitu. Entre seus trabalhos, estão “Nastácia”, de Pedro Brício, obra a partir do romance “O Idiota”, de Fiódor Dostoiévski, que recebeu o Prêmio Shell e Prêmio APTR de melhor direção do ano de 2019, “Plano sobre queda”, dramaturgia realizada em colaboração do coletivo com Emanuel Aragão e “Breu”, de Pedro Brício, que recebeu Prêmio Questão de Crítica de Melhor Direção e Iluminação e Prêmio APTR de Melhor Cenografia e entre outros.
A segunda atividade formativa é para quem busca aprender sobre produção executiva e planejamento de projetos culturais: a Oficina Petrobras da Ideia ao Projeto. Conduzida pelo produtor e gestor cultural, Felipe Valle, a oficina aborda os passos essenciais para a criação e elaboração de um projeto, desde a concepção até a execução.
Já à tarde, o ciclo se fecha com uma sessão exclusiva do espetáculo, um presente para o futuro. Às 15h, a Usina de Arte João Donato será preenchida pela presença de estudantes da rede pública e de projetos sociais, jovens que terão a oportunidade de mergulhar na história de Ana e Capitu. A escolha de encerrar a temporada com essa sessão especial não é por acaso, é um convite para que as novas gerações reescrevam a própria história, livres das amarras da violência e do silêncio.
“Eu Capitu” foi aprovado na Seleção Petrobras Cultural e conta com recursos através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura. A peça já foi apresentada em Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e São Luís, com lotação máxima, e depois de Rio Branco segue para Porto Velho, Salvador, Fortaleza e Manaus.
Ficha Técnica
Direção Artística: Miwa Yanagizawa / Texto: Carla Faour / Diretora Assistente: Maria Lucas / Idealização e Direção Geral: Felipe Valle / Direção de Produção: Bárbara Galvão (Pagu Produções Culturais) / Coordenação de Projeto: Trupe Produções Artísticas / Elenco: Juliana Trimer e Mika Makino / Direção Sonora, Trilha Original e Preparação Vocal: Azullllllll / Direção de Arte: Teresa Abreu / Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni / Produção Executiva: Bem Medeiro / Produtora Assistente: Natalia Dias / Produção Local: Sacha Alencar / Assistente de Produção Local: Brenn Souza / Design Gráfico e Fotografia: Daniel Barboza / Assessoria de Imprensa: Maria Meirelles / Produtora Associada: Pagu Produções Culturais / Realização: Trupe Produções Artísticas / Patrocínio: Petrobras
O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, foi indicado a oito categorias na 13ª edição dos Prêmios Platino Xcaret, cuja lista de finalistas foi anunciada nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, consolidando o Brasil entre os destaques da principal premiação ibero-americana do audiovisual.
A produção concorre a Melhor Filme e Melhor Direção e também disputa Interpretação Masculina com Wagner Moura. O longa ainda aparece nas categorias de Música Original, Roteiro, Montagem, Direção de Arte e Vestuário, somando oito indicações.
Outros títulos brasileiros também entraram na seleção. Manas, de Marianna Brennand, foi indicado a Melhor Filme de Estreia, Atriz Coadjuvante, com Dira Paes, e Educação e Valores. O Último Azul, de Gabriel Mascaro, concorre a Melhor Ator Coadjuvante com Rodrigo Santoro, enquanto O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende, disputa a categoria de Maquiagem e Cabeleireiro. Entre os documentários, o país está representado por Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa.
Na televisão, o Brasil aparece com Angela Diniz: Assassinada e Condenada, indicada a Melhor Música Original, e Beleza Fatal, finalista entre as séries de longa duração. Ao todo, o Platino reúne 30 filmes e 19 séries de 14 países ibero-americanos, com produções em língua espanhola e portuguesa.
Na disputa geral, Belén (Argentina), de Dolores Fonzi, e Los Domingos (Espanha), de Alauda Ruiz de Azúa, lideram as indicações entre os longas, com 11 cada. Na sequência, aparecem O Agente Secreto, com oito, e Sirât (Espanha), de Oliver Laxe, com sete.
A cerimônia está marcada para 9 de maio, no Grand Teatro do Xcaret, em Cancún, no México, com transmissão ao vivo pelo Canal Brasil. A presença brasileira em diferentes categorias amplia a vitrine internacional das produções nacionais e pode abrir novas oportunidades de circulação e coprodução no mercado ibero-americano.
As produções voltadas a crianças e pré-adolescentes ficaram com a maior parcela de recursos do edital Seleção TV Brasil: R$ 32 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), administrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), para quatro projetos infantis e quatro infantojuvenis que devem entrar na programação da TV Brasil e circular pela Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).
Na linha infantil, o edital reservou R$ 12.807.300 para “O Tubarão Martelo” (MG), “Ory” (BA), “Júlio e Verne – Os Irmãos Gemiais – 2ª temporada” (GO) e “Além da Lenda – Tecnologias Lendárias” (PE). Para o público infantojuvenil, foram R$ 19.745.000 destinados a “Ginga” (MG), “A Turma do Professor Sem Nome” (SP), “Clube Curupaco” (MG) e “Memórias de um Lobisomem Pré-Adolescente” (SP).
O reforço na faixa de infância e pré-adolescência acontece dentro de um pacote mais amplo: a Seleção TV Brasil prevê cerca de R$ 110 milhões para 39 obras independentes em sete linhas temáticas, com exibição na TV Brasil e em emissoras parceiras da RNCP. O anúncio dos projetos selecionados foi feito em 11 de fevereiro de 2026, em cerimônia no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, e incluiu ainda categorias como natureza e meio ambiente, futebol feminino, sociedade e cultura, produção e finalização de longas-metragens e a coprodução de novela.
Durante o evento, o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, afirmou que a programação infantojuvenil ocupa um lugar central na comunicação pública e disse que, na TV aberta, “a TV pública é praticamente a única janela” com oferta gratuita desse tipo de conteúdo, apontando o edital como forma de garantir acesso a produções de alcance nacional. O presidente da EBC, André Basbaum, relacionou o investimento ao fortalecimento da radiodifusão pública em um ambiente de desinformação, enquanto o diretor-presidente da Ancine, Alex Braga, citou recordes de investimento e a parceria do FSA com a TV pública.
Com a contratação dos projetos e o início das etapas de produção, a expectativa da EBC é que os novos títulos ampliem a oferta de programação voltada a crianças e jovens na grade aberta e gratuita, com distribuição em rede, num momento em que esse tipo de conteúdo tem migrado para plataformas digitais e canais pagos, reduzindo a presença na televisão aberta comercial.
Estão abertas, de 22 de fevereiro a 6 de março de 2026, as inscrições do edital que vai selecionar seis atrações artísticas para compor a programação do Sarau das Moças 2026, marcado para 28 de março, das 10h às 22h, na Usina de Arte João Donato, em Rio Branco. O resultado da seleção está previsto para 10 de março e será publicado nos perfis oficiais do Sarau das Moças, da Acreativa Produções e do Grupo Moças do Samba.
Definido pela organização como “evento cultural multidisciplinar”, o Sarau das Moças articula apresentações e ações ligadas a arte protagonizada por mulheres, empreendedorismo feminino e formação na área das artes. A proposta inclui estimular redes de apoio, circulação de trabalhos e oportunidades para mulheres, com foco em micro e pequenas empreendedoras de Rio Branco.
O projeto é realizado pela artista e produtora Narjara Saab Martins da Silva, com produção do Grupo Moças do Samba e da Acreativa Produções. O financiamento vem do Fundo Estadual de Cultura, por meio do Edital de Arte e Patrimônio nº 05/2025, da Fundação Elias Mansour. A seleção das propostas fica sob responsabilidade da equipe do Moças do Samba, com critérios que incluem adequação ao objetivo do evento, protagonismo feminino, relevância temática para o público feminino, viabilidade técnica no espaço e coerência artística com trajetória comprovada.
O edital prevê seis categorias: dança; artes visuais (fotografia ou artes plásticas); artes cênicas (teatro de rua ou performance teatral); música (voz e violão); poesia ou contação de histórias; e cinema (curta-metragem). Em Rio Branco, as inscrições contemplam dança, artes visuais, artes cênicas e poesia/contação, todas exclusivas para artistas do município. Já a categoria de música, no formato voz e violão, é exclusiva para mulheres artistas residentes e atuantes em Bujari, Senador Guiomard e Porto Acre, com exigência de pelo menos um ano de atuação na área musical. No caso do cinema, podem se inscrever realizadoras de Rio Branco e de outros municípios do Acre, desde que não haja necessidade de ajuda de custo para deslocamento; serão selecionadas duas obras, com duração máxima de 30 minutos, para exibição no Cine Clube da Usina.
Além de integrar a programação do evento, as selecionadas receberão ajuda de custo conforme a categoria. Na dança, o valor previsto é de R$ 1.000. Em artes visuais, a ajuda de custo é de R$ 800. Em artes cênicas, o valor é de R$ 2.000. Em poesia/contação, cada atração selecionada recebe R$ 500, e a categoria prevê duas propostas escolhidas. Na música, além de R$ 1.000 de ajuda de custo de cachê, há R$ 500 para deslocamento, com previsão de pagamento dessa parcela no dia anterior ao evento para viabilizar a chegada das artistas. No cinema, cada curta selecionado recebe R$ 300 pela licença de exibição.
A programação artística do Sarau deve ocorrer majoritariamente no hall da Usina de Arte João Donato, com a organização informando que o espaço é sujeito a condições climáticas e a eventuais atrasos por se tratar de uma sequência de atrações. O edital também estabelece regras para contratação e pagamento: a remuneração será feita mediante nota fiscal, com pagamento após a realização da apresentação, exposição ou exibição, mantendo a exceção do deslocamento da categoria de música.
Entre as vedações, não serão aceitas propostas com conteúdo racista, homofóbico, discriminatório, incitação à violência, conteúdo político-partidário ou proselitismo religioso, com previsão de desclassificação ou cancelamento da contratação em caso de descumprimento. A organização também informa que não caberá recurso após a divulgação das atrações selecionadas e que, em caso de desistência, outras inscritas poderão ser chamadas para compor a programação.
INSCRIÇÕES ABERTAS
Sarau das Moças 2026
Seleção de 6 atrações artísticas para compor a programação do evento na Usina de Arte João Donato, em Rio Branco.