O Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) iniciou em Rio Branco um grupo reflexivo com 16 homens que cumprem pena por violência doméstica, em encontros semanais voltados à conscientização sobre deveres, consequências legais e responsabilidade pelos atos, dentro das ações conduzidas pela Central Integrada de Alternativas Penais (Ciap) na sede do órgão.
A segunda reunião ocorreu na quarta-feira, 11 de março de 2026, com a participação da defensora pública Rivana Ricarte, da 5ª Defensoria de Cidadania, que atua junto à 2ª Vara de Proteção à Mulher do Tribunal de Justiça do Acre, convidada para conversar com os participantes sobre o enfrentamento à violência doméstica e o papel de iniciativas voltadas ao público masculino no ciclo de reincidência. Durante o encontro, ela afirmou que a mudança passa por “consciência e educação” e relacionou o trabalho com o impacto nas famílias, ao citar que muitos dos homens atendidos “têm ou vão ter filhos”.
A coordenadora da Ciap, Priscila Oliveira, disse que a articulação com instituições parceiras reforça o compromisso com a prevenção da violência, a responsabilização dos autores e a construção de caminhos para relações sem agressões. Na roda de conversa, um dos cumpridores de medida alternativa, identificado como F.V., relatou que o grupo ajudou a entender melhor a legislação e a rever comportamentos: “A gente aprendeu sobre a lei, porque algumas coisas a gente não sabe como vai resolver, mas eu refleti mais sobre as minhas atitudes”.
Iniciativas como grupos reflexivos e responsabilizantes são adotadas em diferentes estados como parte de estratégias de prevenção da reincidência, com encontros regulares em que se discutem temas como a Lei Maria da Penha e a autorresponsabilização.
Com a continuidade das reuniões ao longo das próximas semanas, a expectativa é ampliar o acompanhamento dos participantes e fortalecer a atuação em rede, numa frente que busca reduzir novos episódios de violência doméstica por meio de orientação, reflexão e cumprimento das medidas impostas pela Justiça.