O novo PNE é uma chance de o Brasil tratar educação como política de Estado
Ex-governador do Acre e especialista em educação afirma que plano melhora foco na aprendizagem, reforça combate às desigualdades e ganha força com o Sistema Nacional de Educação.
O ex-governador do Acre e especialista em educação Binho Marques avalia que o novo Plano Nacional de Educação (PNE) representa um avanço importante para a política educacional brasileira, sobretudo por dar mais centralidade à aprendizagem e ao enfrentamento das desigualdades.
Binho Marques vê novo PNE como avanço contra desigualdades, mas alerta para desafio da execução
Em entrevista ao SBT News, Binho afirmou que o plano aprovado para a próxima década é superior ao anterior e destacou que, desta vez, o texto incorpora de forma mais explícita a necessidade de olhar para os estudantes mais pobres, negros e pessoas com deficiência.
Para ele, esse redirecionamento ajuda a deslocar o debate educacional de uma lógica restrita ao acesso à escola para outra mais conectada à qualidade do ensino. “Esse plano eu diria que é bem melhor do que o primeiro. […] Ele tem grandes avanços e eu diria que o principal deles é colocar foco no aprendizado. Os planos anteriores estavam muito voltados apenas para o acesso”, afirma.
Segundo Binho, o novo PNE também ganha relevância por entrar em vigor em um momento em que o país passa a contar com o Sistema Nacional de Educação, o que pode ampliar a coordenação entre União, estados e municípios. Na avaliação dele, essa estrutura pode reduzir a fragmentação histórica da educação brasileira e dar mais capacidade de implementação às metas previstas em lei.
Binho comparou a ausência desse sistema, até aqui, ao que seria a saúde pública sem o SUS. Para ele, a falta de parâmetros nacionais mais sólidos sempre dificultou a execução de políticas educacionais mais consistentes e abriu espaço para decisões baseadas mais em intuição política do que em evidências.
“
O Brasil até hoje não tinha um sistema de educação. Como a saúde tem o SUS, a educação não tinha o próprio sistema, então uma fragmentação muito grande.
[…] A gente vai imaginar esse plano com maior capacidade de implementação porque agora a gente tem um sistema criado.
Apesar da avaliação positiva, Binho Marques fez ressalvas. Ele afirmou que o Brasil ainda tem pouca tradição de planejamento educacional e que muitas redes de ensino enfrentam dificuldades para formular diagnósticos e planos ajustados à realidade local. Também alertou para o risco de o PNE estabelecer metas ambiciosas demais, o que pode comprometer sua credibilidade caso os objetivos não sejam alcançados.
Mesmo assim, ele considera que o novo ciclo reúne condições mais favoráveis para produzir resultados do que o plano anterior, especialmente pela combinação entre metas mais claras, foco em equidade e maior articulação institucional.
O Acre aparece nessa discussão não apenas porque Binho é acreano, mas porque sua trajetória política ajuda a ilustrar um problema central do país. Ele lembra ter visto avanços concretos na educação acreana serem depois desfeitos. Esse talvez seja o resumo mais duro do drama educacional brasileiro: não é só difícil avançar; é fácil perder o que já foi conquistado.
Por isso, o novo PNE precisa ser lido menos como peça de celebração e mais como teste institucional. O desafio não está apenas em fixar metas para dez anos. Está em criar condições para que essas metas sobrevivam a calendários eleitorais, trocas de comando e vaivéns ideológicos.
Ao comentar o cenário político, para ele, a existência de uma lei nacional fortalece o acompanhamento por órgãos de controle e ajuda a proteger políticas públicas, mas não elimina o risco de interrupções ou retrocessos em mudanças de governo.
Com trajetória como secretário de educação, ex-governador e ex-integrante do Ministério da Educação, Binho Marques fala a partir de uma experiência acumulada na gestão pública e no desenho de políticas educacionais. Sua leitura, agora, é a de que o novo PNE abre uma oportunidade concreta para o país avançar, desde que consiga transformar a lei em ação coordenada nas redes de ensino.
O Brasil conhece bem a distância entre sancionar uma lei e mudar uma sala de aula. O novo PNE só fará sentido se conseguir encurtar essa distância.
Nesse sentido, a fala de Binho Marques vale como alerta e como síntese. O plano é melhor. O foco em aprendizagem e equidade é correto. A existência de uma lei nacional ajuda. O novo sistema pode dar mais musculatura à execução. Mas nada disso será suficiente sem coordenação real, capacidade técnica e compromisso político continuado.
Os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 já podem consultar os locais onde farão as provas nos dias 8 e 15 de novembro. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou, nesta terça-feira (27), o Cartão de Confirmação de Inscrição, que reúne as informações necessárias para a participação no exame.
A consulta deve ser feita na Página do Participante, no endereço enem.inep.gov.br/participante, mediante acesso à conta gov.br, utilizando CPF e senha. Após entrar no sistema, o candidato poderá visualizar o cartão com o endereço do local de prova, número de inscrição, datas e horários de aplicação.
O documento também informa a opção de língua estrangeira escolhida e os atendimentos especializados ou o tratamento pelo nome social, quando solicitados e aprovados. Embora não seja obrigatória a apresentação do cartão nos dias de prova, o Inep recomenda que os participantes levem uma cópia impressa.
Com a divulgação dos locais, os candidatos devem verificar o endereço e planejar o deslocamento com antecedência. No Acre, os portões serão abertos às 10h e fechados às 11h, pelo horário local. As provas começam às 11h30. Após o fechamento dos portões, não será permitida a entrada.
No primeiro domingo, 8 de novembro, os estudantes responderão a 90 questões de linguagens e ciências humanas, além de produzir a redação. No domingo seguinte, 15 de novembro, serão aplicadas outras 90 questões, divididas entre matemática e ciências da natureza.
Para participar, é necessário apresentar documento oficial de identificação com foto e utilizar caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente.
As notas do Enem são utilizadas em processos de acesso ao ensino superior, como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Programa Universidade para Todos (ProUni), além de processos relacionados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
O Ministério da Educação (MEC) disponibilizou dez novos cursos gratuitos de formação continuada para professores e gestores escolares de todo o Brasil, incluindo o Acre. As formações foram lançadas na quinta-feira (15), Dia dos Professores, e abordam temas como inteligência artificial, computação, redes sociais e educação antirracista.
Os cursos estão disponíveis na plataforma Avamec, o Ambiente Virtual de Aprendizagem do MEC, e são destinados a professores do ensino fundamental e médio, além de gestores escolares de todas as etapas da educação básica.
As formações são realizadas inteiramente pela internet, com conteúdos divididos em módulos, materiais multimídia, atividades interativas e avaliações. Os participantes que concluírem os cursos receberão certificados gratuitos.
Entre os conteúdos oferecidos estão os fundamentos da inteligência artificial generativa, o uso consciente e criativo das redes sociais, a computação aplicada à educação e práticas pedagógicas voltadas à educação antirracista.
Para participar, os interessados devem acessar a plataforma Avamec, escolher a formação desejada e preencher os dados solicitados. Antes da inscrição, é necessário consultar a carga horária, o conteúdo programático e os critérios de avaliação de cada curso. Quando houver mais de uma turma disponível, o participante deverá selecionar aquela em que deseja se matricular.
Além das dez novas formações, a plataforma reúne 694 cursos, oferecidos por meio de 499 instituições, com 13.501 turmas cadastradas. O ambiente virtual concentra iniciativas de capacitação desenvolvidas pelo MEC e por instituições parceiras.
A ampliação da oferta ocorre em um cenário de crescimento do número de profissionais da educação. Dados do Censo Escolar mostram que o Brasil registrou 2,4 milhões de professores na educação básica em 2025, um aumento de 10,05% em dez anos.
As mulheres representam 78,8% dos profissionais que atuam na educação básica. Ao todo, os docentes trabalham em aproximadamente 178,8 mil escolas distribuídas pelo país.
A iniciativa permite que professores das redes públicas e privadas tenham acesso a novas qualificações sem custos de matrícula ou certificação, com a possibilidade de realizar as atividades pela internet.
O Restaurante Universitário (RU) da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, continuará funcionando normalmente durante o recesso acadêmico entre os semestres letivos de 2026.1 e 2026.2. A decisão foi comunicada pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) na quarta-feira (14).
A medida garante a continuidade do fornecimento de refeições à comunidade acadêmica, mesmo durante o período de interrupção das aulas. Com isso, os estudantes que permanecem na capital poderão continuar utilizando o serviço de alimentação oferecido pela instituição.
A universidade informou que o funcionamento do restaurante será mantido sem alterações durante o intervalo entre os semestres. A iniciativa faz parte das ações de assistência estudantil destinadas a garantir o acesso à alimentação e contribuir para a permanência dos alunos no ensino superior.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, o calendário é diferente. O atendimento do Restaurante Universitário está suspenso de 6 a 23 de outubro, devido à redução da demanda e à necessidade de manutenção predial. A previsão é de retomada das refeições no dia 26 de outubro.