O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, visitou nesta quinta-feira (13) as obras do mercado municipal no bairro São Francisco. O projeto faz parte do Plano de Desenvolvimento Econômico da cidade e pretende beneficiar produtores locais, eliminando intermediários e valorizando a produção agrícola.
Bocalom afirmou que a iniciativa visa reduzir a dependência de alimentos vindos de fora e fortalecer a economia local. A obra faz parte de um conjunto de 54 projetos em andamento e conta com um investimento de R$ 1,092 milhão, sendo parte financiada por emenda parlamentar e parte com recursos municipais.
O secretário de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Cid Ferreira, informou que, apesar das chuvas, a previsão de entrega do mercado é para abril deste ano.
Ao se despedir da coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Juruá, na última semana, Isaac Piyãko fez um balanço do período em que esteve à frente da saúde indígena na regional e resumiu o momento como uma etapa de gratidão, reflexão e compromisso com a continuidade do trabalho. Na fala de despedida, ele agradece aos profissionais do distrito, às lideranças, aos povos indígenas e às instituições parceiras que estiveram ao lado da gestão. “Esse é o momento de gratidão, é o momento de muita reflexão sobre a minha passagem aqui pelo Dsei Alto Rio Juruá”, afirma Isaac.
A saída de Isaac encerra um ciclo iniciado oficialmente em maio de 2023, quando ele assumiu a coordenação distrital. Liderança do povo Ashaninka, Isaac chegou ao cargo trazendo uma trajetória já consolidada no movimento indígena, na educação e na vida pública. Em seu currículo, ele traz a formação como licenciado em Educação Escolar Indígena pela Universidade Federal do Acre (Ufac), professor indígena, ex-presidente do Conselhos Distritais de Saúde Indígena (Condisi) no Vale do Juruá e ex-prefeito de Marechal Thaumaturgo.
O desafio que ele encontrou no Dsei era de grande escala. O Plano Distrital de Saúde Indígena 2024-2027 mostra que o Dsei Alto Rio Juruá atende mais de 20 mil indígenas, distribuídos em 163 aldeias, 30 territórios indígenas e oito municípios do Acre, numa área extensa e marcada por dificuldades logísticas, sobretudo no deslocamento fluvial. São sete polos-base, quatro UBSIs e uma estrutura que depende de articulação permanente para fazer o atendimento chegar às comunidades.
Foi nesse cenário que a gestão de Isaac buscou organizar a rede, fortalecer contratos, ampliar diálogo com as lideranças e melhorar as condições de funcionamento da política de saúde no território. Em sua fala, ele resume essa linha de atuação ao dizer que procurou contribuir “com a política de saúde dos povos indígenas” e que trabalhou para “fazer com que a política de saúde, o sistema de saúde da regional tenha mais condição de chegar melhor nos territórios”. Em outro momento, acrescenta: “O que eu pude fazer, foi procurando acertar o melhor para a nossa população”.
Durante esse período, o distrito esteve presente em ações que reforçaram a assistência e a articulação com outros entes públicos. Entre elas, a participação em ações itinerantes de saúde em municípios do Juruá, o apoio à redução de filas para atendimento especializado e a condução do planejamento distrital, aprovado com participação de conselheiros, lideranças e entidades indígenas. O plano do Dsei também aponta indicadores como cobertura de pré-natal acima da meta pactuada para 2023 e projetos em todos os polos-base voltados à valorização das práticas tradicionais de cuidado em saúde. Esses dados ajudam a mostrar que, mesmo diante de um território de acesso difícil e demandas acumuladas, a gestão conseguiu manter frentes de organização e expansão da assistência.
Na despedida, Isaac não esconde que o cenário segue exigindo muito esforço. “A gente sabe que existem muitas dificuldades, são muitas as necessidades”, afirmou. Ao mesmo tempo, definiu o período como uma experiência que valeu a pena: “Tudo isso foi uma luta que valeu a pena”. Na avaliação dele, o trabalho precisa continuar com atenção às crianças, aos idosos, aos territórios e às ações de saneamento e saúde ambiental, áreas que seguem centrais para a saúde indígena no Alto Rio Juruá.
As manifestações publicadas por colaboradores do Dsei ao longo da semana reforçam a imagem de uma gestão reconhecida internamente. Nas mensagens compartilhadas nas redes sociais, Isaac é descrito como uma liderança de “serenidade, firmeza, paciência, coragem e escuta ativa”, alguém que “fortaleceu o DSEI/ARJ” e deixou “um legado histórico de contribuição para a saúde indígena do Alto Rio Juruá”. Em outras homenagens, aparece como “mentor e líder exemplar”, além de receber agradecimentos pela “confiança e parceria”, pela “sabedoria e dedicação à saúde indígena” e pelo trabalho “marcado por compromisso, dedicação e respeito às comunidades”. O conjunto dessas mensagens ajuda a compor um retrato de reconhecimento construído dentro da própria equipe, fortalecendo o respeito e a união de uma liderança indígena com as mais diferentes populações.
Agora, Isaac passa a abrir uma nova frente de atuação na política partidária. O nome dele é citado pela direção do PT do Acre como um dos pré-candidatos do campo progressista para a disputa de uma vaga na Assembleia Legislativa do Acre em 2026. Em fevereiro e março deste ano, o presidente estadual do partido, André Kamai, apresentou Isaac entre os nomes trabalhados para a chapa de deputado estadual.
Isaac deixa a coordenação levando consigo uma experiência direta com a realidade da saúde indígena, com os limites estruturais da assistência na floresta e com a necessidade de articulação entre União, municípios, lideranças e profissionais de base. Ao encerrar a fala, ele próprio sinaliza que não está deixando a pauta para trás: “Meu muito obrigado, aqui me despeço e vou continuar na política de saúde, assim como em outras políticas públicas aqui na nossa região”.
A governadora do Acre, Mailza Assis, recebeu nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, no Palácio Rio Branco, um grupo de deputados estaduais para alinhar a atuação entre o Executivo e a Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), em uma reunião voltada a reforçar o diálogo e a condução conjunta de políticas públicas.
No encontro, foram tratadas estratégias para a articulação entre os poderes, com foco na continuidade de projetos, na aprovação de pautas consideradas prioritárias e em ações voltadas às demandas da população acreana. Mailza afirmou que o objetivo é manter integração institucional para destravar iniciativas do governo. “Convidei vocês para virem aqui, pois acho que esse momento de diálogo com a Assembleia Legislativa é fundamental para que possamos construir soluções conjuntas. Nosso compromisso é trabalhar de forma integrada, com respeito entre os poderes, para garantir que os projetos avancem e que a população acreana seja a principal beneficiada. Governo e Aleac precisam caminhar juntos, com responsabilidade e compromisso com o nosso estado”, disse.
O presidente da Aleac, Nicolau Júnior, declarou apoio à governadora e disse que a Assembleia pretende manter a cooperação com a nova gestão. “Temos uma casa em que conseguimos conquistar muita coisa boa e estamos aqui nessa continuidade. Contamos com essa sua força de mulher e queremos trabalhar para melhorar ainda mais. Vamos contribuir em todas as áreas do nosso estado e garantimos nossa lealdade enquanto Aleac. A senhora é a governadora e vamos apoiá-la”, afirmou.
Participaram da reunião dez deputados estaduais: Nicolau Júnior, Manoel Moraes (líder do governo na Aleac), Adaílton Cruz, Chico Viga, Fagner Calegário, Michele Melo, Afonso Fernandes, André Vale, Wendy Lima e Gilberto Lira.
A articulação entre Executivo e Legislativo é um passo central para acelerar a tramitação de projetos e dar previsibilidade à agenda do governo na Aleac, com impacto direto sobre a execução de programas e a liberação de medidas que dependem de votação no Parlamento.
A semana de fechamento da janela partidária no Acre terminou com uma sequência de trocas de legenda que reposicionou nomes e acelerou a montagem das chapas proporcionais para as eleições de 2026. Aberto em 5 de março, o mecanismo permite que deputados federais, estaduais e distritais (no caso do Distrito Federal) mudem de legenda sem o risco de perda do mandato. O instrumento somente beneficia neste ano deputados federais, estaduais e distritais. Os vereadores eleitos em 2024 não podem utilizar a janela de 2026, uma vez que não estão em fim de mandato.
O episódio que mais reordenou o ambiente partidário da semana foi a ofensiva de Jorge Viana sobre o Podemos. A articulação incluiu negociação direta com a presidente nacional da sigla, Renata Abreu, para levar o partido ao campo formado por PT, PCdoB e PV no Acre, retirando a legenda do arco governista e mudando o controle político local. A mesma movimentação apontou para a troca de comando estadual, com previsão de que Murilo Leite assumisse a direção partidária. A mudança de rota abriu uma corrida imediata por abrigo em outras siglas e empurrou quadros locais para novas filiações nos últimos dias do prazo.
O resultado apareceu em migrações em cadeia. Na Câmara de Rio Branco, o vereador João Paulo Silva deixou o Podemos e se filiou ao Progressistas, em um movimento tratado como resposta direta ao novo alinhamento do partido no estado, apesar de a janela de 2026 não se aplicar a vereadores. Na Assembleia Legislativa, a movimentação ganhou ainda mais tração com a filiação do deputado estadual Luiz Gonzaga ao MDB no fim de semana, após uma passagem rápida por outras siglas no intervalo, em meio ao redesenho do comando do Podemos e à disputa por espaço em chapas consideradas viáveis para 2026.
Na reta final do prazo, outras siglas também reforçaram suas fileiras. O Progressistas registrou em 3 de abril as filiações dos deputados estaduais Clodoaldo Rodrigues e André da Drogaria Vale, já com discurso voltado à reeleição em 2026 e com foco em aumentar o peso da bancada e o potencial de nominata. O Republicanos anunciou em 1º de abril a filiação da ex-deputada federal Vanda Milani, apresentada como pré-candidata a uma vaga na Câmara em 2026, em um movimento para ampliar competitividade na disputa proporcional. No fim de março, o partido também recebeu o vereador Eber Machado, que deixou o MDB e formalizou filiação ao Republicanos, caso que, por envolver vereador, ficou fora das proteções da janela e passou a ser acompanhado sob o debate de fidelidade partidária.
No PL, a semana terminou com baixa que mexeu no desenho da nominata federal: Leila Galvão deixou o partido e migrou para o União Brasil, movimento apontado no noticiário como fator de enfraquecimento da chapa liberal no estado e que, em efeito imediato, virou referência de bastidor para novas trocas na reta final do prazo. No fechamento do período, o ex-secretário de Saúde de Gladson, Pedro Pascoal, também deixou o PL e se filiou ao PSDB, em uma das últimas mudanças registradas no sábado, 4 de abril. Já Sula Ximenes, após sair do Deracre, confirmou filiação ao Partido Liberal e vinculou o movimento à preparação de uma pré-candidatura à Assembleia.