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MEIO AMBIENTE

Programa para jovens indígenas incentiva pesquisa em pesca artesanal no Acre

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O Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior “Jovem Cientista da Pesca Artesanal” está promovendo atividades de pesquisa com a participação de estudantes e professores indígenas no Acre. A iniciativa conta com a participação de 48 alunos e 12 professores das etnias Kaxinawá, Yawanawá e Katukina, atuando nas cidades de Tarauacá e Jordão.

O programa é uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (Fapac) e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), por meio da Secretaria Nacional de Pesca Artesanal (SNPA). O objetivo é apoiar financeiramente projetos de pesquisa científica realizados por alunos do ensino médio e fundamental da rede pública, com foco em comunidades pesqueiras artesanais e povos indígenas.

Segundo o presidente da Fapac, Moisés Diniz, todas as vagas foram destinadas a indígenas. As inscrições foram feitas diretamente nas aldeias, e os professores passaram por formação para conduzirem os projetos. Entre as propostas futuras está a criação de uma escola de bioeconomia na aldeia Igarapé do Caucho, do povo Kaxinawá, com infraestrutura para cursos presenciais e virtuais.

Para participar, os estudantes devem ser pescadores ou ter parentes diretos ou responsáveis com registro profissional de pescador (RGP), ou protocolo de solicitação. O tempo mínimo exigido é de seis meses para jovens e um ano para responsáveis.

O programa faz parte da política pública instituída pelo Decreto Federal nº 11.626/2023, integrando o Programa Povos da Pesca Artesanal. A iniciativa envolve ações relacionadas a educação, turismo comunitário, justiça climática, segurança alimentar, combate ao racismo ambiental, gênero, cultura e formação.

Além do Acre, o programa articula parcerias com instituições de ensino superior e professores da rede básica em outras regiões, de acordo com as diretrizes das Fundações Estaduais de Apoio à Pesquisa.

Acre

Fapac integra chamada pública de R$ 107 milhões para pesquisa e inovação na Amazônia

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A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre passou a integrar a primeira chamada pública do Programa Desafios da Amazônia, que vai destinar R$ 107,1 milhões a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados às cadeias produtivas da sociobioeconomia amazônica. A iniciativa, aberta em 1º de julho, busca aproximar pesquisadores, instituições científicas e organizações comunitárias de soluções para desafios produtivos e ambientais da Amazônia Legal.

A chamada reúne recursos do Fundo Amazônia e contrapartidas das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa participantes, no âmbito da Iniciativa Amazônia+10 e do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. Do total previsto, R$ 72 milhões vêm do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, e R$ 35,1 milhões serão aportados pelas fundações estaduais.

Com a entrada da Fapac, pesquisadores e organizações socioprodutivas do Acre poderão disputar financiamento para projetos ligados à produção sustentável, à inovação tecnológica e ao aproveitamento econômico de cadeias produtivas da floresta. As propostas deverão ser desenvolvidas por Redes de Pesquisa e Inovação, formadas por Instituições de Ciência e Tecnologia e Organizações Socioprodutivas, como cooperativas e associações comunitárias. Também poderão participar órgãos públicos, organizações não governamentais e outras instituições parceiras.

O presidente da Fapac, Reyson Corrêa, afirmou que o edital amplia as condições para que a comunidade científica acreana lidere soluções regionais. “Com o novo edital, a Fapac viabiliza recursos para a nossa comunidade científica liderar soluções regionais. O apoio do governo do Estado é fundamental para impulsionar a inovação e valorização e o protagonismo dos nossos pesquisadores”, disse.

A coordenadora do Programa Desafios da Amazônia, Jussara Brito, afirmou que a chamada reforça a relação entre ciência e desenvolvimento sustentável no Acre. “Com o edital Desafios da Amazônia, o governo do Acre reafirma seu compromisso em fomentar a pesquisa local, transformando o conhecimento produzido por nossos pesquisadores em soluções reais para o desenvolvimento sustentável do estado”, declarou.

Os projetos deverão se enquadrar em cinco áreas prioritárias: cadeia do açaí nativo; conservação e valorização da castanha e de outros produtos florestais não madeireiros; cacau como vetor de desenvolvimento territorial; babaçu e cadeias da faixa de transição entre Amazônia e Cerrado; e economia das águas ligada ao manejo pesqueiro sustentável.

A chamada prevê a seleção de 9 a 12 projetos, com duração de até 36 meses. Cada proposta poderá receber entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões do Fundo Amazônia, com possibilidade de chegar a R$ 10 milhões por projeto a partir da complementação das fundações estaduais.

As pré-propostas devem ser enviadas pelo sistema SIGCONFAP até as 18h, no horário de Brasília, de 1º de setembro de 2026. O edital marca a primeira etapa do Programa Desafios da Amazônia, criado para estimular soluções científicas e tecnológicas voltadas à sociobioeconomia, à valorização dos conhecimentos tradicionais e ao fortalecimento de comunidades ligadas às cadeias produtivas amazônicas.

Foto: Sérgio Vale

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MEIO AMBIENTE

Labic Biomas vai formar 4 mil líderes comunitários em cultura digital no Brasil

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O Ministério da Cultura e a Universidade Federal do Rio de Janeiro lançaram, em 26 de junho, no Rio de Janeiro, o Labic Biomas, programa nacional de formação em cultura digital voltado a lideranças comunitárias, agentes culturais e comunicadores dos biomas brasileiros. A iniciativa pretende preparar cerca de 4 mil pessoas para atuar em redes locais de comunicação, enfrentar a desinformação e ampliar o acesso às tecnologias digitais nos territórios.

O programa integra a Rede de Formação em Cultura Digital, conhecida como Labic Brasil, e terá ações voltadas à Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. A proposta une formação técnica, práticas comunitárias, cultura, meio ambiente e comunicação, com atenção especial à juventude e aos coletivos que já atuam em comunidades tradicionais, movimentos sociais e organizações locais.

A execução começa no segundo semestre de 2026, com parcerias entre universidades nas cinco regiões do país. O Labic Biomas também prevê a seleção de 30 coletivos e projetos regionais, que desenvolverão ações nos próprios territórios a partir de temas como memória, cultura popular, inovação cidadã e tecnologias sociais.

O secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, afirmou que a iniciativa trabalha a relação entre cultura, natureza e clima. “A gente vai estar trabalhando nesses territórios, compreendendo a relação entre as políticas e cultura, mas também de meio ambiente e mudança do clima”, disse.

A pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, afirmou que o programa parte das características culturais de cada bioma para pensar ações digitais ligadas às realidades locais. A formação também vai abordar temas como inteligência artificial, negacionismo climático, saúde mental, trabalho e os efeitos dos ambientes digitais na vida das comunidades.

Diferente da etapa anterior do Labic Brasil, que passou por grandes capitais como Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Fortaleza, a nova fase será concentrada em cinco cidades pequenas. O formato combinará atividades presenciais e remotas para ampliar o alcance da formação e facilitar a participação de comunidades fora dos grandes centros urbanos.

Fonte: Agência Brasil – Foto: Sérgio Vale

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MEIO AMBIENTE

Ecologista John Terborgh alerta que enfraquecimento da democracia ameaça a conservação da natureza

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O ecologista norte-americano John Terborgh defendeu, em junho, durante a Conferência Nacional de Unidades de Conservação para Biodiversidade, em Curitiba, que a proteção da natureza depende diretamente da força das sociedades democráticas. Para o pesquisador, a concentração de riqueza e de poder reduz o espaço de participação pública e enfraquece as vozes que historicamente ajudaram a criar parques, reservas e outras áreas protegidas.

Professor emérito da Universidade Duke e referência em ecologia tropical, Terborgh afirmou que a desigualdade econômica alimenta oligarquias e abre caminho para regimes autoritários, com impacto direto sobre políticas ambientais. “A desigualdade leva ao surgimento de oligarquias, o que leva ao fascismo e a rivalidades entre superpotências”, disse o ecologista, ao relacionar a crise democrática aos desafios da conservação, das mudanças climáticas e da inteligência artificial.

A avaliação foi feita em um contexto de avanço da concentração de riqueza no mundo. Elon Musk chegou a cruzar temporariamente a marca de US$ 1 trilhão em patrimônio após a abertura de capital da SpaceX, mas voltou a ficar abaixo desse patamar dias depois, com a queda de ações ligadas à empresa e à Tesla. Para Terborgh, esse tipo de concentração de poder econômico reforça uma visão utilitarista da natureza, tratada como mercadoria em vez de patrimônio comum.

O pesquisador afirmou que a criação de áreas de proteção integral sempre dependeu de decisões políticas, pressão social, ciência, filantropia e ativismo. Sem participação democrática, esse conjunto perde força. “Nós, como membros de sociedades democráticas, precisamos nos organizar ou todos nós corremos o risco de um futuro de oligarquias nas quais nossas vozes não irão mais contar”, declarou. Diante da plateia brasileira, fez um apelo direto: “não deixem isso acontecer no Brasil”.

Terborgh também defendeu que países capazes de proteger a biodiversidade e enfrentar as mudanças climáticas sem destruir empregos ou a economia terão papel central nos próximos anos. Para ele, a conservação exige ação contínua, porque os interesses contrários à proteção da natureza são persistentes.

A trajetória científica do ecologista ajuda a explicar o peso de suas declarações. Terborgh dedicou décadas ao estudo de florestas tropicais, especialmente na Amazônia peruana, e ajudou a ampliar o entendimento sobre o papel dos predadores de topo no equilíbrio dos ecossistemas. Espécies como onças, lobos e ursos precisam de grandes áreas preservadas para manter populações viáveis. Sem esses animais, cadeias ecológicas inteiras podem se desorganizar.

O pesquisador também apontou a refaunação como uma das principais ferramentas para restaurar ecossistemas degradados. A estratégia consiste em reintroduzir espécies extintas localmente para recompor funções ecológicas perdidas. Para Terborgh, trazer de volta predadores e outros animais-chave é essencial para evitar o colapso de ambientes que perderam parte de sua fauna.

Fontes: ((o))eco (((o))eco); UCBIO 2026 (UCBIO); Duke University (Nicholas Institute); Reuters (Reuters); Investopedia (investopedia.com)

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