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Política

PT amplia presença institucional no Acre com nomeação de Camila Cabeça no Ministério da Cultura

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O Ministério da Cultura oficializou, por meio da Portaria nº 217, de 13 de maio de 2025, a nomeação de Camila Cabeça para o cargo de coordenadora do Escritório Estadual do Acre, vinculado à Diretoria de Articulação e Governança dos Comitês de Cultura da Secretaria do Ministério. A nomeação foi assinada pelo ministro substituto da Cultura, Márcio Tavares dos Santos.

A nomeação ocorre no contexto da implementação da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que estabelece repasses permanentes para o setor cultural. De acordo com Camila, a PNAB representa “um dos maiores recursos implementados pelo governo federal para a política de cultura, que agora é permanente”.

Militante do Partido dos Trabalhadores (PT) e integrante da tendência interna Esquerda Popular Socialista (EPS), Camila atua nos setoriais de cultura, combate ao racismo e de mulheres. Foi candidata a vereadora em Rio Branco na eleição municipal passada.

Segundo Camila, sua trajetória é marcada pela militância partidária e por ações em diversas frentes. “Sou originalmente do setorial de cultura, mas também milito dentro do combate ao racismo. Faço parte dos setoriais de mulheres, militando em todas as ações dentro do partido”, afirmou.

Ao comentar a nomeação, ela destacou a necessidade de interiorização das políticas culturais. “Precisamos fazer com que esses grandes feitos da cultura cheguem na ponta, conhecer essas pessoas, onde estão os artistas que se beneficiam disso e, diretamente, que depois a sociedade se beneficie com tanta coisa importante e secular que a cultura traz.”

Camila também mencionou o papel do governo federal na reestruturação do Ministério da Cultura. “A cultura transforma realidades sociais e essa política de reconstrução, de reestruturação, do Ministério da Cultura, é importantíssima. Agora vamos correr atrás de divulgar, difundir, falar das ações do Ministério, divulgar formações.”

De acordo com a nova coordenadora, há ações previstas para o Acre que serão divulgadas nos próximos meses. “O escritório já vai ter algumas novidades para contar. Agora é esperar a cabeça sentar um pouco, segurar a emoção e pensar no plano de ação, que a gente tem muito trabalho pela frente.”

Em publicação nas redes sociais, Camila agradeceu o apoio de lideranças do PT e de integrantes do governo federal. “Estou agora, coordenadora do escritório do MinC no Acre e temos muito, muito trabalho no porvir. Agradeço sempre a ancestralidade, Laroyê Exu, aos meus companheiros do Partido dos Trabalhadores do Acre que não soltaram a minha mão nunca.”

Política

CGU aponta pagamentos milionários por plataforma educacional sem uso efetivo no Acre

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A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou pagamentos de aproximadamente R$ 2 milhões por mês relacionados a uma plataforma educacional contratada pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE). A ferramenta deveria atender estudantes da rede pública, mas a apuração encontrou casos de alunos cadastrados que não utilizavam o sistema e que sequer tinham conhecimento da existência da plataforma.

As informações fazem parte da investigação que resultou na Operação Death Note, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Federal, com apoio da CGU. A operação apura suspeitas de irregularidades no uso de recursos federais destinados à Educação no Acre.

O superintendente da CGU no estado, Nilo Bezerra, afirmou que os estudantes eram incluídos como usuários do sistema e as licenças continuavam sendo cobradas mesmo sem uso efetivo da ferramenta. A plataforma havia sido contratada para auxiliar atividades pedagógicas e a preparação dos alunos para avaliações educacionais.

A contratação foi feita com a empresa Palmer Soluções Educacionais Ltda. O processo previa 115 mil licenças destinadas a estudantes e outras 1.818 para professores e gestores. O pacote incluía acesso a um Ambiente Virtual de Aprendizagem e serviços de aplicação de avaliações diagnósticas, formativas e somativas para alunos dos ensinos Fundamental e Médio.

O contrato começou com valor de R$ 25,9 milhões. Posteriormente, um termo aditivo acrescentou R$ 6,49 milhões ao montante, fazendo o valor global chegar a R$ 32,45 milhões. A vigência também foi prorrogada por mais 12 meses, até abril de 2027.

Somente entre janeiro e 17 de setembro de 2026, foram registrados R$ 26,76 milhões em despesas empenhadas para a empresa. Desse total, R$ 13,06 milhões já haviam sido liquidados e pagos. Considerando todo o período analisado, a CGU aponta que os pagamentos relacionados à contratação ultrapassaram R$ 27 milhões.

A fiscalização também encontrou pontos considerados de risco no processo. Entre eles estão o intervalo entre a criação da empresa e sua participação na licitação, além de questionamentos envolvendo faturamento, documentos contábeis apresentados no procedimento e experiência anterior da contratada.

Esses dados passaram a integrar a investigação conduzida pela Polícia Federal. A Operação Death Note apura suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos, pagamento de vantagens indevidas e mecanismos usados para esconder a origem e o destino do dinheiro.

A investigação envolve verbas federais destinadas à Educação por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O prejuízo sob apuração supera R$ 30 milhões.

Por determinação judicial, foram expedidos 27 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre; Manaus, no Amazonas; e nas cidades de São Paulo, Barueri e Ribeirão Preto, em São Paulo. A Justiça também autorizou medidas de bloqueio e sequestro de bens ligados aos investigados.

A Secretaria de Educação informou que colaborou com o cumprimento das medidas e disponibilizou documentos e informações solicitados pelas autoridades. A CGU recomendou ainda que o governo estadual reavalie a continuidade do contrato, inclusive diante da possibilidade de rescisão, para evitar novos pagamentos enquanto as suspeitas são investigadas.

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Política

Mais uma vez; TRE-AC abre prazo à Procuradoria após embargos de Gladson contra registro negado

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O processo que pode definir a participação de Gladson Cameli na disputa pelo Senado entrou em nova fase no Tribunal Regional Eleitoral do Acre. O TRE-AC certificou que os embargos de declaração apresentados pela defesa foram protocolados dentro do prazo e abriu vista à Procuradoria Regional Eleitoral por três dias para manifestação. O recurso tenta modificar ou complementar pontos do acórdão que, em 11 de setembro, indeferiu por unanimidade o registro da candidatura com base na Lei da Ficha Limpa.
A decisão eleitoral tem origem direta na condenação imposta a Gladson pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. Em 6 de maio de 2026, o STJ concluiu o julgamento da Ação Penal 1.076 e condenou o então ex-governador a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 600 dias-multa e indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre. O colegiado reconheceu crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e ilícito previsto na antiga Lei de Licitações.

O julgamento havia começado em dezembro de 2025, quando a relatora, ministra Nancy Andrighi, apresentou voto pela condenação. Um pedido de vista suspendeu a análise, retomada meses depois. Na conclusão, a maioria da Corte Especial acompanhou a relatora. O acórdão registrou 31 ocorrências de peculato-desvio e 46 atos de lavagem de capitais, além da condenação por corrupção passiva majorada e organização criminosa.

Foi essa condenação colegiada que levou a Procuradoria Regional Eleitoral a impugnar o registro de Gladson para o Senado. Ao julgar o caso em 11 de setembro, o TRE-AC aplicou a hipótese de inelegibilidade prevista na Lei Complementar nº 64/1990 para condenações criminais impostas por órgão colegiado. A Corte Eleitoral indeferiu o registro, mas a decisão ainda admite recurso.

Nos embargos apresentados em 14 de setembro, a defesa afirma que não pretende fazer o TRE-AC revisar a condenação criminal do STJ. O argumento é que o acórdão eleitoral deixou questões sem resposta ou adotou premissas que os advogados consideram equivocadas. Entre elas estão a discussão sobre a redistribuição do processo, os efeitos de decisões do Supremo Tribunal Federal relacionadas às provas da investigação e a possibilidade de aplicação imediata da inelegibilidade a uma condenação originária do STJ sem recurso ordinário para outro tribunal.
Um dos pontos mais sensíveis envolve decisões do STF sobre elementos usados durante a investigação que deu origem ao processo criminal. A defesa sustenta que existe diferença entre pedir à Justiça Eleitoral que reveja a condenação — o que reconhece não ser possível — e pedir que sejam considerados os efeitos jurídicos de pronunciamentos do Supremo sobre a validade de provas. O TRE-AC havia afastado essa discussão com base na Súmula 41 do TSE, que impede a Justiça Eleitoral de decidir sobre o acerto ou desacerto de decisões judiciais que geram inelegibilidade.

No julgamento criminal, porém, a própria relatora no STJ tratou da questão. Nancy Andrighi afirmou que provas anteriormente declaradas inválidas pelo STF não foram utilizadas na denúncia nem em seu voto de mérito e que a investigação prosseguiu apoiada em elementos considerados autônomos. Esse confronto entre a validade da condenação mantida pelo STJ e os efeitos das decisões do Supremo aparece novamente na estratégia da defesa para tentar afastar ou suspender a consequência eleitoral.

Os embargos também servem para preparar eventual recurso às instâncias superiores. A defesa pede que o TRE-AC se manifeste expressamente sobre dispositivos constitucionais, regras da Lei de Inelegibilidades, tratados internacionais e precedentes do STF e do TSE. Também requer que decisões futuras do Supremo ou do próprio STJ que possam alterar a eficácia da condenação sejam consideradas enquanto o processo eleitoral estiver em andamento.

Por enquanto, o resultado de 11 de setembro continua válido. A certidão expedida pelo TRE-AC não altera o indeferimento do registro: apenas reconhece que os embargos foram apresentados no prazo e abre espaço para a manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antes de um novo julgamento pela Corte. Enquanto não houver decisão definitiva sobre o registro, Gladson permanece candidato sub judice.

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Política

Especialistas defendem regras mais rígidas para plataformas digitais e uso de IA nas eleições

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Pesquisadoras defenderam nesta terça-feira (15), em Brasília, o reforço da regulação das plataformas digitais e da fiscalização sobre conteúdos produzidos com inteligência artificial, principalmente durante o período eleitoral. O tema foi discutido no webinário “Tecnologias, IA e Eleições”, promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras.

A diretora-executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), Fernanda Rodrigues, afirmou que os algoritmos de recomendação têm influência direta sobre o conteúdo apresentado aos usuários das redes sociais. Para ela, regras devem permitir que as pessoas tenham maior controle sobre sistemas de recomendação e reduzir o risco de mecanismos com vieses discriminatórios.

O debate também tratou do avanço da inteligência artificial e da concentração do desenvolvimento dessas tecnologias em grandes empresas do setor. As pesquisadoras defenderam maior participação da sociedade nas discussões sobre o funcionamento e os limites dessas ferramentas.

A cofundadora da plataforma Blogueiras Negras, Larissa Santiago, avaliou que o Brasil possui instrumentos de regulação na área, mas precisa ampliar a fiscalização e investir em educação midiática. Segundo ela, parte da população ainda enfrenta dificuldades para diferenciar conteúdos autênticos de imagens, vídeos e personagens criados ou manipulados por inteligência artificial.

A preocupação aumenta durante as eleições devido à possibilidade de disseminação de desinformação e de deepfakes, técnica que permite criar ou alterar artificialmente imagens, áudios e vídeos com alto grau de realismo.

Larissa também relacionou esse tipo de manipulação à violência política de gênero e raça. Ao tratar do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, concluído pelo Senado em 2016, a pesquisadora lembrou a circulação de imagens e informações distorcidas naquele período e afirmou que as atuais ferramentas de inteligência artificial podem ampliar esse tipo de prática.

A discussão ocorre em meio ao crescimento do uso de inteligência artificial na produção e distribuição de conteúdo político. Para as pesquisadoras, além de regras para as plataformas, fiscalização e educação midiática são necessárias para que eleitores consigam reconhecer materiais manipulados e compreender como algoritmos influenciam o conteúdo recebido nas redes sociais.

Fonte: Agência Brasil

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