O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) mantém, por meio do Centro de Atenção às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (Ceavi), um serviço de acolhimento e acompanhamento para pessoas que sofreram violência, com atendimento psicológico, assistência social e orientação jurídica, além de encaminhamentos à rede de proteção. Em 2025, o Ceavi realizou 136 atendimentos, contra 134 em 2024, de acordo com números do tribunal.
Entre os casos acompanhados está o de Cristina, 29 anos, que procurou a Justiça para pedir medida protetiva após relatar agressões durante quase 15 anos de convivência com o ex-companheiro. “Tem alguém que está me ouvindo, alguém que está aqui para segurar a minha mão caso alguma coisa aconteça”, disse. Segundo o relato, ela se casou aos 14 anos, teve quatro filhos e chegou a denunciar o agressor mais de uma vez. “Agora eu sei que sou capaz, consigo criar os meus filhos. Posso seguir sozinha”, afirmou.
O Ceavi foi implementado em agosto de 2022 e, desde então, somou 435 atendimentos. O serviço atende vítimas diretas ou indiretas de crimes e atos infracionais que tenham sofrido danos físicos, morais, patrimoniais ou psicológicos, mesmo quando o autor não foi identificado, julgado ou condenado. Entre as situações mais recorrentes estão violência doméstica, abuso sexual, tortura, discriminação e racismo. O acesso pode ocorrer por encaminhamento de integrantes do Sistema de Justiça, por profissionais da rede de proteção ou por iniciativa da própria vítima.
O Estado tem duas unidades em funcionamento, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 7h às 14h: uma no Fórum Criminal Desembargador Lourival Marques, em Rio Branco, e outra na Cidade da Justiça de Cruzeiro do Sul. Os atendimentos também podem ser feitos por WhatsApp, no número (68) 99907-0117.
A política nacional de atenção às vítimas no Judiciário foi instituída pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2018, por meio da Resolução nº 253, que determina a adoção de providências para que vítimas sejam tratadas com equidade, dignidade e respeito. No Acre, a implementação do serviço no TJAC foi formalizada em 2021, com a Portaria nº 940, publicada pela então presidente do tribunal, desembargadora Waldirene Cordeiro.
A coordenadora do Ceavi, desembargadora Regina Ferrari, afirmou que o encaminhamento de vítimas para atendimento especializado tem crescido entre integrantes do Sistema de Justiça e que a tendência é ampliar o serviço. Ela também citou a inclusão de atendidas em ações sociais do tribunal, como o projeto “História e Memória”, voltado a mulheres vítimas de violência doméstica.