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Amazônia

Crime organizado transforma a Amazônia em território de exploração humana e desafia acordo histórico da ONU

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Trabalhadores submetidos a condições semelhantes à escravidão, mulheres exploradas sexualmente e comunidades indígenas ameaçadas por organizações criminosas fazem parte de uma realidade que vai muito além da destruição das florestas. Uma reportagem do jornalista ambiental peruano Iván Brehaut, publicada em 31 de outubro na plataforma La Mula, expõe como o garimpo ilegal, o narcotráfico e a exploração clandestina dos recursos naturais estão associados à violência e ao controle de territórios amazônicos. O trabalho também questiona se a recente vitória diplomática obtida em Viena, na Áustria, será capaz de mudar a situação enfrentada por essas populações.

A reportagem, intitulada Delitos ambientais transnacionais: o que vem depois da vitória de Viena?, parte de uma contradição que acompanha há décadas o debate internacional sobre a Amazônia. Enquanto governos e organismos multilaterais discutem o avanço do desmatamento, a perda da biodiversidade e a exploração ilegal de minerais, milhares de pessoas convivem com formas de violência que nem sempre aparecem nas estatísticas ambientais.

Brehaut chama atenção para uma dimensão frequentemente esquecida: por trás das máquinas que revolvem os leitos dos rios e das redes que transportam madeira, ouro e drogas, existem trabalhadores submetidos a condições degradantes, famílias ameaçadas e comunidades que perderam parte do controle sobre seus próprios territórios.

Uma das formas de exploração começa com ofertas de emprego dirigidas a moradores de regiões pobres. Ao chegar aos acampamentos clandestinos, os trabalhadores passam a acumular dívidas pelo transporte, alimentação e equipamentos utilizados. Os valores cobrados podem tornar impossível o desligamento da atividade, enquanto ameaças e a presença de homens armados impedem a saída.

É uma forma contemporânea de servidão por dívida, associada a práticas históricas de exploração na Amazônia. Em vez de contratos regulares e relações de trabalho protegidas pela legislação, essas organizações estabelecem mecanismos de dependência econômica e coerção.

A violência também atinge mulheres e adolescentes. Nas proximidades das áreas de mineração clandestina, estabelecimentos comerciais podem funcionar como pontos de aliciamento para exploração sexual e outras formas de submissão. O isolamento geográfico, a precariedade dos serviços públicos e a influência das organizações criminosas dificultam denúncias e a proteção das vítimas.

O problema não termina quando as forças de segurança realizam operações contra os acampamentos. A destruição de equipamentos e estruturas ilegais pode interromper temporariamente a atividade, mas, sem alternativas econômicas e proteção às pessoas exploradas, as redes criminosas conseguem reorganizar suas operações. Trabalhadores submetidos à coerção ainda correm o risco de ser tratados como responsáveis pelos delitos dos quais também são vítimas.

A dimensão dessa crise ultrapassa as fronteiras de um único país. No Peru, na Colômbia, no Equador e no Brasil, o avanço das atividades ilícitas combina mineração clandestina, desmatamento, tráfico de drogas e ocupação de terras indígenas. Em diferentes regiões, esses mercados compartilham corredores logísticos, financiadores, estruturas de corrupção e mecanismos de lavagem de dinheiro.

Os impactos também aparecem nos números apresentados por Brehaut. Na Colômbia, o cultivo de coca alcançou 261 mil hectares, enquanto a mineração aluvial não autorizada atingiu mais de 118 mil hectares. No Peru, a pressão do narcotráfico sobre territórios indígenas convive com o avanço da mineração de ouro sobre rios e florestas.

Mas a violência não se resume às dimensões das áreas ocupadas. O povo Kakataibo, na Amazônia peruana, convive há anos com ameaças de organizações ligadas ao narcotráfico e à exploração ilegal de madeira. Segundo os levantamentos reunidos na reportagem, seis lideranças indígenas foram assassinadas em um período de sete anos.

Entre os casos documentados está o de Mariano Isacama Feliciano, liderança Kakataibo encontrada morta em julho de 2024, após denunciar atividades relacionadas ao narcotráfico em seu território. O caso provocou manifestações de organizações indígenas peruanas e novos pedidos de investigação e proteção aos defensores ambientais.

Diante da insuficiência da presença estatal, comunidades indígenas passaram a organizar sistemas próprios de vigilância e proteção. A Guarda Kakataibo realiza patrulhamentos territoriais e ações de identificação de atividades ilícitas em áreas de floresta onde a chegada das autoridades pode exigir dias de deslocamento.

Marcelo Odicio, presidente da Federação Nativa de Comunidades Kakataibo (FENACOKA), relatou a Brehaut a atuação de homens e mulheres na proteção das aldeias, mesmo diante de grupos criminosos com maior capacidade de armamento.

Outra experiência apresentada na reportagem é a utilização de tecnologia pelas organizações indígenas. A Organização Regional Aidesep Ucayali (ORAU) desenvolveu a plataforma Imenko Tsiroti, utilizada para reunir informações territoriais e registros sobre ameaças e atividades ilegais.

Jamer López, presidente da entidade, explicou que os dados permitem às comunidades procurar as autoridades com informações produzidas diretamente nas áreas de conflito. O monitoramento combina conhecimento do território, registros de campo e ferramentas tecnológicas, oferecendo subsídios para identificar pistas clandestinas, invasões e novas frentes de desmatamento.

No território do povo Wampís, na região amazônica peruana, a organização de defesa territorial conhecida como Charip, palavra associada ao relâmpago, também realiza atividades de vigilância. Galois Flores, representante do Governo Territorial Autônomo da Nação Wampís, levou essa experiência às discussões internacionais sobre o combate aos crimes ambientais.

Essas iniciativas enfrentam uma contradição. As comunidades possuem conhecimento detalhado dos rios, caminhos e áreas utilizadas pelas organizações ilegais, mas frequentemente não dispõem de recursos, garantias de segurança e respaldo institucional compatíveis com os riscos assumidos.

A discussão ganhou dimensão internacional durante a 13ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, realizada de 19 a 23 de outubro de 2026, em Viena.

Em uma votação considerada histórica, 83 países apoiaram a abertura de negociações para elaborar um protocolo internacional específico sobre crimes ambientais. Outros 12 votaram contra e 27 se abstiveram. A iniciativa foi impulsionada pelo Brasil, com participação de países amazônicos e de outras regiões.

O objetivo é ampliar os instrumentos jurídicos utilizados no enfrentamento de organizações que atuam simultaneamente em diferentes países, especialmente no tráfico de animais e plantas silvestres, na exploração ilegal de minerais, no comércio clandestino de madeira e no tráfico de resíduos.

A Convenção de Palermo, adotada em 2000, possui protocolos específicos para combater o tráfico de pessoas, o contrabando de migrantes e o tráfico ilícito de armas de fogo. A proposta discutida em Viena busca acrescentar um instrumento voltado às atividades criminosas que afetam o meio ambiente.

Para Álvaro Másquez, advogado do Instituto de Defesa Legal do Peru e assessor jurídico da Guarda Indígena Kakataibo, a decisão representa um avanço importante no reconhecimento internacional da gravidade desses delitos.

Entrevistado por Brehaut, Másquez valoriza principalmente o protagonismo de países amazônicos como Brasil, Peru e Colômbia na construção da proposta. Ele também defende que a participação indígena seja incorporada ao processo de elaboração do novo instrumento.

O papel das lideranças indígenas foi uma das características da mobilização em Viena. Uma delegação formada por representantes de povos do Brasil, Peru, Colômbia e Equador participou das discussões e manteve encontros com autoridades e organismos internacionais.

De acordo com a organização Amazon Watch, dez lideranças indígenas integraram a mobilização que contribuiu para a aprovação da resolução. Ao longo da conferência, defenderam uma estratégia de segurança capaz de alcançar os financiadores e compradores das mercadorias ilegais, e não apenas os trabalhadores encontrados nas áreas de extração.

Entre as reivindicações estão o fortalecimento dos mecanismos de rastreabilidade do ouro e da madeira, o combate à lavagem de dinheiro, a recuperação de recursos provenientes de atividades criminosas e o apoio institucional às organizações indígenas responsáveis pela vigilância territorial.

As lideranças também defendem que as decisões sobre segurança na Amazônia sejam construídas com a participação das populações diretamente afetadas. Essa posição não elimina a responsabilidade dos Estados pela proteção dos territórios, mas exige que os governos reconheçam os conhecimentos e as organizações locais.

Durante a conferência, o relator especial das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Albert Barume, tratou da relação entre segurança e autodeterminação. Para o representante da ONU, a capacidade de uma comunidade decidir sobre o próprio futuro fica comprometida quando organizações externas controlam seu território pela violência.

A discussão alcança diretamente a realidade das regiões de fronteira da Amazônia brasileira. No Acre, sobretudo no Vale do Juruá, povos indígenas compartilham relações históricas, culturais e territoriais com comunidades do Peru. Rios e caminhos tradicionais atravessam áreas onde a fiscalização estatal enfrenta dificuldades logísticas.

Na conferência, a experiência de cooperação entre povos indígenas da fronteira também esteve representada. Francisco Piyãko, liderança Ashaninka do Acre, apresentou iniciativas de articulação transfronteiriça envolvendo comunidades indígenas do Brasil e do Peru, segundo a Amazon Watch. Essas experiências mostram que a proteção territorial exige comunicação e cooperação entre populações separadas por limites nacionais, mas conectadas pela mesma floresta.

A perspectiva apresentada por Brehaut amplia o debate sobre segurança pública na Amazônia. O enfrentamento das organizações criminosas não depende exclusivamente da presença de tropas e de operações policiais. Envolve a investigação das estruturas financeiras, a proteção das vítimas de exploração, o controle das cadeias comerciais e a capacidade de impedir que atividades ilegais se restabeleçam depois das ações repressivas.

O acordo de Viena, entretanto, ainda está distante de produzir efeitos concretos. A decisão aprovada pelos países não criou imediatamente um novo tratado internacional, mas autorizou sua negociação.

Um comitê especial deverá realizar quatro sessões para preparar uma proposta de protocolo, com expectativa de apresentação na próxima Conferência das Partes, prevista para outubro de 2028. Posteriormente, ainda serão necessárias decisões sobre sua adoção e os procedimentos de adesão e implementação pelos países.

O processo também enfrentará disputas sobre o alcance das obrigações internacionais, os mecanismos de cooperação jurídica e a participação das organizações indígenas. Embora a resolução reconheça a contribuição dos povos originários no combate aos crimes ambientais, ainda não estabelece um mecanismo definitivo para garantir sua presença nas negociações.

Essa diferença entre reconhecimento político e participação efetiva constitui um dos principais desafios levantados pela mobilização indígena. As comunidades que diariamente registram invasões, enfrentam ameaças e produzem informações sobre a presença de organizações criminosas querem participar da definição das medidas que poderão afetar diretamente suas vidas.

A reportagem de Iván Brehaut coloca esse impasse no centro do debate. A vitória diplomática representa uma oportunidade para fortalecer o combate internacional aos crimes ambientais, mas não resolve, por si só, os problemas de violência, desigualdade e ausência de proteção estatal que sustentam a expansão das economias ilegais.

A possibilidade de responsabilizar grandes financiadores, identificar a origem de mercadorias e ampliar a cooperação entre autoridades poderá modificar a capacidade de enfrentamento dessas organizações. Porém, os resultados dependerão da execução das medidas e da disposição dos governos de alcançar os interesses econômicos que mantêm essas atividades.

Para os povos indígenas da Amazônia, a urgência é diferente do calendário diplomático. Enquanto os países negociam novos instrumentos jurídicos, comunidades continuam expostas às ameaças de grupos armados, à contaminação dos rios e à ocupação ilegal de seus territórios.

A questão que permanece depois de Viena, portanto, não é apenas quando o novo protocolo será aprovado, mas se ele conseguirá transformar compromissos internacionais em medidas capazes de proteger a floresta e as pessoas que vivem nela.

Fonte: La Mula

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Deputado Zé Adriano articula avanços para viabilizar rota aérea entre Acre e Peru

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O deputado federal Zé Adriano (PP-AC) participou nesta segunda-feira, 14, de uma reunião de trabalho com representantes brasileiros e peruanos para discutir providências efetivas voltadas à integração entre os dois países, com foco na criação de uma ligação aérea internacional e na ampliação do turismo e de oportunidades comerciais na Amazônia.

Durante o encontro, Zé Adriano destacou a posição estratégica do Acre como porta de entrada para a integração entre o Brasil e o Peru, beneficiando não apenas o estado, mas também Rondônia, Amazonas e Mato Grosso.

“O Acre está numa posição estratégica muito importante comercialmente. O que precisamos agora é transformar essa posição em entregas concretas. A conexão aérea entre os dois países é um passo extremamente necessário para fortalecer o comércio, o turismo de negócios e a integração da nossa região”, afirmou o deputado.

O parlamentar defendeu que as discussões avancem para medidas práticas, com a formalização de um instrumento de cooperação entre os governos brasileiro e peruano.

Zé Adriano também propôs que o próximo encontro conte com a participação da Polícia Federal e do Ministério de Portos e Aeroportos, para atender às exigências do Governo Federal e acelerar o processo de implantação da rota. Segundo ele, o lado brasileiro já identificou empresas interessadas em operar os voos e realizou estudos técnicos que demonstram a viabilidade da iniciativa.

Na reunião, o deputado apresentou como prioridade duas conexões consideradas estratégicas: Porto Velho–Pucallpa, voltada ao fortalecimento do comércio e do turismo de negócios, e Rio Branco–Porto Maldonado, ligação que amplia o acesso do Acre a Lima, um dos principais hubs logísticos da América do Sul.

Assessoria

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Embrapa leva mapas digitais de castanhais a extrativistas no Amazonas

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Dezoito grupos de extrativistas da Fazenda Nova Fronteira, no sul de Lábrea, no Amazonas, passaram a utilizar mapas digitais de trilhas de coleta de castanha-da-amazônia para localizar árvores e planejar o trabalho na floresta. A ferramenta, desenvolvida com tecnologia da Embrapa Acre, funciona em celulares mesmo sem conexão à internet e permite identificar castanheiras antes desconhecidas, reduzir deslocamentos e organizar a produção. A iniciativa foi apresentada em 1º de setembro de 2026 e integra um projeto de manejo sustentável próximo à divisa com o Acre.

O mapeamento reúne milhares de castanheiras identificadas por coordenadas geográficas. Cada árvore recebe uma localização individual, que pode ser consultada pelos coletores durante os percursos. Os mapas também mostram os limites das trilhas e árvores situadas em uma faixa de até 200 metros de cada lado dos caminhos tradicionais, ampliando as possibilidades de coleta em áreas já utilizadas pelas comunidades.

A tecnologia usada é o Netflora, desenvolvido pela Embrapa Acre. O sistema combina imagens captadas por drones e algoritmos de inteligência artificial para reconhecer espécies florestais e produzir inventários georreferenciados. Os dados são transformados em mapas que ajudam os extrativistas a decidir quais árvores visitar e como distribuir o trabalho ao longo da safra.

O pesquisador Luciano Ribas, da Embrapa Acre, explica que o acesso a um número maior de castanheiras pode ajudar os coletores a compensar a baixa produção de determinadas árvores. A ampliação da coleta, porém, depende da produtividade de cada castanhal, da disponibilidade de trabalhadores e da capacidade de transporte. O conhecimento tradicional dos extrativistas continua necessário para definir quais percursos são viáveis.

A delimitação das áreas também facilita a organização comunitária. A extrativista Maria Maia relatou que o mapa permite identificar onde termina uma trilha e começa a área de outro coletor, reduzindo dúvidas sobre os limites de trabalho. Para os moradores, a ferramenta acrescenta informações ao conhecimento acumulado durante anos de atividade na floresta.

O projeto é executado há dois anos em parceria entre a Embrapa Acre, a Future Climate e a Fazenda Nova Fronteira. Além do mapeamento, os extrativistas participaram de capacitações em boas práticas de produção, com orientações sobre manejo, planejamento de rotas, prevenção de contaminação, armazenamento e uso de equipamentos de proteção individual. Parte do material educativo foi adaptada para vídeos, de acordo com as necessidades dos participantes.

A experiência em Lábrea faz parte de uma iniciativa de conservação florestal vinculada ao Projeto Rio Madeira REDD+, que abrange 52 mil hectares entre Amazonas e Rondônia. O projeto prevê evitar emissões superiores a 15 milhões de toneladas de dióxido de carbono ao longo de 30 anos. A proposta associa a manutenção da floresta à geração de renda por meio do extrativismo e de créditos de carbono.

O Netflora já havia sido utilizado em outras áreas da Amazônia. Em abril de 2025, a Embrapa divulgou um levantamento realizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, no Amazonas, que identificou 604 castanheiras e mais de 14 mil árvores de outras espécies em 1.150 hectares, após pouco mais de duas horas de sobrevoo. A aplicação em Lábrea leva esse tipo de inventário ao uso cotidiano das comunidades, com informações disponíveis diretamente no celular.

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Reconhecimento público de Lula a Marmude Cameli destaca trabalho do Estaleiro Juruá na Amazônia

Presidente elogiou a contratação de mulheres, a formação de soldadoras e o instituto social mantido pelo grupo, que atende mais de 200 crianças

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“Eu queria dar parabéns ao Marmude Cameli, diretor executivo do Estaleiro Juruá, por algumas coisas simples, que deveriam ser simples, mas não são tão simples. Apenas algumas pessoas têm sensibilidade para fazer essas coisas”, disse Lula.

O reconhecimento público vindo do presidente da República não é um gesto comum. Durante evento realizado nesta quarta-feira, 27, no Estaleiro Juruá, no Amazonas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de destacar Marmude Cameli, CEO do empreendimento, em um momento que simbolizou respeito, valorização e reconhecimento à trajetória de uma liderança amazônica com raízes no Acre.

Em sua fala, Lula elogiou a decisão do estaleiro de contratar e capacitar mulheres para atuar na construção naval, além do trabalho social desenvolvido por meio de um instituto ligado ao grupo, que atende mais de 200 crianças em tempo integral.

Diante de autoridades, trabalhadores e representantes do setor produtivo, o presidente afirmou que não poderia deixar de parabenizar Marmude pela iniciativa. Lula citou especialmente a presença de mulheres no processo produtivo do estaleiro, em uma área historicamente ocupada por homens. “O fato de ele, na contratação dessas balsas que está fazendo, ter contratado mulheres, feito um curso de soldador e, ao mesmo tempo, ter um instituto com mais de 200 crianças estudando o dia inteiro, é da gente sentir orgulho.” citou

“Se todo empresário fizesse isso, a gente teria muito menos problema no Brasil”, afirmou.

Lula também relatou ter ouvido de Marmud e de familiares do empresário que as mulheres formadas pelo programa de soldagem apresentam desempenho superior na produção.

“A coisa mais gratificante que eu vi foi que ele me disse […] que as meninas soldadoras conseguem produzir 25% a mais do que os homens”, declarou o presidente.

A fala de Lula deu visibilidade nacional a uma iniciativa que já vinha ganhando destaque no setor hidroviário. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o programa de capacitação em soldagem do Estaleiro Juruá, criado em Iranduba, já formou 287 mulheres desde 2024. Desse total, 210 foram contratadas pela empresa e passaram a representar 27% do quadro de soldadores do estaleiro.

Além da formação profissional, Lula também destacou o trabalho social desenvolvido pelo grupo. O Estaleiro Juruá informa que apoia o Programa Educacional Bombeiro Mirim, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, beneficiando cerca de 200 crianças de 8 a 15 anos. A empresa também registra a criação da Escola de Soldadores como projeto voltado à formação de jovens para a indústria naval.

“Se todo empresário fizesse isso, a gente teria muito menos problema no Brasil”, Lula afirmou. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Ao citar Marmude, Lula não apenas mencionou um empresário. O presidente reconheceu a importância de uma liderança amazônica à frente de um empreendimento que se tornou referência na construção naval do Norte do país. Para quem conhece a história do Juruá, o gesto teve peso simbólico: colocou em evidência um acreano de Cruzeiro do Sul em uma agenda estratégica para o desenvolvimento da Amazônia.

Natural de Cruzeiro do Sul, no Acre, Marmude Cameli integra uma trajetória empresarial ligada à construção naval, à navegação e ao desenvolvimento da Amazônia. À frente do Estaleiro Juruá, ele representa uma geração de empreendedores acreanos que expandiram sua atuação para o Amazonas sem perder a ligação com suas origens.

A história do Estaleiro Juruá está associada ao legado de Francisco Cameli, o “Chiquinho”, fundador do grupo, que iniciou sua atuação no setor ainda nos anos 1980. O empreendimento está instalado às margens do Rio Negro, em Iranduba, e ocupa uma área de 144 mil metros quadrados. As informações são do Estaleiro Juruá.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita para inspeção e lançamento de balsa financiada pelo BNDES, no Estaleiro Juruá. Iranduba – AM – Foto: Ricardo Stuckert / PR

A agenda presidencial no Estaleiro Juruá fez parte de um pacote de anúncios federais para infraestrutura, energia, logística e desenvolvimento da Amazônia, com investimentos que somam mais de R$ 7 bilhões. A escolha do estaleiro como palco do evento reforçou a importância da indústria naval amazônica para o transporte regional, em uma região onde os rios funcionam como as principais vias de circulação de pessoas, combustíveis, alimentos e mercadorias.

Mais do que uma citação protocolar, o reconhecimento feito por Lula colocou Marmude Cameli e o Estaleiro Juruá no centro de uma mensagem sobre desenvolvimento regional, inclusão produtiva e responsabilidade social. Ao elogiar a contratação de mulheres e o atendimento a crianças, o presidente transformou a experiência do estaleiro em exemplo público de como a iniciativa privada pode contribuir para reduzir desigualdades e gerar oportunidades na Amazônia.

Em tempos em que muito se fala sobre desenvolvimento regional, o reconhecimento feito por Lula mostra que a Amazônia também se desenvolve por meio de sua própria gente, de suas lideranças locais e de empresas capazes de transformar rios em caminhos de progresso.

Confira a fala do presidente Lula >>>

Fotos: Ricardo Stuckert / PR

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