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Povos Indígenas

Medo persiste em aldeia Ashaninka no Acre após operação da PF e reforço do Exército

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Um mês após cinco homens encapuzados e armados invadirem a aldeia Apiwtxa, famílias do povo Ashaninka ainda vivem sob tensão na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre. Operações policiais e o reforço do Exército ampliaram o patrulhamento na fronteira com o Peru, mas os suspeitos continuam foragidos e as lideranças cobram proteção permanente contra o avanço do crime organizado.

A invasão ocorreu nos dias 5 e 6 de julho. Os homens, que falavam espanhol e carregavam armas de grosso calibre, percorreram a comunidade à procura de lideranças indígenas e intimidaram moradores. A entrada do grupo ocorreu após os Ashaninka impedirem a circulação de embarcações suspeitas pelo Rio Amônia, uma das rotas usadas para transportar drogas produzidas no Peru até o território brasileiro.

Os envolvidos foram identificados, mas atravessaram a fronteira e permanecem no lado peruano. Nenhuma prisão foi diretamente relacionada à invasão. “Queriam nos matar”, afirmou a liderança Francisco Piyãko, coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá.

A primeira resposta ocorreu com o envio de agentes do Grupo Especial de Operações em Fronteira e de equipes do Centro Integrado de Operações Aéreas. Militares do Exército também passaram a patrulhar o Rio Amônia e o trecho entre Marechal Thaumaturgo e a fronteira, com ações por terra e pelos rios.

A fase batizada de Operação Ashaninka foi encerrada em 14 de julho, mas o patrulhamento continuou dentro de uma mobilização mais ampla. Entre os dias 19 e 25 de julho, a Polícia Federal coordenou a Operação Atalaia do Juruá, com participação de órgãos federais e estaduais.

A ação realizou 445 abordagens terrestres e fluviais, 241 fiscalizações, seis patrulhamentos aéreos, 15 visitas a aldeias e comunidades ribeirinhas e 21 fiscalizações ambientais. Cinco pessoas foram presas, uma arma de fogo foi apreendida e 50 autos de infração foram emitidos. Também ocorreram 34 apreensões, mas os resultados não foram associados diretamente às ameaças contra os Ashaninka.

Para as lideranças, operações temporárias não bastam para impedir novas invasões. A principal cobrança é pela manutenção de equipes de segurança na região, pelo uso permanente de inteligência e pela criação de uma estratégia conjunta entre Brasil e Peru.

A dificuldade de acesso aumenta a vulnerabilidade das comunidades. O deslocamento de Cruzeiro do Sul até os municípios da fronteira pode levar cerca de uma hora e meia em avião fretado ou até nove horas de barco. Depois das operações, parte dos agentes retorna às bases, deixando extensos trechos da floresta com pouca presença do Estado.

O narcotráfico atua na região ao lado de grupos envolvidos na extração ilegal de madeira, no garimpo e na abertura de estradas clandestinas. Rios, igarapés e caminhos pela mata são usados para atravessar a fronteira e transportar drogas, armas e produtos retirados ilegalmente da floresta.

A vigilância realizada pelos próprios indígenas transformou as lideranças em obstáculos para essas rotas. Os Ashaninka monitoram embarcações, protegem o território e comunicam atividades suspeitas às autoridades. Essa atuação passou a ser respondida com ameaças e tentativas de intimidação.

A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia integra um corredor de aproximadamente 3,5 milhões de hectares de floresta amazônica, formado por terras indígenas e unidades de conservação. A comunidade Apiwtxa ganhou reconhecimento pela recuperação ambiental do Rio Amônia e pelo modelo de proteção territorial desenvolvido nas últimas décadas.

Fonte: O Globo

Economia e Empreender

Café indígena Paiter Suruí conquista cinco prêmios em concurso estadual e coloca produção amazônica entre as melhores de Mato Grosso

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Três produtores indígenas do povo Paiter Suruí, do município de Rondolândia, conquistaram cinco premiações no 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso, realizado no último sábado (31 de outubro), em Juína. Miguel Suruí, Rafael Gameb Suruí e Naraykoalab Suruí dominaram a categoria Café Fermentado e conquistaram as duas primeiras colocações na Excelência Suprema, que reconhece o melhor café entre os finalistas da competição. O resultado deu visibilidade à produção indígena de Robusta Amazônico e ao trabalho desenvolvido pelas famílias que vivem da cafeicultura na região.

Miguel Suruí foi o principal vencedor, conquistando o primeiro lugar nas duas categorias, com 87,67 pontos. Rafael Gameb Suruí ficou na segunda colocação em ambas, alcançando 86,67 pontos. Naraykoalab Suruí completou a conquista ao garantir o terceiro lugar na categoria Café Fermentado, com 85,42 pontos. Com isso, os três indígenas ocuparam todo o pódio da modalidade e levaram para Rondolândia o reconhecimento pela qualidade dos grãos produzidos em suas lavouras.

A premiação foi especialmente significativa para a Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí (Coopaiter), representada por Miguel e Rafael. O resultado mostrou que a cafeicultura desenvolvida pelas comunidades indígenas tem condições de competir em qualidade com produtores de diferentes regiões do estado.

Rafael Gameb Suruí comemorou a conquista e falou sobre o significado dos prêmios para quem trabalha diariamente nas lavouras. “Essa conquista é resultado do nosso dia a dia, e podemos mostrar isso aqui”, afirmou o produtor, durante o evento. A declaração traduz o sentimento de reconhecimento de uma atividade construída com trabalho, organização comunitária e investimentos na melhoria da produção.

Por trás das premiações existe também um processo de transformação da cafeicultura indígena. Desde 2020, produtores de Rondolândia recebem acompanhamento da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT). O trabalho envolve orientação sobre adubação, irrigação, manejo das lavouras e adoção de práticas sustentáveis para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos grãos.

O extensionista Hayath Alves, responsável pelo acompanhamento técnico, relatou que, no início das atividades, a produtividade variava entre 30 e 40 sacas por hectare. Atualmente, algumas propriedades já ultrapassam 100 sacas por hectare. O crescimento foi acompanhado pela introdução de produtos biológicos, utilizados para reduzir a dependência de insumos químicos na produção.

A mudança tem consequências econômicas para as famílias. Produzir mais por hectare e alcançar padrões superiores de qualidade amplia as possibilidades de comercialização e pode permitir que os agricultores negociem seus produtos em mercados que valorizam cafés especiais. Para as comunidades indígenas, o fortalecimento da atividade também representa uma oportunidade de geração de renda associada à permanência no território e à organização coletiva.

O concurso reuniu produtores de 16 municípios mato-grossenses e recebeu mais de 500 participantes. A competição foi promovida pelo governo estadual, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), em parceria com o Sebrae-MT e apoio técnico da Empaer.

A iniciativa faz parte de um esforço para ampliar o reconhecimento do Robusta Amazônico e fortalecer sua presença nos mercados regional, nacional e internacional. Além da competição, o encontro reuniu expositores de cafés, queijos, doces e outros produtos da agricultura familiar.

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Povos Indígenas

Força Nacional reforçará segurança de aldeias Guarani Kaiowá após denúncias de violência política

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Governo federal anunciou ampliação do efetivo em Mato Grosso do Sul após ameaças contra comunidades indígenas registradas depois das eleições

O governo federal anunciou neste sábado (31) a ampliação da presença da Força Nacional de Segurança Pública em aldeias do povo Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, após denúncias de ameaças e episódios de violência contra indígenas desde o segundo turno das eleições presidenciais. A medida foi anunciada durante uma visita de ministros às comunidades localizadas na região de fronteira com o Paraguai.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, informou que o efetivo será reforçado e permanecerá disponível para atender ocorrências nas aldeias. A operação também contará com um sistema de monitoramento chamado “Minuto a Minuto”, que permitirá acompanhar situações de risco e agilizar a atuação das forças policiais.

A comitiva federal visitou as aldeias Sassoró, no município de Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia. Participaram da agenda o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e a ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello.

As ações foram anunciadas após a circulação de denúncias de violência contra indígenas nas redes sociais. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou mais de 30 ocorrências, incluindo ameaças que teriam ocorrido depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os episódios denunciados está uma ameaça de envenenamento da água utilizada pelos moradores da aldeia Sassoró. Um áudio compartilhado em grupos de mensagens de Tacuru levantou suspeitas sobre a possível participação de um servidor público municipal.

De acordo com Eloy Terena, a Polícia Federal já ouviu suspeitos relacionados ao caso e o monitoramento da qualidade da água será reforçado. O ministro explicou que, após uma análise preliminar, dez denúncias foram selecionadas para investigação, sendo quatro em Mato Grosso do Sul.

Até o momento, a suspeita de envenenamento da água é o único episódio com possível ligação direta com violência política, segundo o ministro. Outros casos, incluindo atropelamentos, continuam sob apuração, sem que a hipótese de motivação política esteja descartada.

O Ministério dos Direitos Humanos também anunciou que disponibilizará seu programa de proteção às vítimas das ameaças. Atualmente, mais de 80 indígenas de Mato Grosso do Sul já recebem acompanhamento por meio da iniciativa.

A atuação da Força Nacional será articulada com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e as forças estaduais de segurança, com o objetivo de ampliar a proteção das comunidades e garantir resposta rápida a possíveis novos ataques.

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Educação

UnB oferece 140 vagas em vestibular indígena com provas em Rio Branco; inscrições vão até 2 de novembro

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A Universidade de Brasília (UnB) está com inscrições abertas para o Vestibular Indígena 2027, que oferece 140 vagas em cursos de graduação. O processo seletivo, realizado em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), terá aplicação de provas em Rio Branco, no Acre, e em outras seis cidades brasileiras. Os interessados podem se inscrever gratuitamente até o dia 2 de novembro.

As vagas são destinadas ao ingresso no primeiro e no segundo semestres de 2027, em cursos oferecidos nos campi Darcy Ribeiro e da Faculdade de Ceilândia, no Distrito Federal.

Podem participar candidatos indígenas que tenham cursado ou estejam cursando o ensino médio integralmente em escolas públicas. Quem estudou na rede particular precisa comprovar que recebeu bolsa de estudos integral ou parcial de, no mínimo, 50%. Candidatos que já concluíram uma graduação não podem participar.

A seleção contará com prova objetiva e redação em língua portuguesa, marcadas para 13 de dezembro de 2026. Também estão previstas análise de documentação e entrevistas pessoais, que ocorrerão entre os dias 14 e 16 de dezembro.

Além de Rio Branco, as etapas serão realizadas em São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga, no Amazonas; Brasília, no Distrito Federal; Canarana, em Mato Grosso; Ibimirim, em Pernambuco; e Rodelas, na Bahia.

As inscrições devem ser feitas exclusivamente pela internet, no portal do Cebraspe, responsável pela organização do vestibular. O prazo termina às 18h do dia 2 de novembro, pelo horário de Brasília.

A previsão é de que o resultado final seja divulgado em 29 de janeiro de 2027.

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