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Direto ao ponto

Radicalismo, só na defesa dos mais necessitados e na luta por dias melhores

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Qual Acre queremos em 2030? Entre a continuidade política e os desafios de uma sociedade em transformação, o novo exige mais do que administrar o presente. É preciso pensar o futuro.

Mailza Assis venceu a eleição com uma votação expressiva. Conquistou legitimidade nas urnas, consolidou sua força política e terá mais quatro anos para governar o Acre. Mas a vitória, por maior que seja, não responde à questão que realmente importa: que estado os povos do Acre encontrarão em 2030?

O Acre precisa olhar para a frente. Não pode continuar limitado às disputas ideológicas, à acomodação de aliados e à administração dos problemas de sempre. O desafio é maior. Exige compreender o presente, enfrentar dificuldades históricas e, sobretudo, construir uma visão real de futuro.

A governadora Mailza Assis já sinalizou que pretende manter uma relação institucional com o presidente Lula, apesar das diferenças políticas. É uma posição necessária diante da realidade acreana. O estado precisa de investimentos federais, de políticas públicas e de articulação com Brasília. Os interesses da população não podem ficar submetidos às divergências partidárias, muito menos às resistências de setores de qualquer aliança política.

Mas o diálogo com o governo federal, por si só, não constitui um projeto de desenvolvimento. É um instrumento para realizá-lo.

Acredito que é nesse ponto que o próximo governo precisará mostrar sua dimensão.

O Acre de 2030 começa a ser definido nas salas de aula, nas oportunidades oferecidas à juventude, na qualidade do ensino público e na capacidade de formar uma geração que não encontre como única perspectiva procurar futuro longe daqui.

O mundo está mudando em velocidade impressionante. A inteligência artificial transforma profissões, a economia e a educação. As redes sociais redefinem a circulação da informação, o debate público e a relação entre governantes e cidadãos. O Acre não está fora desse processo, ainda que muitas vezes pareça distante das decisões que moldam essas transformações.

Pensar o futuro exige compreender esse novo tempo. Tecnologia não pode ser apenas discurso de modernização ou equipamento novo numa repartição ou sala de aula. É também conhecimento, oportunidade e inclusão.

Há igualmente uma expectativa especial sobre um governo conduzido por duas mulheres. Mailza e Jéssica Sales representam uma presença feminina importante no comando do estado. Mas o significado dessa conquista será percebido principalmente na vida das acreanas que enfrentam violência, desigualdade, dificuldades de acesso ao trabalho e obstáculos para conquistar autonomia.

Na saúde pública, o futuro se mede de maneira ainda mais concreta: no atendimento que chega, no exame que não demora, na cirurgia realizada e no respeito a quem depende do SUS. Para a população do interior, essas dificuldades frequentemente se somam às distâncias e ao isolamento.

E há um campo que merece atenção particular nessa discussão: a comunicação pública.

A Fundação Aldeia de Comunicação, com suas emissoras de rádio e televisão, representa um patrimônio que ultrapassa governos. Sua importância está na informação, na educação, na cultura e na integração de um estado marcado por distâncias geográficas e diferentes realidades sociais.

Num tempo de inteligência artificial, algoritmos e redes sociais, o papel da comunicação pública ganha novas dimensões. A Fundação Aldeia precisa ser compreendida dentro desse cenário, preservando sua finalidade social e sua capacidade de representar a diversidade acreana.

Comunicação pública não é propaganda governamental. É um compromisso com a sociedade. A maneira como o próximo governo tratar essa distinção também revelará sua compreensão sobre democracia, informação e cidadania.

Naturalmente, o desenvolvimento do Acre envolve muito mais. Passa pela produção rural, pela infraestrutura, pela economia, pela preservação ambiental e pela capacidade de transformar as riquezas do estado em oportunidades para sua população.

Esses desafios não são novos. E Mailza também não chega como alguém de fora da administração. Participa do grupo político que governa o Acre e carrega, portanto, responsabilidades sobre o que foi realizado, sobre o que não avançou e sobre o que precisa mudar.

A continuidade pode preservar conquistas. Mas não deve servir de justificativa para repetir limitações.

Governar exige escolhas, prioridades e capacidade de execução. Mais do que anunciar obras ou programas, significa compreender que o desenvolvimento precisa chegar à vida cotidiana das pessoas.

Mailza Assis terá condições políticas de imprimir sua marca. O que ainda precisa ganhar clareza é a dimensão dessa marca: se ficará restrita à gestão de mais um mandato ou se representará uma visão de estado capaz de ultrapassar o calendário eleitoral.

O Acre não precisa de soluções mágicas nem de promessas grandiosas. Precisa de planejamento, estratégia, direção. Compromisso com uma sociedade que muda, envelhece, se conecta, produz, deseja oportunidades e precisa de cuidado.

A eleição definiu quem governará. Os próximos quatro anos mostrarão para quem se governa e que futuro está sendo construído.

Mailza Assis tem a legitimidade das urnas. Agora tem diante de si uma responsabilidade maior, fazer com que o Acre de 2030 seja mais do que uma data no calendário político.

Porque o futuro do estado não pode ser apenas assunto da próxima eleição. Precisa começar a fazer parte das decisões de hoje.

O debate sobre o Acre de 2030 deve começar por compromissos concretos, com políticas públicas para as mulheres e a juventude, incentivo ao empreendedorismo, à economia solidária e criativa, valorização da comunicação pública e abertura às transformações tecnológicas. Uma agenda capaz de dialogar com o Brasil e com o mundo, sem perder de vista a realidade acreana. São caminhos que merecem espaço no próximo governo, com prioridades definidas, recursos e resultados que a sociedade possa acompanhar.

Foto: Sérgio Vale/Vale Comunicação

Direto ao ponto

As bets saíram de campo, mas a dívida continua jogando

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Com o fim das apostas on-line, o dinheiro pode voltar a render no orçamento das famílias. Mas as dívidas e os problemas de saúde não desaparecem da noite para o dia.

No Acre, como em qualquer lugar para quem vive do salário, ele costuma terminar antes do mês, surgiu uma expectativa: com o fim das bets, quem sabe o dinheiro volte a aparecer no supermercado e, principalmente, a sobrar no bolso do trabalhador.

A conta é simples. Os cinquenta reais, que antes desapareciam na aposta de um escanteio podem agora comprar arroz, feijão ou ajudar a pagar a conta de luz.

Os primeiros números após a proibição das bets mostram crescimento nas vendas dos supermercados. Segundo levantamento da NielsenIQ, divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o faturamento do setor cresceu 7,4% entre 5 e 11 de outubro, em comparação com o mesmo período de 2025. 

Sai o bilhete da aposta, entra a lista de compras.

Só que a vida não se resolve tão facilmente.

Em setembro, o governo federal editou uma medida provisória proibindo a exploração das bets. Em outubro, as plataformas autorizadas saíram do ar. A proibição chegou. As dívidas, naturalmente, não receberam o mesmo comunicado.

O banco continua cobrando, o cartão não esqueceu a fatura e o empréstimo feito na esperança de recuperar o dinheiro perdido segue firme, com juros e vencimento.

Durante muito tempo, as apostas foram apresentadas como diversão, emoção e possibilidade de ganho. Para muita gente, porém, a promessa de dinheiro fácil acabou se transformando numa armadilha.

Começava com dez reais. Depois vinte. Mais cinquenta para tentar recuperar o prejuízo. Quando o cidadão percebia, já não jogava por diversão. Apostava na esperança de recuperar o que havia perdido.

E o problema não ficava restrito ao celular.

Chegava à mesa da família, nas compras reduzidas, nas contas atrasadas e nas discussões dentro de casa. Afinal, quando o dinheiro da alimentação vira aposta, quem perde não é apenas quem apertou o botão.

Existe ainda uma questão que não pode ficar de fora dessa discussão: a saúde pública.

O jogo compulsivo não é simplesmente falta de juízo. É um problema de saúde que pode exigir acompanhamento profissional e comprometer a vida emocional, familiar e financeira. Tirar as plataformas do ar não elimina a dependência, assim como parar de apostar não apaga os prejuízos acumulados.

Mas é um grande começo.

Quem deixa de apostar interrompe uma sequência de possíveis perdas. Aqueles cinquenta reais que antes desapareciam podem permanecer na conta, ajudar nas despesas ou até virar uma pequena reserva.

É assim que o dinheiro começa a render. Não pela promessa de multiplicação milagrosa, mas porque simplesmente deixou de desaparecer.

O comércio também pode sentir essa mudança. Dinheiro que permanece com as famílias tem mais chance de circular nas compras do dia a dia. Ainda é cedo, porém, para saber quanto disso chegará aos caixas dos supermercados.

E não podemos esquecer que as apostas clandestinas continuam sendo um risco. Combater o problema exige fiscalização, educação financeira e atendimento para quem desenvolveu dependência.

No futebol, uma derrota pode ser esquecida na rodada seguinte. Na vida real, o prejuízo pode durar anos.

A ironia é que, depois de tanta gente tentar fazer o dinheiro render apostando, talvez a melhor maneira de preservar o salário seja justamente parar de jogar.

Porque as bets podem ter saído de campo, mas o boleto continua escalado como titular absoluto.

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Direto ao ponto

Reforma administrativa de Alysson Bestene: oportunidade de modernização e desafio de articulação política

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A reforma administrativa anunciada como possibilidade pelo prefeito Alysson Bestene abre uma discussão que vai além da criação de secretarias e das mudanças no primeiro escalão da Prefeitura de Rio Branco.

É legítimo e natural que o prefeito reorganize sua equipe e estabeleça novas prioridades. Mas há uma dimensão política que não pode ser ignorada: parte dos atuais auxiliares participou da construção do projeto que elegeu Bocalom e Alysson em 2024.

Isso não garante permanência a ninguém. Entretanto, mudanças administrativas também exigem diálogo, reconhecimento e capacidade de articulação política.

A questão é que a reforma pode representar algo maior do que uma reorganização de cargos.

A criação de uma Secretaria da Mulher, já mencionada por Alysson, poderia vir acompanhada de uma estrutura voltada à juventude, inteligência artificial, empreendedorismo, economia criativa e economia solidária.

O impacto estaria na conexão dessas políticas com a realidade econômica e social de Rio Branco.

Para os jovens, significaria ampliar oportunidades de qualificação, acesso à tecnologia e inserção no mercado de trabalho. Para as mulheres, fortalecer a autonomia econômica, o empreendedorismo e as políticas de proteção. Para os pequenos empreendedores e trabalhadores da economia criativa e solidária, abrir caminhos para capacitação, inovação, geração de renda e acesso a mercados.

A inteligência artificial, em particular, já transforma profissões, empresas e serviços públicos. Incorporá-la ao planejamento municipal permitiria preparar a população para essas mudanças e melhorar a eficiência da própria Prefeitura.

Rio Branco já possui uma secretaria com atribuições relacionadas ao desenvolvimento econômico, tecnologia e inovação. Portanto, o desafio não é simplesmente criar novas estruturas, mas avaliar como integrar essas agendas, com competências definidas e responsabilidade fiscal.

Uma reforma com esse alcance demonstraria que Alysson está atento não apenas às demandas imediatas de Rio Branco, mas também às transformações em curso no Acre, no Brasil e no mundo.

Há ainda a possibilidade de aproximação com políticas nacionais de economia solidária, inovação e inclusão produtiva, ampliando oportunidades de cooperação institucional e acesso a programas federais.

Alysson tem a prerrogativa de promover mudanças e a oportunidade de estabelecer prioridades próprias. O desafio é conciliar esse movimento com o reconhecimento da construção política que o levou à Prefeitura.

No fim, a reforma administrativa não deveria ser medida apenas por quem entra ou sai do governo, mas pelas políticas que consegue estruturar, pelas oportunidades que pode gerar e pelos resultados que entrega à população.

Modernizar a Prefeitura e preservar a capacidade de articulação política não são objetivos incompatíveis. Esse é o equilíbrio que a reforma precisa buscar.

Foto: Sérgio vale / Vale Comunicação

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Direto ao ponto

E o povo do Acre é otário? O jogo só acaba quando o árbitro apita

Entre o tacacá, as conversas de esquina e as certezas políticas, o Acre vive uma eleição que alguns parecem considerar encerrada.

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No Acre, a eleição também acontece fora dos palanques. No mercadinho, no açougue, na panificadora, na banca de tacacá ou de quibe, sempre aparece alguém disposto a dar o resultado antes da apuração.

É igual futebol. O time leva vantagem, a torcida começa a cantar vitória, alguém já pede a conta e vai embora antes do apito final. Depois, se o placar muda, a culpa é do juiz.

Na política acreana, o campeonato está parecido.

Alan Rick já é tratado como derrotado em algumas rodas de conversa. Mailza Assis, como vencedora. Há quem comemore, quem lamente e quem já pense em 2027.

Mailza terminou o primeiro turno à frente. É fato. Mas vantagem no placar não é súmula assinada.

E o futebol, convenhamos, está cheio de histórias de equipes que comemoraram antes da hora.

O mais interessante é que essa pressa em conhecer o vencedor não se limita ao governo estadual. Até na disputa presidencial, onde muitos consideram previsível o comportamento do eleitor acreano, Lula pode surpreender expectativas.

E quem conhece a política por estas bandas sabe que certeza demais costuma dar trabalho. Já vi a cidade amanhecer vermelha e anoitecer azul. E vice-versa.

Afinal, pesquisa não vota, palanque não vota e conversa de esquina, por mais animada que seja, também não.

Domingo, cada eleitor terá seu momento diante da urna, longe da arquibancada e dos comentaristas.

Quem quiser cantar vitória, que cante.

Só não esqueça que o árbitro ainda está com o apito na boca.

Porque, se tem uma coisa que aprendi acompanhando a política por estas bandas, é que o povo do Acre pode ser um monte de coisa. Otário é que não é.

Foto: Assessoria/Secom

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