Connect with us

MEIO AMBIENTE

Rian Barros leva voz da Reserva Chico Mendes a debate entre Brasil e União Europeia em Bruxelas

Published

on

Rian Azevedo de Barros, morador da Reserva Extrativista Chico Mendes, filho da liderança histórica Raimundão Mendes Barros e presidente da Juventude do PT de Xapuri, chegou a Bruxelas, na Bélgica, para participar do Conexión Verde, evento realizado entre os dias 16 e 18 de junho de 2026, com representantes da América Latina e da União Europeia. No encontro, ele leva ao debate internacional a experiência de quem vive na floresta e defende que a bioeconomia só faz sentido quando garante renda, permanência no território e dignidade para as famílias extrativistas.

A participação de Rian acontece em uma mesa sobre experiências de estados brasileiros em cadeias sustentáveis, com foco em produtos da borracha, bioeconomia e produção sem desmatamento. A presença dele coloca a Reserva Chico Mendes no centro de uma conversa que envolve cooperação internacional, política ambiental e novos critérios de mercado para produtos ligados à Amazônia. “Não estou aqui a passeio. Eu vim participar de um evento chamado Conexión Verde, que reúne representantes da América Latina e da União Europeia”, disse Rian.

O evento integra a agenda do AL-INVEST Verde, programa financiado pela União Europeia, e reúne autoridades, técnicos, produtores e representantes de territórios que lidam diretamente com os desafios da sustentabilidade. Rian participa como voz da experiência da Reserva Chico Mendes, território criado a partir da luta dos seringueiros e marcado pela defesa da floresta em pé. “Vou contribuir mostrando um pouco da minha experiência, da nossa experiência na Reserva Extrativista Chico Mendes”, afirmou.

A fala de Rian carrega uma cobrança direta: a floresta não pode ser tratada apenas como área de preservação. Ela é também lugar de moradia, trabalho, cultura e produção. Na prática, isso significa discutir borracha, renda, acesso a políticas públicas, valorização dos produtos da sociobiodiversidade e permanência das famílias nos territórios. “Mostrar não só para o Brasil, mas para o mundo, que é possível viver na floresta de forma digna, com qualidade de vida”, disse.

Filho de Raimundão Mendes Barros, liderança histórica ligada à luta dos povos da floresta, Rian associa a própria presença em Bruxelas a uma trajetória coletiva. Para ele, ocupar um espaço internacional de discussão não é resultado isolado de uma carreira pessoal, mas continuidade de uma história aberta por trabalhadores que entraram na mata para cortar seringa e por famílias que decidiram permanecer na floresta. “Isso aqui não é uma conquista somente minha. Eu me sinto muito feliz, mas estar em lugares como esse de debate mundial vem de muitas e muitas lutas atrás”, afirmou.

Essa leitura aproxima a agenda internacional da realidade de Xapuri. O município, conhecido pela trajetória de Chico Mendes e pela organização dos seringueiros, volta a aparecer em um debate global no momento em que a Amazônia é pressionada por exigências ambientais, mudanças nas regras de comércio e disputas sobre o futuro da produção rural. Para Rian, o ponto central é evitar que a discussão fique restrita ao clima e aos mercados. “Não é somente proteção ambiental. É sobre vidas humanas mesmo, as pessoas que vivem lá, que são os guardiões da floresta”, disse.

A defesa feita por Rian também toca em uma contradição recorrente: o mundo cobra proteção da floresta, mas nem sempre garante condições para quem vive nela. Famílias extrativistas precisam de preço justo, assistência técnica, transporte, energia, conectividade, acesso a compras públicas e mercado para produtos que não dependem do desmatamento. Sem isso, a bioeconomia vira promessa distante. Com isso, pode se transformar em alternativa real para jovens que querem permanecer na reserva sem abrir mão de estudo, renda e qualidade de vida.

Ao levar essa posição para Bruxelas, Rian também representa uma geração de jovens amazônicos que não separa política, território e meio ambiente. Como presidente da Juventude do PT de Xapuri, ele fala a partir de um lugar em que a defesa da floresta passa pela organização social e pela disputa por políticas públicas. Sua participação no Conexión Verde reforça que a Amazônia não deve ser discutida apenas por governos, empresas e organismos internacionais. Quem mora na floresta também precisa estar sentado à mesa.

“As pessoas merecem viver com dignidade, porque elas protegem um tesouro mundial”, afirmou Rian. A frase resume a mensagem levada pela Reserva Chico Mendes ao encontro: conservar a floresta não pode significar manter populações em situação de abandono. O território protegido depende das pessoas que o habitam, produzem e defendem. Sem elas, a floresta vira apenas mapa, meta climática ou discurso diplomático.

Rian encerrou a fala com a expectativa de que a participação no evento gere resultados para além da agenda internacional. “Que a gente possa construir bastante essa discussão e trazer coisas boas de volta para o Brasil”, disse. Em Bruxelas, a experiência da Reserva Chico Mendes aparece como resposta concreta a uma pergunta que o mundo ainda tenta resolver: como produzir, gerar renda e manter a floresta em pé. Para Rian, essa resposta já existe nas comunidades extrativistas do Acre, mas precisa ser reconhecida, financiada e tratada com a seriedade que se dá aos grandes projetos econômicos.

Imagem de destaque da matéria sobre Rian Barros e a Resex Chico Mendes
Leia também

Filhos da Floresta: Rian Barros e a nova cara da luta na Resex Chico Mendes

Ler matéria

MEIO AMBIENTE

El Niño tem mais de 90% de chance de atingir intensidade muito forte em 2026

Published

on

O El Niño em curso tem mais de 90% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul. O fenômeno ganhou força nos últimos meses e deve provocar mudanças no regime de chuvas e temperaturas no Brasil, com maior risco de seca nas regiões Norte e Nordeste e de precipitações acima da média no Sul.

A atualização divulgada em setembro mostra um rápido fortalecimento do fenômeno no Oceano Pacífico Equatorial. As anomalias da temperatura da superfície do mar ultrapassaram 3°C em áreas do Pacífico Equatorial Leste durante agosto, enquanto o aquecimento também avançou na região central do oceano.

As projeções apontam 97% de probabilidade de o El Niño permanecer na categoria muito forte entre setembro e novembro. Para o trimestre de outubro a dezembro, a chance chega a 98%. Entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, a probabilidade permanece elevada, em 93%.

Também existe possibilidade de o episódio atingir um patamar histórico. Para o período entre outubro e dezembro, a estimativa é de 69% de chance de o evento superar a intensidade dos demais El Niños registrados desde 1950.

O cenário mudou rapidamente ao longo do ano. A La Niña chegou ao fim em abril, dando lugar a uma fase de transição. Nos meses seguintes, aumentaram as condições favoráveis ao El Niño, que foi confirmado em junho e continuou se intensificando durante julho e agosto.

No Brasil, os efeitos devem variar conforme a região. Norte e Nordeste têm maior probabilidade de enfrentar volumes de chuva abaixo da média. Na Amazônia, a redução das precipitações pode provocar queda nos níveis dos rios, dificultar a navegação e afetar comunidades que dependem das vias fluviais para deslocamento e abastecimento.

O déficit de chuva também pode atingir a pesca, a produção agrícola e a geração de energia, além de aumentar o risco de incêndios florestais. Estados da Amazônia Legal, incluindo o Acre, estão entre as áreas com possibilidade de registrar precipitações abaixo da média e temperaturas elevadas durante a atuação do fenômeno.

No Sul, a tendência é oposta. O El Niño favorece chuvas acima da média, aumentando o risco de tempestades, enchentes e outros eventos extremos. Partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul também podem registrar volumes superiores aos padrões históricos em determinados períodos.

As temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do território brasileiro. A intensidade do El Niño, porém, não determina de forma automática a dimensão dos impactos em cada região, já que outros sistemas atmosféricos e oceânicos também interferem no comportamento do clima.

Continue Reading

MEIO AMBIENTE

Pesquisa da Embrapa usa aromas sintéticos para atrair morcegos e recuperar florestas

Published

on

Pesquisadores da Embrapa Florestas, do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) comprovaram que aromas sintéticos podem atrair morcegos dispersores de sementes e favorecer a recuperação de áreas degradadas. O resultado, divulgado nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, abre caminho para uma técnica de restauração florestal que aproveita o comportamento natural dos animais e pode reduzir a dependência do plantio de mudas.

A pesquisa foi desenvolvida por Gledson Bianconi, do IFPR, Lays Cherobim, da PUC-PR, e Sandra Mikich, da Embrapa Florestas. Os resultados estão reunidos na publicação Tecnologia de restauração florestal baseada na atração de morcegos dispersores de sementes, lançada em 2025.

O trabalho começou em 2003, com estudos sobre óleos essenciais extraídos de frutos consumidos por morcegos frugívoros. Animais dos gêneros Artibeus, Carollia e Sturnira respondem a aromas de figueiras, jaborandis e tomates silvestres. Nos últimos seis anos, os pesquisadores passaram a testar frações desses óleos e substâncias produzidas artificialmente.

A equipe constatou que compostos comerciais podem provocar atração semelhante à dos óleos naturais. “Compostos sintéticos já disponíveis no mercado têm efeito atrativo semelhante quando utilizados em pequenas quantidades”, afirmou Sandra Mikich. A substituição também reduz a necessidade de retirar frutos da natureza para produzir os extratos.

A técnica funciona por meio de dispositivos de borracha de látex impregnados com as substâncias aromáticas. Pendurados em árvores, eles liberam o cheiro gradualmente. Em testes em cativeiro, os dispositivos mantiveram a liberação por 20 a 25 dias. Ao perceber o odor, os morcegos passam a circular pela área em busca de frutos, aumentando a possibilidade de depositar sementes no solo por meio das fezes.

Esse processo pode levar sementes de diferentes espécies vegetais para locais em recuperação, inclusive de plantas que não costumam integrar projetos convencionais de reflorestamento. A proposta é complementar o plantio de mudas e aproveitar a dispersão natural realizada pela fauna, especialmente em regiões tropicais e subtropicais.

A tecnologia ainda precisa de novos estudos antes de ser adotada em larga escala. Os pesquisadores pretendem definir protocolos de aplicação, identificar outros compostos atrativos e acompanhar os efeitos da técnica sobre a regeneração da vegetação a longo prazo. Também estão previstos testes com câmeras infravermelhas para monitorar a atividade noturna dos morcegos.

Continue Reading

MEIO AMBIENTE

Amazonas ganha quatro reservas com quase 669 mil hectares

Published

on

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira, 8 de setembro, decretos que criam quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) no Amazonas, com área total de 668.558 hectares. A medida, anunciada no Palácio do Planalto durante uma cerimônia em alusão ao Dia da Amazônia, busca proteger a biodiversidade e os modos de vida de comunidades agroextrativistas, permitindo o uso sustentável dos recursos naturais pelos moradores.

As novas unidades ficam na região de influência da BR-319, no sul do estado. A maior delas é a RDS Tupana Igapó-Açu II, com 422.100 hectares, nos municípios de Beruri e Tapauá. A Tupana Igapó-Açu I, em Borba, possui 114.076 hectares. A RDS Canaã abrange 109.607 hectares em Careiro e Autazes, enquanto a Mirari, em Humaitá, tem 22.775 hectares e contempla ambientes florestais e aquáticos.

As reservas de desenvolvimento sustentável pertencem a uma categoria de unidade de conservação que concilia a proteção ambiental com a permanência de populações tradicionais. Diferentemente das áreas de proteção integral, elas admitem atividades de uso sustentável, conforme as regras de gestão de cada unidade. A criação das quatro reservas amplia a proteção territorial em uma região marcada pela presença de comunidades que dependem dos recursos da floresta para sua subsistência.

Na mesma cerimônia, Lula assinou um decreto que amplia o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, em 7.192 hectares. Localizado nos municípios de Brasileira e Piracuruca, o parque passa a ter 13.502 hectares. A ampliação busca proteger espécies ameaçadas e áreas de transição entre diferentes formações naturais, além de favorecer o turismo.

O evento também incluiu a assinatura de contratos de concessão florestal das Unidades de Manejo Florestal II e III da Floresta Nacional de Humaitá, no Amazonas. Com prazo de 40 anos, os novos contratos abrangem 162,7 mil hectares. As três unidades da floresta nacional passam a somar 200,9 mil hectares sob manejo sustentável.

Outra medida anunciada foi a destinação de R$ 50,5 milhões do Fundo Amazônia ao projeto Naturezas Quilombolas. Os recursos não reembolsáveis serão usados para apoiar a gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas na Amazônia Legal. A iniciativa prevê planos de gestão em mais de 16 territórios, terá duração de 60 meses e será executada pela Fundação Guamá.

Continue Reading

Tendência