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Economia e Empreender

Sete em cada dez microempreendedores não enfrentam dificuldades com burocracia, aponta pesquisa

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Levantamento do Sebrae e da FGV mostra que 70% dos MEIs consideram simples administrar as obrigações do negócio, mas pagamento de impostos e sistemas digitais ainda provocam dificuldades.

A burocracia deixou de ser um problema para a maioria dos microempreendedores individuais (MEIs) brasileiros. Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (6) pelo Sebrae, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), revelou que 70% dos entrevistados afirmam não enfrentar dificuldades burocráticas na administração de seus negócios.

O levantamento, chamado Sondagem Econômica MEI – Burocracia e Obrigações do MEI, também mostrou que 49% dos empreendedores consideram fácil ou muito fácil compreender e cumprir as exigências tributárias e cadastrais. Outros 31% avaliam essas obrigações como nem fáceis, nem difíceis.

A pesquisa também mediu o tempo gasto com procedimentos administrativos. Mais de 60% dos microempreendedores afirmaram dedicar até duas horas por semana a essas atividades, o que permite concentrar a maior parte da jornada no atendimento aos clientes, nas vendas e na expansão dos negócios.

Apesar da avaliação positiva, parte dos trabalhadores formalizados ainda encontra obstáculos. Entre os 32% que relataram dificuldades, o pagamento do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) e outras obrigações tributárias aparece como o principal problema, citado por 29%.

O uso dos sistemas digitais do governo foi mencionado por 18% desse grupo. Já a compreensão das regras do MEI e a emissão de notas fiscais foram apontadas por 16% dos entrevistados, cada uma.

Na comparação regional, o Sudeste apresentou o maior percentual de avaliações positivas sobre a facilidade de cumprir as obrigações empresariais, com 50%, seguido pelo Sul, com 49%.

Entre os setores econômicos, a indústria apresentou resultados favoráveis. Nesse segmento, 42% dos participantes classificaram como muito fácil o cumprimento das exigências legais. Além disso, 73% afirmaram que suas atividades não foram prejudicadas pela burocracia nos últimos 12 meses.

Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, o modelo do MEI continua sendo uma das principais portas de entrada para quem deseja abrir o próprio negócio. Ele considera que, apesar dos avanços na simplificação das regras, ainda existem desafios relacionados à inclusão digital e ao acesso a crédito com condições adequadas.

Os resultados mostram que a simplificação das obrigações empresariais atende à maior parte dos microempreendedores, mas também apontam a necessidade de melhorar os serviços digitais e facilitar o cumprimento das exigências tributárias para quem ainda enfrenta dificuldades.

Economia e Empreender

Três empresas brasileiras levarão soluções sustentáveis da Amazônia à COP31, na Turquia

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Três pequenos negócios brasileiros que desenvolvem alternativas para reduzir impactos ambientais foram selecionados para apresentar suas soluções na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), em Antalya, na Turquia. Com apoio do Sebrae, os empreendimentos do Maranhão, Pará e Minas Gerais trabalham com bioeconomia, reciclagem e aproveitamento sustentável de recursos naturais.

As empresas Bioassu, Plaspop e Tekohá foram escolhidas por meio do programa Empreender Clima, que oferece capacitação, assistência técnica e preparação para acesso a financiamentos voltados à economia verde. A iniciativa selecionou inicialmente 20 negócios, dos quais três conquistaram a oportunidade de participar presencialmente da conferência internacional.

No Maranhão, a Bioassu desenvolveu um bioaditivo produzido a partir do babaçu, capaz de reduzir o consumo de diesel sem necessidade de alterações nos motores. Em testes realizados em 2025, a empresa registrou economia de 920 litros de combustível, equivalente a uma redução de 12,6% no consumo, conforme os resultados apresentados pelo empreendimento.

Além dos benefícios ambientais, a atividade movimenta a economia de comunidades extrativistas. Desde 2021, aproximadamente 55 fornecedores participaram da comercialização do babaçu, com R$ 57,6 mil destinados à compra dos frutos. A empresa pretende captar cerca de R$ 981 mil para ampliar sua produção mensal de uma para quatro toneladas.

Em Minas Gerais, a Plaspop criou o projeto Estação Circular, que recebe materiais recicláveis e oferece benefícios aos consumidores que participam da coleta. Os resíduos são encaminhados para reaproveitamento industrial, enquanto organizações de catadores recebem oportunidades de trabalho e geração de renda.

Na primeira unidade do projeto, instalada em Betim, foram recolhidas 72,4 toneladas de materiais recicláveis entre setembro de 2024 e setembro de 2025. A operação beneficiou 1.631 usuários e movimentou R$ 161 mil em receita para catadores, além de evitar, segundo estimativas da empresa, a emissão de 117,2 toneladas de dióxido de carbono.

A biodiversidade amazônica estará representada pela Tekohá, de Belém, no Pará. Criada pela empreendedora Danielle Amaral, a marca produz cosméticos com ingredientes naturais da região e utiliza embalagens biodegradáveis ou recicláveis.

O negócio também mantém atividades com comunidades locais e iniciativas de agricultura regenerativa. Entre os resultados apresentados estão aproximadamente 35 hectares sob manejo regenerativo, capacitação de mais de 60 mulheres e participação de 48 famílias em quatro comunidades.

A empresa busca investimentos de R$ 250 mil para ampliar sua estrutura, fortalecer a comercialização e alcançar mercados internacionais.

O presidente do Sebrae, Décio Lima, afirma que a iniciativa busca preparar pequenos empreendedores para participar da transição econômica associada à sustentabilidade, combinando geração de renda, preservação ambiental e oportunidades comerciais.

O programa Empreender Clima foi estruturado em parceria com o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte e a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI). A plataforma foi lançada durante a COP30, em Belém, e disponibiliza cursos gratuitos, orientação empresarial e ferramentas de preparação para financiamento climático.

A participação das três empresas na COP31 abre oportunidades de contato com investidores e instituições internacionais, além de colocar experiências brasileiras de bioeconomia e economia circular nas discussões sobre desenvolvimento sustentável e enfrentamento das mudanças climáticas.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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Alerta do governo Lula leva à operação contra bets ilegais que movimentaram R$ 1 bilhão

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Uma ação de fiscalização do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu origem à investigação que revelou um esquema bilionário de apostas ilegais no Brasil. A Operação Azzardo, deflagrada nesta quinta-feira (5), pela Polícia Civil do Distrito Federal, atingiu empresas suspeitas de movimentar cerca de R$ 1 bilhão e resultou em uma ordem judicial de bloqueio de bens e contas de até R$ 3,4 bilhões.

A investigação começou há aproximadamente cinco meses, depois que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda identificou plataformas de apostas que operavam sem autorização federal. As informações foram encaminhadas à Polícia Civil do Distrito Federal, responsável pela apuração criminal.

Durante a fiscalização, técnicos do Ministério da Fazenda realizaram simulações de pagamentos nas plataformas investigadas e descobriram que transferências por Pix eram direcionadas a contas de empresas sem relação com o setor de apostas. Entre os estabelecimentos identificados estavam uma suposta clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas com endereço no Distrito Federal.

As investigações descobriram uma rede de empresas de fachada utilizadas para receber dinheiro de apostadores, distribuir valores entre diferentes contas e realizar operações com criptomoedas. A movimentação financeira identificada nessas empresas chegou a aproximadamente R$ 739 milhões.

O esquema também envolvia uma instituição financeira de São Paulo, localizada na região da Avenida Faria Lima. As movimentações relacionadas à fintech e a empresas do mesmo grupo chegaram a cerca de R$ 1 bilhão.

A operação mobilizou aproximadamente 200 policiais civis no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. A Justiça autorizou o bloqueio de ativos de 64 pessoas físicas e 120 empresas, até o limite de R$ 3,483 bilhões. O valor representa o teto da medida judicial, não o montante efetivamente recuperado.

A investigação ocorre em meio ao endurecimento da política federal contra as apostas eletrônicas. Em setembro, Lula assinou a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o país.

Na terça-feira (3), durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, afirmou que o governo identificou uma relação entre empresas de apostas e organizações criminosas, especialmente em operações de lavagem de dinheiro.

A Operação Azzardo é mais um desdobramento do combate às apostas clandestinas. Embora a ação policial seja conduzida pelas autoridades do Distrito Federal, a identificação inicial das irregularidades pelo Ministério da Fazenda foi decisiva para a abertura da investigação.

Os envolvidos poderão responder por exploração de loteria não autorizada, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa.

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Reforma tributária muda cálculo de preços e exige planejamento das pequenas empresas

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A implantação do novo sistema tributário brasileiro deve modificar a maneira como micro e pequenas empresas calculam seus custos, estabelecem preços e administram suas margens de lucro. Com a substituição gradual de tributos sobre o consumo, os empreendedores terão novas possibilidades de aproveitamento de créditos fiscais, mas precisarão avaliar qual regime de tributação oferece melhores condições para seus negócios.

A principal mudança será a adoção do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual, formado pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios. O modelo busca simplificar a cobrança de impostos e reduzir a sobreposição de tributos ao longo das etapas de produção e comercialização.

Para empresas do comércio e da indústria, uma das vantagens previstas é a possibilidade de descontar créditos tributários das compras de mercadorias, matérias-primas e outros insumos, conforme o regime adotado. Dessa forma, o imposto recolhido em operações anteriores poderá ser compensado na apuração dos tributos devidos nas vendas.

O analista de Competitividade e especialista em Direito Tributário do Sebrae Nacional, Edgard Fernandes, explica que o novo sistema permitirá calcular com maior precisão o peso dos impostos sobre cada operação. A mudança poderá facilitar a definição dos preços de venda e diminuir distorções provocadas por mecanismos de tributação antecipada.

No setor de serviços, os efeitos serão diferentes. Empresas que concentram suas despesas na contratação de trabalhadores terão menos oportunidades de gerar créditos tributários, já que os gastos com salários não permitem esse abatimento. Para algumas atividades, entretanto, a legislação estabelece reduções nas alíquotas.

Profissionais de 18 categorias regulamentadas poderão contar com redução de 30% nas alíquotas aplicáveis, enquanto determinados serviços de saúde e educação terão desconto de 60%. Na prática, uma alíquota hipotética de 20% cairia para 8% nos segmentos contemplados pela redução maior.

As empresas enquadradas no Simples Nacional também precisarão avaliar suas opções. O modelo tradicional continuará permitindo o pagamento unificado de tributos pelo Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). Já o regime híbrido permitirá a apuração separada da CBS e do IBS, com regras próprias para aproveitamento e transferência de créditos.

A escolha poderá interferir diretamente na competitividade das empresas, especialmente daquelas que vendem produtos ou prestam serviços para outras pessoas jurídicas. Por isso, o Sebrae recomenda comparar os custos tributários dos dois modelos antes de decidir pela modalidade de recolhimento.

Outra orientação é revisar as planilhas de formação de preços, identificar o peso das despesas com pessoal e insumos e atualizar os sistemas de emissão de notas fiscais. A preparação deve ocorrer durante o período de transição, evitando dificuldades na adaptação às novas exigências.

O cronograma divulgado pelo Sebrae estabelece que o prazo inicial de escolha entre o Simples tradicional e o híbrido terminou em 30 de outubro de 2026. As empresas que fizeram a opção poderão cancelá-la entre 3 de novembro e 20 de dezembro. Uma nova janela para revisão será aberta em março de 2027, com efeitos previstos para julho do mesmo ano.

A transição começará a produzir efeitos em 2027, com a entrada em vigor da CBS e do Imposto Seletivo (IS). As demais mudanças serão implementadas gradualmente nos anos seguintes.

Para auxiliar os empreendedores, o Sebrae disponibiliza simuladores tributários, cursos, materiais explicativos e atendimento especializado. A instituição também oferece orientações pela Central 0800 570 0800.

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