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Cultura

AS DUAS CARAS DE HELOY DE CASTRO É UMA SÓ, MÚSICA.

Foi Demais pra Mim é o novo CD duplo de Helóy de Castro que será lançado no dia 17

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Foto: Divulgação

João Veras
I – Foi Demais pra Mim é o novo CD duplo de Helóy de Castro que será lançado no dia 17 próximo no Studio Beer, em Rio Branco. Não preciso dizer que será uma festa. Digo que será mais que isso. Será uma celebração à vida num turvado tempo de morte e silêncios perplexos. E um antídoto para este tempo, só a música!

Durante a pandemia, Helóy tinha certeza que ia morrer. Que o seu mundo finalmente chegaria ao fim. Que não tinha jeito. E foi logo dando o nome ao que seria a sua última obra: Foi demais pra mim. Mais que um nome de música, um epitáfio. O resumo da obra, da vida. Um balanço final. Com isso, ele só queria ficar mais tempo aqui depois da partida. Nada como uma obra de arte largada ao mundo com seus próprios pés. Nem precisava. Já tem um inventário musical suficiente. O fato é que uma música virou 33 faixas de um CD duplo e a “carta de adeus” se transformou numa série, com episódios, temporadas.

É que Helóy errou no cálculo. Não foi dessa vez. Sobreviveu a tudo e conseguiu entregar a encomenda que fez para si – e que fica para todos: belas composições que revelam o enredo de uma vida de 70 anos, dos quais sua grande maioria dedicada à música, um acumulado arquivo de crônicas pessoais, sociais, artísticas, dezenas de convidados, parceiros músicos e não músicos. Na verdade, o Acre quase todo, a cidade de Rio Branco em peso e uma boa parte de São Paulo e, claro, de Minas Gerais, sua Rio Novo….

O álbum duplo até parece uma reunião, do tipo daqueles momentos raros (como um velório, sim, mas aqui um “desvelório”) da vida em que todo mundo se encontra para celebrar a memória, os feitos, a obra de quem se foi. Total engano, graças à vida, graças à música! Foi demais pra mim é a volta daquele que não foi. O que nunca é demais.

“O álbum duplo até parece uma reunião, do tipo daqueles momentos raros… “

II – Cabe, de forma brevíssima, uma palavrinha sobre a obra, para não deixar de falar sobre essa coisa de música acreana. Pensando sobre a estética deste álbum, não o vejo restrito aos dogmas culturais do tipo estereótipos exóticos que teimam em aplicar, para reduzir, o que se entende e nomeia como coisas ditas locais, nem daqui nem de onde Helóy veio. Não é por isso que não seja possível identificá-lo como algo específico, o que não pode significar, de outro modo e lado, reduzí-lo pela alcunha, igualmente redutora, de universal.

A singularidade do estilo deste CD se encontra justamente na ausência de uma estampa única e sim no que resulta do acumulo de diversidades de temas, de estilos, de ritmos… em uma obra que não consegue se desligar de seu autor, de sua digital, porque este não logra se desplugar do que ver, do que ouve, do que sente, do que vive, de ser o que é, na medida em que vai sendo nas dinâmicas da criação e da sua relação com as cenas da vida, seus territórios físicos e imaginários. Vem daí a latência e a expressão da sua exclusividade substanciada no amalgamento do próprio com o que não é próprio, o pressuposto para uma obra de estilo num contexto plural de tantas outras, enfim.

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Acre

Novo PAC leva MovCEU a Tarauacá e amplia rede de cultura itinerante com 65 novas unidades no país

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Tarauacá foi incluída na nova etapa de expansão do MovCEU, programa de equipamentos culturais itinerantes que passa a integrar a carteira do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A ampliação foi oficializada com publicação no Diário Oficial da União na quarta-feira, 6 de maio de 2026, por meio da Resolução CGPAC nº 13, de 29 de abril de 2026, que prevê a implementação de 65 novas unidades em municípios de todas as regiões do Brasil.

A entrada do MovCEU no eixo de infraestrutura social e inclusiva do Novo PAC permite a aquisição das unidades por transferência obrigatória de recursos, mecanismo que viabiliza o repasse federal para levar a estrutura móvel a cidades com pouca oferta de equipamentos culturais permanentes. A medida busca ampliar o acesso a atividades culturais, ações de formação, iniciativas de cidadania e inclusão digital em territórios fora dos grandes centros.

Além de Tarauacá, a lista inclui municípios como Benjamin Constant (AM), Oiapoque (AP), Penedo (AL), Itacaré (BA), Brejo Santo (CE), Recife (PE), João Câmara (RN), Contagem (MG), Juiz de Fora (MG), Petrópolis (RJ), Limeira (SP), São Roque (SP), Corumbá (MS), Santa Maria (RS), Itajaí (SC) e Gurupi (TO), entre outros selecionados para receber as novas unidades.

A subsecretária de Espaços e Equipamentos Culturais do Ministério da Cultura, Cecília Sá, afirmou que a expansão do programa aumenta a capilaridade da política cultural e aproxima ações do governo federal de comunidades em diferentes realidades. “Os MovCEUs têm a capacidade de conectar comunidades, valorizar identidades locais e levar cultura a territórios diversos do Brasil. Com a expansão das 65 unidades pelo PAC, damos um salto importante na construção de uma política cultural mais capilarizada, inclusiva e alinhada às realidades das cidades brasileiras”, disse.

O Ministério da Cultura informou que publicará nos próximos dias as orientações para que os municípios selecionados formalizem a parceria. O MovCEU integra o programa Territórios da Cultura, rede de equipamentos do ministério que também inclui os CEUs das Artes e os CEUs da Cultura, voltada a atividades culturais e ao fortalecimento comunitário.

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Cultura

Alto Santo formaliza pedido ao Iphan para reconhecimento como Patrimônio Cultural Material do Brasil

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Nesta sexta-feira (8), às 14h, no Alto Santo, em Rio Branco, um ato público vai formalizar a entrega do pedido de abertura do processo de tombamento e de reconhecimento do Sítio Histórico do Alto Santo como Patrimônio Cultural Material do Brasil. A solicitação será apresentada por Peregrina Gomes Serra, dignitária do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal — Alto Santo, e inclui a distribuição de cópias do requerimento e do memorial descritivo do sítio.

Participam do ato a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Acre (Iphan), Antônia Damasceno Barbosa; o procurador da República Luidgi Merlo Paiva dos Santos; o promotor de Justiça Alekine Lopes dos Santos; e o presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Matheus Gomes. A programação prevê entrevistas com as autoridades e com pessoas ligadas ao Alto Santo.

O pedido busca acionar o instrumento federal de proteção conhecido como tombamento, previsto no Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, base normativa do sistema de preservação do patrimônio histórico e artístico nacional. No Iphan, o patrimônio material é registrado em livros de tombo conforme a natureza do bem, e o processo costuma envolver análise técnica e decisão em instâncias consultivas do órgão. O reconhecimento pretendido mira a preservação do conjunto de espaços e referências históricas associadas ao Alto Santo, território ligado à formação da tradição do Daime em Rio Branco e à trajetória de Raimundo Irineu Serra, o Mestre Irineu.

A iniciativa também conecta a medidas recentes de regularização da área: em dezembro de 2024, o governo do Acre anunciou a entrega de títulos definitivos ao Centro de Iluminação Cristã Luz Universal — Alto Santo, em cerimônia que tratou da segurança jurídica do espaço vinculado ao túmulo de Mestre Irineu.

O tombamento, caso avance, não altera a propriedade do local, mas estabelece regras para preservação e para intervenções, como obras, reformas e alterações, que passam a seguir parâmetros técnicos e autorizações conforme o enquadramento do bem. A Constituição de 1988 ampliou a noção de patrimônio cultural brasileiro e consolidou o entendimento de que a preservação envolve tanto bens materiais quanto referências de valor histórico, cultural e identitário, com diferentes instrumentos de proteção.

Foto: Altino Machado

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Cultura

Fetac em Cena 2026 abre inscrições para oficinas de improvisação e poética feminina na capital; confira

Com espetáculos gratuitos em escolas e teatros, festival abre vagas para atividades de formação sobre improvisação e poética feminina no Teatro Barracão Matias.

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O cenário cultural acreano ganha novas cores e movimentos a partir desta terça-feira, 5. Entre os dias 05 e 10 de maio, a capital recebe o Festival Fetac em Cena 2026 – Mostra Rio Branco. Promovido pela Federação de Teatro do Acre (Fetac), o evento celebra quase duas décadas de história como um dos principais pilares de fomento e visibilidade para as artes cênicas no estado.

A programação deste ano reflete a diversidade da produção local, levando espetáculos gratuitos para escolas públicas e para o Teatro de Arena do Sesc. O público poderá conferir desde dramas e musicais até o encanto do teatro de bonecos e da palhaçaria, com classificações indicativas que variam de “Livre” a “16 anos”.

Oportunidade de formação: oficinas gratuitas

Além das apresentações, o festival reafirma seu compromisso com a formação artística ao oferecer oficinas gratuitas no Teatro Barracão Matias, em Rio Branco. Com vagas limitadas, as atividades são uma porta de entrada para quem deseja explorar o corpo e a mente através do teatro.

Confira as opções com inscrições abertas:

  • A Saia como Território: O Feminino em Gira e a Poética da Cena
  • Data: 08 de maio, das 08h às 12h.
  • Proposta: Sob mediação de Dani Mirini (Grupo Vivartes), a oficina utiliza referências amazônicas e das encantarias para trabalhar o corpo feminino, explorando a saia como extensão simbólica e política.
  • Vagas: 20.
  • Inscrição: Clique aqui.

Improvisação Teatral

  • Data: 09 de maio, das 08h às 12h.
  • Proposta: Ministrada por Elias Silva (Coletivo Teatro Candeeiro), a oficina introduz os conceitos de jogos teatrais de Viola Spolin, focando em desinibição, escuta e criatividade coletiva.
  • Vagas: 20.
  • Inscrição: Clique aqui.
  • Estrutura e realização
  • Para garantir a execução do festival, uma equipe diversificada atua nos bastidores. A coordenação geral é de Brenn Souza, com Claudia Toledo na programação e Lenine Alencar na produção.
  • O corpo de produção conta ainda com a assistência de Bia Berkman e Sacha Alencar, além do suporte de Caê Bernardo e Maysa da Costa. A estratégia de comunicação e redes sociais é conduzida por Nathânia Oliveira e Sarah Jainy, enquanto a identidade visual e os registros ficam a cargo de Neilson Abdallah. A assessoria de imprensa é realizada por Maria Meirelles, com suporte técnico de Luiz Carlos Souza (luz) e Spartacos Barbosa (cenotécnica).
  • O Festival Fetac em Cena 2026 conta com financiamento do Fundo Municipal de Cultura, por meio da Prefeitura de Rio Branco/Fundação Garibaldi Brasil (FGB), e apoio da Fundação Elias Mansour (FEM) e Sesc Acre. O festival é uma coprodução da Companhia Visse e Versa de Ação Cênica.
  • A programação completa e as atualizações diárias podem ser acompanhadas pelo perfil oficial no Instagram: @fetac_ac.

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