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Cultura

Angela Davis critica gentrificação em Paraty e cita intelectuais brasileiras na Flip 2026

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A filósofa, escritora e ativista norte-americana Angela Davis criticou a gentrificação e o racismo ambiental em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, durante uma participação na programação paralela da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. O encontro gratuito ocorreu no sábado, 25 de julho, no Sesc Caborê, em uma conversa mediada pela jornalista Flávia Oliveira.

A atividade coincidiu com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e com o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Diante do público, Angela relacionou a história de Paraty ao período da escravização e afirmou que a luta pela liberdade da população negra também passa pela música, pela arte e pela literatura.

A ativista disse ter ouvido moradores e jovens preocupados com as mudanças econômicas e ambientais na região. Ela criticou iniciativas que valorizam determinadas áreas, elevam o custo de vida e afastam famílias pobres dos territórios onde vivem há gerações.

“Queria falar sobre a gentrificação que está acontecendo em comunidades pobres aqui em Paraty. E também sobre o racismo ambiental”, afirmou. Angela declarou que a busca por lucro tem provocado a retirada de moradores de terras ligadas à história de seus antepassados.

Durante a conversa, a filósofa defendeu que a literatura não seja tratada apenas como expressão artística, mas também como instrumento de mobilização social. Para ela, livros, músicas e outras manifestações culturais alcançam dimensões que nem sempre aparecem no debate político tradicional.

Angela Davis também homenageou a escritora mineira Conceição Evaristo, que acompanhava o encontro na plateia. Ela comparou a importância da autora brasileira à da cantora Nina Simone e da escritora Toni Morrison, primeira mulher negra a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1993.

Ao falar sobre a “escrevivência”, conceito desenvolvido por Conceição Evaristo a partir das experiências e narrativas de mulheres negras, Angela lembrou que o reconhecimento do direito de pessoas negras contarem as próprias histórias ocorreu após um longo processo de luta.

A pesquisadora brasileira Beatriz Nascimento também foi citada. Angela relacionou a expressão “eu sou atlântica”, usada pela intelectual, à construção de vínculos entre populações negras de diferentes países e continentes. Ela contou que sua própria formação política ganhou força quando conheceu a luta dos argelinos contra a repressão na França.

Outro nome lembrado foi o da antropóloga e ativista Lélia Gonzalez. Angela elogiou o conceito de amefricanidade, que conecta as experiências de populações negras e indígenas nas Américas. Para ela, a luta contra o racismo não pode ser separada da crítica ao capitalismo e à exploração dos recursos naturais.

A ativista afirmou que a concentração de riqueza nas mãos de bilionários e trilionários amplia a desigualdade e ameaça o futuro do planeta. Segundo Angela, o modelo econômico transforma terras, recursos ambientais e pessoas em fontes de lucro, sem considerar as consequências sociais.

A ascensão de governos autoritários na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina também entrou na conversa. Angela declarou que movimentos populares precisam impedir o avanço de candidatos ligados ao fascismo e mencionou as eleições brasileiras de 2026.

A redução da jornada de trabalho foi apresentada como uma medida capaz de garantir aos trabalhadores mais tempo para o descanso, o lazer e o acesso à cultura. Angela também lembrou as mudanças ocorridas nas universidades brasileiras desde suas primeiras visitas ao país, quando havia poucos estudantes negros no ensino superior.

Ela reconheceu o impacto das políticas que ampliaram o acesso da população negra às universidades, mas afirmou que as conquistas não encerram a luta contra as desigualdades raciais.

Ao recordar o período em que esteve presa nos Estados Unidos, Angela atribuiu sua libertação à mobilização internacional. Perseguida por sua atuação política, ela foi acusada de conspiração, sequestro e homicídio e chegou a enfrentar a possibilidade de pena de morte, antes de ser absolvida.

Angela disse que a experiência na prisão e a convivência com outras mulheres encarceradas mudaram sua trajetória acadêmica e política. Para ela, a mobilização de pessoas em diferentes países mostrou que a ação coletiva pode impedir violações praticadas por autoridades.

A filósofa também falou sobre sua defesa da Palestina, iniciada na década de 1960. Ela afirmou que mudanças na opinião pública mundial, antes consideradas improváveis, mostram que situações políticas aparentemente permanentes podem ser transformadas.

A violência contra as mulheres foi outro tema abordado. Angela defendeu que o debate inclua, além das agressões domésticas, a violência policial, o encarceramento e outras ações praticadas pelo Estado. Ela afirmou que mulheres negras e mulheres trans negras estão entre os grupos mais atingidos.

Angela ainda homenageou a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, e agradeceu sua contribuição para a luta por direitos. Ela também mencionou o trabalho de Anielle Franco na continuidade do legado da irmã.

O encontro estava previsto para contar com a presença do escritor nigeriano Wole Soyinka, primeiro africano a receber o Nobel de Literatura, mas ele não participou por questões de saúde. A Flip 2026 terminou neste domingo, 26 de julho.

Fonte e foto: Agência Brasil

Cultura

Mamulengo Circuladô leva teatro de bonecos gratuito a Rio Branco

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Quando os pequenos bonecos surgirem sobre a tolda montada na Usina de Arte João Donato, o público de Rio Branco vai entrar em uma história conduzida pelas mãos de um artista que atravessa mais de quatro décadas preservando uma das tradições populares do país. O projeto Mamulengo Circuladô apresenta gratuitamente o espetáculo “O Romance do Vaqueiro Benedito” nos dias 8 e 9 de agosto, sábado e domingo, às 17h. A primeira sessão terá interpretação em Libras e a segunda contará com audiodescrição, abrindo a brincadeira para pessoas de todas as idades e diferentes formas de percepção.

A capital acreana é a segunda cidade da região Norte a receber a turnê amazônica, iniciada em Porto Velho, Rondônia, nos dias 24 e 25 de julho. Em Rio Branco, o mestre bonequeiro Chico Simões divide a cena com as musicistas Anna Göbel e Layza Almeida. Enquanto ele empresta voz e movimento aos personagens, a música executada ao vivo acompanha o improviso, responde às reações da plateia e ajuda a conduzir uma narrativa que nunca acontece duas vezes da mesma maneira.

No centro do enredo está Benedito, um vaqueiro que foge da fazenda do Capitão João Redondo ao lado de Margarida, sua companheira grávida, e do Boi Estrela. Ao chegarem à cidade, os três procuram abrigo entre os moradores. A fuga ganha novos caminhos quando a Cobra Grande e outros animais aparecem para proteger o casal. Entre perseguições, conflitos e celebrações, a criança nasce diante do público, que deixa de ocupar apenas as cadeiras e passa a interferir diretamente no ritmo da história.

Essa participação é parte da essência do mamulengo. O boneco não se limita a repetir um roteiro fechado. Ele conversa, provoca, canta, responde e transforma cada reação da plateia em matéria para a cena. A tolda, pequena estrutura atrás da qual o brincante movimenta os personagens, vira uma espécie de mundo em miniatura. É dali que surgem figuras populares capazes de tratar, com humor e confronto, de assuntos como autoridade, desigualdade, sobrevivência, solidariedade e resistência.

O formato adotado pelo Mamulengo Circuladô mistura apresentação artística e aula-espetáculo. Depois de cada sessão, Chico Simões vai conversar com o público sobre a fabricação dos bonecos, a criação dos personagens e a transmissão dos conhecimentos entre mestres e aprendizes. A proposta leva para o centro da conversa um saber que sobreviveu principalmente pela oralidade, pelo convívio e pela observação direta do trabalho de artistas populares.

Nascido na região Nordeste, o teatro popular de bonecos ganhou formas próprias ao viajar pelo Brasil. Dependendo do território, passou a ser chamado de Babau, João Redondo, Calunga ou Cassimiro Coco. As diferenças de nome convivem com uma base comum: bonecos manipulados por brincantes, música, improvisação e participação do público. O mamulengo recebeu o reconhecimento de patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.

No Distrito Federal, onde o grupo Mamulengo Presepada foi criado, a tradição acompanha a história de Brasília desde os primeiros anos da construção da capital. Filhos de trabalhadores vindos de diferentes partes do país levaram consigo festas, músicas, personagens e formas de contar histórias. Chico Simões nasceu nesse encontro. Filho de paraibanos que migraram para Brasília, ele começou sua trajetória com os bonecos na década de 1980, durante viagens pelo Nordeste ao lado de Carlinhos Babau, da Carroça de Mamulengos.

Nesse percurso, conviveu com mestres como Chico de Daniel, Joaquim do Babau, Solón, Zé Lopes e Zé de Vina. A aprendizagem nasceu menos de salas formais e mais do cotidiano compartilhado com artistas que dominavam a construção, a voz, o movimento e o tempo da brincadeira. Em Taguatinga, Chico fundou o Mamulengo Presepada e o Ponto de Cultura Invenção Brasileira. Desde então, levou o teatro de bonecos a diferentes regiões brasileiras e a outros países.

A passagem por Rio Branco coloca o Acre dentro de uma circulação formada por oito apresentações em quatro estados amazônicos. Depois das sessões na Usina de Arte João Donato, a equipe segue para Cantá, em Roraima, onde se apresenta nos dias 20 e 21 de agosto. A etapa termina em Macapá, no Amapá, nos dias 27 e 28.

Criado em 2024, o Mamulengo Circuladô já percorreu oito municípios das regiões Sul e Sudeste. A entrada na Amazônia amplia o alcance do projeto e cria encontros entre uma manifestação de origem nordestina e públicos que vivem realidades culturais próprias. Esse deslocamento não transforma a tradição em peça de museu. Ao contrário, permite que ela continue viva, sujeita ao improviso, às perguntas das crianças, às respostas dos adultos e às particularidades de cada cidade.

A sessão de sábado, dia 8, terá interpretação em Libras. No domingo, dia 9, o espetáculo contará com audiodescrição. As duas apresentações começam às 17h, têm classificação livre e entrada gratuita. O projeto recebe apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, o FAC-DF, e mantém informações pelas redes sociais @btmsolucoes e @mamulengo.presepada.

Foto: Davi Mello / Com informações da assessoria

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Cultura

Jabuti Acadêmico 2026 divulga 135 finalistas

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A Câmara Brasileira do Livro divulgou, em 27 de julho, os 135 finalistas do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico. Os vencedores das 27 categorias serão conhecidos em 11 de agosto, durante cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, na região central de São Paulo. A premiação reconhece livros acadêmicos, científicos, técnicos, profissionais e didáticos publicados no Brasil.

A edição de 2026 recebeu 2.085 inscrições. Cada categoria reúne cinco obras finalistas, escolhidas por júris formados por especialistas. Os livros concorrentes foram publicados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025 e passaram por uma etapa anterior que selecionou dez semifinalistas em cada área.

O eixo Ciência e Cultura concentra 24 categorias, que abrangem campos como administração, antropologia, arquitetura, artes, astronomia, ciência da computação, direito, economia, educação, engenharias, filosofia, história, medicina, psicologia e letras. O prêmio também possui três categorias especiais: Divulgação Científica, Ilustração e Infografia e Tradução.

Entre os concorrentes estão “Crentes: Pequeno Manual sobre um Grande Fenômeno”, de Guilherme Damasceno, Juliano Spyer e Raphael Khalil, na categoria Ciências da Religião e Teologia, e “A Loteria do Nascimento: Filha do Porteiro Termina Universidade, mas Não Alcança Filho do Rico”, de Fillipi Nascimento e Michael França, na área de Economia.

A categoria Economia também reúne “Bolsas de Estudo e Evasão: Avaliação de Impacto Ex-ante”, de Laura Almeida Ramos de Abreu, Laura Müller Machado, Ricardo Paes de Barros e Samuel Franco. Em Psicologia e Psicanálise, Vera Iaconelli concorre com “Análise”.

Nos prêmios especiais, Marcelo Leite disputa Divulgação Científica com “A Ciência Encantada de Jurema: Como uma Raiz da Caatinga Uniu Indígenas e Africanos na Resistência Anticolonial e Hoje Inspira Pesquisas Psicodélicas”. A seleção também reúne trabalhos sobre cotas no ensino superior, inteligência artificial, mudanças climáticas, saúde digital, povos indígenas, Amazônia, democracia e desigualdade social.

O autor ou os autores da obra vencedora em cada categoria receberão a estatueta do Jabuti Acadêmico e R$ 5 mil. As editoras responsáveis pelos livros premiados também ganharão um troféu. A cerimônia poderá ser acompanhada pela transmissão da Câmara Brasileira do Livro no YouTube.

A terceira edição também homenageará o físico, professor e pesquisador José Goldemberg como Personalidade Acadêmica de 2026. Criado em 2024, o Jabuti Acadêmico é realizado com apoio da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Fonte e foto: Agência Brasil

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Acre

FEM seleciona 68 atrações locais para palcos alternativos da Expoacre 2026

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O governo do Acre abriu nesta quarta-feira (29), por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), as inscrições para músicos, bandas, DJs e grupos de dança interessados em participar da programação da Expoacre 2026, em Rio Branco. A seleção prevê 68 apresentações nos palcos Culturarte e Sertanejo durante a feira, que será realizada de 1º a 9 de agosto, no Parque de Exposições Wildy Viana.

As inscrições terminam às 16h desta quinta-feira (30). Os artistas devem preencher a ficha correspondente ao palco escolhido e enviar a documentação para o e-mail expoacrealternativo2026@gmail.com. Também é possível fazer a entrega presencialmente na sede da FEM, localizada no Museu dos Povos Acreanos, na Avenida Epaminondas Jácome, no Centro da capital.

No palco Culturarte, a seleção reúne apresentações de DJs, artistas de voz e instrumento, grupos, bandas acústicas e companhias de dança. A programação abrange estilos como MPB, samba, axé, rock, pop, jazz, fitdance, street dance, hip-hop e forró.

O palco Sertanejo receberá DJs, apresentações de voz e instrumento, grupos e bandas ligados ao country, sertanejo, forró e suas vertentes. Os formulários de inscrição são diferentes para cada espaço e devem ser preenchidos conforme a categoria pretendida.

Entre os dados exigidos estão nome completo, nome artístico, telefone com WhatsApp, CPF ou CNPJ e descrição da experiência profissional. Os candidatos também precisam anexar portfólio com fotos, músicas, vídeos ou outros materiais que comprovem a atuação artística.

A FEM informou que não fornecerá alimentação nem estacionamento aos artistas e às equipes. Os dias, horários e valores das apresentações serão definidos em reunião com a comissão organizadora da Expoacre, prevista para sexta-feira (31).

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