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Cultura

Cinemateca Negra cataloga 1.104 filmes dirigidos por pessoas negras e amplia base de dados do cinema brasileiro

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Um novo levantamento reuniu 1.104 filmes dirigidos por pessoas negras no Brasil, em um recorte que vai de 1949 a 2022 e abrange curtas, médias e longas-metragens. O trabalho está reunido no livro Cinemateca Negra, organizado pelo Instituto NICHO 54, e consolida uma base de dados voltada a pesquisa, preservação de memória, curadoria e formulação de políticas culturais para o audiovisual.

A pesquisa contabilizou produções de diferentes épocas, mas aponta um salto concentrado nos anos mais recentes: 83% das obras mapeadas foram realizadas a partir de 2010. O número reflete o crescimento da presença de realizadores negros no cinema nas últimas décadas, embora o próprio recorte também exponha desigualdades persistentes no acesso a orçamento, distribuição e estrutura, especialmente na produção de longas.

O levantamento foi conduzido por oito pesquisadores ao longo de mais de um ano, entre 2023 e 2024. A metodologia incluiu a consulta a catálogos de festivais e mostras, arquivos digitais, publicações acadêmicas e contatos diretos com realizadores e descendentes, em um esforço de rastrear obras que muitas vezes não circulam em circuitos comerciais ou não estão organizadas em bases públicas integradas.

A diretora executiva do NICHO 54, Fernanda Lomba, relaciona a iniciativa ao desafio de permanência e acesso no setor audiovisual. “Comecei como produtora executiva, ocupando espaços de decisão, de poder e de negociação. E lidar com o racismo nesses ambientes foi muito evidente. Em 2019, após uma experiência em festivais internacionais como Cannes, entendi a importância de estruturar no Brasil uma rede de suporte para profissionais negros, com foco em comunidade e articulação”, afirmou. Para ela, consolidar dados também muda o terreno das oportunidades, ao permitir que curadores, instituições e gestores públicos enxerguem com mais precisão a dimensão dessa produção e possam direcionar ações de fomento e circulação.

A origem do projeto remonta a 2018, quando o coordenador Heitor Augusto iniciou um mapeamento de curtas voltado a curadorias em festivais. A partir de 2019, a iniciativa ganhou escala nacional com a ampliação do escopo e a sistematização das informações. O livro tem prefácio da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e traz recortes sobre direção, codireção interracial, gênero e listas de profissionais identificados durante a pesquisa. “Pela primeira vez, temos reunido em um só lugar um panorama consistente dos filmes dirigidos por pessoas negras no Brasil. Isso transforma o campo da curadoria, amplia o repertório e abre caminho para novas pesquisas, mostras temáticas e diálogos entre gerações do cinema brasileiro”, disse Lomba.

Ao organizar um panorama amplo e verificável, a Cinemateca Negra passa a funcionar como ferramenta prática para ampliar a visibilidade de obras e profissionais, apoiar estratégias de preservação e estimular novos recortes de programação e formação de público, com impacto direto na maneira como a história do cinema brasileiro é pesquisada, contada e exibida.

Fonte: Agência Brasil

Cultura

‘Cabeças Cortadas’, de Glauber Rocha, terá versão restaurada em 4K em 2027

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O filme “Cabeças Cortadas”, dirigido por Glauber Rocha e lançado em 1970, ganhará uma versão restaurada em 4K em 2027. A produção hispano-brasileira, rodada na Catalunha, no norte da Espanha, passará por tratamento de imagem, correção de cores e recuperação do som para voltar a circular em formato digital mais de cinco décadas depois das filmagens.

O trabalho de restauração reúne a Escola de Cinema de Madrid (Ecam), a Vídeo Mercury Films e a FlixOlé, distribuidora e plataforma especializada em cinema espanhol. O projeto busca ampliar o acesso a um dos títulos menos disponíveis da filmografia do cineasta brasileiro.

Filmado durante o período em que Glauber vivia fora do Brasil por causa da perseguição da ditadura militar, “Cabeças Cortadas” acompanha a decadência de um ditador atormentado pelo próprio passado e pela proximidade da morte. O personagem Díaz II, interpretado pelo ator espanhol Francisco Rabal, combina referências a regimes autoritários latino-americanos e à ditadura de Francisco Franco na Espanha.

A narrativa usa elementos políticos, teatrais e poéticos para abordar autoritarismo, racismo, fascismo e relações de dominação. O longa também rompe com estruturas convencionais do cinema comercial, característica presente na trajetória de Glauber e no movimento do Cinema Novo.

Entre as passagens do filme está uma cena em que Díaz II relembra feitos grandiosos atribuídos ao próprio governo e ordena o retorno de um filósofo exilado. O personagem pretende colocá-lo à frente de uma fundação financiada com recursos obtidos pela venda da produção agrícola aos Estados Unidos.

A restauração pretende recuperar uma obra que permaneceu durante anos com circulação limitada. Além da nova cópia digital, o projeto inclui um espaço dedicado à história da produção, com registros dos bastidores, depoimentos de participantes das filmagens e informações sobre o método de trabalho de Glauber, marcado pela improvisação e pela liberdade criativa.

O próprio diretor definia “Cabeças Cortadas” como um filme situado entre o teatro e a poesia e defendia uma relação menos convencional entre a obra e o público. Para Glauber, a experiência deveria se aproximar da leitura de um poema ou da contemplação de uma pintura, em vez de seguir apenas a narrativa tradicional do cinema.

Glauber Rocha também dirigiu obras como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de 1964, e “Terra em Transe”, de 1967, títulos que o projetaram como um dos principais nomes do cinema brasileiro. O cineasta morreu em 1981, aos 42 anos.

Fonte: Agência Brasil

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Cultura

Usina de Arte abre 20 vagas para curso gratuito de iniciação teatral em Rio Branco

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A Usina de Arte João Donato, em Rio Branco, oferece 20 vagas para o curso gratuito de Iniciação à Linguagem Teatral. A formação é destinada a pessoas a partir de 15 anos e busca ampliar o acesso às artes cênicas por meio de atividades práticas de expressão corporal, improvisação, jogos teatrais e criação de cenas.

As aulas serão presenciais na sede da Usina de Arte, localizada na Rua das Acácias, nº 1.155, no Distrito Industrial. A formação integra a programação de cursos livres desenvolvida no espaço cultural para moradores interessados em iniciar experiências no teatro.

Durante o curso, os participantes terão contato com técnicas de consciência e linguagem corporal, exercícios de criatividade, improvisação e práticas de construção cênica. A proposta é oferecer uma introdução aos elementos básicos do teatro e desenvolver habilidades relacionadas à comunicação e à expressão artística.

A programação ocorre no período da tarde. As aulas estão previstas para começar na segunda-feira (24) e seguir até novembro, com encontros semanais na Usina de Arte.

A unidade mantém atividades de formação artística e cultural em parceria com instituições estaduais. Outros cursos livres também vêm sendo oferecidos ao longo do ano nas áreas de teatro, artes visuais e formação cultural.

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Cultura

Mamulengo Circuladô leva teatro de bonecos gratuito a Rio Branco

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Quando os pequenos bonecos surgirem sobre a tolda montada na Usina de Arte João Donato, o público de Rio Branco vai entrar em uma história conduzida pelas mãos de um artista que atravessa mais de quatro décadas preservando uma das tradições populares do país. O projeto Mamulengo Circuladô apresenta gratuitamente o espetáculo “O Romance do Vaqueiro Benedito” nos dias 8 e 9 de agosto, sábado e domingo, às 17h. A primeira sessão terá interpretação em Libras e a segunda contará com audiodescrição, abrindo a brincadeira para pessoas de todas as idades e diferentes formas de percepção.

A capital acreana é a segunda cidade da região Norte a receber a turnê amazônica, iniciada em Porto Velho, Rondônia, nos dias 24 e 25 de julho. Em Rio Branco, o mestre bonequeiro Chico Simões divide a cena com as musicistas Anna Göbel e Layza Almeida. Enquanto ele empresta voz e movimento aos personagens, a música executada ao vivo acompanha o improviso, responde às reações da plateia e ajuda a conduzir uma narrativa que nunca acontece duas vezes da mesma maneira.

No centro do enredo está Benedito, um vaqueiro que foge da fazenda do Capitão João Redondo ao lado de Margarida, sua companheira grávida, e do Boi Estrela. Ao chegarem à cidade, os três procuram abrigo entre os moradores. A fuga ganha novos caminhos quando a Cobra Grande e outros animais aparecem para proteger o casal. Entre perseguições, conflitos e celebrações, a criança nasce diante do público, que deixa de ocupar apenas as cadeiras e passa a interferir diretamente no ritmo da história.

Essa participação é parte da essência do mamulengo. O boneco não se limita a repetir um roteiro fechado. Ele conversa, provoca, canta, responde e transforma cada reação da plateia em matéria para a cena. A tolda, pequena estrutura atrás da qual o brincante movimenta os personagens, vira uma espécie de mundo em miniatura. É dali que surgem figuras populares capazes de tratar, com humor e confronto, de assuntos como autoridade, desigualdade, sobrevivência, solidariedade e resistência.

O formato adotado pelo Mamulengo Circuladô mistura apresentação artística e aula-espetáculo. Depois de cada sessão, Chico Simões vai conversar com o público sobre a fabricação dos bonecos, a criação dos personagens e a transmissão dos conhecimentos entre mestres e aprendizes. A proposta leva para o centro da conversa um saber que sobreviveu principalmente pela oralidade, pelo convívio e pela observação direta do trabalho de artistas populares.

Nascido na região Nordeste, o teatro popular de bonecos ganhou formas próprias ao viajar pelo Brasil. Dependendo do território, passou a ser chamado de Babau, João Redondo, Calunga ou Cassimiro Coco. As diferenças de nome convivem com uma base comum: bonecos manipulados por brincantes, música, improvisação e participação do público. O mamulengo recebeu o reconhecimento de patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.

No Distrito Federal, onde o grupo Mamulengo Presepada foi criado, a tradição acompanha a história de Brasília desde os primeiros anos da construção da capital. Filhos de trabalhadores vindos de diferentes partes do país levaram consigo festas, músicas, personagens e formas de contar histórias. Chico Simões nasceu nesse encontro. Filho de paraibanos que migraram para Brasília, ele começou sua trajetória com os bonecos na década de 1980, durante viagens pelo Nordeste ao lado de Carlinhos Babau, da Carroça de Mamulengos.

Nesse percurso, conviveu com mestres como Chico de Daniel, Joaquim do Babau, Solón, Zé Lopes e Zé de Vina. A aprendizagem nasceu menos de salas formais e mais do cotidiano compartilhado com artistas que dominavam a construção, a voz, o movimento e o tempo da brincadeira. Em Taguatinga, Chico fundou o Mamulengo Presepada e o Ponto de Cultura Invenção Brasileira. Desde então, levou o teatro de bonecos a diferentes regiões brasileiras e a outros países.

A passagem por Rio Branco coloca o Acre dentro de uma circulação formada por oito apresentações em quatro estados amazônicos. Depois das sessões na Usina de Arte João Donato, a equipe segue para Cantá, em Roraima, onde se apresenta nos dias 20 e 21 de agosto. A etapa termina em Macapá, no Amapá, nos dias 27 e 28.

Criado em 2024, o Mamulengo Circuladô já percorreu oito municípios das regiões Sul e Sudeste. A entrada na Amazônia amplia o alcance do projeto e cria encontros entre uma manifestação de origem nordestina e públicos que vivem realidades culturais próprias. Esse deslocamento não transforma a tradição em peça de museu. Ao contrário, permite que ela continue viva, sujeita ao improviso, às perguntas das crianças, às respostas dos adultos e às particularidades de cada cidade.

A sessão de sábado, dia 8, terá interpretação em Libras. No domingo, dia 9, o espetáculo contará com audiodescrição. As duas apresentações começam às 17h, têm classificação livre e entrada gratuita. O projeto recebe apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, o FAC-DF, e mantém informações pelas redes sociais @btmsolucoes e @mamulengo.presepada.

Foto: Davi Mello / Com informações da assessoria

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