Leonardo, Natanzinho Lima, Wesley Safadão e Ana Castela, atrações confirmadas para a Expoacre 2026, acumulam juntos R$ 426,16 milhões em contratos para apresentações financiadas por prefeituras e governos estaduais desde janeiro de 2024. Os quatro aparecem entre os 40 artistas que mais receberam recursos públicos para shows no país, conforme o relatório “Farras”, produzido pelo observatório De Olho nos Ruralistas. Os valores não correspondem aos cachês da Expoacre, mas ao conjunto de contratos públicos firmados no período analisado.
A programação divulgada pelo Governo do Acre prevê Leonardo no dia 2 de agosto, Natanzinho Lima no dia 3, Wesley Safadão no dia 5 e Ana Castela no dia 6. As apresentações ocorrerão no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco, durante a maior feira agropecuária do estado.
O levantamento nacional analisou mais de 20 mil contratos de shows celebrados entre janeiro de 2024 e 31 de março de 2026. Nesse intervalo, os cem artistas mais contratados receberam mais de R$ 5 bilhões de prefeituras e governos estaduais. Apenas os 40 primeiros colocados concentraram R$ 3,08 bilhões em recursos públicos.
Entre eles, Natanzinho Lima ocupa a primeira posição do ranking nacional. O cantor recebeu R$ 158,17 milhões por meio de 336 apresentações financiadas por órgãos públicos, média equivalente a um show a cada dois dias e meio. Em pouco mais de dois anos, o cachê do artista saiu da faixa de R$ 25 mil para contratos que chegaram a R$ 1 milhão, como o firmado pelo município de Mucajaí, em Roraima.
A ascensão do cantor ocorreu após sua entrada na Camarote Shows, produtora fundada por Wesley Safadão e por seu irmão, Yvens Watila Oliveira. A empresa administra atualmente algumas das carreiras mais rentáveis do circuito nacional de shows contratados pelo poder público. O relatório também relaciona Natanzinho ao grupo de artistas que participaram da divulgação de empresas de apostas esportivas.
Wesley Safadão aparece na terceira posição entre os artistas mais contratados pelo poder público desde janeiro de 2024. Foram R$ 113,13 milhões distribuídos em 110 apresentações. Além da carreira artística, ele integra o comando da Camarote Shows, produtora que lidera o ranking nacional entre as empresas responsáveis por esse mercado.
Somente entre os artistas posicionados no Top 40 do levantamento, nomes ligados à Camarote Shows acumularam R$ 701 milhões em contratos públicos. Quando o estudo amplia a análise para todos os artistas que receberam pelo menos R$ 10 milhões, o montante administrado pela empresa se aproxima de R$ 1 bilhão, distribuído em 2.950 apresentações financiadas por estados e municípios.
A presença simultânea de Wesley Safadão e Natanzinho Lima na programação da Expoacre evidencia essa conexão empresarial. Embora sejam atrações distintas, ambos pertencem à mesma estrutura responsável pela gestão de carreiras e negociação de contratos.
O relatório também reúne episódios em que Wesley Safadão participou de eventos públicos ao lado de prefeitos, deputados e governadores. Em Aracaju, durante uma apresentação, o cantor convidou a prefeita Emília Corrêa ao palco enquanto um deputado anunciou a intenção de destinar emenda parlamentar para financiar um novo show. Segundo o levantamento, apenas a Camarote Shows recebeu R$ 7,5 milhões em cachês pagos por eventos promovidos pelo Governo de Sergipe e pela Prefeitura de Aracaju.
Ana Castela ocupa a 19ª posição no ranking nacional, com R$ 73,17 milhões distribuídos em 93 apresentações financiadas pelo poder público. Conhecida como “boiadeira”, ela também aparece entre os principais nomes do circuito de exposições agropecuárias, rodeios, cavalgadas e festas do agronegócio.
Desde 2024, a cantora recebeu R$ 28,13 milhões apenas em eventos ligados ao setor agropecuário. Entre os exemplos reunidos pelo estudo está um contrato de R$ 900 mil para uma festa de peão realizada em São Roque do Canaã, município capixaba com cerca de 11 mil habitantes. A carreira da artista é administrada pela AgroPlay.
Leonardo ocupa a 15ª colocação no levantamento nacional. Desde janeiro de 2024, foram identificados R$ 81,67 milhões distribuídos em 117 apresentações contratadas por órgãos públicos. O cantor é representado pela Talismã, empresa responsável pela gestão de sua carreira, e aparece no relatório entre artistas com forte presença em exposições agropecuárias e eventos ligados ao meio rural, segmento que acompanha sua trajetória desde os tempos da dupla Leandro & Leonardo.
Somados, os quatro artistas anunciados para a Expoacre reúnem R$ 426,16 milhões em contratos públicos e 656 apresentações financiadas por prefeituras e governos estaduais desde janeiro de 2024.
Os números não representam o custo da programação da Expoacre 2026. Eles correspondem ao total de contratos identificados nacionalmente pelo levantamento. Até o momento, o Governo do Acre não divulgou os valores individualizados dos cachês, os contratos firmados, as empresas responsáveis pelas apresentações nem a origem dos recursos que financiarão os shows.
A própria Expoacre já integra o relatório “Farras”. O observatório cita a edição de 2025 como exemplo de dificuldade para identificar quanto foi pago individualmente aos artistas. Na ocasião, o Governo do Acre repassou R$ 8,7 milhões à Casa da Amizade, por meio da Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia, para atividades relacionadas à organização e à estrutura da feira.
O levantamento afirma que não localizou documentos públicos capazes de detalhar quanto desse valor foi destinado aos cachês e quanto financiou estrutura, produção, logística e demais despesas do evento. Entre as atrações daquele ano estavam Gusttavo Lima, Jorge & Mateus, Matheus & Kauan, Zezé Di Camargo & Luciano e Fernanda Brum.
O relatório não afirma que os R$ 8,7 milhões foram utilizados integralmente para contratação de artistas. O questionamento recai sobre a ausência de prestação de contas suficientemente detalhada para permitir a identificação individual das despesas.
A programação da Expoacre 2026 reúne quatro artistas que figuram entre os maiores contratados pelo poder público brasileiro. O cenário amplia o interesse público sobre a divulgação dos contratos, dos valores, das empresas responsáveis pelas negociações e da origem dos recursos utilizados na realização dos shows. Também permanece aberta a informação sobre a modalidade de contratação adotada, seja por contratação direta do Estado, por produtoras, por entidades parceiras ou por meio de patrocínio privado.
O levantamento nacional aponta ainda que 37% dos contratos identificados pelos pesquisadores não estavam disponíveis no Portal Nacional de Contratações Públicas. Mais de três mil documentos precisaram ser localizados em diários oficiais, tribunais de contas, ministérios públicos e portais de transparência municipais e estaduais.
No Acre, os nomes das atrações foram anunciados antes da divulgação pública dos custos da programação. A publicação dos contratos permitirá verificar quanto custará cada apresentação e como serão distribuídos os recursos empregados na principal feira agropecuária do estado.
O Acre registrou 18 focos de incêndio em um intervalo de 24 horas e chegou a 119 ocorrências entre 1º de janeiro e 7 de agosto de 2026. O avanço acontece no início do período mais crítico da estiagem no estado, quando agosto e setembro costumam concentrar a maior quantidade de queimadas.
Apesar dos novos registros, o número acumulado em 2026 permanece baixo em relação aos anos anteriores. O Acre encerrou 2025 com 2.184 focos de calor, queda de cerca de 75% na comparação com 2024, quando foram contabilizadas 8.658 ocorrências. Em 2023, o estado havia registrado 6.562 focos.
Os números de 2024 e 2023 correspondem aos totais anuais. Em 2022, o Acre terminou o ano com 11.840 focos de calor. O maior volume da série histórica ocorreu em 2005, quando foram contabilizados 15.993 registros no estado.
Somente em agosto de 2005, foram detectados 7.669 focos, maior quantidade registrada para um único mês no período analisado. O histórico mostra uma concentração das ocorrências durante o verão amazônico, quando a redução das chuvas e a vegetação mais seca favorecem a propagação do fogo.
A média histórica para agosto é de 1.761 focos, enquanto setembro registra média de 3.280 ocorrências. Em julho, a média cai para 242. Até 7 de agosto deste ano, foram contabilizados 22 focos no Acre, número ainda distante da média mensal.
O monitoramento de focos de calor é feito por imagens de satélite. Os registros permitem acompanhar a evolução das queimadas em grandes áreas e identificar mudanças na distribuição das ocorrências durante o período de estiagem.
A Expoacre 2026 recebeu cerca de 254 mil visitantes nas seis primeiras noites de programação em Rio Branco. No mesmo período, as forças de segurança registraram 14 acidentes de trânsito, 66 autuações por embriaguez ao volante e cinco conduções relacionadas à direção sob efeito de álcool nas áreas de acesso ao evento.
A primeira noite concentrou o maior número de motoristas autuados por embriaguez, com 25 registros. Também foram contabilizados cinco acidentes. Na segunda noite, a fiscalização fez 17 autuações, registrou um acidente e realizou duas conduções.
Na terceira noite da feira, nove motoristas foram autuados por embriaguez. Houve ainda dois acidentes e uma condução. Já na quarta noite, quatro acidentes foram registrados, além de uma autuação e uma condução à delegacia.
A quinta noite terminou sem acidentes de trânsito, mas teve 11 autuações por embriaguez ao volante. Na sexta noite, foram três autuações e dois acidentes, sem registro de condução por direção sob efeito de álcool.
O trabalho das forças policiais também resultou em ocorrências dentro do parque de exposições e nas áreas próximas. A Polícia Civil contabilizou 23 registros e procedimentos nas seis noites. Somente na quinta noite foram dez boletins de ocorrência e dois termos circunstanciados.
A Polícia Militar cumpriu dois mandados de prisão durante a programação, um na primeira noite e outro na terceira. Na terceira noite também houve apreensão de uma arma branca e dois registros de posse de drogas para consumo.
Na quarta noite, os batalhões que atuavam na Expoacre não registraram ocorrências policiais. Na quinta, duas ocorrências foram atendidas, sem conduções à delegacia. A sexta noite terminou com uma ocorrência e uma condução.
O público permaneceu acima de 30 mil pessoas em todas as noites contabilizadas. A abertura reuniu aproximadamente 40 mil visitantes. O número subiu para 43 mil na segunda noite, caiu para 36 mil na terceira e chegou a 34 mil na quarta.
A maior movimentação foi registrada na quinta noite, com aproximadamente 51 mil pessoas. Na sexta, outras 50 mil passaram pelo parque de exposições. Somados, os seis primeiros dias alcançaram público estimado de 254 mil visitantes.
Na noite de quinta-feira (6), o Espaço Indústria da Expoacre 2026 recebeu um encontro promovido pelo Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado do Acre (Sindpan) e pelo Sindicato das Indústrias de Sorvetes do Estado do Acre (SindSorvetes). A programação reuniu empresários dos dois segmentos para um momento de integração e apresentação das ações desenvolvidas pelas entidades em prol do fortalecimento da indústria alimentícia acreana.
Durante o evento, os presidentes das entidades, Mauro Cezar do Nascimento (Sindpan) e Francisco Agacis (SindSorvetes), destacaram iniciativas voltadas à qualificação profissional, ao fortalecimento do associativismo e à competitividade das indústrias do setor. Também agradeceram o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC) na realização de ações voltadas ao desenvolvimento dos segmentos. O presidente do Sindpan, Mauro Cezar, ressaltou o trabalho realizado em parceria com a FIEAC e o SENAI por meio do projeto Pão na Estrada, que leva cursos de qualificação e capacitação para trabalhadores e para a comunidade em municípios acreanos.
“Nosso setor é um dos que mais gera empregos dentro da cadeia alimentícia no Acre. Essa parceria com a FIEAC e o SENAI, por meio do Pão na Estrada, tem ampliado o acesso à qualificação profissional nos municípios. Os cursos já capacitaram quase 500 pessoas, contribuindo para o fortalecimento da mão de obra e para o crescimento do setor”, afirmou Mauro Cézar.
Já o presidente do SindSorvetes, Francisco Agacis, destacou o crescimento da entidade desde sua criação, em 2019, e o fortalecimento da representatividade do setor.
“O SindSorvetes foi criado para representar e fortalecer a categoria. Iniciamos nossas atividades com 12 empresas associadas e hoje contamos com 33 associados, resultado que demonstra a importância do associativismo para o desenvolvimento do setor. Continuaremos trabalhando por ações que promovam qualificação, competitividade e melhores condições para a indústria de sorvetes no Acre”, declarou o presidente.
Gleidiane de Freitas Figueiredo / Assessoria de Comunicação – ASCOM