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Cultura

Hip hop avança no Congresso como manifestação da cultura nacional

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O hip hop deu mais um passo para entrar formalmente na lista de manifestações reconhecidas como parte da cultura nacional. A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 15 de julho, em Brasília, o Projeto de Lei 3839/24, que dá esse status ao movimento e envia a proposta para análise do Senado.

A aprovação muda o tratamento legislativo dado ao tema. Em vez de limitar o hip hop a um gênero musical, o texto reconhece o movimento como expressão cultural ampla, formada por linguagem artística, identidade coletiva e atuação social. A alteração foi feita no substitutivo apresentado pelo deputado Inácio Arruda, do PCdoB do Ceará, relator da proposta em plenário.

O projeto é de autoria do deputado Pastor Henrique Vieira, do Psol do Rio de Janeiro. A proposta reconhece o hip hop a partir de seus cinco elementos mais conhecidos: DJ, breaking, MC, grafite e conhecimento. A redação também reforça a presença do movimento nas periferias urbanas e sua ligação com jovens negros, comunidades populares e espaços de criação coletiva.

No debate em plenário, Inácio Arruda comparou o caminho do hip hop ao de outras manifestações culturais que passaram de expressões marginalizadas a referências da arte brasileira. “O hip hop tem uma relação direta com o repente e com manifestações que, antes, não eram reconhecidas e foram reconhecidas por força da sua presença na cultura e na arte do povo brasileiro”, afirmou.

Pastor Henrique Vieira defendeu que o reconhecimento nacional também tem peso simbólico para artistas, coletivos e batalhas de rima que ainda enfrentam resistência em diferentes cidades. “Muitas rodas de rima no meu estado, o Rio de Janeiro, convivem com o preconceito e a falta de estrutura, de valorização e de visibilidade”, disse. “Aprovar o hip hop como manifestação da cultura nacional é mudar essa chave”.

O parlamentar lembrou que o hip hop nasceu nos anos 1970 em comunidades afro-americanas e latinas de Nova York, especialmente no Bronx. No Brasil, a cultura ganhou força nos anos 1980, com encontros de jovens em São Paulo, em locais como a Rua 24 de Maio e a estação São Bento do metrô, pontos que ajudaram a consolidar a cena nacional.

A sessão também teve homenagem ao rapper e ativista cultural Rivas Alves, o Rivas Álibi, morto na semana passada em Brasília, aos 56 anos, em decorrência de câncer. O deputado Rodrigo Rollemberg, do PSB do Distrito Federal, lembrou a trajetória do artista e sua participação na criação da Casa do Hip Hop de Ceilândia.

Com a aprovação na Câmara, o texto ainda depende de votação no Senado. Se passar pelos senadores e for sancionado, o hip hop terá reconhecimento legal como manifestação da cultura nacional.

Fonte e foto: Agência Brasil

Cultura

Mamulengo Circuladô leva teatro de bonecos gratuito a Rio Branco

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Quando os pequenos bonecos surgirem sobre a tolda montada na Usina de Arte João Donato, o público de Rio Branco vai entrar em uma história conduzida pelas mãos de um artista que atravessa mais de quatro décadas preservando uma das tradições populares do país. O projeto Mamulengo Circuladô apresenta gratuitamente o espetáculo “O Romance do Vaqueiro Benedito” nos dias 8 e 9 de agosto, sábado e domingo, às 17h. A primeira sessão terá interpretação em Libras e a segunda contará com audiodescrição, abrindo a brincadeira para pessoas de todas as idades e diferentes formas de percepção.

A capital acreana é a segunda cidade da região Norte a receber a turnê amazônica, iniciada em Porto Velho, Rondônia, nos dias 24 e 25 de julho. Em Rio Branco, o mestre bonequeiro Chico Simões divide a cena com as musicistas Anna Göbel e Layza Almeida. Enquanto ele empresta voz e movimento aos personagens, a música executada ao vivo acompanha o improviso, responde às reações da plateia e ajuda a conduzir uma narrativa que nunca acontece duas vezes da mesma maneira.

No centro do enredo está Benedito, um vaqueiro que foge da fazenda do Capitão João Redondo ao lado de Margarida, sua companheira grávida, e do Boi Estrela. Ao chegarem à cidade, os três procuram abrigo entre os moradores. A fuga ganha novos caminhos quando a Cobra Grande e outros animais aparecem para proteger o casal. Entre perseguições, conflitos e celebrações, a criança nasce diante do público, que deixa de ocupar apenas as cadeiras e passa a interferir diretamente no ritmo da história.

Essa participação é parte da essência do mamulengo. O boneco não se limita a repetir um roteiro fechado. Ele conversa, provoca, canta, responde e transforma cada reação da plateia em matéria para a cena. A tolda, pequena estrutura atrás da qual o brincante movimenta os personagens, vira uma espécie de mundo em miniatura. É dali que surgem figuras populares capazes de tratar, com humor e confronto, de assuntos como autoridade, desigualdade, sobrevivência, solidariedade e resistência.

O formato adotado pelo Mamulengo Circuladô mistura apresentação artística e aula-espetáculo. Depois de cada sessão, Chico Simões vai conversar com o público sobre a fabricação dos bonecos, a criação dos personagens e a transmissão dos conhecimentos entre mestres e aprendizes. A proposta leva para o centro da conversa um saber que sobreviveu principalmente pela oralidade, pelo convívio e pela observação direta do trabalho de artistas populares.

Nascido na região Nordeste, o teatro popular de bonecos ganhou formas próprias ao viajar pelo Brasil. Dependendo do território, passou a ser chamado de Babau, João Redondo, Calunga ou Cassimiro Coco. As diferenças de nome convivem com uma base comum: bonecos manipulados por brincantes, música, improvisação e participação do público. O mamulengo recebeu o reconhecimento de patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.

No Distrito Federal, onde o grupo Mamulengo Presepada foi criado, a tradição acompanha a história de Brasília desde os primeiros anos da construção da capital. Filhos de trabalhadores vindos de diferentes partes do país levaram consigo festas, músicas, personagens e formas de contar histórias. Chico Simões nasceu nesse encontro. Filho de paraibanos que migraram para Brasília, ele começou sua trajetória com os bonecos na década de 1980, durante viagens pelo Nordeste ao lado de Carlinhos Babau, da Carroça de Mamulengos.

Nesse percurso, conviveu com mestres como Chico de Daniel, Joaquim do Babau, Solón, Zé Lopes e Zé de Vina. A aprendizagem nasceu menos de salas formais e mais do cotidiano compartilhado com artistas que dominavam a construção, a voz, o movimento e o tempo da brincadeira. Em Taguatinga, Chico fundou o Mamulengo Presepada e o Ponto de Cultura Invenção Brasileira. Desde então, levou o teatro de bonecos a diferentes regiões brasileiras e a outros países.

A passagem por Rio Branco coloca o Acre dentro de uma circulação formada por oito apresentações em quatro estados amazônicos. Depois das sessões na Usina de Arte João Donato, a equipe segue para Cantá, em Roraima, onde se apresenta nos dias 20 e 21 de agosto. A etapa termina em Macapá, no Amapá, nos dias 27 e 28.

Criado em 2024, o Mamulengo Circuladô já percorreu oito municípios das regiões Sul e Sudeste. A entrada na Amazônia amplia o alcance do projeto e cria encontros entre uma manifestação de origem nordestina e públicos que vivem realidades culturais próprias. Esse deslocamento não transforma a tradição em peça de museu. Ao contrário, permite que ela continue viva, sujeita ao improviso, às perguntas das crianças, às respostas dos adultos e às particularidades de cada cidade.

A sessão de sábado, dia 8, terá interpretação em Libras. No domingo, dia 9, o espetáculo contará com audiodescrição. As duas apresentações começam às 17h, têm classificação livre e entrada gratuita. O projeto recebe apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, o FAC-DF, e mantém informações pelas redes sociais @btmsolucoes e @mamulengo.presepada.

Foto: Davi Mello / Com informações da assessoria

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Cultura

Jabuti Acadêmico 2026 divulga 135 finalistas

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A Câmara Brasileira do Livro divulgou, em 27 de julho, os 135 finalistas do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico. Os vencedores das 27 categorias serão conhecidos em 11 de agosto, durante cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, na região central de São Paulo. A premiação reconhece livros acadêmicos, científicos, técnicos, profissionais e didáticos publicados no Brasil.

A edição de 2026 recebeu 2.085 inscrições. Cada categoria reúne cinco obras finalistas, escolhidas por júris formados por especialistas. Os livros concorrentes foram publicados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025 e passaram por uma etapa anterior que selecionou dez semifinalistas em cada área.

O eixo Ciência e Cultura concentra 24 categorias, que abrangem campos como administração, antropologia, arquitetura, artes, astronomia, ciência da computação, direito, economia, educação, engenharias, filosofia, história, medicina, psicologia e letras. O prêmio também possui três categorias especiais: Divulgação Científica, Ilustração e Infografia e Tradução.

Entre os concorrentes estão “Crentes: Pequeno Manual sobre um Grande Fenômeno”, de Guilherme Damasceno, Juliano Spyer e Raphael Khalil, na categoria Ciências da Religião e Teologia, e “A Loteria do Nascimento: Filha do Porteiro Termina Universidade, mas Não Alcança Filho do Rico”, de Fillipi Nascimento e Michael França, na área de Economia.

A categoria Economia também reúne “Bolsas de Estudo e Evasão: Avaliação de Impacto Ex-ante”, de Laura Almeida Ramos de Abreu, Laura Müller Machado, Ricardo Paes de Barros e Samuel Franco. Em Psicologia e Psicanálise, Vera Iaconelli concorre com “Análise”.

Nos prêmios especiais, Marcelo Leite disputa Divulgação Científica com “A Ciência Encantada de Jurema: Como uma Raiz da Caatinga Uniu Indígenas e Africanos na Resistência Anticolonial e Hoje Inspira Pesquisas Psicodélicas”. A seleção também reúne trabalhos sobre cotas no ensino superior, inteligência artificial, mudanças climáticas, saúde digital, povos indígenas, Amazônia, democracia e desigualdade social.

O autor ou os autores da obra vencedora em cada categoria receberão a estatueta do Jabuti Acadêmico e R$ 5 mil. As editoras responsáveis pelos livros premiados também ganharão um troféu. A cerimônia poderá ser acompanhada pela transmissão da Câmara Brasileira do Livro no YouTube.

A terceira edição também homenageará o físico, professor e pesquisador José Goldemberg como Personalidade Acadêmica de 2026. Criado em 2024, o Jabuti Acadêmico é realizado com apoio da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Fonte e foto: Agência Brasil

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Acre

FEM seleciona 68 atrações locais para palcos alternativos da Expoacre 2026

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O governo do Acre abriu nesta quarta-feira (29), por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), as inscrições para músicos, bandas, DJs e grupos de dança interessados em participar da programação da Expoacre 2026, em Rio Branco. A seleção prevê 68 apresentações nos palcos Culturarte e Sertanejo durante a feira, que será realizada de 1º a 9 de agosto, no Parque de Exposições Wildy Viana.

As inscrições terminam às 16h desta quinta-feira (30). Os artistas devem preencher a ficha correspondente ao palco escolhido e enviar a documentação para o e-mail expoacrealternativo2026@gmail.com. Também é possível fazer a entrega presencialmente na sede da FEM, localizada no Museu dos Povos Acreanos, na Avenida Epaminondas Jácome, no Centro da capital.

No palco Culturarte, a seleção reúne apresentações de DJs, artistas de voz e instrumento, grupos, bandas acústicas e companhias de dança. A programação abrange estilos como MPB, samba, axé, rock, pop, jazz, fitdance, street dance, hip-hop e forró.

O palco Sertanejo receberá DJs, apresentações de voz e instrumento, grupos e bandas ligados ao country, sertanejo, forró e suas vertentes. Os formulários de inscrição são diferentes para cada espaço e devem ser preenchidos conforme a categoria pretendida.

Entre os dados exigidos estão nome completo, nome artístico, telefone com WhatsApp, CPF ou CNPJ e descrição da experiência profissional. Os candidatos também precisam anexar portfólio com fotos, músicas, vídeos ou outros materiais que comprovem a atuação artística.

A FEM informou que não fornecerá alimentação nem estacionamento aos artistas e às equipes. Os dias, horários e valores das apresentações serão definidos em reunião com a comissão organizadora da Expoacre, prevista para sexta-feira (31).

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