A Prefeitura de Cruzeiro do Sul entregou equipamentos agrícolas e um barco à comunidade do Lago do Tapiri, beneficiando 34 famílias locais. Os equipamentos incluíam debulhadeira de milho, beneficiadora de arroz, moenda de cana, e outros itens essenciais para aumentar a eficiência e produtividade agrícola. O barco, equipado com motor, facilitará o transporte dos produtos até o centro urbano, eliminando custos e intermediários.
A entrega foi realizada pelo Secretário Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento, Eutimar Sombra, com a presença do prefeito Zequinha Lima. O prefeito enfatizou o compromisso com a agricultura familiar, destacando que esta foi a primeira vez que a comunidade do Lago do Tapiri recebeu esse tipo de apoio.
Os moradores expressaram sua gratidão e expectativas para o futuro. Maria Santos de Souza, moradora local há 65 anos, destacou a transformação que os equipamentos trarão para a comunidade, afirmando que isso abrirá portas para um futuro melhor na produção local. José Francisco, presidente da Associação dos Pequenos Produtores e Produtores Rurais do Lago do Tapiri, ressaltou a importância do apoio recebido, prevendo que os equipamentos impulsionarão a produção e trarão mais prosperidade para as famílias locais.
O prefeito Zequinha Lima anunciou investimentos na região do Lago do Tapiri, incluindo equipamentos para melhorar a produção agrícola, como máquinas para debulhar milho e arroz, além de kits para processar açaí, patoá, buriti e farinha. Também foram fornecidos um barco com motor de 12 metros para transportar produtos ao mercado gratuitamente. Além disso, uma nova escola foi construída para atender à comunidade, e a estrada de acesso ao Miritizal está sendo mantida regularmente para garantir o transporte durante todo o ano. O prefeito destacou o compromisso contínuo da prefeitura com o desenvolvimento e bem-estar da comunidade local.
O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom oficializou, na noite desta sexta-feira, 31 de julho, sua candidatura ao Governo do Acre nas eleições de 2026, diante de um Ginásio do Sesi ocupado por militantes, candidatos e lideranças da Federação PSDB-Cidadania, Solidariedade e PRD. Ao lado do candidato a vice-governador, Sargento Adonis Souza, e do candidato ao Senado, deputado federal Eduardo Velloso, Bocalom transformou a convenção partidária em uma apresentação pública dos pilares que pretende levar para a campanha: identificação com a direita, defesa da fé cristã, discurso de honestidade e apelo direto ao eleitor.
No centro da quadra, cercado pelas cores azul, amarela e branca, Bocalom procurou afastar a ideia de que a disputa será conduzida apenas por acordos partidários ou estruturas políticas. A frase usada para abrir sua convocação resumiu o caminho escolhido para a campanha. “Juntos vamos mudar a história do Acre!”, afirmou, diante de apoiadores que vestiam camisas com o número 45 e carregavam bandeiras com seu nome.
A palavra “povo” atravessou o discurso como resposta à pergunta que acompanha qualquer candidatura construída fora do grupo que atualmente controla o governo estadual: de onde virá a força eleitoral necessária para chegar ao Palácio Rio Branco? Bocalom respondeu sem recorrer a cálculos de bastidores. “Eleição se ganha é com o povo que conhece cada um dos candidatos. Deus botou a mão nesse projeto!”, declarou.
A fala reuniu dois elementos que deverão caminhar juntos durante a campanha. O primeiro é a tentativa de transformar sua trajetória política e administrativa em uma relação direta com o eleitor, sem depender apenas das alianças firmadas entre dirigentes partidários. O segundo é o uso da fé como parte da identidade política da chapa, apresentada não como um detalhe pessoal, mas como uma fronteira entre o grupo reunido no Sesi e seus adversários.
Essa linha ficou ainda mais clara quando Bocalom descreveu a composição do palanque. “Aqui nesse palanque só quem é cristão, quem quer cuidar bem do Acre! Quem está comigo é o povo!”, afirmou. A declaração colocou religião, governo e representação popular dentro da mesma frase. Ao fazer isso, o candidato deixou antecipada uma das marcas da disputa: a tentativa de reunir o eleitorado conservador em torno de valores religiosos e de uma visão de desenvolvimento ligada à direita.
Bocalom também assumiu de forma aberta sua ligação com o senador Flávio Bolsonaro. “Eu nunca deixei de dizer que sou Flávio Bolsonaro, não tenho vergonha! Eu gosto é da honestidade, minhas mãos são limpas. O Acre é direita, quer se desenvolver”, disse.
A menção a Flávio Bolsonaro cumpre uma função política precisa. Bocalom procura ligar sua candidatura ao eleitorado bolsonarista sem esconder essa escolha ou tratá-la como uma aproximação circunstancial. Ao mesmo tempo, usa a expressão “minhas mãos são limpas” para colocar a honestidade como credencial pessoal diante dos eleitores, embora não tenha apresentado, durante o trecho divulgado do discurso, casos concretos, acusações ou comparações com adversários.
O discurso também aproximou a identidade de direita da promessa de desenvolvimento econômico. Quando afirmou que “o Acre é direita” e “quer se desenvolver”, Bocalom tentou converter uma posição ideológica em resposta para problemas históricos do estado, como a baixa industrialização, a dependência do setor público, a dificuldade de geração de empregos e os limites da infraestrutura produtiva. A convenção, porém, teve como objetivo central a homologação das candidaturas. As propostas detalhadas para essas áreas deverão aparecer durante a campanha.
Bocalom chegou ao Ginásio do Sesi ao lado do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, e da primeira-dama, que tiveram papel importante na articulação e na mobilização política para a convenção. Bestene afirmou que deseja ver Bocalom no Governo do Acre e destacou que, com sua gestão à frente da Prefeitura e Bocalom no comando do Estado, Rio Branco continuará avançando e se desenvolvendo.
A candidatura ao governo marca o retorno de Bocalom a uma disputa estadual depois de sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco. Ele deixou o comando do município em abril para concorrer ao Palácio Rio Branco e havia retornado ao PSDB em março, legenda pela qual participou de outras eleições no Acre. A volta ao partido reconstruiu uma ligação política antiga e ofereceu a estrutura para a formação da chapa apresentada no Sesi.
A escolha do Sargento Adonis Souza para vice levou à composição um nome ligado ao Vale do Juruá. Adonis disputou a Prefeitura de Cruzeiro do Sul em 2020 e chega à chapa com a responsabilidade de ampliar a presença do grupo fora da capital, sobretudo na segunda maior cidade do estado e nos municípios próximos. A decisão também procura reduzir a concentração geográfica da candidatura em Rio Branco, onde Bocalom construiu sua experiência administrativa mais recente.
Para o Senado, o nome homologado foi o do deputado federal Eduardo Velloso. Médico e parlamentar, Velloso entrou na aliança defendendo a aproximação entre geração de emprego, fortalecimento da produção e melhoria dos serviços públicos. O entendimento com Bocalom foi anunciado na véspera da convenção e passou a compor uma chapa que busca reunir presença na capital, entrada no Juruá e atuação no Congresso Nacional.
Além da chapa majoritária, a convenção definiu candidatos à Assembleia Legislativa do Acre e à Câmara dos Deputados. Os partidos envolvidos tentam organizar uma estrutura capaz de sustentar a candidatura ao governo e, ao mesmo tempo, ampliar suas bancadas proporcionais. Essa etapa será decisiva porque uma campanha estadual não se mantém apenas com o candidato a governador. Ela depende de candidaturas espalhadas pelos municípios, lideranças locais, vereadores, prefeitos aliados e equipes capazes de levar a mensagem da chapa para bairros, ramais e comunidades do interior.
Dentro do ginásio, bandeiras, balões e camisas partidárias construíram a imagem de unidade que o grupo pretendia apresentar. Fora dele, a candidatura entrará em uma disputa que exigirá mais do que mobilização de militantes. Bocalom terá de transformar as frases lançadas do palanque em propostas para emprego, produção rural, saúde, segurança, educação, infraestrutura e equilíbrio das contas públicas.
A convenção mostrou que o ex-prefeito pretende começar essa caminhada sem suavizar sua identidade. Bocalom não escondeu sua ligação com a família Bolsonaro, colocou a fé cristã no centro da composição política, apresentou a honestidade como marca pessoal e afirmou que sua principal aliança será com o eleitor. A partir do registro da candidatura e do início oficial da campanha, essas declarações passarão pelo teste das ruas, dos municípios e das urnas.
Representantes da indústria, do comércio, da agricultura e do empresariado entregaram, nesta quinta-feira (30), propostas para o desenvolvimento econômico do Acre aos pré-candidatos ao governo Tião Bocalom (PSDB), Thor Dantas (PSB), Alan Rick (Republicanos) e Mailza Assis (PP). O encontro ocorreu na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre, em Rio Branco.
A iniciativa reuniu a Federação das Indústrias do Estado do Acre, a Fecomércio-AC, a Federação da Agricultura e Pecuária do Acre e o Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre. Cada pré-candidato recebeu os documentos elaborados pelas entidades, teve 20 minutos para apresentar propostas e respondeu a perguntas do público.
Entre os materiais entregues está a Agenda de Desenvolvimento da Indústria 2027-2030, preparada pela FIEAC para orientar políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção industrial. O presidente em exercício da federação, João Paulo de Assis Pereira, defendeu a aproximação entre o setor produtivo e os futuros gestores estaduais.
“Não existe transformação social verdadeira, saúde pública eficiente e educação de qualidade se não houver, antes, uma economia robusta e dinâmica para sustentar os investimentos do Estado”, afirmou. Para ele, o incentivo à indústria funciona como instrumento de geração de emprego, renda e desenvolvimento social.
O presidente da Fecomércio-AC, Leandro Domingos, e o presidente da Faeac e do Fórum Empresarial, Assuero Veronez, também participaram da abertura. As entidades defenderam a inclusão das propostas nos planos de governo e a manutenção de um diálogo permanente entre o poder público e os setores que produzem e geram empregos no Acre.
Tião Bocalom concentrou sua apresentação na agroindústria. O pré-candidato afirmou que o estado precisa ampliar a produção de matérias-primas para atrair novas empresas. “No momento em que tivermos soja em grande volume, acima de 50 mil hectares, uma indústria de óleos e derivados irá se instalar aqui”, disse.
Thor Dantas defendeu investimentos em industrialização, tecnologia e formação profissional. Segundo ele, a economia acreana ainda agrega pouco valor aos produtos e permanece dependente da produção primária. “Esse é o debate que o Acre precisa fazer: o da nova economia, dos serviços e da indústria agregando valor aos nossos produtos”, declarou.
Alan Rick apontou a logística e a estrutura aduaneira como obstáculos ao crescimento industrial. Ele citou as dificuldades enfrentadas por empresas que buscam comercializar produtos com o Peru e criticou a falta de resultados da Zona de Processamento de Exportação. “Precisamos apoiar a indústria, garantindo infraestrutura básica, com estradas adequadas. Não existe desenvolvimento sem logística”, afirmou.
Mailza Assis defendeu a participação do setor produtivo na formulação das políticas estaduais. “Precisamos ouvi-los, manter esse diálogo entre quem empreende e quem governa, compreender as expectativas do setor produtivo e dividir a responsabilidade de governar o Estado para todos”, disse.
Ao fim do encontro, as entidades reforçaram que as propostas apresentadas devem ser consideradas na elaboração dos programas dos pré-candidatos. O documento reúne medidas voltadas à indústria, ao comércio, à agropecuária, à inovação, à infraestrutura e à criação de um ambiente mais favorável aos investimentos no Acre.
Cerca de 3 mil pessoas, entre militantes históricos, dirigentes partidários, candidatos e lideranças políticas da capital e do interior, reuniram-se na noite desta quinta-feira, 30 de julho, no Parque das Acácias, em Rio Branco. A presença de nomes como Nilson Mourão e dos ex-governadores Binho Marques e Tião Viana deu ao encontro um clima semelhante ao das antigas mobilizações da esquerda acreana.
Foi nesse cenário que a Frente Ampla pelo Acre homologou as candidaturas de Thor Dantas (PSB) ao governo do estado, da advogada Socorro Rodrigues (Podemos) a vice-governadora e de Jorge Viana (PT) ao Senado. A convenção também confirmou as chapas do grupo para deputado estadual e deputado federal nas eleições de 2026.
A aliança reúne PSB, PT, PCdoB, PV e Podemos. A composição foi construída em torno da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, com a participação dos demais partidos.
Na disputa pelo Senado, o ex-governador Binho Marques foi confirmado como primeiro suplente de Jorge Viana. A delegada Carla Brito (Podemos) ocupará a segunda suplência. Com as definições, a Frente Ampla concluiu a formação de sua chapa majoritária.
Médico infectologista, professor universitário e pesquisador, Thor Dantas disputará pela primeira vez o governo do Acre. Durante a convenção, ele defendeu mudanças na administração estadual e apresentou saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico como prioridades de sua candidatura.
Socorro Rodrigues destacou sua trajetória ligada à defesa dos direitos das mulheres e ao combate à violência. Em seu discurso, defendeu a ampliação da oferta de creches, melhores escolas e políticas de proteção às famílias. “Nós precisamos salvar uma geração, e esse é o meu propósito”, declarou.
Ex-governador e ex-senador, Jorge Viana afirmou que pretende conduzir uma candidatura voltada ao futuro do Acre e à criação de oportunidades para os jovens. Também defendeu uma campanha baseada no diálogo e na busca de soluções para os problemas do estado, sem limitar o debate às disputas ideológicas.
A convenção homologou ainda aproximadamente 100 candidaturas para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados, marcando a largada política da Frente Ampla para o pleito de outubro.
Apesar do público expressivo e da presença de diferentes gerações da esquerda acreana, também chamaram a atenção as ausências de algumas lideranças, entre elas Sibá Machado e Aníbal Diniz.