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Política

Vereadores de Rio Branco apresentam demandas e posicionamentos no início da semana

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Na sessão desta terça-feira, 25 de março, os vereadores da Câmara Municipal de Rio Branco apresentaram reivindicações e posicionamentos relacionados a infraestrutura urbana, transporte público, direitos de comunidades e manifestações políticas.

O vereador Samir Bestene (PP) cobrou da Prefeitura de Rio Branco melhorias de infraestrutura na feira do Conjunto Manoel Julião. Ele relatou que os feirantes enfrentam problemas como esgoto a céu aberto, lixo acumulado, falta de banheiros e ausência de organização no espaço. O parlamentar afirmou que já levou a demanda ao Executivo municipal e reforçou o pedido à Secretaria de Infraestrutura da Capital (Seinfra) para que sejam tomadas providências.

Na mesma sessão, o vereador Rutênio Sá (UB), líder do prefeito na Câmara, defendeu os repasses públicos à empresa de transporte coletivo Ricco Transportes. Segundo ele, sem os subsídios da Prefeitura, a passagem de ônibus em Rio Branco poderia chegar a R$ 7. Rutênio afirmou que os valores repassados são fiscalizados e que a política de subsídio foi aprovada pela Câmara. O parlamentar respondeu a críticas da oposição, alegando que parte dos questionamentos têm motivação eleitoral.

O vereador Neném Almeida (Podemos) cobrou da Prefeitura de Rio Branco uma indenização para os moradores do bairro Cadeia Velha, afetados pela desapropriação da sede da associação de moradores da comunidade. Ele afirmou que as melhorias no bairro foram realizadas pela própria população e que a desapropriação exige compensações para as famílias atingidas, que vivem em área de risco à beira do Rio Acre.

O vereador André Kamai (PT) solicitou que a Câmara de Rio Branco publique uma nota de solidariedade à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e de repúdio à fala do senador Plínio Valério (PSDB-AM), que declarou ter sido difícil suportar Marina “sem enforcá-la” durante audiência da CPI das ONGs. Kamai destacou a trajetória política da ministra, que começou como vereadora em Rio Branco, e alertou para o impacto de discursos que, segundo ele, naturalizam a violência contra mulheres.

Ainda nesta terça-feira, os vereadores receberam a visita do secretário da Representação do Governo do Acre em Brasília (Repac), Fábio Rueda. O encontro teve como objetivo fortalecer a relação entre o governo estadual e a Câmara Municipal. Rueda afirmou que a intenção é articular com os parlamentares para identificar demandas e viabilizar recursos federais. O vereador Rutênio Sá destacou a importância da atuação da Repac na intermediação com o governo federal.

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Direto ao ponto

Juruá em alerta: até onde o MDB suporta uma aliança contra sua própria memória

Crise interna, imposições externas e memória eleitoral recente colocam o MDB no centro de uma disputa que vai além das urnas – O Leão do Juruá vai rugir?

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Nos bastidores da política acreana, uma inquietação cresce em tom cada vez menos discreto: a coligação que se desenha em torno da vice-governadora Mailza Assis ainda não se firmou como projeto político, parece mais um arranjo sob pressão. E toda construção “arranjada” cobra seu preço.

O ponto mais sensível dessa equação está no Vale do Juruá. Ali, o MDB, sob a liderança de Wagner Salles, o “Leão do Juruá”, não enfrenta falta de força. Enfrenta algo mais delicado: o risco de perder identidade.

A origem dessa tensão está em Cruzeiro do Sul. A ex-deputada federal Jéssica Salles saiu de uma eleição municipal decidida por pouco mais de 100 votos, um resultado que, por si só, já revela um eleitorado dividido. Mas o que ficou daquela disputa foi mais do que o placar apertado.

Ficou, entre seus apoiadores, a percepção de que a disputa ocorreu em condições politicamente desiguais. Além disso, episódios vistos por seus aliados como especialmente duros durante a campanha aprofundaram o desgaste e deixaram marcas que ainda persistem. Esse passado recente está longe de ser detalhe: segue influenciando leituras e reações no cenário político local.

Por isso, a simples hipótese de Jéssica Salles compor como vice em uma chapa ligada ao mesmo grupo que esteve no centro daquela disputa soa, para muitos no Juruá, menos como estratégia e mais como um movimento de difícil assimilação política. Não se trata apenas de cálculo eleitoral. Trata-se de memória, orgulho e coerência política. Mas o problema não se limita à majoritária.

Nos bastidores, interlocutores do partido relatam incômodo com tentativas de acomodação de nomes externos, especialmente ligadas ao grupo governista. O resultado é uma chapa proporcional híbrida, sem unidade orgânica, com candidaturas acomodadas mais por conveniência política do que por construção interna.

É o tipo de arranjo que pode até funcionar no curto prazo, mas cobra fatura depois. O MDB já conhece esse roteiro: abre espaço, elege nomes sem histórico partidário e, em seguida, assiste ao esvaziamento quando esses mesmos eleitos seguem outros caminhos. Foi assim quando abrigou o hoje senador Márcio Bittar e a ex-deputada Eliane Sinhasique e Emerson Jarude, por exemplo.

Agora, o movimento parece ainda mais delicado. há receio interno de que a legenda seja usada apenas como instrumento eleitoral circunstancial, a estratégia atribuída a setores do partido seria aguardar o fechamento da janela partidária para consolidar essas filiações e, só então, estabelecer um filtro interno, inclusive no acesso a recursos de campanha.

Na prática, desenha-se um cenário de disputa dentro da própria legenda: de um lado, candidatos com identidade histórica; de outro, nomes que chegam por conveniência política. Uma equação que dificilmente produzirá unidade.

Como se não bastasse, articulações paralelas seguem em curso, com especulações sobre novas composições e movimentos de última hora, ampliando a sensação de instabilidade.

O que se vê, portanto, é uma coligação que tenta transmitir força, mas carrega tensões estruturais. Há um desalinhamento evidente entre estratégia, base eleitoral e narrativa política. E esse tipo de desalinhamento não se resolve em reuniões de cúpula.

No Juruá, especialmente, política não é apenas articulação, é sentimento. E o sentimento que hoje atravessa parte desse eleitorado está longe de ser de convergência.

Diante desse cenário, a pergunta que fica não é apenas sobre quem ocupará os espaços na chapa.

A dúvida central é mais profunda: o MDB conseguirá sustentar sua própria identidade dentro dessa aliança ou aceitará um papel que não condiz com sua história e capítulos recentes que deixaram feridas que ainda sagram?

O Leão do Juruá ainda pode rugir. Mas há quem aposte que, diante das circunstâncias, ele poderá ser levado a aceitar um papel menor do que sua história sugere.

Foto: Sérgio Vale

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Política

Jorge Viana na ApexBrasil: da posse contestada ao último ato com o Acre em cena

Nomeado por Lula no início de 2023, Jorge Viana enfrentou uma crise judicial na chegada, reposicionou a ApexBrasil com metas, expansão institucional e presença internacional e encerra sua passagem pela agência de volta ao tabuleiro eleitoral, com o Acre no centro da cena final.

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Jorge Viana foi nomeado e empossado em 3 de janeiro de 2023 para a presidência da Diretoria Executiva da ApexBrasil, com mandato de quatro anos, por deliberação do Conselho Deliberativo da agência, a partir de indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ato marcou a volta do ex-governador, ex-prefeito e ex-senador acreano ao primeiro escalão de um dos principais instrumentos federais de promoção de exportações e atração de investimentos.

A largada, porém, foi turbulenta. Em março de 2023, a ApexBrasil alterou o estatuto e retirou a obrigatoriedade da fluência em inglês para a presidência, mudança que abriu uma crise pública em torno da nomeação de Viana. Em 22 de maio, a Justiça Federal anulou sua posse e determinou prazo para comprovação do requisito. Três dias depois, a Advocacia-Geral da União obteve no TRF1 a suspensão da decisão, sob o argumento de que o estatuto previa formas alternativas de comprovação de aptidão para o cargo, como experiência internacional ou profissional com uso do idioma.

Superada a fase mais aguda da controvérsia, a gestão passou a se apresentar como parte de uma nova etapa da agência. No Plano Estratégico 2024-2027, a ApexBrasil vinculou sua atuação à “retomada do desenvolvimento econômico, social e ambiental” do país e ao reposicionamento internacional do Brasil, num movimento que procurou associar a presidência de Jorge Viana menos ao ruído da nomeação e mais a uma agenda de reconstrução institucional e presença externa.

Os números oficiais passaram a sustentar essa virada. No relatório anual de 2024, a ApexBrasil informou 22.141 empresas apoiadas, 54,2% delas micro e pequenas, além de US$ 8,6 bilhões em investimentos anunciados com apoio da agência. No relatório anual de 2025, os totais subiram para 23.386 empresas apoiadas, 4.859 exportadoras acompanhadas, 3.605 compradores internacionais mobilizados, 69 investimentos anunciados e 365 investidores em atendimento.

A agenda internacional também ganhou corpo. Em fevereiro de 2026, durante missão presidencial à Índia, a Apex inaugurou seu primeiro escritório em Nova Délhi, apresentado pelo governo como o 11º posto internacional da agência. No balanço de 2025, a Apex destacou ainda a execução do Pavilhão do Brasil na Expo Osaka, com mais de 1,5 milhão de visitantes e prêmio Silver na categoria “Conceito”, além do reconhecimento internacional do programa Mulheres e Negócios Internacionais, vencedor do WTPO Awards 2024.

Ao longo de toda a passagem pela Apex, o Acre permaneceu visível. Já em janeiro de 2023, em agenda com o governo estadual, Viana afirmava que o estado poderia se tornar “referência de Estado exportador”. No fim do mesmo ano, a Apex levou o Exporta Mais Amazônia a Rio Branco, reunindo 20 compradores internacionais, 35 empresas do Norte e expectativa de R$ 50 milhões em negócios. Mais do que uma referência regional, o Acre passou a aparecer como parte recorrente da narrativa pública da gestão.

Ao lado do presidente Lula, Jorge Viana participa de agenda oficial no Acre marcada pelo anúncio de investimentos federais no estado. Foto: Sérgio Vale.

Essa presença também surgiu no discurso do próprio Viana. Em julho de 2025, ao comentar sua atuação à frente da Apex e seu futuro político, resumiu a lógica que guiava sua passagem pela agência numa frase curta: “Onde eu estiver, tem Acre.” A declaração ajuda a explicar o desenho da gestão: uma presidência construída sob contestação no plano jurídico, mas também marcada por uma tentativa permanente de manter o estado natal visível dentro de agendas de exportação, bioeconomia, sociobiodiversidade e atração de investimentos.

Com a aproximação do calendário eleitoral de 2026, a trajetória de Jorge Viana na ApexBrasil passou a ser lida também sob chave política. Em 19 de março, Jorge Viana oficializou em Rio Branco sua pré-candidatura ao Senado e disse que a decisão havia sido tomada a pedido de Lula. A partir dali a permanência na Apex deixou de ser apenas um dado administrativo e passou a conviver abertamente com a volta do ex-senador à disputa eleitoral.

O desfecho ocorreu em 1º de abril, em Brasília, numa agenda acompanhada pela imprensa acreana, que funcionou como uma demonstração de capital político voltada ao seu reduto. A cena final foi montada com anúncios que extrapolaram o escopo tradicional de promoção de exportações da agência. O principal deles foi a liberação de mais de R$800 milhões em investimentos para a BR−364 e a BR−317, feita ao lado do ministro dos Transportes Renan Filho. Jorge Viana anunciou, também, obras no acesso ao aeroporto de Rio Branco, reconstrução de mais de 100 quilômetros da rodovia entre Sena Madureira e Manoel Urbano, retomada do contorno de Brasiléia e novos investimentos no trecho entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Também participou, com o BNDES, do lançamento do projeto “Cooperar com a Floresta”, com R$69 milhões do Fundo Amazônia para cadeias agroextrativistas e previsão de beneficiar 1.500 famílias no Acre ao longo de 48 meses.

Para consolidar esse roteiro, a cerimônia contou com o endosso direto de aliados do governo. O então ministro Carlos Fávaro utilizou o evento para atestar o sucesso internacional das exportações acreanas, citando a inserção da empresa Dom Porquito no mercado do Peru, enquanto o sucessor no comando da agência, Laudemir Müller, assumiu o compromisso de dar continuidade à estratégia focada na Amazônia.

Se a passagem de Jorge Viana pela ApexBrasil começou sob contestação jurídica, ela se encerra como uma gestão que resistiu à crise inicial, acumulou resultados de forte visibilidade institucional e inegavelmente manteve o Acre como presença constante do primeiro ao último capítulo.

Jorge Viana e integrantes da ApexBrasil em agenda que marcou a transição no comando da agência, em meio à sua saída para disputar o Senado pelo Acre – Fotos Cedidas: Aarão Prado / Assessoria

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Direto ao ponto

O maior problema de Maílza não é político. É de liderança

Sua chegada ao governo expõe um desafio que o poder não resolve: liderança não se constrói em seis meses

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Assumir o governo de um estado, ainda que de forma circunstancial, costuma ser visto como uma oportunidade decisiva para quem pretende disputar uma eleição majoritária. A visibilidade aumenta, a presença institucional se fortalece e o acesso à máquina pública cria a sensação de que o jogo pode ser reorganizado a favor de quem está no poder. Mas há um limite claro nesse raciocínio: nem todo cargo produz liderança.

É exatamente esse desafio que se impõe à vice-governadora Maílza Assis ao assumir o governo do Acre neste momento decisivo do calendário eleitoral. Depois de já ter ocupado posições relevantes, como suplente de senadora, exercício de mandato no Senado e a própria vice-governadora, Maílza chega ao posto mais alto do Executivo estadual com a oportunidade de se projetar politicamente. O problema é que ocupar espaços não é o mesmo que construir liderança.

Liderança exige algo que não vem com a caneta nem com o cargo. Ela depende de trajetória reconhecida, identidade política clara e capacidade de se afirmar como referência perante seus pares e principalmente diante da população. E esses elementos, quando não são construídos ao longo do tempo, dificilmente surgem em poucos meses, por mais favorável que seja o contexto institucional.

Ao assumir o governo, Maílza tende a buscar ancoragem no capital político do atual governador Gladson Cameli, que deixa o cargo para disputar o Senado. Trata-se de um movimento natural do ponto de vista estratégico, mas que também evidencia uma fragilidade: quando a força política precisa ser transferida, é sinal de que ela ainda não se consolidou de forma autônoma.

O tempo, nesse caso, é um fator decisivo e adverso. São poucos meses até a eleição de outubro, um intervalo insuficiente para construir aquilo que, em regra, demanda anos de presença pública consistente. A disputa se desenha, ainda, em um cenário competitivo, no qual os principais adversários chegam com atributos que Maílza ainda tenta consolidar.

Tião Bocalom, atual prefeito de Rio Branco, é um nome conhecido, testado e reconhecido como liderança por parcela significativa do eleitorado. Alan Rick, por sua vez, construiu popularidade na comunicação antes de ingressar na política institucional e reforçou sua presença ao longo do mandato no Senado. Ambos entram na disputa com um ativo essencial em eleições majoritárias: reconhecimento.

E é justamente aí que reside o ponto central dessa eleição. O eleitor não escolhe apenas um projeto administrativo ou uma proposta de governo. Ele escolhe, sobretudo, quem considera capaz de liderar.

Nesse tipo de disputa, o marketing político tem um papel importante, mas limitado. Ele pode organizar a comunicação, ajustar a narrativa e ampliar a visibilidade do candidato. O que não pode fazer é criar, em curto prazo, densidade política, identidade pública e liderança reconhecida. Esses atributos não são produtos de campanha; são resultados de construção ao longo do tempo.

O risco, portanto, é evidente. A ampliação da exposição institucional pode não ser acompanhada pela consolidação de uma imagem de liderança. O eleitor passa a ver mais a candidata, mas não necessariamente passa a reconhecê-la como líder. E, em política, essa diferença é decisiva.

Maílza Assis entra na disputa com estrutura, apoio político e o peso do governo nas mãos. Mas enfrenta um desafio que não pode ser resolvido apenas com estratégia de campanha: transformar uma posição circunstancial de poder em liderança efetiva.

Em recente publicação nas redes sociais, o publicitário e profissional de marketing político Zé Américo resumiu assim o desafio da liderança: “No fim das contas, eleição majoritária não é apenas sobre quem ocupa o cargo. É sobre quem o eleitor acredita que pode exercê-lo com autoridade. E liderança, como a política costuma demonstrar, não se improvisa.”

Foto: Sérgio Vale

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