Connect with us

Direto ao ponto

A “Verticalização” de Flávio Bolsonaro e o Dilema de Márcio Bittar no Acre

Published

on

A recente guinada na estratégia do Partido Liberal (PL), articulada por Flávio e Michelle Bolsonaro, de lançar candidatos próprios ao governo em todos os estados, caiu como uma bomba nos arranjos regionais. Se em estados como Minas Gerais e São Paulo a ordem é pressionar aliados, no Acre, ela tem potencial para implodir o “consórcio da direita” e colocar em rota de colisão os dois maiores expoentes do bolsonarismo local: o senador Márcio Bittar e o prefeito reeleito de Rio Branco, Tião Bocalom.

O Plano Nacional: “Palanque Puro-Sangue” A lógica de Brasília é clara. Para 2026, a família Bolsonaro não quer depender da boa vontade de governadores de outros partidos (como União Brasil ou PP) para fazer campanha presidencial. Flávio Bolsonaro defende a tese de que o PL precisa de “donos de palanque” leais, que defendam o 22 de ponta a ponta.

Essa diretriz favorece, naturalmente, quem tem votos e ambição executiva dentro do partido. No Acre, esse nome é Tião Bocalom.

O “Xadrez” de Márcio Bittar, até o mês passado, a tese defendida publicamente pelo senador Márcio Bittar era pragmática: o foco do PL em 2026 deveria ser eleger a maior bancada possível de senadores.

Por que Bittar dizia isso? Sobrevivência Política: Bittar é candidato à reeleição para o Senado. O cenário ideal para ele seria uma “grande aliança” de direita (PL + União Brasil + PP + Republicanos). Nesse cenário, o PL abriria mão da cabeça de chapa (o Governo) em troca de garantir a vaga de Senado na chapa majoritária de um favorito, como o senador Alan Rick (Republicanos) ou a atual vice, Mailza Cameli (PP).

Em uma aliança ampla, Márcio Bittar contaria com o apoio da estrutura do governo de Gladson Cameli e da rede de prefeitos do interior vinculados ao União Brasil e ao PP, ampliando sua base eleitoral e reduzindo os riscos na disputa pelo Senado.

O “Problema” Bocalom: Se o PL lança Bocalom ao governo, a aliança se desfaz. Bittar seria obrigado a concorrer ao Senado numa chapa “chapa pura” do PL, perdendo os votos dos eleitores de Alan Rick e Gladson Cameli, que teriam seus próprios candidatos ao Senado (o próprio Gladson é cotado para a outra vaga, além de nomes como Alan Rick se este não for ao governo, ou indicações do PP).

A nova ordem de Flávio Bolsonaro dá a Tião Bocalom exatamente o que ele precisava: legitimidade partidária para peitar os acordos de cúpula. Bocalom, reeleito prefeito e surfando na popularidade da capital, nunca escondeu o desejo de governar o estado. Com a benção de Flávio e Michelle, ele deixa de ser um “plano B” e vira a prioridade estratégica do partido.

Para o Acre, isso desenha um cenário de divisão da direita em 2026:

Chapa 1 (PL Puro): Bocalom (Governo) + Márcio Bittar (Senado).

Chapa 2 (União/PP/Republicanos/PL): Alan Rick ou Mailza (Governo) + Gladson Cameli (Senado).

O Tiro pode sair pela culatra? Para Márcio Bittar, a estratégia nacional pode ser um pesadelo tático. Ele corre o risco de ficar isolado numa chapa com Bocalom que, embora forte na capital, ainda enfrenta resistências no interior e em partes da classe política tradicional.

Se a tese de Flávio prevalecer, o PL do Acre deixará de ser um “partido de aluguel” para aliados e tentará voo solo. O risco? Dividir os votos da direita e abrir caminho para uma disputa mais acirrada do que o previsto, ou entregar o governo para o Republicanos enquanto o PL amarga uma derrota majoritária.

Resta saber se a fidelidade de Bittar a Bolsonaro falará mais alto que seu instinto de sobrevivência política, ou se ele tentará convencer Brasília de que, no Acre, o “buraco é mais embaixo”.

Direto ao ponto

Sobre política no Acre

Published

on

Nem mesmo trajetórias marcadas por diálogo e habilidade política resistem ilesas à soberba

Uma coisa que sempre me chamou atenção nas grandes lideranças era a capacidade de entrar em uma reunião cheia de pensamentos diversos, interesses diferentes e visões até opostas, e ainda assim sair de lá com sua posição aprovada como se fosse, naturalmente, a vontade da maioria. Muitas vezes, parecia até que aquela nem era a vontade principal dele, que teria sido apenas “voto vencido”. Mas, no fundo, era estratégia, articulação e, sobretudo, a sandália da humildade.

Vejo isso no Jorge Viana. Já o vi fazer isso muitas vezes: entrar em reuniões em que todos achavam que ele seria massacrado e, no final, conduzir o ambiente de outra forma. Vi isso em reuniões com empresários, com a classe da saúde e em outros espaços importantes.

Também havia, outrora, uma alegria própria dessas reuniões, uma energia de construção que não dependia da centralidade de uma única figura. A liturgia política sempre abriu espaço para que o presidente do partido ou, em um ato da federação, sua representação formal, pudesse estar ao centro da mesa. Isso nunca foi perda de protagonismo; muitas vezes, era justamente o contrário: sinal de maturidade, de desprendimento e de compreensão de que a autoridade mais sólida é aquela que não precisa ser reafirmada a todo instante pela posição que ocupa.

O contraste com a imagem que hoje se projeta é inevitável: em vez de uma mesa viva, de construção e diálogo, o que se percebe é uma postura excessivamente dura, solene demais, mais próxima de um ambiente fúnebre do que de um espaço político forte e agregador.

Jorge Viana não foi o responsável por criar tudo o que o Acre tem, mas, sem dúvida, teve coragem de enfrentar temas que ninguém antes quis enfrentar, como PCCRs e capacitação de servidores. Em muitos momentos, isso foi até confundido com perseguição.

A política de verdade também é isso: coragem para enfrentar assuntos difíceis, habilidade para dialogar com quem pensa diferente e humildade para construir caminhos.

Jorge Viana é inteligente, é corajoso e tem história. Isso é inquestionável.

Mas política não vive só de biografia. O tempo mudou, o mundo mudou, o Acre mudou.

E talvez o ponto central seja esse: protagonismo não está apenas em quem ocupa o centro da mesa. Muitas vezes, ele também está no “coadjuvante”, em quem sabe compor, ouvir, recuar quando precisa e liderar por outra perspectiva. Há grandeza e protagonismo nisso também.

Jorge Viana, em seu tempo, soube conduzir debates difíceis, enfrentar temas espinhosos e entrar em espaços onde poucos teriam coragem de entrar. Isso ninguém pode apagar.

Mas hoje o debate não é mais apenas sobre reconhecer sua trajetória. O Acre quer saber outra coisa: quem é Jorge Viana para este novo mundo?

Tem a inteligência? Tem.
Tem coragem? Tem.
Mas terá a sabedoria de compreender que o eleitor de hoje já não responde apenas à autoridade da história?

Essa é a pergunta.

Porque, no fim, não basta ter sido protagonista de um tempo. É preciso entender qual papel ainda se é capaz de exercer no tempo de agora, com disposição para dialogar com o presente e construir o futuro.

Foto: Sérgio Vale

Advertisement
Whats-App-Image-2025-10-10-at-16-30-53
Continue Reading

Direto ao ponto

Mailza é a candidata. Bocalom é o seguro?

Published

on

Entre os dias 3 e 20 de março, a sucessão de 2026 no Acre ganhou um desenho curioso, desses que fazem a política mudar de rumo como igarapé em tempo de cheia. Tião Bocalom saiu do PL, desembarcou no PSDB com abono de Aécio Neves e virou pré-candidato tucano ao governo, enquanto o campo governista manteve Mailza Assis como nome oficial e, no mesmo compasso, passou a tratar o prefeito de Rio Branco não como adversário, mas como peça útil numa travessia pensada para o segundo turno. Em Rio Branco e Brasília, a pergunta começou a correr pelos bastidores: se a candidatura do grupo é a de Mailza, por que houve tanto empenho para manter Bocalom vivo no jogo?

No começo do mês, Gladson Cameli subiu ao palanque ao lado de Mailza e Márcio Bittar, chamou a militância para o “trabalho de formiguinha” e prometeu subir barranco e descer rio para levar o nome da vice-governadora pelo Acre. O recado era de unidade, de base forte, de continuidade. Só que, poucos dias depois, a mesma vizinhança política ajudou a abrir outra vereda. Bittar confirmou que trabalhou para a filiação de Bocalom ao PSDB, e o próprio prefeito contou que o senador telefonou duas vezes para Aécio Neves, com apoio também de Valdemar Costa Neto, para destravar sua entrada no ninho tucano.

A sexta-feira trouxe a fotografia mais nítida dessa arrumação. Gladson falou que conta com Bocalom numa eventual segundo turno contra Alan Rick e repetiu que Mailza chegará lá. Mailza caminhou na mesma trilha, disse que “não somos adversários”, juntou PL, PSDB e Progressistas no mesmo campo e tratou a presença de Bocalom na disputa como parte de uma estratégia. Quando a candidata oficial e o principal fiador do grupo enxergam serventia eleitoral numa candidatura paralela, a conversa deixa de ser só partidária. Vira leitura de terreno, dessas que se fazem devagar, com o ouvido atento ao rumor da mata e o olho medindo a correnteza, como se visse para que rumo a balsa vai virar.

Talvez a resposta para a pergunta central seja menos áspera do que parece. Os aliados podem, sim, acreditar em Mailza, mas acreditar nela dentro de um arranjo mais largo, com uma espécie de seguro político amarrado no porto caso a eleição exija duas viagens. As falas públicas caminham nessa direção desde fevereiro, quando Gladson já dizia esperar estar com Bocalom numa segunda rodada. Agora, com o prefeito abrigado no PSDB e reconhecido pela executiva nacional como pré-candidato ao governo, essa hipótese deixou de ser cochicho de corredor e ganhou corpo de estratégia assumida.

Também pesa o tamanho de Bocalom nesse balaio. Ele chega a 2026 vindo de reeleição em primeiro turno em Rio Branco, com mais de 54% dos votos válidos, e com uma memória eleitoral antiga no Acre, inclusive dos tempos de PSDB. Mailza carrega a máquina, a continuidade do governo e a força da aliança costurada por Gladson e Bittar.

Enquanto isso, Bocalom vai fazendo o dever de casa, com uma condução política coerente com a trajetória que construiu e sem se afastar da imagem de lealdade que lhe rende lastro eleitoral. Ao redor dele, porém, reaparecem figuras conhecidas da política acreana, algumas das mesmas que o viram ser preterido pelo PL sem grande constrangimento e que, em outros momentos, já haviam declarado apoio a outros candidatos. Agora, com o prefeito de novo viável no tabuleiro, tentam se aproximar e até posar como fiadores de um capital político que não construíram. É aí que o escorpião mostra a cauda: não em Bocalom, mas nos oportunistas de sempre, aparecem conforme a conveniência e tentam reivindicar como obra própria vitórias às quais antes assistiam de longe, ou contra as quais trabalhavam em silêncio.

No fundo, a pergunta que ecoa nos corredores do poder talvez já nem seja se os aliados acreditam em Mailza. A dúvida mais funda é se acreditam nela como projeto suficiente, capaz de caminhar sem muleta até o segundo turno. Porque, quando um grupo sustenta uma candidata oficial e, ao mesmo tempo, trabalha para manter outra candidatura viável no mesmo campo, a imagem que se projeta é inevitável: a de uma vice-governadora que tem o selo da aliança, mas ainda não foi abraçada por ela por inteiro. Em vez de herdeira incontestável, Mailza corre o risco de parecer o patinho feio de uma família política que diz escolhê-la, mas evita apostar só nela.

Fotos: Sérgio Vale

Continue Reading

Direto ao ponto

Depois do PSDB, o que sobra do campo de Gladson?

Published

on

A filiação de Tião Bocalom ao PSDB não é um gesto burocrático. É um movimento político de peso. Ao receber o prefeito de Rio Branco e lançá-lo como pré-candidato ao governo do Acre, o PSDB deixa claro que decidiu ter projeto próprio no estado e apostar em um nome com densidade eleitoral, recall e capilaridade.

Até poucos dias atrás, Gladson Cameli ainda falava em diálogo com MDB e PSDB para ampliar sua aliança. O problema é que, na política, diálogo sem retenção não basta. O MDB foi acomodado no campo governista com a perspectiva de indicar o vice de Mailza Assis. O PSDB, porém, não ficou. Foi para Bocalom. E isso rompe a ideia de que o Palácio seguiria como destino natural das forças de centro e centro-direita do Acre.

O MDB, dividido, ainda se move em direção ao governismo. Nos bastidores, alguns partidos, já emite sinais de instabilidade: Deputados deixam a base; Não é detalhe administrativo. É sintoma político.

O ambiente de Gladson, assim, já não é o de quem conduz a sucessão com autoridade incontestável. Passa a ser o de quem precisa administrar perdas enquanto aliados recalculam rota. Quando o governador fala em “usufruir” do governo para depois “fugir na hora decisiva”, o recado não é de expansão, mas de incômodo com a erosão da base.

Isso não significa colapso. O governismo ainda tem máquina, estrutura, aliança robusta e instrumentos reais de disputa.

Mailza Assis segue amparada por um bloco competitivo. Mas uma coisa é ter estrutura; outra é preservar magnetismo político. E é justamente aí que o sinal amarelo se acende.

A entrada de Bocalom no PSDB aprofunda esse cenário porque cria um novo polo com lastro popular. Alan Rick já atrai dissidências.

Mailza representa a continuidade do Palácio. Bocalom surge agora com legenda, discurso e força eleitoral. O campo político acreano deixou de ser difuso e passou a ter mais de uma via competitiva.

No fundo, o que está em disputa é herança política. Gladson quer transferir capital para sua sucessão e pavimentar sua candidatura ao Senado. Mas herança não se impõe; se transfere com coesão e confiança. Quando deputados saem, quadros pedem exoneração e partidos testam outros caminhos, o que entra em crise não é apenas a base numérica, mas a autoridade do projeto.

É nesse ponto que entram Petecão e o MDB. O senador, em busca da reeleição, corre o risco de ficar sem um palanque forte ou ter de reassumir sozinho um protagonismo que hoje parece mais difícil.

O MDB, embora se prepare para indicar o vice da chapa governista, a quem diga oferece a “barriga” para uma indicação governista, segue fora do governo e diante de uma escolha: aceitar papel acessório numa aliança em que foi pedido em casamento, mas sob separação universal total de bens, ou buscar uma composição em que seu peso histórico se converta em protagonismo real. Vale destacar que há quem defenda que isso vale uma chapa forte para concorrer a uma vaga ou duas na câmara federal, mas a que preço?, mais uma barriga de aluguel?

Nesse contexto, uma aproximação com Senador Petecão pode ampliar o espaço de Jéssica ao Senado, ainda mais porque, nos bastidores, seu entusiasmo com a hipótese de ser vice de Mailza nunca pareceu exatamente transbordante, e essa indicação como dizem é fumaça “danada”.

No fim, a questão é simples: quem perceber primeiro que, em política, estar perto do poder nem sempre significa participar dele de verdade.

Foto: Sérgio Vale

Continue Reading

Tendência