A Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) está sendo discutida em Rio Branco, onde ocorre, de 29 a 31 de outubro, a 3ª Oficina de Governança Regional no Centro de Formação Indígena. O evento reúne lideranças indígenas do Acre, representantes de 33 das 36 terras indígenas do estado, além do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas do Acre (Sepi), Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/Acre), Funai e Ibama, com o objetivo de orientar a implementação da política e definir compromissos e formas de financiamento para os territórios .
A PNGATI foi instituída por decreto em 2013 e estabelece diretrizes para que o Estado brasileiro e os povos indígenas definam formas de gestão, proteção e uso sustentável dos territórios. Segundo Ceiça Pitaguary, secretária nacional do MPI, a política é conduzida com articulação entre ministérios e governos estaduais. Ela destacou que o Acre já possui secretaria indígena estruturada e que a gestão territorial, sob a perspectiva dos próprios povos, pode contribuir para a manutenção das florestas e para a produção de alimentos em um cenário de mudanças climáticas .
Vera Olinda, coordenadora executiva da CPI/Acre, afirmou que o foco da oficina é garantir que a implementação da política tenha financiamento e metas concretas. Ao justificar a necessidade de recursos para que a política avance, ela destacou: “nenhuma política pública se implementa e se sustenta sem financiamento”. Olinda também explicou que a execução da PNGATI deve considerar a escuta das lideranças, já que somente elas têm legitimidade para definir prioridades nos territórios .
Oficina da PNGATI no Acre reúne lideranças e gestores para fortalecer os PGTAs e garantir recursos para ações nos territórios indígenas. Foto: Sérgio Vale
A gestora da Sepi, Francisca Arara, informou que 29 terras indígenas do Acre já possuem Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) e que outros estão em elaboração. Ela também registrou que mais de 1.600 famílias indígenas estão cadastradas no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e que o estado mantém agentes agroflorestais com bolsa de incentivo. Francisca afirmou que a implementação envolve ações como segurança alimentar, formação, vigilância territorial e acesso à água .
Durante a oficina, indígenas relataram diferentes situações vividas em seus territórios. Maria Júlia Yawanawa Kanamani, da Terra Indígena Rio Gregório, disse que o encontro permite conhecer realidades distintas, desde territórios sob ameaça até comunidades que já desenvolvem projetos sem apoio público. Para ela, o objetivo é construir caminhos para que políticas públicas cheguem a todas as terras indígenas .
O encontro também contou com a presença de indígenas de recente contato do povo Yura, convidados pela Funai, que participaram das atividades com apoio de intérprete .
A oficina encerra um ciclo de discussões que busca consolidar o protagonismo indígena na condução de ações de gestão das terras e reforça o alinhamento entre governo federal, estado e organizações indígenas para execução da PNGATI no Acre.
O Ministério Público do Estado do Acre recomendou ao comando-geral do Corpo de Bombeiros Militar e à Secretaria de Administração que futuras convocações, matrículas, incorporações ou aproveitamentos de cadastro de reserva do concurso vigente respeitem a igualdade entre homens e mulheres. A medida foi assinada em Rio Branco pelo promotor de Justiça Thalles Ferreira Costa, da área de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania, e busca evitar novas restrições de gênero em atos ligados ao certame.
A recomendação determina que a gestão do concurso observe a decisão do Supremo Tribunal Federal na ADI nº 7.557/AC, que afastou interpretações capazes de criar reserva de vagas para candidatos homens ou limitar, ainda que parcialmente, a participação feminina nos concursos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Acre.
O MPAC também orientou que não sejam adotados critérios administrativos, listas, percentuais, reservas ou qualquer mecanismo que reduza, direta ou indiretamente, a presença de mulheres nas convocações. Restrições só podem ocorrer em situações excepcionais, com justificativa técnica, objetiva e proporcional, dentro dos limites admitidos pela Constituição e pela jurisprudência do STF.
A recomendação ainda prevê análise prévia de conformidade constitucional antes da publicação de novos atos administrativos relacionados ao concurso. Os setores responsáveis pela gestão do certame deverão ser orientados sobre a obrigatoriedade de cumprir a decisão da Suprema Corte.
O Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Administração têm prazo de 15 dias para informar ao Ministério Público quais providências serão adotadas para cumprir a recomendação. O acompanhamento será feito no Procedimento Administrativo nº 09.2026.00001710-1, e o descumprimento poderá levar à adoção de medidas judiciais e extrajudiciais.
A atuação ocorre após decisões do STF que consolidaram o entendimento de que mulheres devem disputar vagas em igualdade de condições nos concursos das corporações militares estaduais. No Acre, o debate ganhou força após questionamentos sobre regras que limitavam a participação feminina em seleções para as forças de segurança.
A população de Rio Branco terá atendimentos dermatológicos gratuitos a partir desta terça-feira (23) na carreta do Projeto Roda-Hans, instalada na Praça da Cidade Nova, na Rua Nova Andirá, até sexta-feira (26). A ação busca ampliar o diagnóstico precoce da hanseníase e de outras doenças de pele, com consultas, exames e encaminhamento para tratamento.
A unidade móvel funcionará das 8h às 12h e das 13h às 16h. O atendimento será por demanda livre. A carreta conta com cinco consultórios e um laboratório, com capacidade para cerca de 100 atendimentos por dia.
A ação é voltada principalmente a pessoas com manchas na pele, feridas que não cicatrizam, alterações em pintas, caroços, perda de sensibilidade ou outros sinais que possam estar relacionados a doenças dermatológicas. Moradores com sintomas suspeitos ou dúvidas sobre saúde da pele poderão procurar o serviço durante o período de permanência da unidade na capital.
A iniciativa é realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Novartis, a Sociedade Brasileira de Dermatologia e a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Saúde. Além do atendimento ao público, o projeto terá atividades educativas e capacitações para profissionais da Atenção Primária à Saúde, com foco no diagnóstico, no acompanhamento de pacientes e na vigilância epidemiológica.
O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que a ação aproxima o atendimento especializado da população. “Estamos ampliando o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento, levando atendimento especializado para mais perto da população e fortalecendo nossa rede de saúde”, disse.
Criado em 2009, o Projeto Roda-Hans já fez mais de 85 mil atendimentos gratuitos no país. A iniciativa atua para identificar casos de hanseníase mais cedo, interromper a transmissão da doença, reduzir o preconceito e reforçar a assistência nos municípios atendidos.
O Acre registrou 950 mulheres vítimas de lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar entre janeiro e maio de 2026. Os casos ocorreram em municípios de todas as regionais do estado e mantêm a agressão física como uma das principais formas de violência contra mulheres no período.
A maior quantidade mensal foi registrada em abril, com 207 vítimas. Em maio, foram 198 casos, queda de 4,35% em relação ao mês anterior. Antes disso, janeiro teve 189 registros, enquanto fevereiro e março somaram 178 vítimas cada.
Rio Branco concentrou o maior número de ocorrências em maio, com 83 vítimas. Cruzeiro do Sul e Sena Madureira aparecem em seguida, com 21 registros cada. Tarauacá teve 16 casos, Brasiléia contabilizou nove, e Acrelândia e Epitaciolândia registraram seis vítimas cada.
A maior parte das agressões registradas em maio ocorreu à noite, com 65 vítimas entre 18h e 23h59. O período da tarde teve 54 casos, a manhã somou 47 e a madrugada registrou 32. Na divisão por dia da semana, o domingo concentrou o maior volume de ocorrências, com 56 vítimas.
Mulheres jovens adultas aparecem entre as mais atingidas. Em maio, a faixa de 18 a 24 anos teve 41 vítimas, seguida por mulheres de 25 a 29 anos, com 34 casos. Também houve registros envolvendo meninas e adolescentes: oito vítimas tinham até 11 anos e dez tinham entre 12 e 17 anos.
A contagem pode mudar com novos registros e atualizações posteriores, já que parte das ocorrências pode ser lançada no sistema depois da data do fato. Ainda assim, o acumulado dos cinco primeiros meses mostra uma média de 190 mulheres agredidas por mês no Acre em 2026.