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Segurança

Cecília Olliveira alerta que redução da maioridade penal pode ampliar recrutamento por facções

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A jornalista Cecília Olliveira, fundadora do Instituto Fogo Cruzado, questionou a eficácia da redução da maioridade penal e alertou para o risco de ampliar o recrutamento de adolescentes por organizações criminosas. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela defende que propostas de segurança pública sejam avaliadas pelos resultados que podem produzir. A manifestação ocorre em meio ao debate sobre a PEC da Segurança Pública, com votação prevista no Senado nesta terça-feira (3).

“Não importa se ela parece justa. A pergunta é: ela funciona?”, afirma Cecília. Para a jornalista, a discussão precisa considerar as condições das prisões brasileiras e as consequências de colocar adolescentes em contato com integrantes de facções.

No vídeo, ela cita o percentual de 1% de participação de adolescentes nos crimes violentos no Brasil e argumenta que a redução da idade de responsabilização penal não alcançaria a maior parte dessas ocorrências, cometidas por adultos. Na avaliação de Cecília, concentrar o debate nessa mudança desvia a atenção de medidas com maior capacidade de enfrentar a violência.

“O óbvio precisa ser dito: colocar adolescentes em contato com as facções é aumentar o número de pessoas disponíveis para serem recrutadas por essas facções”, declara.

A jornalista também aborda as condições sociais dos jovens que chegam ao sistema socioeducativo. Entre os números apresentados por ela estão os de que 91% não concluíram o ensino fundamental, 34% têm renda familiar inferior a três salários mínimos e 71% vivem em áreas de conflito armado.

Para tratar da exposição à violência, Cecília relata a história de uma menina de 12 anos que, durante uma pesquisa com adolescentes infratores, foi questionada sobre já ter presenciado a morte de alguém. “Até quantas pessoas?”, teria respondido a menina. O episódio é usado pela jornalista para discutir como a convivência com mortes e tiroteios atravessa a infância de parte desses jovens.

A análise também cobra dos parlamentares uma discussão sobre o funcionamento do sistema prisional. Cecília argumenta que a promessa de diminuir a criminalidade depende de uma questão que precisa ser respondida: como impedir que um adolescente saia da prisão mais ligado ao crime organizado do que quando entrou?

No Senado, a discussão sobre a PEC da Segurança Pública recebeu emendas que propõem alterar a maioridade penal. Uma delas, apresentada por Camilo Santana (PT-CE), prevê a redução para 16 anos em crimes hediondos. Outra, de Rogério Marinho (PL-RN), propõe 16 anos como regra geral e 14 anos para determinados crimes. As mudanças são propostas em discussão, não regras em vigor.

“Quando alguém te vende uma solução para a segurança pública, você não deveria perguntar se ela parece justa. Você precisa perguntar se ela vai mesmo funcionar”, afirma Cecília.

Povos Indígenas

MPAC apura ameaças contra liderança indígena em Porto Walter

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O Ministério Público do Estado do Acre instaurou uma Notícia de Fato Criminal para apurar ameaças contra uma liderança indígena e a possível atuação de uma organização criminosa em uma comunidade indígena de Porto Walter, no interior do Acre. A investigação mira crimes que podem estar ligados à disputa por rotas usadas pelo narcotráfico transnacional nas calhas fluviais da região.

A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado. Na terça-feira, 14 de julho, uma equipe foi até a aldeia para ouvir moradores, coletar depoimentos e reunir elementos para a produção de um relatório técnico sobre o caso.

A ação foi coordenada pelo promotor de Justiça Júlio César de Medeiros Silva, coordenador-geral do Gaeco em exercício, e teve apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre. A Sejusp disponibilizou aeronaves do Centro Integrado de Operações Aéreas para o deslocamento da equipe até a comunidade.

Um servidor do Projeto Txai, iniciativa voltada ao fortalecimento das políticas públicas de proteção e defesa dos direitos fundamentais da população indígena no Acre, também participou da atividade. O acompanhamento envolveu questões relacionadas a educação, saúde e segurança pública.

As informações reunidas na investigação tratam de um cenário de pressão sobre comunidades indígenas por grupos criminosos interessados no controle de rios usados como rota para o tráfico de drogas. A atuação desses grupos envolve ameaça, medo e cooptação de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Durante a diligência, lideranças indígenas foram ouvidas e possíveis autores de crimes foram identificados. Entre os delitos em apuração estão ameaça, furto qualificado, tráfico de drogas e promoção de organização criminosa.

Com a abertura do procedimento, o Gaeco determinou medidas para aprofundar a investigação, entre elas a requisição de informações à Polícia Civil e o compartilhamento de dados de inteligência sobre a atuação de facções criminosas na região.

A apuração também deve ter ações integradas com o Ministério Público Federal e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas para fiscalização e pacificação da área indígena. O Gaeco mantém contato com a Polícia Civil de Porto Walter para avançar na identificação e responsabilização criminal dos envolvidos.

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Segurança

Sejusp amplia estrutura de segurança na fronteira do Acre com a Bolívia

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A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre mantém uma base estratégica em Epitaciolândia, no Alto Acre, e prepara a construção da sede definitiva da regional para ampliar a atuação integrada na fronteira com a Bolívia. A estrutura concentra ações de inteligência, videomonitoramento, operações policiais e cooperação internacional para enfrentar crimes transfronteiriços.

Instalada em 2019, a sede da Sejusp em Epitaciolândia reúne o Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira Internacional, o programa Acre Pela Vida, o Grupo Especial de Operações em Fronteira e a central de videomonitoramento que atende Brasiléia e Epitaciolândia.

O secretário de Justiça e Segurança Pública, José Américo Gaia, afirmou que a integração com a Polícia Boliviana tem contribuído para o enfrentamento da criminalidade na região. “Essa estrutura somada a um trabalho de integração com a Polícia Boliviana tem nos mostrado grandes resultados no combate ao crime nessa região”, disse.

A cooperação entre os dois países envolve operações conjuntas, troca de informações, cumprimento de demandas policiais e ações de intercâmbio entre forças de segurança. O coordenador do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira Internacional, coronel Cleudo Maciel, afirmou que a parceria é permanente. “Temos uma cooperação técnica permanente com a Polícia Nacional da Bolívia. São operações realizadas de forma conjunta, troca de informações, cumprimento de demandas dos dois países e atividades de intercâmbio que fortalecem o enfrentamento ao crime na região de fronteira”, afirmou.

A nova sede da regional da Sejusp será construída em terreno doado pela Prefeitura de Epitaciolândia. O projeto deve ampliar os serviços já oferecidos, expandir o sistema de videomonitoramento e abrir espaço para cursos de capacitação voltados a operadores de segurança pública.

A engenheira da Sejusp Vanessa Eluan explicou que a estrutura reunirá unidades voltadas ao planejamento, à coordenação e à resposta operacional. O projeto está em fase de elaboração e deve incluir setores administrativos e operacionais para reforçar a atuação da segurança pública no Alto Acre.

A integração entre Acre e Bolívia também alcança ocorrências de emergência. Um dos exemplos foi o apoio do Corpo de Bombeiros Militar do Acre no combate a um incêndio em um conjunto de lojas de pneus em Cobija, cidade boliviana vizinha à fronteira acreana.

O Núcleo Integrado de Inteligência do Alto Acre atua no suporte às operações policiais e na checagem de informações solicitadas por forças brasileiras e bolivianas. O chefe do núcleo, Erodilson Souza, afirmou que o setor auxilia principalmente em casos envolvendo brasileiros abordados na Bolívia sem documentação ou com pendências no Brasil.

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Internacional

Planalto reage aos EUA e diz que Brasil decide como classifica e combate o crime

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O Palácio do Planalto afirmou nesta sexta-feira, 29 de maio, em Brasília, que cabe ao Brasil definir como o crime organizado será classificado e combatido dentro do próprio território, em reação à decisão dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

Em nota, o governo disse que o país mantém combate permanente contra facções e milícias, mas separou a atuação desses grupos do terrorismo internacional ligado a motivações ideológicas, políticas ou religiosas. O texto também sustentou que medidas unilaterais adotadas fora de negociação com o Brasil podem enfraquecer a cooperação policial, afetar o sistema financeiro e atingir mecanismos nacionais como o Pix.

A manifestação também elevou o tom político ao acusar integrantes da família Bolsonaro de buscar interferência estrangeira em assuntos internos do país. O Planalto classificou como deplorável a atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos e afirmou que a segurança pública não pode ser usada em disputa política.

No texto, o governo federal disse ainda que aprovou uma nova lei de combate a facções e milícias, com penas que chegam a 80 anos de prisão, e citou o programa Brasil contra o Crime Organizado como eixo da estratégia nacional. A nota acrescenta que o país apresentou, em 16 de abril, uma proposta ao Departamento de Estado dos EUA voltada à ampliação da cooperação em inteligência, ao controle da lavagem de dinheiro no exterior e ao enfrentamento do tráfico de armas para o Brasil.

A reação ocorre um dia depois de Washington anunciar que PCC e CV passarão a ser tratados como Organizações Terroristas Estrangeiras, medida com entrada em vigor prevista para 5 de junho. O governo vigor prevista para 5 de junho. O governo brasileiro vê risco de prejuízo à soberania nacional e ao intercâmbio de informações entre os dois países caso a mudança altere o padrão de cooperação já existente.

Foto e fonte: Agência Brasil

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