A Justiça do Acre decretou a prisão de jogadores da Associação Desportiva Vasco da Gama-AC investigados por suspeita de estupro coletivo contra duas mulheres em Rio Branco. Um atleta já está preso preventivamente e outros tiveram prisões temporárias determinadas, enquanto a Polícia Civil conduz o inquérito sob sigilo. O caso, ocorrido no alojamento do clube, provocou repercussão institucional e motivou posicionamento do governo estadual após declarações públicas do treinador da equipe.
A decisão judicial que determinou as prisões considerou o risco de fuga e a necessidade de garantir o andamento das investigações. O magistrado também destacou que é necessário individualizar as condutas dos investigados e realizar o reconhecimento formal pelas vítimas, etapas consideradas essenciais para esclarecer a participação de cada um dos suspeitos. Um dos jogadores foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva mantida após audiência de custódia, enquanto outros três tiveram prisões temporárias decretadas por 30 dias.
Entre os investigados está o atacante Erick Serpa, que já se encontra no presídio de Rio Branco. Outro atleta, Alex Pires, apresentou-se à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) após a decretação da medida judicial. O advogado dos jogadores, Atevaldo Santana, afirmou que os atletas são réus primários e negam as acusações. “Além disso, todos negam veementemente as acusações. Foi criada uma narrativa, mas não houve estupro nenhum”, declarou.
As investigações tiveram início após duas mulheres denunciarem que foram violentadas no alojamento do clube, na madrugada de sexta-feira (13). Segundo os relatos, elas foram ao local após contato com um dos jogadores, mas afirmam que, ao chegarem, foram conduzidas a um dormitório onde outros atletas estavam presentes e teriam ocorrido os abusos. As vítimas procuraram atendimento médico e formalizaram a denúncia junto à Deam.
De acordo com a decisão judicial, uma das mulheres relatou que estava sob efeito de álcool e em condição de vulnerabilidade no momento dos fatos. A outra afirmou ter sido violentada sucessivamente. O juiz também registrou que os relatos apresentados indicam lesões e abalo emocional, o que, segundo a decisão, entra em conflito com a versão apresentada pela defesa de que houve consentimento. O crime investigado é classificado como hediondo pela legislação brasileira.
O caso também provocou reação do governo do Acre. Em nota pública, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) repudiou declarações feitas pelo treinador do Vasco-AC, que, segundo o órgão, colocaram em dúvida o trabalho da polícia. A secretaria afirmou que questionar a atuação das instituições enfraquece a confiança pública e reforçou que a responsabilização por crimes é individual. “Consentimento não é permanente, nem automático. Sexo sem consentimento é estupro”, destacou a pasta, que também informou que acompanha as vítimas e presta assistência.
A secretaria ainda declarou que discursos que relativizam ou transferem responsabilidade às vítimas contribuem para a perpetuação da violência e dificultam o acesso à Justiça. O governo afirmou que mantém o compromisso com a proteção das vítimas e com o respeito às investigações conduzidas pelas autoridades competentes.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que deve ouvir testemunhas, analisar provas e realizar exames periciais. Ao final do inquérito, o Ministério Público poderá apresentar denúncia formal à Justiça, que decidirá sobre o prosseguimento da ação penal. Enquanto isso, os jogadores permanecem à disposição do Judiciário, e o clube enfrenta impactos institucionais decorrentes das acusações e das medidas judiciais em curso.