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Direto ao ponto

Em Cruzeiro do Sul, o prefeito reeleito segue reformulando sua equipe

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Após garantir uma reeleição com dificuldades, o prefeito de Cruzeiro do Sul inicia seu segundo mandato em um movimento que tem gerado mais perguntas do que respostas. Embora diversas ações estejam em andamento, como a entrega de cestas básicas e iniciativas no Inverno Amazônico, as mudanças na equipe de gestão ainda levantam dúvidas.

Afinal, a equipe que chegou até 31 de dezembro de 2024 não foi parte do “time que estava ganhando”?

Com a reforma e a continuidade dos projetos sociais, o prefeito busca consolidar uma gestão mais eficaz, especialmente após os desafios enfrentados nas urnas. No entanto, a dúvida persiste: será que essas mudanças serão suficientes para manter a boa avaliação conquistada até agora e melhorar ainda mais os índices de aprovação? Destaques como o reconhecimento nacional, regional e estadual na área da Cultura, com uma gestão eficiente e presente, ou os investimentos no Meio Ambiente, com a manutenção e limpeza da cidade e ações educativas premiadas, reforçam a imagem do governo. Além disso, a atuação em momentos críticos, como durante a pandemia e nas crises de alagação e seca, demonstrou a capacidade da administração em enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Nesse cenário, a vice-prefeita Delcimar Leite pode ser o elo que falta para que o prefeito supere os desafios internos e reafirme sua posição à frente do município. Muitos a veem como peça-chave para uma articulação política capaz de trazer mais estabilidade à administração, em um momento em que as alianças políticas estão sendo testadas. Sua experiência na Secretaria de Ação Social e seu alinhamento com o grupo político ao qual pertence são considerados diferenciais importantes nesse processo.

Ao prefeito, é essencial permanecer atento aos comentários nas ruas, nas rodas políticas e nas redações, pois esses são termômetros indispensáveis para avaliar a eficácia de sua gestão política.

Direto ao ponto

A renovação que não chega para todos

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Não basta pedir que os jovens gostem da política; é preciso que eles ocupem a política e sejam os representantes que querem ver

Na política, fala-se muito em renovação, mas o “novo” que aparece em muitos palanques quase sempre chega por caminhos conhecidos. Vem com sobrenome forte, relação familiar ou proximidade com grupos que há décadas ocupam espaços de poder. Isso não torna ninguém ilegítimo. Também não garante voto, mandato ou vitória. Mas revela uma realidade: para alguns, a política é quase ambiente de casa; para outros, continua sendo uma porta pesada.

A questão não é desmerecer quem é filho, parente ou aliado de quem já fez política. A pergunta é outra: quando a renovação se limita à troca de geração dentro das mesmas famílias, estamos diante de mudança real ou apenas de continuidade com rosto jovem? O debate não é sobre quem pode participar, mas sobre por que tantos outros seguem sem conseguir chegar.

O problema central é a ausência dos outros jovens: aqueles sem padrinho, sem sobrenome político, sem convite para sentar à mesa onde as decisões são tomadas. Muitos têm opinião, revolta, preparo, vivência e vontade de participar. Mas seguem do lado de fora. A política gosta da juventude para fazer barulho, movimentar campanha e ocupar rede social. Mas, na hora de decidir candidatura, recurso, chapa e direção partidária, a conversa muda de sala.

Com as mulheres, a contradição é ainda maior. Fala-se em participação feminina, mas muitas vezes a presença das mulheres continua tratada como número, obrigação legal ou composição de chapa. Poucas estão no centro real das decisões. Poucas recebem estrutura. Poucas comandam. E quando tentam ocupar esse espaço, quase sempre precisam provar mais do que os homens.

Também não adianta negar a política. Quem diz que política não presta acaba deixando o espaço livre para quem sempre soube usá-la. A crítica pode até ser justa, mas quando vira recusa total, não muda nada. Só afasta quem poderia participar e entrega a política aos mesmos de sempre. Política ruim não se enfrenta com ausência. Enfrenta-se com presença, disputa e coragem para ocupar os espaços.

Por isso, a frase atribuída a Lula funciona independentemente de alinhamento ideológico: seja você o político porreta que você quer ver. A política não melhora com ausência. Melhora com ocupação. Mas essa ocupação precisa ser real. Não basta chamar os jovens para gostar da política; é preciso que eles entrem, disputem e participem das decisões. E não basta dizer que as mulheres são importantes; é preciso que elas também ocupem o centro da política. O novo só será novo quando deixar de ser apenas discurso e passar a mudar quem decide.

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Direto ao ponto

Há fumaça na estrada entre Zequinha e Mailza: um caminho turvo

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No Acre, crise política nunca chega anunciada por sirene. Ela vem por sinais. Um silêncio aqui, uma ausência ali, uma frase dita com o cuidado de quem quer falar para dentro e para fora ao mesmo tempo. Quando a fumaça aparece, o problema já começou antes, longe dos olhos, em alguma sala fechada, em algum telefone que não tocou, em alguma visita que não foi combinada como deveria.

A situação entre Zequinha Lima e Mailza Assis tem esse desenho. Ainda não é o incêndio que derruba a ponte, mas também não é vapor de café em reunião de rotina. Parece mais aquelas cenas da BR-364 fechada com barricada de pneu queimando, jogando fumaça para todo lado. Ninguém enxerga direito o tamanho do bloqueio, mas todo mundo entende que a passagem deixou de ser simples. O trânsito da política, que já anda devagar por natureza, fica ainda mais travado quando a visibilidade some e cada lado começa a interpretar o movimento do outro pelo vulto, não pela conversa aberta..

Zequinha deu sinais de desconforto. Mailza, por sua vez, seguiu fazendo os gestos de governo. Mas, na política, gesto também é mensagem, e mensagem nunca chega só a quem a recebeu. No Juruá, onde aliança não é apenas fotografia de palanque, mas também território, prestígio e sobrevivência de grupo, qualquer mudança de posição pesa mais do que nas capitais, onde tudo se resolve em nota e entrevista. Ali, a política continua sendo um sistema de presença: quem foi chamado, quem sentou à mesa, quem ficou de pé no canto e quem sequer soube da reunião.

O que está em jogo não é apenas a boa convivência entre duas lideranças. É o controle do ritmo. Em toda crise desse tipo, há uma disputa silenciosa sobre quem conduz a narrativa: se o governo acomoda os aliados no tempo do Palácio ou se os aliados lembram ao governo que, sem base real nos municípios, um projeto estadual vira peça de gabinete.

Zequinha acha que tem peso político suficiente em Cruzeiro do Sul para exigir mais atenção e consideração. Mas as pesquisas, o ambiente das redes sociais e a própria divisão da cidade mostram um cenário menos confortável do que ele talvez suponha. Nos bastidores, interlocutores de sua própria equipe descrevem um traço recorrente de sua condução política: a tendência de deslocar responsabilidades quando o desgaste aperta. Na crise atual, isso aparece no esforço de empurrar o problema para “algumas pessoas” do entorno do governo, preservando Mailza no discurso. A manobra evita o rompimento aberto, mas também revela dificuldade de assumir o conflito em seu endereço real. É nesse espaço que Mailza se move para construir a base de que precisa para 2026.

E fumaça, na política, tem um efeito curioso: ela nunca encobre só o conflito; também revela os que vivem dele. Quando o ruído cresce, aparecem os conselheiros de ocasião, os intérpretes de corredor, os que afastam, os que aproximam e os que falam por terceiros sem mandato para isso. A crise deixa de ser apenas dos protagonistas e vira terreno de operadores. Todos tentam tirar proveito; quase ninguém quer carregar o custo. Na política, nunca falta quem queira arbitrar a crise alheia, desde que a responsabilidade pare antes de chegar ao próprio colo.

Por isso, o episódio entre Zequinha e Mailza diz menos sobre um desentendimento pessoal e mais sobre sucessão e há quem diga não só a de 2026, mas a da prefeitura em 2028, principalmente. Antes da campanha, vem a divisão de espaço. No Acre, sobretudo no Juruá, aliança só parece sólida até o momento em que começa a disputa real por influência, prioridade e controle político. Quando essa conta desanda, o ambiente muda antes mesmo de qualquer rompimento.

No fim, a imagem da BR-364 serve bem porque ali o Acre se entende. Quando a estrada fecha, ninguém pode fingir que segue viagem normalmente. Pode até haver tentativa de contorno, conversa sobre rota alternativa, promessa de liberação logo adiante. Mas a verdade é que a interrupção muda o dia de todo mundo. Na política, essa fumaça entre Zequinha e Mailza já alterou o trajeto. Resta saber se vão apagar o fogo com acordo ou se deixarão a fumaça cumprir seu papel mais conhecido: avisar, antes de tudo, que alguma coisa já está queimando por dentro.

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Direto ao ponto

No coração de Sucupira, tem um Z de CZS

Com ares de grande acontecimento, a instalação de placas em Cruzeiro do Sul reacende a velha política do exagero, em que o acessório tenta posar de feito histórico e a cidade real segue esperando grandeza onde ela de fato importa.

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Em Cruzeiro do Sul, bastou subir algumas placas para que o episódio ganhasse contornos de novidade quase civilizatória. A cena, por si só, já merecia registro: estruturas metálicas, nomes de ruas, indicação de pontos públicos e, ao fundo, aquela conhecida disposição de transformar o que é simples em gesto solene. Faltou apenas Odorico Paraguaçu cortar a fita e decretar que, dali em diante, a municipalidade ingressava nos altos patamares da modernidade viária.

A comparação com Sucupira não é exagero. Exagero, na verdade, é tratar uma intervenção pontual como se ela traduzisse uma inflexão decisiva no destino urbano de Cruzeiro do Sul. Placas orientam, sim. Mas não reorganizam sozinhas uma cidade, não resolvem seus entraves e muito menos autorizam qualquer clima de epopeia administrativa.

É nesse teatro do acessório engrandecido que mora a crítica. Quando o pequeno se veste de grandioso, a gestão corre o risco de parecer menos comprometida com resultados concretos e mais inclinada a cultivar a liturgia da aparência. Em outras palavras: troca-se densidade por pose, escala por encenação, e o que deveria ser apenas parte da rotina pública vira quase um acontecimento de Estado.

No caso de Cruzeiro do Sul, o episódio também acende um alerta político. O prefeito precisa observar melhor quem o aconselha e quem ajuda a dar forma pública aos atos da administração. Porque assessor existe para calibrar, organizar, dar medida e evitar o ridículo. Quando falha nisso, expõe o gestor ao desgaste desnecessário e empurra a administração para a caricatura.

No coração de Sucupira, havia um “S”. Em alguns momentos da vida pública de Cruzeiro do Sul, já parece surgir um “Z” de CZS, como marca local dessa velha tentação brasileira de superdimensionar o trivial. E é aí que a ironia deixa de ser apenas recurso de estilo para virar diagnóstico político.

Se a cidade quiser mesmo se afastar de Sucupira, precisará de menos pompa em torno do detalhe e mais consistência no que realmente pesa para a população.

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