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MEIO AMBIENTE

Estudo aponta queda de 77% na densidade de fêmeas de onça-pintada na Amazônia

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Um estudo publicado no Journal of Applied Ecology revelou que a densidade de fêmeas de onça-pintada caiu 77% entre 2005 e 2022 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, uma das áreas com maior concentração do felino no mundo. A redução ocorreu ao mesmo tempo em que aumentou a presença de machos, mudança que pode comprometer a reprodução e a estabilidade da população no longo prazo.

A pesquisa acompanhou as onças durante 17 anos, no monitoramento populacional mais longo já realizado com a espécie. Ao todo, foram feitas 14 campanhas com armadilhas fotográficas durante a estação seca, somando 38.528 noites de observação.

As câmeras registraram 410 imagens e permitiram identificar 77 animais, entre 29 fêmeas e 40 machos. Nenhum filhote apareceu nos registros e apenas dois indivíduos juvenis foram fotografados ao longo de todo o período, resultado que aumenta a preocupação com a renovação da população.

A densidade de fêmeas caiu de 10,32 para 2,39 animais por 100 quilômetros quadrados. No mesmo intervalo, a densidade de machos cresceu 59%, de 3,81 para 6,07 indivíduos por 100 quilômetros quadrados. A população total estimada recuou de 14,13 para 8,47 onças na mesma extensão territorial.

A taxa anual de sobrevivência permaneceu em 76%, sem diferença entre machos e fêmeas. A entrada de novas fêmeas na população, porém, ficou abaixo da registrada entre os machos. A taxa foi de 0,15 por indivíduo entre elas e de 0,26 entre eles.

O aumento da presença masculina pode ter mascarado a perda de fêmeas residentes. Como os machos percorrem distâncias maiores, a chegada constante de novos animais mantém a densidade geral elevada, mesmo quando diminui o número de fêmeas responsáveis pela reprodução e pelos cuidados com os filhotes.

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores envolve a caça direcionada principalmente aos machos. A retirada desses animais pode abrir espaço para a entrada de outros indivíduos, que eventualmente matam filhotes que não são seus para antecipar o retorno das fêmeas ao período reprodutivo. O comportamento é conhecido como infanticídio, mas não foi medido diretamente em Mamirauá e ainda depende de novas investigações.

A pressão da caça pode ser maior durante as cheias, quando a navegação facilita o acesso à floresta e as onças passam mais tempo sobre as árvores para escapar das áreas alagadas. O levantamento reuniu registros de 23 animais caçados em 13 anos, número que pode ser inferior ao total real.

A ausência de filhotes nas imagens também pode estar relacionada ao envelhecimento das fêmeas. Animais mais velhos costumam ter menor sucesso reprodutivo, enquanto a permanência de filhas adultas na mesma região pode reduzir o espaço disponível para cada fêmea.

As oscilações anuais no nível dos rios não tiveram efeito direto comprovado sobre a sobrevivência ou a entrada de novos animais. Os pesquisadores alertam, porém, que a reprodução das onças ocorre lentamente e que os impactos de secas e cheias extremas podem aparecer apenas depois de vários anos.

Mamirauá possui cerca de 1,1 milhão de hectares de floresta de várzea e fica na região dos rios Japurá e Solimões. Mesmo com a mudança demográfica, a reserva ainda mantém uma das maiores densidades de onças-pintadas já registradas, comparável às populações encontradas no Pantanal e nos Llanos.

A alta concentração, no entanto, não garante a estabilidade da espécie. A proteção das fêmeas reprodutivas, o controle da caça, o acompanhamento dos filhotes e a continuidade do monitoramento são medidas necessárias para evitar que a redução avance sem ser percebida em levantamentos baseados apenas no número total de animais.

Fontes: O Eco; Journal of Applied Ecology – Foto: GP Felinos/Instituto Mamirauá

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Desmatamento na Amazônia está ligado à redução de chuvas no Paraná e ameaça produção de grãos

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O avanço do desmatamento na Amazônia está associado à redução das chuvas na Bacia do Rio Iguaçu, no Paraná, área responsável por parcela expressiva da produção agrícola e de energia do estado. A relação foi encontrada por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) após a análise de dados de desmatamento e precipitação registrados entre 2011 e 2023.

O trabalho foi publicado em 24 de julho de 2026 no Brazilian Journal of Biology. Os pesquisadores cruzaram informações mensais de perda de floresta na Amazônia com registros de chuva de 64 estações meteorológicas instaladas na região da Bacia do Iguaçu. Foram usados dados de monitoramento do Prodes, do Imazon, do Instituto Nacional de Meteorologia, da Copel e do Instituto Água e Terra.

A análise encontrou uma correlação negativa e estatisticamente significativa entre o desmatamento amazônico e a quantidade de chuva registrada na bacia. O coeficiente calculado foi de -0,285, com nível de significância inferior a 0,001. Embora a intensidade da correlação seja considerada fraca, o resultado mostra que períodos de maior perda de floresta estiveram associados a volumes menores de precipitação no Paraná durante os anos avaliados.

A Bacia do Rio Iguaçu ocupa cerca de 69,3 mil quilômetros quadrados e tem peso direto na economia paranaense. A região responde por aproximadamente 60% da produção de grãos e 23% da produção pecuária do Paraná. As hidrelétricas instaladas na bacia também representam cerca de 41% da geração hidrelétrica estadual. Alterações persistentes no regime de chuvas podem, portanto, atingir simultaneamente a agricultura, a criação de animais e o abastecimento de energia.

A conexão ocorre pelo papel da Floresta Amazônica no transporte de umidade pela América do Sul. Parte da água retirada do solo pelas árvores retorna à atmosfera por evapotranspiração. Essa umidade é carregada por correntes atmosféricas em direção a outras regiões do continente, processo associado aos chamados rios voadores. A redução da cobertura florestal interfere nesse ciclo e pode diminuir o volume de água transportado para o Centro-Sul do país.

Os pesquisadores também avaliaram a influência de El Niño e La Niña sobre as chuvas. O El Niño costuma favorecer precipitações maiores na Bacia do Iguaçu, ao mesmo tempo em que pode deixar partes da Amazônia mais secas. A La Niña produz efeitos diferentes, com condições mais úmidas na região amazônica e tendência de redução das chuvas em áreas do Sul do Brasil. Mesmo com essa variabilidade natural, o trabalho relaciona a evolução do desmatamento principalmente a fatores humanos, políticos e institucionais.

Uma tentativa de identificar efeitos do desmatamento sobre as chuvas com intervalo de um ano não apresentou resultado estatisticamente significativo. Para os pesquisadores, isso significa que, dentro do período analisado, a associação aparece principalmente entre dados registrados no mesmo ano ou que o conjunto de informações disponível ainda não permite identificar uma defasagem anual.

A perda da floresta amazônica amplia a preocupação com a segurança hídrica de regiões distantes da própria Amazônia. No Paraná, onde parte relevante da produção de soja, milho e outros grãos depende da regularidade das chuvas, mudanças na distribuição da precipitação podem aumentar a exposição das lavouras a períodos de estiagem e elevar riscos econômicos. O mesmo problema alcança reservatórios e usinas hidrelétricas que dependem do volume de água dos rios.

Os resultados reforçam que a conservação da Amazônia também interfere na disponibilidade de água em áreas produtoras localizadas a milhares de quilômetros da floresta. A manutenção do regime de chuvas no Sul do Brasil passa, assim, a fazer parte da discussão sobre políticas de combate ao desmatamento, planejamento agrícola, produção de energia e adaptação às mudanças climáticas.

Fonte: Brazilian Journal of Biology , ((o))eco – Foto: Agência Brasil

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Mineração ilegal no rio Nanay, Peru, amplia alerta na fronteira

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A fumaça preta subiu sobre o rio Nanay na quinta-feira, 30 de julho de 2026, depois que um grupo instalado em sete dragas impediu uma operação da Marinha do Peru nos arredores de Puca Urco, distrito de Alto Nanay, na região amazônica de Loreto. A ata da ocorrência atribui aos ocupantes das embarcações agressões com pedaços de madeira e o lançamento de um recipiente de combustível incendiado contra os militares, que receberam ordem para recuar. Mulheres e menores de idade estavam no local. O confronto, ocorrido dois dias depois das festas de independência do Peru, expôs a perda de controle sobre uma área onde a mineração ilegal passou a combinar ouro, dinheiro, armas e resistência organizada à fiscalização.

O fogo aparece entre estruturas flutuantes cobertas por lonas. Homens, mulheres e crianças permanecem sobre balsas e embarcações amarradas umas às outras. A cena não se parece com uma frente de mineração isolada, montada às pressas para desaparecer ao primeiro ruído de motor militar. Há moradia, cozinha, combustível, comunicação e gente suficiente para formar uma barreira humana diante da operação. Essa estrutura transforma o rio em território ocupado e aumenta o risco de uma tragédia sempre que as forças de segurança tentam chegar às dragas.

Um dos supostos participantes do ataque já havia sido investigado por outra ocorrência em Puca Urco, em 15 de junho de 2023. O caso, aberto por resistência ou desobediência à autoridade, acabou arquivado. A nova acusação ainda precisa passar por investigação, identificação formal dos envolvidos e direito de defesa. A repetição de confrontos no mesmo lugar, porém, ajuda a compreender por que integrantes do Ministério Público peruano passaram a defender a declaração de estado de emergência e uma intervenção permanente das forças policiais e militares no Alto Nanay.

Entre janeiro e abril de 2026, a Fiscalía peruana registrou 29 pontos de mineração ilegal em Iquitos, Maynas e Nauta. O número cobre apenas ocorrências que chegaram aos órgãos públicos. Em rios extensos, com canais escondidos pela floresta e longas distâncias entre as comunidades, parte das dragas pode funcionar durante semanas sem ser alcançada por qualquer fiscalização.

Puca Urco já havia recebido uma grande operação em junho. A Marinha peruana apreendeu e destruiu balsas, motores, geradores, compressores, bombas, combustível, equipamentos de internet via satélite e outros materiais avaliados em 411.830 soles. Ao longo daquele mês, quatro operações nos rios Nanay, Amazonas, Marañón e Tigre terminaram com 20 dragas destruídas e bens avaliados em mais de 800 mil soles. De janeiro a maio, o governo peruano calculou em mais de 1,2 bilhão de soles o valor de máquinas e insumos destruídos em ações contra a mineração ilegal no país.

Menos de um mês depois, sete dragas estavam reunidas novamente na área. O intervalo curto entre a operação de junho e o confronto de julho expõe o limite das ações temporárias. O Estado chega, destrói equipamentos e parte. A engrenagem que sustenta a mineração continua funcionando por meio de fornecedores de combustível, motores, peças, antenas, alimentos, mercúrio e compradores dispostos a receber o ouro. Uma draga perdida pode ser substituída quando o lucro permanece alto e os financiadores continuam fora do alcance das operações fluviais.

O Nanay não é apenas um caminho para embarcações clandestinas. A bacia fornece água para Iquitos, a maior cidade da Amazônia peruana, e abastece comunidades que dependem diretamente do rio para beber, cozinhar e pescar. A mineração remove o fundo dos cursos d’água, espalha sedimentos e usa mercúrio para separar o ouro. Pesquisas realizadas na região encontraram concentrações do metal acima dos limites recomendados em peixes e em moradores da bacia. O veneno percorre a cadeia alimentar e se acumula no corpo, com riscos maiores para crianças e gestantes.

O confronto de Puca Urco ocorreu dentro de uma crise que já ultrapassou os órgãos ambientais do Peru. Comunidades indígenas e ribeirinhas levaram o país às instâncias da Comunidade Andina por falhas no combate ao garimpo e ao tráfico de mercúrio. Em julho de 2026, o Tribunal de Justiça da Comunidade Andina admitiu um caso contra o Estado peruano por possíveis violações das obrigações regionais de enfrentamento à mineração ilegal. A disputa pode obrigar o governo a rever leis, operações e mecanismos de rastreamento do ouro.

O rio Nanay fica ao norte do Acre e não atravessa a fronteira brasileira. Loreto se relaciona diretamente com o estado do Amazonas, enquanto o território acreano encontra os departamentos peruanos de Ucayali e Madre de Dios. A distância entre Puca Urco e as aldeias do Alto Juruá não quebra, contudo, a conexão entre os crimes. O ouro, a cocaína, a madeira, o combustível, o mercúrio e o dinheiro circulam por redes que atravessam rios, trilhas, estradas clandestinas, pistas de pouso e cidades dos dois países.

Essa ligação ganhou um rosto concreto no início de julho, quando a ameaça atravessou a linha internacional e entrou na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, no Acre. Nos dias 5 e 6, homens armados invadiram o território do povo Ashaninka e percorreram a comunidade à procura de lideranças. A denúncia foi apresentada por Francisco Piyãko, coordenador-geral da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá e uma das principais vozes da comunidade Apiwtxa.

Na noite de 6 de julho, cinco homens encapuzados, armados com fuzis e falando espanhol chegaram à casa de uma liderança que não estava na aldeia. Era a segunda entrada do grupo em poucos dias. Famílias assustadas reuniram as crianças em um imóvel para protegê-las enquanto pediam socorro. Quando as forças de segurança chegaram, os invasores já haviam desaparecido pela floresta, deixando rastros no caminho.

Piyãko afirmou que os homens não entraram no território apenas para retirar madeira, caçar ou usar o rio como passagem. Eles procuravam pessoas específicas. A denúncia entregue às autoridades sustenta que as lideranças corriam risco de morte. “Eles nunca tinham entrado no nosso território. A gente acha isso muita audácia”, afirmou Francisco Piyãko.

A comunicação do caso levou ao envio de equipes do Grupo Especial de Operações em Fronteira, do Centro Integrado de Operações Aéreas, da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre e do Exército. O primeiro contingente policial chegou à região no dia 7 de julho, e um novo grupo foi deslocado no dia 9. A presença armada trouxe uma resposta imediata, mas as lideranças Ashaninka cobraram proteção contínua, inteligência e cooperação com o Peru. Missões de alguns dias não acompanham organizações que conhecem os canais dos rios, mudam rotas e esperam a retirada das equipes públicas.

A invasão rompeu uma fronteira que a comunidade conseguiu defender durante décadas. Os Ashaninka do rio Amônia recuperaram áreas degradadas, organizaram sistemas próprios de vigilância, fortaleceram a produção comunitária e impediram a instalação de atividades ilegais dentro da terra indígena. Essa resistência transformou Apiwtxa em barreira contra a ocupação criminosa, mas também colocou suas lideranças no caminho de grupos interessados em abrir rotas entre o Peru e o Brasil.

A conexão está na estrutura que permite aos negócios ilegais crescerem dos dois lados da fronteira: pouca presença permanente do Estado, rios difíceis de vigiar, estradas abertas sem controle, circulação de armas, comunicação por satélite, lavagem de dinheiro e comunidades que se tornam o primeiro obstáculo à passagem dos criminosos.

No lado peruano próximo ao Acre, o departamento de Ucayali concentra uma extensa rede de estradas ilegais usadas por atividades ligadas à retirada clandestina de madeira, ao cultivo de coca, ao tráfico de drogas e a outros crimes ambientais. A abertura ou reativação de ramais aproxima esses negócios das cabeceiras dos rios que entram no Brasil. Desde 2021, Francisco Piyãko já alertava para a reabertura ilegal da estrada UC-105, projetada para ligar Nuevo Italia a Puerto Breu e capaz de pressionar territórios Ashaninka nos dois países.

O avanço das organizações criminosas também mudou a natureza da ameaça. Durante anos, muitas comunidades enfrentaram madeireiros, caçadores e invasores interessados em retirar recursos naturais. Agora, lideranças descrevem grupos que reúnem narcotráfico, mineração ilegal, exploração de madeira, armas e lavagem de dinheiro. As mesmas rotas podem transportar cocaína em uma viagem, combustível em outra e ouro sem origem comprovada no retorno.

Para os Ashaninka, a fronteira política não divide famílias, língua, memória ou território ancestral. Há comunidades no Acre e no Peru, unidas por relações de parentesco e circulação tradicional. Para as organizações criminosas, a linha internacional também perde importância, mas por outra razão: ela cria duas jurisdições, diferentes estruturas policiais e brechas que permitem escapar de uma operação atravessando rios ou caminhos na mata.

A fumaça sobre as balsas do Peru e o medo dentro das casas de Apiwtxa pertencem à mesma crise amazônica, embora não tenham os mesmos responsáveis comprovados. O crime avança onde encontra território, lucro e silêncio. A população local permanece na linha de frente, espremida entre homens armados e operações que chegam depois da denúncia.

Combater essa estrutura exige mais do que destruir dragas ou mandar patrulhas por alguns dias. Brasil e Peru precisam compartilhar inteligência, vigiar o comércio de combustível e mercúrio, rastrear o ouro, bloquear pistas e estradas clandestinas, investigar financiadores, proteger lideranças ameaçadas e manter equipes nas áreas críticas. Sem essa presença, o custo recai sobre quem vive à margem dos rios.

Fonte: OjoPúblico

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Ventanias deixam cinco mortos e rastro de danos em SP e RJ

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As ventanias provocadas pelo avanço de uma frente fria deixaram ao menos cinco mortos, dez feridos e uma sequência de apagões, quedas de árvores e interrupções no transporte nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro entre quarta-feira (29) e quinta-feira (30). O impacto mais severo ocorreu na quarta, quando as rajadas passaram de 120 km/h no interior paulista e de 100 km/h na capital fluminense. Nesta quinta, o vento perdeu força em parte da região, mas milhares de moradores continuavam sem energia, vias permaneciam bloqueadas e equipes trabalhavam na retirada de árvores e na recuperação dos serviços.

Três mortes foram registradas em São Paulo. Em Santos, um homem em situação de rua morreu após ser atingido pela queda de uma árvore na Avenida Almirante Cochrane, no bairro Estuário. Em Cesário Lange, na região de Sorocaba, uma árvore caiu sobre um veículo e matou o motorista. A terceira vítima era um pescador que estava em uma embarcação que naufragou no canal entre São Sebastião e Ilhabela. Outras quatro pessoas que estavam no barco foram resgatadas.

No Rio de Janeiro, duas pessoas morreram depois que um muro desabou em Santa Teresa, na região central da capital. Um corpo também foi encontrado nesta quinta durante as buscas por um pescador desaparecido no mar de Tarituba, em Paraty, mas a identificação ainda não havia sido concluída e o caso não tinha sido incorporado ao balanço oficial das mortes relacionadas à ventania.

As rajadas mais intensas ocorreram no estado de São Paulo. Itaporanga e Itaí registraram ventos de 124,9 km/h, enquanto Taquarituba chegou a 117 km/h. Em Santos, a velocidade alcançou 111,8 km/h. Na Região Metropolitana, houve rajada de 75,3 km/h no bairro da Saúde, na capital, e de 70,4 km/h no Aeroporto de Congonhas.

O vendaval provocou danos mais graves em municípios como Cubatão, Jacareí, Laranjal Paulista, Cesário Lange, São Sebastião, Santos, Peruíbe e São Vicente. Somente na capital e na Grande São Paulo, o Corpo de Bombeiros recebeu 42 chamados para quedas de árvores. Em Santos, foram registrados destelhamentos, quedas de muros e dezenas de árvores derrubadas. Um contêiner caiu sobre a rede elétrica na área portuária.

A falta de energia atingiu 106 mil clientes na área atendida pela Enel em São Paulo durante o pico das ocorrências. Na capital, aproximadamente 62 mil imóveis chegaram a ficar sem luz. O transporte aéreo também sofreu reflexos: Congonhas teve 54 voos cancelados na quarta-feira. Nesta quinta, outras três chegadas e duas partidas foram canceladas durante os ajustes da operação. Em Guarulhos, dois voos precisaram ser direcionados para outros aeroportos na quarta, mas as atividades transcorreram sem novas alterações relevantes nesta quinta.

Na cidade do Rio de Janeiro, o vento chegou a 105,5 km/h no Aeroporto Internacional do Galeão. Também foram registradas rajadas de 95,4 km/h na Marambaia, 87,5 km/h na Vila Militar e 83,3 km/h no Campo dos Afonsos. O Corpo de Bombeiros recebeu centenas de chamados no estado, incluindo cortes de árvores, salvamentos e desabamentos.

O Centro de Operações e Resiliência contabilizava 346 registros de quedas de árvores na capital fluminense até as 19h12 desta quinta-feira. Desse total, 49 ocorrências ainda estavam em atendimento. Os chamados se espalharam pelas zonas Norte, Sul, Oeste e Central, com bloqueios em vias importantes e danos próximos a residências, unidades de saúde e corredores de transporte.

O fornecimento de energia seguia como um dos principais problemas no Rio. No pico da crise, cerca de um milhão de consumidores chegaram a ficar sem luz no estado. No fim da tarde desta quinta, aproximadamente 372 mil clientes ainda estavam sem energia, sendo 296 mil na capital e quase 76 mil em municípios atendidos pela Enel, como Maricá, Paraty, Mangaratiba, Areal, Sumidouro e Três Rios.

A circulação dos trens continuava prejudicada. O ramal Japeri operava parcialmente, com suspensão entre Comendador Soares e Japeri e também na extensão até Paracambi. No ramal Saracuruna, passageiros precisavam fazer baldeação e enfrentavam intervalos maiores. O metrô voltou a operar normalmente após sofrer paralisações e oscilações de energia na quarta-feira. No Aeroporto Santos Dumont, quatro voos foram cancelados nesta quinta como reflexo das condições meteorológicas do dia anterior.

A ventania foi provocada pelo encontro entre o ar quente que predominava sobre parte do Sudeste e a massa de ar frio associada à frente fria. Na cidade de São Paulo, a temperatura no Aeroporto de Congonhas caiu de 29°C para 21°C em cerca de meia hora durante a chegada do sistema. Essa mudança rápida aumentou a velocidade dos ventos e favoreceu a formação das rajadas destrutivas.

Para a noite desta quinta-feira, a previsão para o Rio era de ventos moderados, céu nublado a parcialmente nublado e possibilidade de chuvisco ou chuva fraca isolada. Em São Paulo, ainda havia risco de novas rajadas, principalmente na metade oeste do estado, onde poderiam ocorrer pancadas de chuva, raios e áreas de instabilidade. Na faixa leste, incluindo a capital e o litoral, a tendência era de nebulosidade e chuva fraca em pontos isolados.

Mesmo com a redução da velocidade do vento, o risco permanece em locais com árvores danificadas, muros instáveis, telhados, placas, andaimes e fios elétricos caídos. A recomendação é evitar áreas arborizadas, não estacionar veículos sob árvores, manter distância de estruturas frágeis e nunca tocar em cabos derrubados. Emergências devem ser comunicadas à Defesa Civil pelo número 199 ou ao Corpo de Bombeiros pelo 193.

Foto: Agência Brasil

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