Jorge Viana na ApexBrasil: da posse contestada ao último ato com o Acre em cena
Nomeado por Lula no início de 2023, Jorge Viana enfrentou uma crise judicial na chegada, reposicionou a ApexBrasil com metas, expansão institucional e presença internacional e encerra sua passagem pela agência de volta ao tabuleiro eleitoral, com o Acre no centro da cena final.
Jorge Viana foi nomeado e empossado em 3 de janeiro de 2023 para a presidência da Diretoria Executiva da ApexBrasil, com mandato de quatro anos, por deliberação do Conselho Deliberativo da agência, a partir de indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ato marcou a volta do ex-governador, ex-prefeito e ex-senador acreano ao primeiro escalão de um dos principais instrumentos federais de promoção de exportações e atração de investimentos.
A largada, porém, foi turbulenta. Em março de 2023, a ApexBrasil alterou o estatuto e retirou a obrigatoriedade da fluência em inglês para a presidência, mudança que abriu uma crise pública em torno da nomeação de Viana. Em 22 de maio, a Justiça Federal anulou sua posse e determinou prazo para comprovação do requisito. Três dias depois, a Advocacia-Geral da União obteve no TRF1 a suspensão da decisão, sob o argumento de que o estatuto previa formas alternativas de comprovação de aptidão para o cargo, como experiência internacional ou profissional com uso do idioma.
Superada a fase mais aguda da controvérsia, a gestão passou a se apresentar como parte de uma nova etapa da agência. No Plano Estratégico 2024-2027, a ApexBrasil vinculou sua atuação à “retomada do desenvolvimento econômico, social e ambiental” do país e ao reposicionamento internacional do Brasil, num movimento que procurou associar a presidência de Jorge Viana menos ao ruído da nomeação e mais a uma agenda de reconstrução institucional e presença externa.
Os números oficiais passaram a sustentar essa virada. No relatório anual de 2024, a ApexBrasil informou 22.141 empresas apoiadas, 54,2% delas micro e pequenas, além de US$ 8,6 bilhões em investimentos anunciados com apoio da agência. No relatório anual de 2025, os totais subiram para 23.386 empresas apoiadas, 4.859 exportadoras acompanhadas, 3.605 compradores internacionais mobilizados, 69 investimentos anunciados e 365 investidores em atendimento.
A agenda internacional também ganhou corpo. Em fevereiro de 2026, durante missão presidencial à Índia, a Apex inaugurou seu primeiro escritório em Nova Délhi, apresentado pelo governo como o 11º posto internacional da agência. No balanço de 2025, a Apex destacou ainda a execução do Pavilhão do Brasil na Expo Osaka, com mais de 1,5 milhão de visitantes e prêmio Silver na categoria “Conceito”, além do reconhecimento internacional do programa Mulheres e Negócios Internacionais, vencedor do WTPO Awards 2024.
Ao longo de toda a passagem pela Apex, o Acre permaneceu visível. Já em janeiro de 2023, em agenda com o governo estadual, Viana afirmava que o estado poderia se tornar “referência de Estado exportador”. No fim do mesmo ano, a Apex levou o Exporta Mais Amazônia a Rio Branco, reunindo 20 compradores internacionais, 35 empresas do Norte e expectativa de R$ 50 milhões em negócios. Mais do que uma referência regional, o Acre passou a aparecer como parte recorrente da narrativa pública da gestão.
Ao lado do presidente Lula, Jorge Viana participa de agenda oficial no Acre marcada pelo anúncio de investimentos federais no estado. Foto: Sérgio Vale.
Essa presença também surgiu no discurso do próprio Viana. Em julho de 2025, ao comentar sua atuação à frente da Apex e seu futuro político, resumiu a lógica que guiava sua passagem pela agência numa frase curta: “Onde eu estiver, tem Acre.” A declaração ajuda a explicar o desenho da gestão: uma presidência construída sob contestação no plano jurídico, mas também marcada por uma tentativa permanente de manter o estado natal visível dentro de agendas de exportação, bioeconomia, sociobiodiversidade e atração de investimentos.
Com a aproximação do calendário eleitoral de 2026, a trajetória de Jorge Viana na ApexBrasil passou a ser lida também sob chave política. Em 19 de março, Jorge Viana oficializou em Rio Branco sua pré-candidatura ao Senado e disse que a decisão havia sido tomada a pedido de Lula. A partir dali a permanência na Apex deixou de ser apenas um dado administrativo e passou a conviver abertamente com a volta do ex-senador à disputa eleitoral.
O desfecho ocorreu em 1º de abril, em Brasília, numa agenda acompanhada pela imprensa acreana, que funcionou como uma demonstração de capital político voltada ao seu reduto. A cena final foi montada com anúncios que extrapolaram o escopo tradicional de promoção de exportações da agência. O principal deles foi a liberação de mais de R$800 milhões em investimentos para a BR−364 e a BR−317, feita ao lado do ministro dos Transportes Renan Filho. Jorge Viana anunciou, também, obras no acesso ao aeroporto de Rio Branco, reconstrução de mais de 100 quilômetros da rodovia entre Sena Madureira e Manoel Urbano, retomada do contorno de Brasiléia e novos investimentos no trecho entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Também participou, com o BNDES, do lançamento do projeto “Cooperar com a Floresta”, com R$69 milhões do Fundo Amazônia para cadeias agroextrativistas e previsão de beneficiar 1.500 famílias no Acre ao longo de 48 meses.
Para consolidar esse roteiro, a cerimônia contou com o endosso direto de aliados do governo. O então ministro Carlos Fávaro utilizou o evento para atestar o sucesso internacional das exportações acreanas, citando a inserção da empresa Dom Porquito no mercado do Peru, enquanto o sucessor no comando da agência, Laudemir Müller, assumiu o compromisso de dar continuidade à estratégia focada na Amazônia.
Se a passagem de Jorge Viana pela ApexBrasil começou sob contestação jurídica, ela se encerra como uma gestão que resistiu à crise inicial, acumulou resultados de forte visibilidade institucional e inegavelmente manteve o Acre como presença constante do primeiro ao último capítulo.
Jorge Viana e integrantes da ApexBrasil em agenda que marcou a transição no comando da agência, em meio à sua saída para disputar o Senado pelo Acre – Fotos Cedidas: Aarão Prado / Assessoria
O segundo turno para o Governo do Acre começou a reorganizar as principais forças políticas do estado nesta segunda-feira (5). Prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene (PP) anunciou apoio à governadora Mailza Assis (PP) e afirmou que entrará na campanha pela reeleição da correligionária contra o senador Alan Rick (Republicanos).
A decisão coloca o comando da Prefeitura de Rio Branco diretamente na disputa eleitoral. A capital concentra o maior número de eleitores do Acre e será um dos principais territórios de busca por votos nas próximas semanas.
Ao confirmar a posição, Alysson disse que passará a defender publicamente a candidatura de Mailza. “O 11 que estava no meu coração agora também estará na minha boca”, declarou durante encontro político realizado na sede do Progressistas.
O movimento ocorre logo após Alan Rick manifestar interesse em conversar com o prefeito. O candidato do Republicanos havia lembrado o apoio dado a Alysson na eleição municipal de 2024 e afirmou, depois da apuração do primeiro turno, que buscaria seu apoio para a etapa final da eleição estadual.
A opção de Alysson por Mailza fecha uma das primeiras disputas por apoio abertas após o resultado das urnas. A partir de agora, o prefeito deverá participar das agendas da governadora e atuar principalmente na mobilização eleitoral em Rio Branco.
A decisão também aumenta a atenção sobre o posicionamento do ex-prefeito Tião Bocalom (PSDB), terceiro colocado na disputa pelo governo. Bocalom havia afirmado que conversaria com Alysson antes de definir qual caminho seguiria no segundo turno.
Mailza terminou o primeiro turno na primeira colocação, mas sem alcançar os votos necessários para encerrar a eleição. Alan Rick ficou em segundo e avançou para a nova votação. Com a disputa reduzida aos dois candidatos, partidos, prefeitos, parlamentares e grupos que ficaram fora do segundo turno passam a ser procurados pelas duas campanhas.
Quem não compareceu às urnas no primeiro turno das Eleições 2026 ainda poderá votar normalmente no segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro. A ausência registrada no último domingo (4) não impede o eleitor de participar da próxima etapa da eleição.
A regra ocorre porque cada turno é tratado pela Justiça Eleitoral de forma independente. Assim, mesmo quem faltou à primeira votação poderá comparecer no segundo turno, desde que esteja com a situação eleitoral regular.
O eleitor ausente também deverá justificar a falta referente ao primeiro turno. O prazo vai até 3 de dezembro de 2026. A justificativa pode ser apresentada pelos canais disponibilizados pela Justiça Eleitoral ou diretamente em um cartório eleitoral.
Caso o eleitor também não vote no segundo turno, será necessário justificar novamente, já que as ausências são contabilizadas separadamente. Para a votação de 25 de outubro, o prazo para apresentar a justificativa termina em 8 de janeiro de 2027.
A falta sem justificativa pode gerar multa e outras pendências eleitorais. O cancelamento do título pode ocorrer quando o eleitor deixa de votar em três eleições consecutivas sem justificar a ausência ou regularizar a situação, considerando que cada turno corresponde a uma eleição.
No Acre, onde haverá segundo turno para a escolha do próximo governador, quem não participou da votação do dia 4 poderá retornar às urnas no dia 25 e votar normalmente na disputa estadual.
O Acre não elegeu nenhuma mulher para a Assembleia Legislativa nas eleições deste domingo (4). Com 100% das 2.270 seções totalizadas, as 24 cadeiras da próxima legislatura ficaram com candidatos homens, deixando a Aleac sem representação feminina entre os titulares a partir de 2027.
A maior bancada será formada pela Federação União Progressista, que conquistou nove vagas. Foram eleitos Nicolau Júnior, Fagner Calegario, Clodoaldo Rodrigues, André da Droga Vale, Manoel Moraes, Adailton Cruz, Samir Bestene, Tio Pablo Bregense e Afonso Fernandes.
O PL terá quatro deputados estaduais: Chiquinho do Duda, Arlenilson Cunha, Raimundo Neném e Gláucio Pedrosa. O Republicanos elegeu três nomes: Eduardo Ribeiro, Gene Diniz e Tadeu Hassem.
PSD e MDB conquistaram duas cadeiras cada. Pelo PSD, foram eleitos Jailson Amorim, com 5.158 votos, e Antonio Pedro, com 5.118. No MDB, as vagas ficaram com Marcus Alexandre, que recebeu 12.872 votos, e Tanizio Sá, com 12.023. Antonia Sales, também do MDB, recebeu 5.809 votos e ficou na suplência.
As demais cadeiras foram conquistadas por Edvaldo Magalhães, do PCdoB, com 9.273 votos; Emerson Jarude, do Novo, com 9.434; Tchê, do PDT, com 10.003; e Leôncio Castro, do PSDB, com 4.933. Taiane Santos, do PDT, obteve 2.748 votos e ficou na suplência da legenda.
A disputa mais apertada por uma cadeira ocorreu dentro da Federação União Progressista. Afonso Fernandes conquistou a última vaga do grupo com 9.593 votos, apenas 62 a mais que Whendy Lima, que recebeu 9.531 e ficou na primeira suplência da federação.
O resultado deixa a próxima composição da Assembleia formada integralmente por homens. No total, a Federação União Progressista terá nove deputados; o PL, quatro; o Republicanos, três; PSD e MDB, dois cada; e Federação Brasil da Esperança, Novo, PDT e Federação PSDB-Cidadania, uma cadeira cada.
Na disputa para a Câmara dos Deputados, o cenário foi diferente. Duas mulheres conquistaram mandato federal pelo Acre: Socorro Neri, do PP, com 39.587 votos, e Perpétua Almeida, do PCdoB, com 15.800. Elas ocuparão duas das oito vagas acreanas na Câmara a partir de 2027.