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Direto ao ponto

O braço direito de Bocalom e o futuro da direita em Rio Branco

Com a renúncia de Bocalom, Alysson Bestene assume a tarefa de preservar o ritmo das grandes obras e ampliar os avanços da capital

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Com a renúncia de Tião Bocalom (PL) ao segundo mandato na Prefeitura de Rio Branco, a capital vive uma passagem de bastão construída desde a formação da chapa entre o prefeito e o vice Alysson Bestene. Reeleito com 54,71% dos votos válidos, Bocalom, aos 72 anos, deixa o cargo para tentar consolidar sua trajetória no projeto de disputar o governo do Acre. Presente nas principais decisões da gestão, Bestene agora assume o peso político e administrativo de uma administração marcada pela continuidade de grandes projetos e pelo desafio de destravar gargalos históricos da capital acreana.

Desde o início do segundo mandato, a dinâmica entre os dois chamou atenção pela complementaridade de perfis e pelo alinhamento público. Desde a cerimônia de posse, enquanto Bocalom adotou seu tradicional tom voltado à gestão financeira e ao “cuidado com o dinheiro público e o campo”, Bestene trouxe um discurso mais voltado ao futuro, defendendo uma cidade “crescente, desenvolvida e ficando mais bela” para as próximas gerações. A sintonia entre os dois também se refletiu na prática administrativa, com Alysson na linha de frente de decisões de grande impacto, como o lançamento do edital de licitação do transporte coletivo.

O primeiro grande teste de Alysson Bestene à frente da prefeitura será a condução do transporte coletivo, hoje a pauta mais urgente e também a mais sensível da gestão. O próprio Bocalom já admitiu que o setor é um dos que mais têm dado contratempos à administração. Em busca de segurança jurídica, prefeito e vice lançaram a licitação estimada em R$ 1 bilhão, que prevê uma mudança profunda no sistema: as empresas passarão a ser remuneradas pelo quilômetro rodado, e não mais pelo número de passageiros, numa tentativa de melhorar a qualidade do serviço prestado à população.

Outro ponto nevrálgico da herança de Alysson Bestene é a habitação, área que deve seguir como um dos pilares da nova gestão. Os projetos da prefeitura, especialmente o programa 1.001 Dignidades, tornaram-se alvo de críticas e questionamentos levantados por vereadores da oposição. Como resposta, Bocalom foi a campo vistoriar construções e afirmou que, com a readequação de terrenos e a soma de esforços com o Minha Casa, Minha Vida, o município deve ultrapassar a marca de 1.800 unidades habitacionais entregues. Além do alcance social, a gestão também aposta no peso econômico dessas obras, que, segundo o prefeito, devem gerar de três a quatro mil empregos diretos na região.

A transição ocorre de forma amigável e reforça uma parceria construída ainda antes da posse. Bestene dividiu com Bocalom a linha de frente de decisões importantes da gestão. Agora, passa a carregar sozinho o peso político e administrativo de transformar essa parceria em entrega e resultado.

Bocalom deixa a prefeitura respaldado por números positivos, com mais de 61,3% de aprovação, somando os índices de ótimo, bom e regular, segundo pesquisas de opinião pública do último ano. Alysson Bestene, no entanto, herda obras complexas, áreas sensíveis da administração e polêmicas que vão exigir pulso firme.

Bocalom e Bestene entram nesta nova fase amparados por um capital político relevante, mas que dependerá de entrega para se sustentar. O cenário, porém, exige cautela: um quinto do eleitorado, equivalente a 20%, ainda avalia a administração de forma negativa, entre ruim e péssima, enquanto os 36,8% que a classificam como regular mostram que a percepção popular pode oscilar conforme o ritmo das obras e a capacidade de resposta da gestão.

Para que a parceria política construída entre Bocalom e Alysson Bestene siga produzindo efeitos, o caminho pragmático está dado: entregar. Se a sintonia administrativa que marcou os últimos anos se converter em obras concluídas, respostas concretas e capacidade de gestão, Bestene terá a chance de consolidar o plano de governo herdado e, ao mesmo tempo, afirmar seu próprio espaço político. Já Bocalom apostará no sucesso dessa transição como parte do lastro de sua caminhada rumo ao Palácio Rio Branco.

O balanço da era Bocalom se apoia em obras e ações de forte impacto social e de infraestrutura. Na zona urbana, a gestão iniciou grandes intervenções viárias, como o viaduto da AABB e o Viaduto Bete Bocalom, além de ampliar a rede de educação infantil com novas unidades, como a Creche da Vila Acre, e alcançar a marca de quase 2.500 vagas em creches em Rio Branco. Na área nutricional, a prefeitura implantou a produção diária de 5 mil litros de leite de soja, destinados à merenda escolar e a famílias carentes. Ao mesmo tempo, manteve operações de tapa-buracos, ampliou a pavimentação asfáltica e reforçou a limpeza das vias públicas, com canteiros e jardins que Bocalom costuma apontar como símbolo de uma cidade mais bem cuidada.

No campo, o “produzir para empregar” saiu do discurso para a prática. A gestão voltou esforços para o homem do campo, com a recuperação de mais de 2.390 quilômetros de ramais, a construção de 86 pontes e a distribuição de 6 mil toneladas de calcário e 150 mil mudas. A pecuária familiar também recebeu atenção, com a inseminação de vacas leiteiras e a estruturação de um complexo agroindustrial voltado ao armazenamento e ao processamento de grãos.

A partir de agora, as trajetórias se separam, mas o projeto político segue conectado. Enquanto Tião Bocalom parte para tentar ampliar sua experiência para todo o Acre, Alysson Bestene assume o desafio de manter a máquina em funcionamento, entregar os projetos bilionários e mostrar, na prática, se a aliança entre a experiência de seu antecessor e a sua renovação será suficiente para sustentar o rumo da gestão em Rio Branco.

Fotos: Sérgio Vale

Direto ao ponto

Juruá em alerta: até onde o MDB suporta uma aliança contra sua própria memória

Crise interna, imposições externas e memória eleitoral recente colocam o MDB no centro de uma disputa que vai além das urnas – O Leão do Juruá vai rugir?

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Nos bastidores da política acreana, uma inquietação cresce em tom cada vez menos discreto: a coligação que se desenha em torno da vice-governadora Mailza Assis ainda não se firmou como projeto político, parece mais um arranjo sob pressão. E toda construção “arranjada” cobra seu preço.

O ponto mais sensível dessa equação está no Vale do Juruá. Ali, o MDB, sob a liderança de Wagner Salles, o “Leão do Juruá”, não enfrenta falta de força. Enfrenta algo mais delicado: o risco de perder identidade.

A origem dessa tensão está em Cruzeiro do Sul. A ex-deputada federal Jéssica Salles saiu de uma eleição municipal decidida por pouco mais de 100 votos, um resultado que, por si só, já revela um eleitorado dividido. Mas o que ficou daquela disputa foi mais do que o placar apertado.

Ficou, entre seus apoiadores, a percepção de que a disputa ocorreu em condições politicamente desiguais. Além disso, episódios vistos por seus aliados como especialmente duros durante a campanha aprofundaram o desgaste e deixaram marcas que ainda persistem. Esse passado recente está longe de ser detalhe: segue influenciando leituras e reações no cenário político local.

Por isso, a simples hipótese de Jéssica Salles compor como vice em uma chapa ligada ao mesmo grupo que esteve no centro daquela disputa soa, para muitos no Juruá, menos como estratégia e mais como um movimento de difícil assimilação política. Não se trata apenas de cálculo eleitoral. Trata-se de memória, orgulho e coerência política. Mas o problema não se limita à majoritária.

Nos bastidores, interlocutores do partido relatam incômodo com tentativas de acomodação de nomes externos, especialmente ligadas ao grupo governista. O resultado é uma chapa proporcional híbrida, sem unidade orgânica, com candidaturas acomodadas mais por conveniência política do que por construção interna.

É o tipo de arranjo que pode até funcionar no curto prazo, mas cobra fatura depois. O MDB já conhece esse roteiro: abre espaço, elege nomes sem histórico partidário e, em seguida, assiste ao esvaziamento quando esses mesmos eleitos seguem outros caminhos. Foi assim quando abrigou o hoje senador Márcio Bittar e a ex-deputada Eliane Sinhasique e Emerson Jarude, por exemplo.

Agora, o movimento parece ainda mais delicado. há receio interno de que a legenda seja usada apenas como instrumento eleitoral circunstancial, a estratégia atribuída a setores do partido seria aguardar o fechamento da janela partidária para consolidar essas filiações e, só então, estabelecer um filtro interno, inclusive no acesso a recursos de campanha.

Na prática, desenha-se um cenário de disputa dentro da própria legenda: de um lado, candidatos com identidade histórica; de outro, nomes que chegam por conveniência política. Uma equação que dificilmente produzirá unidade.

Como se não bastasse, articulações paralelas seguem em curso, com especulações sobre novas composições e movimentos de última hora, ampliando a sensação de instabilidade.

O que se vê, portanto, é uma coligação que tenta transmitir força, mas carrega tensões estruturais. Há um desalinhamento evidente entre estratégia, base eleitoral e narrativa política. E esse tipo de desalinhamento não se resolve em reuniões de cúpula.

No Juruá, especialmente, política não é apenas articulação, é sentimento. E o sentimento que hoje atravessa parte desse eleitorado está longe de ser de convergência.

Diante desse cenário, a pergunta que fica não é apenas sobre quem ocupará os espaços na chapa.

A dúvida central é mais profunda: o MDB conseguirá sustentar sua própria identidade dentro dessa aliança ou aceitará um papel que não condiz com sua história e capítulos recentes que deixaram feridas que ainda sagram?

O Leão do Juruá ainda pode rugir. Mas há quem aposte que, diante das circunstâncias, ele poderá ser levado a aceitar um papel menor do que sua história sugere.

Foto: Sérgio Vale

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Direto ao ponto

O maior problema de Maílza não é político. É de liderança

Sua chegada ao governo expõe um desafio que o poder não resolve: liderança não se constrói em seis meses

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Assumir o governo de um estado, ainda que de forma circunstancial, costuma ser visto como uma oportunidade decisiva para quem pretende disputar uma eleição majoritária. A visibilidade aumenta, a presença institucional se fortalece e o acesso à máquina pública cria a sensação de que o jogo pode ser reorganizado a favor de quem está no poder. Mas há um limite claro nesse raciocínio: nem todo cargo produz liderança.

É exatamente esse desafio que se impõe à vice-governadora Maílza Assis ao assumir o governo do Acre neste momento decisivo do calendário eleitoral. Depois de já ter ocupado posições relevantes, como suplente de senadora, exercício de mandato no Senado e a própria vice-governadora, Maílza chega ao posto mais alto do Executivo estadual com a oportunidade de se projetar politicamente. O problema é que ocupar espaços não é o mesmo que construir liderança.

Liderança exige algo que não vem com a caneta nem com o cargo. Ela depende de trajetória reconhecida, identidade política clara e capacidade de se afirmar como referência perante seus pares e principalmente diante da população. E esses elementos, quando não são construídos ao longo do tempo, dificilmente surgem em poucos meses, por mais favorável que seja o contexto institucional.

Ao assumir o governo, Maílza tende a buscar ancoragem no capital político do atual governador Gladson Cameli, que deixa o cargo para disputar o Senado. Trata-se de um movimento natural do ponto de vista estratégico, mas que também evidencia uma fragilidade: quando a força política precisa ser transferida, é sinal de que ela ainda não se consolidou de forma autônoma.

O tempo, nesse caso, é um fator decisivo e adverso. São poucos meses até a eleição de outubro, um intervalo insuficiente para construir aquilo que, em regra, demanda anos de presença pública consistente. A disputa se desenha, ainda, em um cenário competitivo, no qual os principais adversários chegam com atributos que Maílza ainda tenta consolidar.

Tião Bocalom, atual prefeito de Rio Branco, é um nome conhecido, testado e reconhecido como liderança por parcela significativa do eleitorado. Alan Rick, por sua vez, construiu popularidade na comunicação antes de ingressar na política institucional e reforçou sua presença ao longo do mandato no Senado. Ambos entram na disputa com um ativo essencial em eleições majoritárias: reconhecimento.

E é justamente aí que reside o ponto central dessa eleição. O eleitor não escolhe apenas um projeto administrativo ou uma proposta de governo. Ele escolhe, sobretudo, quem considera capaz de liderar.

Nesse tipo de disputa, o marketing político tem um papel importante, mas limitado. Ele pode organizar a comunicação, ajustar a narrativa e ampliar a visibilidade do candidato. O que não pode fazer é criar, em curto prazo, densidade política, identidade pública e liderança reconhecida. Esses atributos não são produtos de campanha; são resultados de construção ao longo do tempo.

O risco, portanto, é evidente. A ampliação da exposição institucional pode não ser acompanhada pela consolidação de uma imagem de liderança. O eleitor passa a ver mais a candidata, mas não necessariamente passa a reconhecê-la como líder. E, em política, essa diferença é decisiva.

Maílza Assis entra na disputa com estrutura, apoio político e o peso do governo nas mãos. Mas enfrenta um desafio que não pode ser resolvido apenas com estratégia de campanha: transformar uma posição circunstancial de poder em liderança efetiva.

Em recente publicação nas redes sociais, o publicitário e profissional de marketing político Zé Américo resumiu assim o desafio da liderança: “No fim das contas, eleição majoritária não é apenas sobre quem ocupa o cargo. É sobre quem o eleitor acredita que pode exercê-lo com autoridade. E liderança, como a política costuma demonstrar, não se improvisa.”

Foto: Sérgio Vale

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Direto ao ponto

A direita acreana está sem herdeiro? Bocalom entrou no jogo para valer

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Bocalom não está tentando parecer novo; está tentando parecer viável. Seu movimento recente não foi o do simbolismo, dos ataques ou das desculpas, mas o da perseverança: renunciou, filiou-se, assumiu partido e passou a dialogar com setores que ajudam a dar densidade social e econômica a uma candidatura estadual.

Tião Bocalom decidiu abandonar de vez a condição de hipótese. Em poucas semanas, fez quatro movimentos que não combinam com hesitação: anunciou a pré-candidatura ao governo, filiou-se ao PSDB, formalizou a renúncia à Prefeitura de Rio Branco e assumiu a reorganização partidária da nova legenda no estado. Não é um gesto para produzir encanto. É um movimento para produzir nitidez.

O dado político mais relevante não está na retórica, mas na escolha do caminho. Durante meses, havia quem apostasse que Bocalom não teria partido, ou que tentaria prolongar ao máximo a ambiguidade de sua candidatura. O que ocorreu foi o contrário: buscou abrigo formal, aceitou o custo de deixar o cargo e passou a construir uma candidatura com base partidária e interlocução objetiva com setores do empresariado, do agro e do empreendedorismo urbano. Pode-se discordar da direção desse projeto. O que não parece razoável é tratá-lo como improviso.

Bocalom talvez não ofereça, neste momento, a imagem mais sedutora da política acreana. Mas oferece outra coisa, que também pesa numa disputa majoritária: método. Ao trocar a proteção do mandato pela exposição da disputa, a incerteza partidária por um endereço político claro e o isolamento por articulação com setores organizados da sociedade, deixa de ser apenas um prefeito em fim de ciclo e passa a se apresentar como candidato em construção. Porque, em política, ninguém se viabiliza sozinho e até aqui Bocalom dá sinais de que entendeu isso.

Num cenário em que parte dos pré-candidatos ainda testa discurso, mede conveniência e espera que a eleição se resolva por inércia, Bocalom fez o oposto: assumiu ônus, escolheu lado e começou a construir base. Alan Rick aparece como um dos nomes mais competitivos nas pesquisas, e Mailza Assis tenta se firmar como herdeira do campo governista; justamente por isso, o movimento de Bocalom ganha relevância, porque ele não ficou esperando a política lhe entregar uma vaga aberta, foi tentar ocupá-la. No Acre de 2026, isso já o distingue dos que ainda parecem mais interessados em calcular a disputa do que em enfrentá-la.

E, em política, às vezes é justamente essa nitidez, e não o brilho, que reorganiza o jogo.

Foto: Sérgio Vale

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