A previsão de um El Niño muito forte, com possibilidade de chuvas abaixo da média na Região Norte, aumenta a preocupação com o avanço da estiagem no Acre nos próximos meses. Diante do cenário, os 22 municípios do estado estão incluídos no acompanhamento da plataforma Alerta-Secas, usada pelo Governo Federal para monitorar a intensidade da seca e antecipar possíveis impactos sobre comunidades, rios, vegetação e atividades produtivas.
As projeções para o trimestre entre setembro e novembro apontam probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte. A expectativa é de precipitações abaixo da média em áreas do centro-norte do país, condição que pode prolongar o período seco e retardar a transição para a estação chuvosa na Amazônia.
O risco ganha peso no Acre após períodos recentes marcados por queda acentuada dos níveis dos rios, queimadas e dificuldades relacionadas ao abastecimento de água em algumas regiões. Com menos chuva e temperaturas elevadas, o solo perde umidade e a vegetação fica mais suscetível ao fogo.
Para acompanhar a situação, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais mantém dados atualizados por município. A plataforma Alerta-Secas cruza informações sobre precipitação, umidade do solo e condições da vegetação para medir a evolução da estiagem.
“A gente fez a plataforma Alerta-Secas, que cruza dados de umidade do solo, vegetação e chuva”, afirmou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante entrevista concedida na sexta-feira, 18.
O sistema utiliza o Índice Integrado de Secas e permite consultar tanto a situação recente quanto o histórico dos municípios. A ferramenta também acompanha a parcela das áreas agroprodutivas potencialmente atingidas pela falta de chuva, informação que pode ajudar no planejamento de ações de prevenção.
O monitoramento concentra atenção especial em locais considerados mais vulneráveis aos efeitos de períodos prolongados sem chuva. Entre eles estão áreas de agricultura familiar, terras indígenas, assentamentos rurais, unidades de conservação e regiões onde a redução da disponibilidade de água pode atingir diretamente comunidades e atividades econômicas.
“A gente está fazendo monitoramento, principalmente nas áreas mais vulneráveis. Então, essa situação está sendo monitorada para poder chegar junto na hora mais necessária”, declarou a ministra.
Em agosto, o levantamento nacional do Cemaden contabilizou 153 municípios brasileiros em situação de seca severa, 557 com seca moderada e quatro com seca extrema. Na Região Norte, municípios também apareceram entre os locais com risco elevado de impactos da estiagem sobre determinados cultivos.
Além das condições do solo e da vegetação, o acompanhamento federal considera o comportamento dos rios. As previsões mais recentes apontam possibilidade de vazões abaixo ou muito abaixo da média em áreas da Região Norte, fator que amplia a necessidade de acompanhar a evolução do período seco no Acre.
A estratégia é utilizar os dados para emitir alertas e permitir que órgãos responsáveis pela prevenção e resposta adotem medidas antes de um eventual agravamento. “A gente tem o papel de utilizar a ciência para monitorar os registros e alertar com antecedência os órgãos competentes para dar suporte às comunidades”, afirmou Luciana Santos.