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Pai nunca morre

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Pai nunca morre. Hoje eu sei disso.

Meu pai partiu há quase 15 anos. No próximo dia 10 de novembro, serão 15 anos sem sua presença física. Mas o tempo produziu em mim um efeito estranho: em vez de afastá-lo, aproximou. Em vez de diminuí-lo, tornou-o ainda maior.

Ele não era homem de muitos abraços ou declarações. Falava pouco. Mas ensinava muito. Seus ensinamentos vinham em frases simples, quase parábolas, que ele soltava pelo caminho e deixava para a vida explicar depois.

Uma delas nunca me abandonou: “A única herança que eu quero deixar para vocês é o estudo. Por favor, estudem.” Demorei anos para compreender a grandeza dessas palavras.

Meu pai talvez soubesse que bens acabam, dinheiro se perde, patrimônio muda de mãos. Mas aquilo que aprendemos ninguém consegue nos tirar. Por isso apostava no saber como a maior riqueza que poderia deixar aos filhos. Para ele, estudar era também uma forma de conquistar liberdade, dignidade e a possibilidade de escolher o próprio caminho. E foi exatamente isso que aconteceu comigo.

O estudo me levou mundo afora. Deu-me uma profissão, abriu portas, apresentou pessoas, lugares, ideias e possibilidades que talvez meu pai nem imaginasse quando repetia aquelas palavras.

Hoje percebo que essa foi a maior herança que recebi dele.

Talvez um pai de verdade seja exatamente isso: alguém que não precisa deixar uma estrada pronta, mas ensina aos filhos como caminhar quando ele já não estiver por perto.

Meu pai se foi, mas nunca deixou de ser meu pai. Com o passar dos anos, tornou-se até mais. Virou memória, referência, consciência. E gosto de acreditar que virou também meu anjo da guarda.

Ele apenas mudou de lugar. Antes caminhava ao meu lado. Hoje caminha dentro de mim.

E enquanto seus ensinamentos continuarem guiando meus passos, meu pai continuará vivo.

Porque pai nunca morre.

Texto de Zé Américo, jornalista e consultor de Marketing Político

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