As ventanias provocadas pelo avanço de uma frente fria deixaram ao menos cinco mortos, dez feridos e uma sequência de apagões, quedas de árvores e interrupções no transporte nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro entre quarta-feira (29) e quinta-feira (30). O impacto mais severo ocorreu na quarta, quando as rajadas passaram de 120 km/h no interior paulista e de 100 km/h na capital fluminense. Nesta quinta, o vento perdeu força em parte da região, mas milhares de moradores continuavam sem energia, vias permaneciam bloqueadas e equipes trabalhavam na retirada de árvores e na recuperação dos serviços.
Três mortes foram registradas em São Paulo. Em Santos, um homem em situação de rua morreu após ser atingido pela queda de uma árvore na Avenida Almirante Cochrane, no bairro Estuário. Em Cesário Lange, na região de Sorocaba, uma árvore caiu sobre um veículo e matou o motorista. A terceira vítima era um pescador que estava em uma embarcação que naufragou no canal entre São Sebastião e Ilhabela. Outras quatro pessoas que estavam no barco foram resgatadas.
No Rio de Janeiro, duas pessoas morreram depois que um muro desabou em Santa Teresa, na região central da capital. Um corpo também foi encontrado nesta quinta durante as buscas por um pescador desaparecido no mar de Tarituba, em Paraty, mas a identificação ainda não havia sido concluída e o caso não tinha sido incorporado ao balanço oficial das mortes relacionadas à ventania.
As rajadas mais intensas ocorreram no estado de São Paulo. Itaporanga e Itaí registraram ventos de 124,9 km/h, enquanto Taquarituba chegou a 117 km/h. Em Santos, a velocidade alcançou 111,8 km/h. Na Região Metropolitana, houve rajada de 75,3 km/h no bairro da Saúde, na capital, e de 70,4 km/h no Aeroporto de Congonhas.
O vendaval provocou danos mais graves em municípios como Cubatão, Jacareí, Laranjal Paulista, Cesário Lange, São Sebastião, Santos, Peruíbe e São Vicente. Somente na capital e na Grande São Paulo, o Corpo de Bombeiros recebeu 42 chamados para quedas de árvores. Em Santos, foram registrados destelhamentos, quedas de muros e dezenas de árvores derrubadas. Um contêiner caiu sobre a rede elétrica na área portuária.
A falta de energia atingiu 106 mil clientes na área atendida pela Enel em São Paulo durante o pico das ocorrências. Na capital, aproximadamente 62 mil imóveis chegaram a ficar sem luz. O transporte aéreo também sofreu reflexos: Congonhas teve 54 voos cancelados na quarta-feira. Nesta quinta, outras três chegadas e duas partidas foram canceladas durante os ajustes da operação. Em Guarulhos, dois voos precisaram ser direcionados para outros aeroportos na quarta, mas as atividades transcorreram sem novas alterações relevantes nesta quinta.
Na cidade do Rio de Janeiro, o vento chegou a 105,5 km/h no Aeroporto Internacional do Galeão. Também foram registradas rajadas de 95,4 km/h na Marambaia, 87,5 km/h na Vila Militar e 83,3 km/h no Campo dos Afonsos. O Corpo de Bombeiros recebeu centenas de chamados no estado, incluindo cortes de árvores, salvamentos e desabamentos.
O Centro de Operações e Resiliência contabilizava 346 registros de quedas de árvores na capital fluminense até as 19h12 desta quinta-feira. Desse total, 49 ocorrências ainda estavam em atendimento. Os chamados se espalharam pelas zonas Norte, Sul, Oeste e Central, com bloqueios em vias importantes e danos próximos a residências, unidades de saúde e corredores de transporte.
O fornecimento de energia seguia como um dos principais problemas no Rio. No pico da crise, cerca de um milhão de consumidores chegaram a ficar sem luz no estado. No fim da tarde desta quinta, aproximadamente 372 mil clientes ainda estavam sem energia, sendo 296 mil na capital e quase 76 mil em municípios atendidos pela Enel, como Maricá, Paraty, Mangaratiba, Areal, Sumidouro e Três Rios.
A circulação dos trens continuava prejudicada. O ramal Japeri operava parcialmente, com suspensão entre Comendador Soares e Japeri e também na extensão até Paracambi. No ramal Saracuruna, passageiros precisavam fazer baldeação e enfrentavam intervalos maiores. O metrô voltou a operar normalmente após sofrer paralisações e oscilações de energia na quarta-feira. No Aeroporto Santos Dumont, quatro voos foram cancelados nesta quinta como reflexo das condições meteorológicas do dia anterior.
A ventania foi provocada pelo encontro entre o ar quente que predominava sobre parte do Sudeste e a massa de ar frio associada à frente fria. Na cidade de São Paulo, a temperatura no Aeroporto de Congonhas caiu de 29°C para 21°C em cerca de meia hora durante a chegada do sistema. Essa mudança rápida aumentou a velocidade dos ventos e favoreceu a formação das rajadas destrutivas.
Para a noite desta quinta-feira, a previsão para o Rio era de ventos moderados, céu nublado a parcialmente nublado e possibilidade de chuvisco ou chuva fraca isolada. Em São Paulo, ainda havia risco de novas rajadas, principalmente na metade oeste do estado, onde poderiam ocorrer pancadas de chuva, raios e áreas de instabilidade. Na faixa leste, incluindo a capital e o litoral, a tendência era de nebulosidade e chuva fraca em pontos isolados.
Mesmo com a redução da velocidade do vento, o risco permanece em locais com árvores danificadas, muros instáveis, telhados, placas, andaimes e fios elétricos caídos. A recomendação é evitar áreas arborizadas, não estacionar veículos sob árvores, manter distância de estruturas frágeis e nunca tocar em cabos derrubados. Emergências devem ser comunicadas à Defesa Civil pelo número 199 ou ao Corpo de Bombeiros pelo 193.
Foto: Agência Brasil