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MEIO AMBIENTE

Satélite europeu vai medir quanto carbono é armazenado pela floresta amazônica

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A Agência Espacial Europeia (ESA) lançou um satélite equipado com radar de banda P capaz de atravessar as copas das árvores para medir a quantidade de carbono armazenado nas florestas tropicais, incluindo a Amazônia. A iniciativa pretende produzir mapas de biomassa com alta precisão para avaliar o papel dessas florestas na regulação do clima global e os efeitos do desmatamento.

Com uma antena de 12 metros de diâmetro, o satélite foi lançado a partir da base da ESA em Kourou, na Guiana Francesa, e sobrevoará regiões da Amazônia, Congo e Indonésia. A missão foi idealizada por pesquisadores do Reino Unido, com colaboração de especialistas da Europa e dos Estados Unidos. A construção da antena contou com a participação da empresa americana L3Harris Technologies, especializada em sistemas dobráveis de grande porte.

O professor John Remedios, diretor do Centro Nacional de Observação da Terra, afirmou que o satélite permitirá analisar o interior das florestas tropicais, oferecendo uma estimativa mais precisa da biomassa lenhosa, utilizada como indicador da quantidade de dióxido de carbono presente nas árvores.

O projeto busca superar limitações de satélites anteriores, que não conseguiam atravessar as nuvens e só captavam imagens da parte superior das copas. A nova tecnologia pretende oferecer uma visão contínua e comparável das florestas tropicais ao longo dos anos.

Segundo o professor Mat Disney, da University College London, o entendimento atual da quantidade de carbono nas florestas tropicais ainda é fragmentado devido à dificuldade de medição em campo. Com o novo satélite, espera-se obter dados mais consistentes sobre o carbono absorvido e perdido em função do desmatamento.

A previsão é de que os primeiros mapas estejam disponíveis em seis meses, com a coleta de dados prevista para os próximos cinco anos.

Com informações de BBC News Brasil e Folha de S.Paulo

Amazônia

Secas mais longas e chuvas irregulares já avançam na Amazônia e acendem alerta para risco de fogo em 2026 e 2027

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A Amazônia brasileira já vive um cenário que, até pouco tempo, era tratado como projeção de décadas à frente: a estação seca está mais longa e o regime de chuvas mudou, com efeito direto no déficit hídrico e no avanço de incêndios e degradação florestal, segundo dois estudos liderados por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e divulgados pela Agência FAPESP.

Uma das pesquisas aponta que a estação seca pode se estender de quatro para até seis meses, com aumento do déficit hídrico acumulado acima de 150 milímetros. O trabalho também descreve mais instabilidade no clima e maior ocorrência de eventos extremos fora do padrão sazonal, além de associar o agravamento do quadro ao crescimento da degradação da floresta ligada ao fogo.

O alerta se volta especialmente para 2026 e 2027, diante da possibilidade de um “super El Niño”, fenômeno marcado pelo aquecimento do Pacífico equatorial que, em episódios mais intensos, pode elevar a temperatura em mais de 2 °C acima da média e alterar a circulação atmosférica e as chuvas em escala global.

A análise climática foi feita com foco no sudoeste da Amazônia, área que inclui o Acre e partes do Amazonas e de Rondônia. A região tem trechos com mais de 90% de cobertura florestal, mas convive com pressão crescente de desmatamento. Para medir o estresse hídrico, os pesquisadores usaram o máximo déficit hídrico acumulado (MCWD, na sigla em inglês), indicador trabalhado há anos na literatura científica, combinado a dados e simulações do CMIP6, a base de modelos climáticos usada em avaliações alinhadas aos cenários socioeconômicos (SSPs) discutidos no IPCC. Em cenários de altas emissões, o estudo projeta déficits mais intensos na seca, sobretudo no sudoeste da floresta, com estresse hídrico mais forte entre junho e setembro e valores que podem ultrapassar 21 milímetros por mês até o fim do século no cenário mais pessimista.

A consequência imediata é o aumento da vulnerabilidade da floresta em pé. Com menos água disponível por mais tempo, cresce a mortalidade de árvores, a perda de biodiversidade e a degradação florestal, além da redução da capacidade da Amazônia de funcionar como sumidouro de carbono — um ciclo que retroalimenta o aquecimento global. Para melhorar a capacidade de prever riscos e orientar políticas públicas, o grupo defende análises integradas que levem em conta mudanças no uso da terra, anomalias na circulação atmosférica e a interação entre incêndios e secas.

O segundo estudo se apoia no que já ocorreu recentemente. Ao analisar a seca de 2023 e 2024 — período em que o Brasil também foi afetado pelo El Niño — os pesquisadores mapearam estresse hídrico, degradação florestal e dinâmica do fogo. Os resultados mostram aumento médio de 9% nas áreas queimadas e de 19% nos alertas de degradação, com até 4,2 milhões de hectares atingidos por fogo no pico da seca. A conclusão é que o ciclo “seca–fogo–degradação” ganhou força e reduz a capacidade de recuperação do ecossistema, com o fogo cada vez mais ligado ao enfraquecimento da floresta em pé, e não apenas a áreas recém-desmatadas.

A engenheira ambiental e sanitarista Débora Dutra, doutoranda no Inpe e primeira autora dos dois artigos, resume a mudança de patamar: “Estamos observando que os extremos de anomalia mais pessimistas estão acontecendo no presente”. Já a pesquisadora Liana Anderson, orientadora de Dutra e também do Inpe, liga o diagnóstico científico ao desafio de resposta: “Estamos em um momento crucial, com metas nacionais e internacionais a cumprir até 2030. Se colocarmos os esforços nessa direção, temos condição de atingi-las”.

No campo operacional, a conexão entre pesquisa e combate ao fogo vem ganhando corpo. As pesquisadoras participam da iniciativa “Fogo em Foco”, parceria com forças de prevenção e combate — como corpos de bombeiros — e instituições de pesquisa, que lançou um relatório sobre a temporada 2024–2025 e manteve a articulação para 2026. Anderson resume o objetivo da ponte com quem atua na linha de frente: “Essa aproximação é uma forma de aliar o que a ciência consegue entregar com a realidade de quem atua na ponta”.

Com a perspectiva de secas mais longas, maior déficit hídrico e aumento do risco de incêndios e degradação, o avanço do problema tende a pressionar a biodiversidade, a disponibilidade de água e a própria resiliência da floresta, ampliando impactos sociais e econômicos em cidades amazônicas e fora delas. A janela para 2026 e 2027, apontada pelos estudos, coloca em jogo a preparação de sistemas de alerta, a coordenação institucional e políticas que tratem fogo, degradação e mudanças climáticas como partes do mesmo problema.

Fonte: Fapesp

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MEIO AMBIENTE

STF derruba leis do Acre que previam título definitivo para florestas públicas e veta “usucapião” de áreas protegidas

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O Supremo Tribunal Federal anulou trechos de duas leis do Acre sancionadas em 2024 que abriam caminho para a transferência de florestas públicas estaduais a particulares após dez anos de uso autorizado. A decisão, tomada no julgamento conjunto das ADIs 7764, 7767 e 7769 em plenário virtual, bloqueou o mecanismo que convertia concessões temporárias em título de domínio definitivo e derrubou pontos de uma reforma ambiental que flexibilizava exigências de licenciamento no estado.

O centro do julgamento foi o dispositivo inserido pela Lei 4.396/2024 na legislação acreana de gestão de florestas públicas, que determinava a emissão de “título de domínio (definitivo)” depois de dez anos da concessão de direito de uso — ou mediante comprovação de posse pelo mesmo período por produtor enquadrado como agricultor familiar ou extrativista — e ainda previa a desafetação da área do regime de floresta pública. Para o STF, esse desenho colidia com a vedação constitucional de aquisição de bens públicos por usucapião e com o regime jurídico federal que disciplina o uso de florestas públicas sem converter, automaticamente, uso em propriedade.

Relator das ações, o ministro Nunes Marques afirmou no voto que “as florestas públicas não podem ser transferidas mediante usucapião”, ao apontar que a Constituição impede a apropriação de imóveis públicos por decurso de tempo e que a lei estadual criou um atalho para a transferência dominial sem as exigências aplicáveis ao patrimônio público e à proteção ambiental.

As ações foram apresentadas ao Supremo após a publicação das novas normas em 2024, quando a Procuradoria-Geral da República e o Partido Verde questionaram o alcance das mudanças na política ambiental acreana e na gestão de áreas florestais, sob o argumento de que o estado não poderia reduzir o nível de proteção definido por regras federais nem criar um regime próprio de alienação de áreas cuja destinação é a preservação. No julgamento, o STF também reconheceu perda parcial de objeto em relação a trechos que haviam sido revogados posteriormente por legislação estadual, mas manteve o núcleo do veto ao dispositivo que transferia florestas públicas a particulares com base em posse ou uso por dez anos.

Além da regra de titulação, a discussão alcançou mudanças promovidas pela Lei 4.397/2024 na Política Ambiental do Acre, com hipóteses de simplificação e dispensa de licenças ambientais para atividades e intervenções associadas a obras e manutenção em empreendimentos viários, como limpeza, roçada e poda em faixa de domínio. O STF tratou essas alterações no contexto de competências concorrentes em matéria ambiental e do patamar mínimo de proteção estabelecido nacionalmente, num momento em que a Amazônia segue no centro do debate sobre avanço do desmatamento, grilagem e regularização fundiária.

Na prática, a decisão impede que o Acre use a legislação local para transformar permissões de uso em propriedade privada de áreas florestais e reforça a separação entre exploração autorizada e domínio. A legislação federal de gestão de florestas públicas admite concessões para manejo sustentável, mas preserva a titularidade pública e condiciona a exploração a regras de controle e monitoramento, justamente para evitar a conversão do patrimônio florestal em estoque imobiliário.

Com o julgamento, procedimentos administrativos que buscavam titularizar áreas com base no dispositivo derrubado ficam sem amparo, e o estado passa a ter de se alinhar aos instrumentos federais de concessão e gestão. O resultado imediato é o bloqueio de uma rota jurídica que poderia favorecer a grilagem e ampliar a pressão sobre a floresta em um dos trechos mais sensíveis da Amazônia Ocidental, além de sinalizar a outros estados que mudanças locais não podem flexibilizar a proteção ambiental nem criar atalhos para a privatização de bens públicos.

Entenda o impacto

Cinco florestas públicas estavam no centro da disputa

Áreas criadas para uso sustentável poderiam virar título definitivo após dez anos.

5 florestas estaduais
688 mil hectares
10 anos para virar título

As leis derrubadas pelo STF atingiam cinco florestas públicas estaduais do Acre, com cerca de 688 mil hectares, onde o governo poderia transformar autorizações de uso em título definitivo depois de dez anos. As áreas ficam em Tarauacá (florestas do Rio Gregório, Rio Liberdade e Mogno), na região de Sena Madureira e Bujari (Antimary) e entre Feijó e Manoel Urbano (Afluente do Complexo do Seringal Jurupari), todas criadas para permitir uso sustentável sem perder o domínio público.

Do ponto de vista ambiental, a titulação muda o incentivo no território: quando a terra vira propriedade, cresce a pressão por abertura de áreas, valorização imobiliária, ramais e ocupações, o que tende a acelerar desmatamento e fragmentação da floresta.

“Quem invade a terra desmata imediatamente para ganhar dinheiro o mais rápido possível”. Paulo Barreto, pesquisador do Imazon

Para a pesquisadora Brenda Brito, também do Imazon, a regularização costuma virar a “porta de saída” preferida para ocupações em terras públicas, quando outras destinações — como proteção e manejo com controle — deveriam vir primeiro.

Foto: Sérgio Vale

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MEIO AMBIENTE

Novas imagens de satélite revelam traçados e conexões inéditas de geoglifos no leste do Acre

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Novas leituras de imagens de satélite divulgadas nos últimos dias detalharam traçados e possíveis conexões entre geoglifos no leste do Acre e reacenderam a pressão por medidas de proteção diante do avanço agropecuário. As imagens, trabalhadas com recortes e ângulos atualizados, ampliaram a nitidez de desenhos que, em muitos casos, só aparecem por completo quando a vegetação é retirada, o que coloca esses sítios arqueológicos sob risco crescente em áreas onde a abertura de novas frentes de produção avança sobre terrenos com vestígios pré-coloniais.

As publicações apontam que a mudança de perspectiva ajuda a enxergar a relação entre estruturas vizinhas e a continuidade de traçados no mesmo conjunto, reforçando a hipótese de que muitos desses desenhos não são registros isolados, mas parte de um sistema mais amplo na paisagem. No Acre, os geoglifos são grandes obras em terra, formadas por valetas e muretas que desenham figuras geométricas como quadrados e círculos e se estendem por centenas de metros. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional descreve esse patrimônio como um conjunto de sítios que ajuda a reconstituir modos de ocupação humana antigos na Amazônia ocidental.

A discussão sobre proteção ganhou força porque danos a essas estruturas já entraram no radar do Ministério Público Federal. Em 16 de março de 2026, o MPF anunciou acordos nas esferas cível e penal para compensar intervenções que atingiram geoglifos em Senador Guiomard, na região de Rio Branco, em articulação com o Iphan. As medidas incluem obrigações de reparação e ações de preservação, num cenário em que obras e manejo do solo em propriedades rurais podem comprometer, em pouco tempo, traçados que levaram séculos para serem construídos e não podem ser reconstituídos depois.

A preservação desse patrimônio também tem marcos institucionais mais antigos. Em 2018, o Iphan tombou um geoglifo no Sítio Arqueológico Jacó Sá, em Rio Branco, em um reconhecimento que passou a servir de referência para o debate sobre salvaguarda, fiscalização e gestão de áreas com alta concentração de sítios. Pesquisadores e órgãos de proteção apontam que a expansão de lavouras, pastagens e infraestrutura eleva a pressão sobre esses territórios, enquanto o avanço de ferramentas de observação por satélite torna mais fácil localizar estruturas e comprovar, com precisão, perdas e alterações no terreno.

Com informações de: Aventuras na História (8 abr. 2026), Ministério Público Federal – PR/AC (16 mar. 2026), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

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