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Desafios da população trans na Semana da Visibilidade Trans

Iniciativas do Governo do Acre promovem conscientização e autonomia econômica

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Na Semana da Visibilidade Trans, o governo do Acre, por meio dos Centros Especializados de Atendimento à Mulher (Ceam) em Cruzeiro do Sul e Brasileia, realizou atividades voltadas para a conscientização sobre as realidades enfrentadas por mulheres transexuais e travestis, além de abordar a busca pela autonomia econômica. Simultaneamente, eventos semelhantes ocorreram em Rio Branco, onde foi lançada a cartilha “Sou A Travesti, Existo”.

O lançamento da cartilha em Brasileia aconteceu no Centro Especializado de Atendimento à Mulher do Alto Acre (Ceamaa), enquanto em Cruzeiro do Sul, a Associação Elas Existem sediou o evento, contando com a participação de mulheres trans, travestis, lésbicas, coordenadores e representantes de instituições públicas locais. A coordenadora do Centro Especializado de Atendimento à Mulher do Juruá (Ceamju), Genilsa Silva, destacou a importância dessas iniciativas diante dos desafios históricos enfrentados pela população trans.

Durante o evento em Cruzeiro do Sul, Hillary Hills, uma mulher travesti, compartilhou sua trajetória e dificuldades, incluindo rejeição familiar, silenciamento em instituições e obstáculos no mercado de trabalho formal. Ela ressaltou a prostituição como uma das poucas opções disponíveis, apontando a dificuldade de dialogar sobre a existência trans, que se inicia no âmbito familiar, muitas vezes resultando em expulsão de casa. Nas instituições, destinadas a assegurar direitos, o silenciamento é frequente, e o mercado de trabalho formal tende a apagar a presença trans. A prostituição, embora abrace, é mencionada como uma realidade que, ao mesmo tempo, impacta negativamente.

Além disso, as equipes dos Ceam no interior têm a responsabilidade de distribuir panfletos informativos sobre a Lei federal nº 7.716/89 e a Estadual nº 4.158/23, que tratam de crimes relacionados a racismo, homofobia e transfobia até o final do mês.

Justiça do Acre

Justiça do Acre decide que mulher não terá de pagar financiamento de carro após fim de namoro

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A Justiça do Acre decidiu que uma mulher não será obrigada a quitar o financiamento de um carro adquirido pelo ex-namorado durante o relacionamento. A decisão foi tomada por unanimidade pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) e divulgada nesta quarta-feira (28). Os desembargadores entenderam que a cobrança poderia provocar pagamento em duplicidade e enriquecimento sem causa do ex-companheiro.

O casal manteve um relacionamento entre junho e outubro de 2023. Nesse período, o homem financiou um veículo em seu próprio nome, comprou um notebook e realizou outros pagamentos em benefício da então namorada.

Com o término da relação, ele ingressou com uma ação judicial alegando prejuízos financeiros e afirmando ter sido vítima de “estelionato sentimental”. Entre os pedidos apresentados estavam a devolução do automóvel, a quitação das parcelas restantes do financiamento e o pagamento de indenização por danos morais.

Ao analisar o recurso, o desembargador Junior Alberto, relator do processo, considerou que parte das cobranças não tinha fundamento jurídico. Para o magistrado, conflitos financeiros decorrentes do encerramento de um relacionamento amoroso não são suficientes, por si só, para justificar uma indenização por danos morais.

O entendimento foi acompanhado pelos demais integrantes da 2ª Câmara Cível, que reformaram a sentença anterior. Com a decisão, a mulher deverá devolver o veículo ao ex-namorado e assumir o pagamento das parcelas restantes do notebook.

Por outro lado, ela ficou desobrigada de quitar o financiamento do carro e de pagar qualquer indenização por danos morais ao antigo companheiro.

O julgamento considerou que a devolução do automóvel, somada à cobrança do saldo devedor do financiamento, poderia representar uma vantagem financeira indevida ao homem.

A decisão consta na edição nº 8.127 do Diário da Justiça, publicada em 28 de outubro de 2026, referente à Apelação Cível nº 0706005-53.2024.8.01.0001.

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Justiça do Acre

MPF pede investigação contra autores de listas de boicote político a comerciantes no Acre

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O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou ao Ministério Público do Acre (MPAC), nesta quinta-feira (29), uma representação solicitando providências contra a divulgação de listas que incentivam o boicote a comerciantes, empresários e profissionais apontados como apoiadores da esquerda em Cruzeiro do Sul. O órgão pede que sejam avaliadas medidas para identificar os responsáveis pela criação e disseminação do material, que circula nas redes sociais desde o segundo turno das eleições presidenciais.

A representação foi assinada pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Lucas Costa Almeida Dias. O documento relata que as publicações estimulam consumidores a deixar de frequentar estabelecimentos comerciais e contratar serviços de pessoas identificadas como simpatizantes da esquerda.

As listas incluem papelarias, bares, restaurantes, lojas, distribuidoras e profissionais das áreas de saúde, beleza e prestação de serviços. Funcionários de empresas e familiares de pessoas mencionadas também aparecem entre os alvos. Mensagens como “Boicote aos estabelecimentos” e “Compartilhem” são utilizadas para incentivar a divulgação do conteúdo.

A mobilização ganhou força após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno realizado em 25 de outubro. Episódios semelhantes foram registrados em outras regiões do país, incluindo campanhas que incentivam a demissão de trabalhadores por divergências políticas.

Para o MPF, embora a liberdade de expressão assegure o direito de manifestar opiniões políticas e escolher onde consumir, a organização de campanhas destinadas a expor publicamente pessoas e prejudicá-las economicamente por suas convicções pode ultrapassar os limites legais.

O órgão considera que a divulgação organizada dessas listas pode assumir caráter discriminatório e intimidatório, principalmente em cidades menores, onde a exposição pública pode provocar consequências diretas na vida profissional e pessoal dos envolvidos.

A depender das circunstâncias, os responsáveis poderão responder por crimes como calúnia, difamação, injúria, ameaça, perseguição e incitação ao crime. Também existe a possibilidade de responsabilização civil por prejuízos financeiros e danos morais individuais ou coletivos. O MPF esclarece, entretanto, que a eventual ocorrência de crimes ainda precisa ser apurada.

Na representação, o Ministério Público Federal sugere uma atuação conjunta entre as Promotorias de Justiça e a Polícia Civil para identificar quem produziu e compartilhou as listas, levantar possíveis vítimas e preservar provas digitais.

O documento também recomenda que sejam avaliadas medidas para impedir novas práticas e garantir eventual reparação às pessoas prejudicadas.

As vítimas devem ser orientadas a registrar boletins de ocorrência e guardar mensagens, capturas de tela e outros registros das publicações. O MPF alerta que determinados crimes dependem de iniciativa da vítima e podem ter prazo de seis meses para apresentação de representação ou queixa.

Como os fatos relatados não se enquadram, inicialmente, na competência da Justiça Federal, o caso foi encaminhado ao Ministério Público Estadual. Situações envolvendo demissões ou retaliações contra trabalhadores por motivação política poderão ser analisadas pelo Ministério Público do Trabalho.

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Rio Branco

Prefeitura de Rio Branco encerra Outubro Rosa com palestras sobre saúde e direitos das mulheres

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A Prefeitura de Rio Branco realizou, nesta quarta-feira (28), uma programação de encerramento da campanha Outubro Rosa, com atividades voltadas à prevenção de doenças, à saúde feminina e à divulgação dos direitos das mulheres. O encontro ocorreu no jardim da sede da administração municipal e reuniu servidoras públicas, representantes do município e autoridades estaduais.

A iniciativa foi organizada pelo Gabinete da Primeira-Dama, em parceria com a Secretaria Especial de Assuntos Jurídicos e Atos Oficiais. Durante a programação, foram realizadas palestras, rodas de conversa e distribuição de materiais informativos sobre a legislação municipal de proteção às mulheres.

A primeira-dama Roberta Lins explicou que a atividade surgiu após a elaboração de um material pelo setor jurídico da Prefeitura, reunindo leis e normas que asseguram direitos às mulheres. A proposta foi ampliar o acesso das servidoras às informações sobre os mecanismos de proteção existentes no município.

“Precisamos mostrar aos servidores quais são os direitos que eles têm”, afirmou Roberta Lins.

A diretora de Articulação de Políticas para as Mulheres, Lene Petecão, abordou as iniciativas desenvolvidas pela administração municipal, incluindo medidas de incentivo ao empreendedorismo feminino, prevenção à violência e ações educativas, como o projeto Maria da Penha vai à Escola.

Lene também mencionou a criação da Diretoria de Políticas para as Mulheres na gestão do prefeito Alysson Bestene. O setor atua na articulação de programas municipais e na divulgação de políticas públicas destinadas à população feminina.

A secretária de Estado da Mulher, Simone Santiago, participou do evento e defendeu a integração entre o Governo do Acre e a Prefeitura de Rio Branco. Entre as prioridades mencionadas estão a oferta de cursos de capacitação, o incentivo à autonomia financeira e o atendimento às mulheres em situação de violência.

O prefeito Alysson Bestene afirmou que a administração municipal pretende ampliar a presença dos serviços públicos nas comunidades, reunindo ações de saúde, educação ambiental, limpeza urbana e assistência à população.

A programação também coincidiu com o Dia do Servidor Público, celebrado em 28 de outubro. A data foi utilizada para abordar os direitos das trabalhadoras municipais e a importância da informação sobre prevenção e cuidados com a saúde.

O Outubro Rosa é uma campanha anual de conscientização sobre o câncer de mama, que também promove o debate sobre o acesso aos serviços de saúde, o diagnóstico precoce e a prevenção. Na capital acreana, a atividade de encerramento incorporou à programação orientações sobre direitos e políticas públicas destinadas às mulheres.

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