Moradores de Feijó mantiveram a BR-364 interditada por mais de 48 horas até a manhã deste domingo, 22 de fevereiro de 2026, em protesto contra o atraso na reforma do Hospital Geral do município, obra iniciada em agosto de 2023 com prazo de entrega previsto para abril de 2024.
A interdição começou por volta das 7h de sexta-feira, 20, com barreiras de pneus, formando filas de carros, caminhões e ônibus nos dois sentidos. A passagem foi mantida para pacientes em situação de emergência e, ao longo do bloqueio, os manifestantes passaram a liberar o tráfego em janelas periódicas, enquanto a Polícia Rodoviária Federal acompanhava a ocorrência no trecho.
No sábado, a Polícia Rodoviária Federal informou que o grupo liberava a rodovia “a cada quatro horas por aproximadamente 10 minutos, priorizando pessoas doentes, idosos e com consultas médicas agendadas”. No mesmo período, manifestantes solicitaram a presença do governador Gladson Cameli ou da vice-governadora Mailza Cameli para discutir prazos e apresentar um cronograma de entrega, sem registro de autoridade estadual no local até aquele momento.
O protesto ocorre em um contexto de atendimento prolongado fora do prédio em reforma. Em novembro de 2024, o Governo do Acre anunciou a adaptação de um prédio para funcionar como hospital provisório, após reunião com moradores e secretários estaduais, com o objetivo de manter os atendimentos enquanto a obra avançava. Na ocasião, Gladson Cameli declarou: “Temos um problema que não vou deixar de reconhecer e enfrentar para resolvermos”.
A permanência na estrutura temporária virou um dos pontos de pressão neste fim de semana. Profissionais do Hospital Geral de Feijó fizeram um ato simbólico na sexta-feira, 20, para marcar um ano de funcionamento da unidade provisória que, à época da mudança, havia sido apresentada com duração estimada de cerca de seis meses. A publicação relata que a estrutura temporária começou a operar em meados de 2024 e que, passado um ano, os atendimentos continuavam no espaço adaptado, com servidores apontando dificuldades estruturais e cobrando aceleração na conclusão.
Do lado do governo, a obra voltou ao noticiário na própria sexta-feira do início do bloqueio. Nota publicada em 20 de fevereiro informou que a reforma e ampliação entrou na fase final e que o primeiro bloco deve ser entregue até abril, em trabalho conjunto da Secretaria de Estado de Obras Públicas do Acre com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre, citando modernização estrutural, rede de gases medicinais concluída e expectativa de beneficiar mais de 30 mil moradores da região.
O atraso, porém, é o centro da mobilização na rodovia. Os manifestantes cobram um posicionamento oficial com novas datas para conclusão dos trabalhos e usam a interdição da principal ligação terrestre do estado para pressionar por resposta pública, em um período em que a circulação na BR-364 concentra deslocamentos entre municípios e o transporte de cargas e passageiros.
ATUALIZAÇÃO: A estrada foi liberada às 17h deste domingo, 22, após negociações entre manifestantes e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Foto do site O Alto Acre